Imperiais do Samba lança sua sinopse para o Carnaval Virtual 2016

Introdução

Permita-me viajar pelos seus olhos de quem enxerga o aqui, o agora, mas também o outro lado, percebe os senhores infinitos de axé que comandam cada pedacinho de toda criação. Isto, pois está “com um pé no chão e outro na poesia”.
Pega seu violão e toca misturando sons de dois mundos, sons da floresta, dos mares, dos céus, com o movimento similar a tudo que voa nas alturas, rasteja no chão e percorre o horizonte distante. Personificamos a essência brasileira de sua obra, Rui Maurity, para que o povo se encontre consigo mesmo, com seus valores esquecidos e com sua maior riqueza que é a justiça, doa a quem doer a todos que tentam violentar a brasilidade!

“Cada um por si não faz o carnaval” então unimos pelo seu olhar e pela sua musicalidade todas as dimensões da criação resplandecendo em nosso pavilhão tricolor.
Batam palmas, iaôs!!
Girem suas saias de Aruanda, Guiné, Congo e Brasil, baianas!!
“Com licença, moço que eu não tenho medo!!”
Vamos sempre à luta, Imperiais do Samba!!!

Sinopse

Zunido de vento, chocalho de folhas… raio, chuva e trovão!
Chove, relampeia, mesmo assim o céu está azul.
Vindo por entre as árvores tão altas que tem suas copas perdidas nas nuvens, chegam índios feridos pela civilização. Coração que sangra busca alento no líder das falanges afro-ameríndias. Buscam Oxóssi.
Senhor soberano da caça, enxerga a tristeza de seus filhos e rompe mata, arranca toco!
Voam flechas em direção às cidades e à consciência dos brasileiros.
As folhas da jurema vertem sua essência pelo chão que se abre e acolhe esse axé.
Grita Oxóssi caçador!! Oke!!! Oke!! Iá!! Iá!! Iá!!
Segue o canto de Janaína e dos caboclos….
Canta também o soberano daqui e de Ketu!!
Oke arô, Oxóssi!!
Espalha-se consciência por entre os brasileiros….
Consciência permite a audição da pulsação que percorre cercanias, as veias da terra-Brasil… é o pulsar do seu coração negro.
Conscientização retinta, expõe o poder negro que há de ser valorizado.
Jesus Cristo, Oxalá, Oxóssi e Olorum ordenam que o cego veja a luz, que as bocas negras então sejam livres para gritar e cantar, bem como ordenar, afinal todos nasceram para liderar independente de sua etnia.
É hora de expor o poder da negritude.
Por isso samba “meu preto bonito”, “amuleto desse meu país”. É Afro-euro-ameríndio da falange de “seo” Zé Pilintra. Afro-euro-malandro-ameríndio. Mistura perfeita em acorde, verso e canção.
O futuro desse povo todo já se iniciou… já soou o “Primeiro apito do ano 2000”. Feito tambor, feito pandeiro, bate o coração negro desse país.
Já é impossível deixar de ouvir…
O futuro viaja em um tempo diferente do que os homens estão acostumados. O amanhã se principia no hoje e no ontem. Escolhas conscientes levam a novos porvires.
Revela meu pai Obatalá, que há em nós o motivo e a cura de todas as enfermidades, o pecado e o perdão. Revela que somos sete cores da manhã, sete cavaleiros, sete linhas…. sete unidos em um que sempre há de triunfar ante a intolerância, a amoralidade e a força que corrompe a carne. Um que se tornam muitos irmãos.
Pois que algo novo ocorre – a utopia do cancioneiro torna-se virtual realidade.
Sorri o violeiro que plantou seu coração, ali nos canteiros de sonhos, e fez a menina bordar em forma de ciranda um amanhecer mais feliz, “leve e solto pé no chão”. A felicidade é um valor resgatado. Ouro e prata de um povo!
A memória é um valor redescoberto. Ouro e prata de um povo!
Rasgatam-se o amor e a brasilidade. Ouro e prata de um povo!
Resgataram-se a tolerância e a justiça, nas cores de Oxumaré e na explosão de Xangô.
Utópico Brasil… que um dia se torne real e perceba que está aqui e dentro de cada um de nós o segredo para uma nação de fato pertencente a todos.

Axé, Ruy Maurity!!
Axé, Brasil!!

Author: Carnaval Virtual

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