{"id":1780,"date":"2016-01-18T23:59:58","date_gmt":"2016-01-18T23:59:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/?p=1780"},"modified":"2016-01-19T00:01:39","modified_gmt":"2016-01-19T00:01:39","slug":"1780-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/1780-2\/","title":{"rendered":"Ponte A\u00e9rea lan\u00e7a sua sinopse para o Carnaval Virtual 2016"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><b>&#8220;CORDAS DE A\u00c7O&#8221;<\/b><\/p>\n<p><b>SINOPSE<\/b><\/p>\n<p>Minhas cordas amarraram o tempo<br \/>\nRevelando o som do povo.<br \/>\nA vida me dedilhou, transformando em notas a sua hist\u00f3ria<br \/>\nE ao passo em que caminhei, novas formas ganhei<br \/>\nSem ter certeza, ao mesmo, de onde me originei<br \/>\nPois sou peregrino, aventureiro,<br \/>\nMas acompanho a trajet\u00f3ria de quem me leva nos bra\u00e7os,<br \/>\nTransformando em m\u00fasica os pr\u00f3prios passos.<\/p>\n<p>Meu som banhou os rios<br \/>\nEm cujas margens um imp\u00e9rio surgiu<br \/>\nEstaria na cantoria da Babil\u00f4nia<br \/>\nEm cerim\u00f4nia, na lira grega sutil.<br \/>\nVibraram-me com penas, tocaram em ca\u00e7as.<br \/>\nEmbalando caminhadas \u00e1rabes e conquistas pela Europa<br \/>\nCom o tempo, ganhei mais cordas.<br \/>\nVirei ala\u00fade e depois viola<br \/>\nEntoando trovas ou por voca\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>Por iluminuras, desenhos ou pinturas<br \/>\nRegistraram minhas formas<br \/>\nComo guitarra &#8220;renasci&#8221;,<br \/>\nPassei a ser incorporado na cultura e na mem\u00f3ria<br \/>\nNo luxo da corte, do popular ao erudito.<br \/>\nNas miss\u00f5es de jesu\u00edtas, musicando a hist\u00f3ria de Cristo<br \/>\nDe portugueses e espanh\u00f3is, nos navios em busca de novas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Um cordel no novo mundo<br \/>\nGanhei outros rumos, mais um olhar<br \/>\nChorando o folclore cantado \u00e0 luz do luar<br \/>\nPor sert\u00f5es, acompanhando sanfonas<br \/>\nSerestas e lundus, um Brasil musicado<br \/>\nNas cantorias de ciganos andarilhos<br \/>\nQue ao pa\u00eds chegaram<br \/>\nN\u00e3o eram senhores, nem escravos<br \/>\nApenas cantores largados ao destino<br \/>\nEm trabalhos menores, sem local onde ficar<br \/>\nNos guetos da Pequena \u00c1frica foram cantar<br \/>\nAcompanhados do batuque<br \/>\nDe quem um tamb\u00e9m dia sua terra teve que deixar<\/p>\n<p>Por rodas de samba e modinhas<br \/>\nEmbalando can\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPassando por movimentos e gera\u00e7\u00f5es<br \/>\nVenci o asfalto, avenidas e desfiles<br \/>\nSubi o morro carregado nos bra\u00e7os<br \/>\nDe meu poeta amigo<br \/>\nQue conversava com as rosas e comigo<br \/>\nPra falar de amor<br \/>\nMe abran\u00e7ando em seu peito, me dando calor<br \/>\nE deixando-me ouvir o som do cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nA can\u00e7\u00e3o da vida, a voz de um viol\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisa: Gabriel Mello e Guilherme Estev\u00e3o<\/p>\n<p><b>JUSTIFICATIVA<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Ou\u00e7o outra vez aquelas notas. Os sons que me levaram pela vida, querem me levar ao passado. Eu cruzo as portas do tempo em busca do que h\u00e1 entre linhas. As partituras se dividem como o tempo. In\u00edcio, meio e fim; amarrados pelas cordas doces e embrenhados nos fatos.<br \/>\nVou al\u00e9m dos tons e do eco, nos contratempos que me levam rumo \u00e0 mem\u00f3ria do meu viol\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do viol\u00e3o remonta a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da humanidade. Descendente dos instrumentos de cordas primitivos, nosso companheiro \u00e9 famoso por voca\u00e7\u00e3o e autoridade musical por direito.<\/p>\n<p>Os primeiros registros de Instrumentos de cordas, impressos nas pedras, remontam o cen\u00e1rio dos Rios Tigre e Eufrates, onde a mesopot\u00e2mica Ass\u00edria se ergueu. Acompanhando os c\u00e2nticos divinos da Sum\u00e9ria ao Sul e as celebra\u00e7\u00f5es Babil\u00f4nicas ao Norte, os portadores do som ornamentavam deuses alados e debru\u00e7avam nos bra\u00e7os em mulheres nuas. Mais al\u00e9m, as harpas eg\u00edpcias com seu formato de arco e suas cordas feitas das entranhas dos animais, alegravam as cerim\u00f4nias dos fara\u00f3s no Egito e traziam a esperan\u00e7a de ca\u00e7a advinda de Neith.<\/p>\n<p>Ao leste, sitares tocados com penas de pav\u00e3o traziam a harmonia necess\u00e1ria. Segundo as cren\u00e7as indianas, a calma vibra\u00e7\u00e3o imitava a resson\u00e2ncia da vida. Sobre o Mediterr\u00e2neo, as liras ambientavam os cl\u00e1ssicos da literatura grega, levando os poetas ao estado m\u00e1ximo de criatividade no desenvolvimento de suas odiss\u00e9ias. Um pouco ao Oeste, ornadas com rosas, as fid\u00edculas faziam a trilha sonora para os causos da corte romana, que despertavam fascina\u00e7\u00e3o entre os tipos populares da plebe. Entre todos os grandes povos, na Ar\u00e1bia Antiga, os ala\u00fades acompanhavam os mouros viajantes, guerreiros por natureza e \u00e1vidos por conquistar novas terras.