Conheça o enredo do GRESV Império do Samba para o Carnaval 2018

IMPÉRIO DO SAMBA
ANANAS COMOSUS – UMA REALEZA TROPICAL

Mesmo antes do descobrimento, as terras mesoamericanas eram habitadas por diversas civilizações, dentre elas a civilização que mais evoluiu a forma de contar o tempo, a civilização Maia. O povo Maia possuía uma religião politeísta, eles acreditavam em diversos deuses ligados à natureza. Dentre esses estava Ixchel, que seria a deusa mãe dos Maias. Ixchel era esposa de Itzamná, o senhor dos céus, do dia e da noite.

Conhecida como deusa da Lua, também era atribuído à ela a fertilidade, saúde, magia, cura e água, sendo considerada a senhora da terra. A civilização realizava oferendas em devoção e agradecimento à essa deusa. O povo agradecia o período de abundância e riqueza que tinha se finalizado e pedia para que o novo ciclo fosse de chuvas em suas plantações e que todos tivessem prosperidade. Os Maias acreditavam que Ixchel garantiria a saúde, o alimento e a propagação de seu povo.

As oferendas eram feitas em um grande balaio com um abacaxi no centro, ao redor dele frutas e adornos eram dispostos e levados até o templo de adoração à Ixchel.

Quando Cristóvão Colombo, ao errar a rota até à Índia, chegou à América, a beleza natural da terra então desconhecida chamou sua atenção. Uma terra com plantas exuberantes e vida animal rica, árvores gigantes nas montanhas formavam o contorno que era um verdadeiro deleite aos olhos. O explorador italiano fora recebido pelos nativos que, em forma de boas-vindas, lhe ofereceram um fruto visualmente estranho aos costumes europeus, sendo rejeitado por sua aparência. Colombo passou a observar o fruto e, aos poucos, foi se rendendo. Ele percebeu que o fruto era muito semelhante ao do pinheiro europeu e acabou provando a iguaria. O explorador se encantou com o sabor adocicado e ao mesmo tempo ácido que dominava o seu paladar. Como prova da riqueza e de todo exotismo do local que Colombo descobriu, o fruto foi levado até terras europeias.

Chegando ao outro lado o mundo, o fruto se espalhou por alguns lugares do planeta. Por semelhanças ao clima, foi plantado em pontos da África, ganhou a China e chegou ao grande mercado da Índia.

Na Europa caiu no gosto dos reis e rainhas. O fruto passou a ser servido nos banquetes como símbolo de riqueza e hospitalidade aos convidados da realeza. Por conta do formato de suas folhas compridas e espinhentas foi assemelhado à uma coroa e, na Inglaterra, ganhou o título de rainha das frutas.

O transporte até o continente europeu rendeu ao abacaxi o símbolo de tudo que se entendia por tropical e exótico. Suas cores, formato e sabor foram associados ao que era novo e ganhava o mundo, e a partir disso tudo que era considerado tropical foi sendo admirado ainda mais por todos. O visual também lhe rendeu o símbolo de beleza, sendo representado pelas belas artes inúmeras vezes. Diversas pinturas e esculturas foram produzidas tendo a aparência da fruta como base.

Durante muito tempo sua imagem permaneceu muito misteriosa aos olhos de praticamente todos, algo que veio do outro lado do mundo e começou a se popularizar causou receio em alguns, até que as ciências da natureza começaram a estudar e analisar o mesmo. A ciência botânica descobriu que o que antes era considerado um único fruto na verdade se tratava de um aglomerado de pequenos frutos que, ao redor de um mesmo eixo, se fundiam e viravam um único corpo.

Tempos depois, a fruta se tornou a cara do Brasil, seja pelas cores que remetem à nossa natureza ou até mesmo pela abundância do fruto em nossas terras. O que já era conhecido alcançou outros níveis com o uso da fruta por figuras conhecidas em suas carreiras. Carmen Miranda levou a fruta até os olhos de todo o mundo. A atriz e cantora portuguesa, radicada no Brasil, rendeu-se ao tropicalismo e carregava um abacaxi em seu turbante por onde passava. Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e seu histórico e inesquecível programa de auditório chamado “Cassino do Chacrinha” pegou a fruta e a colocou como um troféu que era dado às pessoas que se apresentavam como cantores e não se saíam muito bem. O troféu se popularizou e virou marca do Velho Guerreiro, juntamente com sua irreverência e alegria, a buzina e o abacaxi fizeram história na TV brasileira.

Desde a sua ida à Europa a fruta ganhou títulos e se tornou símbolo de diversas coisas. Aqui no Brasil não poderia ser diferente. Cada vez mais popular, foi ganhando expressões e significados que talvez só existam aqui. Quem nunca teve que “descascar um abacaxi” em algum momento da vida? Vivemos um tempo onde “abacaxis” surgem diariamente em diversos lugares: política, trabalho, relacionamentos, etc.

O abacaxi da corrupção, o abacaxi do desemprego, da homofobia, transfobia e xenofobia, o abacaxi do racismo, da intolerância religiosa e de tantas outras situações em que temos que descascar essa fruta para que possamos desfrutar de sua doçura, mesmo que seja por um curto tempo. A pergunta que ronda diversas mentes em todo mundo há tanto tempo, parece ainda não ter uma resposta concreta: até quando precisaremos descascar um abacaxi para sobreviver?

Deixemos essa pergunta de lado por um momento, pois apesar dos pesares, nossa alegria faz com que nos esqueçamos dos problemas do dia a dia. Vamos até à feira buscar o abacaxi para o almoço de família que acontece em praticamente todos os lares, faremos um suco, um doce ou somente fatiar e cada um faça o que bem entender com o seu pedaço. O que realmente importa é pegarmos a coroa e mostrar que quem a usa é rei sim! Jogue os seus abacaxis pro alto e vista a melhor fantasia, cante, dance, divirta-se e seja feliz. Juntos iremos festejar a brasilidade e o nosso jeito tropical de ser, vamos celebrar a festa onde quase todos os abacaxis tem vez e não há julgamentos. O grande baile do abacaxi vai começar, é Carnaval!

Author: Carnaval Virtual

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