<\/p>\n<p>Seguindo o extinto expansivo dos \u00e1rabes, o ala\u00fade incorporou as caracter\u00edsticas de seus primos do norte da \u00e1frica e quando chegou \u00e0s terras espanholas na Batalha de Guadalete, encontrou facilidade para se difundir e transformou-se outra vez. Formado ent\u00e3o o Emirado subordinado ao Califado de Bagd\u00e1, ele se misturou aos instrumentos nativos e originou a Guitarra Mourisca.<\/p>\n<p>Isolada do restante da Europa pela domina\u00e7\u00e3o, a Espanha se abriria novamente para o mundo ap\u00f3s a reconquista Crist\u00e3. A partir da\u00ed, a mistura de suas guitarras mouriscas com as guitarras latinas, derivadas dos demais instrumentos de cordas Greco-Romanos, faria nascer nas catedrais de toda Europa e nas m\u00e3os dos trovadores o que seria chamado em portugu\u00eas de Viola.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia a valoriza\u00e7\u00e3o das artes, iniciada no s\u00e9culo XVI, inspira o primeiro artigo sobre o instrumento que se tem conhecimento. Sob o titulo de &#8220;El Maestro&#8221;, de autoria do compositor renascentista valenciano Luis de Milan, a obra marca o reconhecimento intelectual do instrumento.<\/p>\n<p>Com o auge do Renascimento, a viola se transforma em viol\u00e3o. Embalando fantasias, pavanas, sonetos e vilancetes, o instrumento inaugura um per\u00edodo de riqueza musical efervescente e moderniza\u00e7\u00e3o dos estilos musicais. De vasto alcance popular, logo se espalha pelas festas camponesas e ganha o apre\u00e7o da corte, sendo consagrado nos retratos da corte francesa e nas perip\u00e9cias de Luiz XV.<\/p>\n<p>Ganhou, ent\u00e3o, as famosas escolas de m\u00fasica da \u00c1ustria e viaja para o Leste Europeu nas m\u00e3os dos ciganos. Chega ao novo mundo sob as vestes dos jesu\u00edtas em suas miss\u00f5es e no Nordeste do Brasil finca suas ra\u00edzes em meio aos centros urbanos e cancioneiros populares, naquele que seria o embri\u00e3o do Cordel.<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o nacional, o viol\u00e3o passa a ser utilizado na cultura folcl\u00f3rica da caatinga e nos ponteios caipiras dos sert\u00f5es centrais. Chegou \u00e0s terras mineiras orquestrando os requebros negros dos Lundus e desbrava as ruas de uma velha S\u00e3o Paulo entre os versos das serestas cantadas ao Luar. No Rio, a essa altura capital, acompanha as modinhas da corte e ganha o centro da efervescente e maravilhosa cidade.<\/p>\n<p>Por meio de China &#8211; irm\u00e3o de Pixinguinha &#8211; e Tute, o viol\u00e3o se integraria ao choro. Os dois companheiros tomaram conhecimento do uso do instrumento nos batuques ao assistirem uma festan\u00e7a na casa de Tia Ciata. O instrumento foi introduzido nas festan\u00e7as por ciganos advindos de comunidades russas do centro do Rio de Janeiro que povoavam os corti\u00e7os da Pra\u00e7a Onze e interagiam com os negros e nordestinos da Pequena \u00c1frica.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed a hist\u00f3ria efervesceu. Incorporado ao samba que nascia e suas vertentes, o viol\u00e3o foi reivindicado pelos modernistas como parte da identidade nacional. Virou nome de revista e personagem de literatura.<\/p>\n<p>Abra\u00e7ou-se a Bossa-Nova e caminhou cheio de voz no apelo dos tropicalistas. Um banquinho e um viol\u00e3o. E volu\u00e7\u00e3o e simplicidade. Contador de enredos em muitas folias e guetos. Amante do amor e da dor, da alegria e da decep\u00e7\u00e3o. Hoje o viol\u00e3o tem contadas as suas mem\u00f3rias por aquele que usou dele para eternizar mem\u00f3rias. Companheiro de Cartola, primo de banjos e cavacos. Cordas de A\u00e7o que unem o Samba e o Carnaval, como se unem o Morro e o Asfalto.<\/p>\n<p>&#8220;Ah, essas cordas de a\u00e7o<br \/>\nEste min\u00fasculo bra\u00e7o<br \/>\nDo viol\u00e3o que os dedos meus acariciam<br \/>\nAh, este bojo perfeito<br \/>\nQue trago junto ao meu peito<br \/>\nS\u00f3 voc\u00ea viol\u00e3o<br \/>\nCompreende porque perdi toda alegria<br \/>\nE, no entanto meu pinho<br \/>\nPode crer, eu adivinho<br \/>\nAquela mulher<br \/>\nAt\u00e9 hoje est\u00e1 nos esperando<br \/>\nSolte o teu som da madeira<br \/>\nEu voc\u00ea e a companheira<br \/>\nNa madrugada iremos pra casa<br \/>\nCantando&#8230;&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;CORDAS DE A\u00c7O&#8221; SINOPSE Minhas cordas amarraram o tempo Revelando o som do povo. 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