{"id":32537,"date":"2022-05-13T12:00:54","date_gmt":"2022-05-13T15:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=32537"},"modified":"2022-05-16T00:04:08","modified_gmt":"2022-05-16T03:04:08","slug":"folguedo-caipira-apresenta-o-som-da-libertacao-no-carnaval-virtual-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/folguedo-caipira-apresenta-o-som-da-libertacao-no-carnaval-virtual-2022\/","title":{"rendered":"Folguedo Caipira apresenta o som da liberta\u00e7\u00e3o no Carnaval Virtual 2022"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_32616\" aria-describedby=\"caption-attachment-32616\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/n_Folguedo1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-32616\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/n_Folguedo1-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/n_Folguedo1-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/n_Folguedo1-768x549.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/n_Folguedo1-1024x731.jpg 1024w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/n_Folguedo1.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-32616\" class=\"wp-caption-text\">Pavilh\u00e3o oficial da agremia\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Buscando o t\u00edtulo de campe\u00e3 do Grupo de Acesso II do Carnaval Virtual, a SCESV Folguedo Caipira divulgou o enredo que levar\u00e1 para a passarela virtual em 2022.<\/p>\n<p>A laranja e amarelo de Jaboticabal\/SP ir\u00e1 apresentar o enredo <em>&#8220;O Som da Liberta\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>, de autoria de sua carnavalesca Al\u00ea MSF e do presidente Vin\u00edcius Lopes.<\/p>\n<p>Confira abaixo a justificativa e a sinopse do enredo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O SOM DA LIBERTA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>JUSTIFICATIVA DO ENREDO:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Sarav\u00e1 filhos de f\u00e9!\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0A Sociedade Cultural Escola de Samba Virtual Folguedo Caipira apresenta para o Carnaval de 2022 o enredo:\u00a0 &#8220;O SOM DA LIBERTA\u00c7\u00c3O &#8220;. O nosso pavilh\u00e3o quer manter o ideal de valorizar a cultura nacional, e para conseguir tal objetivo, o touro negro ir\u00e1 abrir os port\u00f5es das senzalas e edificar ocas para transformar a avenida em um imenso terreiro de umbanda.<\/em><\/p>\n<p><em>A partir dos ritmos musicais que usam como base o atabaque, mostraremos a chegada, nascimento e a consolida\u00e7\u00e3o da umbanda em solo tupinamb\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Como essa linha divis\u00f3ria das religi\u00f5es \u00e9 t\u00eanue usaremos o atabaque e os demais instrumentos de percuss\u00e3o como condutores dessa hist\u00f3ria de luta e supera\u00e7\u00e3o, a fim de promover o respeito entre as cren\u00e7as e revelar um Brasil plural e miscigenado.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 com muita alegria e humildade que convidamos a todos para essa sess\u00e3o de f\u00e9, resist\u00eancia, cultura e hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em>Para escutar esse som sagrado que vem da curimba:<\/em><\/p>\n<p><em><strong>PONTO DE DEFUMA\u00c7\u00c3O.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>&#8220;<\/strong>Com licen\u00e7a pai ogum<br \/>\nFilho quer se defumar<br \/>\nA umbanda tem fundamento<br \/>\n\u00c9 preciso preparar<br \/>\nCom incenso e bejoin<br \/>\nAlecrim e alfazema<br \/>\nDefuma filhos de f\u00e9<br \/>\nCom as folhas da jurema&#8230;&#8221;\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><strong>SINOPSE:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>HINO OFICIAL DA UMBANDA.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>LETRA\/M\u00daSICA: J.M. ALVES.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Refletiu a Luz Divina<br \/>\nCom todo seu esplendor<br \/>\n\u00c9 do reino de Oxal\u00e1<br \/>\nOnde h\u00e1 paz e amor<br \/>\nLuz que refletiu na terra<br \/>\nLuz que refletiu no mar<br \/>\nLuz que veio de Aruanda<br \/>\nPara todo iluminar<br \/>\nA Umbanda \u00e9 paz e amor<br \/>\n\u00c9 um mundo cheio de luz<br \/>\n\u00c9 a for\u00e7a que nos d\u00e1 vida<br \/>\nE a grandeza nos conduz<br \/>\nAvante filhos de f\u00e9<br \/>\nComo a nossa lei n\u00e3o h\u00e1<br \/>\nLevando ao mundo inteiro<br \/>\nA bandeira de Oxal\u00e1!<strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>ATO 1: ADOREI AS ALMAS.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Meu nome \u00e9 Luzia Pinta, escrava retirada das entranhas de minha terra natal, Angola. Trazida ainda crian\u00e7a assim como muitos em navios, fui batizada em terras baianas por onde vivi at\u00e9 meus vinte anos. Nesse per\u00edodo vi crescer os verdejantes canaviais que eram verdadeiros cemit\u00e9rios para minha gente, assim sendo, posso dizer que da morte de meus irm\u00e3os de cor nascia o progresso do imp\u00e9rio colonial.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Aos trinta anos com sacrif\u00edcio e suor consegui minha alforria na cidade mineira de Sabar\u00e1 em plena \u00e9poca das minera\u00e7\u00f5es dos brilhantes diamantes e do cobi\u00e7ado ouro.<\/em><\/p>\n<p><em>Iniciei meu&#8221; calundu &#8220;, isto \u00e9, uma esp\u00e9cie de cerim\u00f4nia aberta aos negros, ind\u00edgenas, brancos e a quem mais se interessar e envolta \u00e0 m\u00e1gica sonoridade dos atabaques criados a partir das mem\u00f3rias de antigos Gri\u00f4s das senzalas. Toc\u00e1vamos e dan\u00e7\u00e1vamos para purificar, curar, adivinhar e orientar os participantes em rela\u00e7\u00e3o aos transes de nossos ancestrais.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas sofri por sonhar com um mundo justo para meus conterr\u00e2neos. Ca\u00ed em desgra\u00e7a ao ser presa, torturada e morta pela inquisi\u00e7\u00e3o da Santa Igreja em Lisboa.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Outros morreram antes de mim e posteriormente tamb\u00e9m, ao som dos lamentos nos tumbeiros, nas mais vastas planta\u00e7\u00f5es, todavia tantos corpos e almas resistiram para formar os quilombos de onde nossa cultura e f\u00e9 jamais padeciam.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>As cantigas, ora\u00e7\u00f5es e ladainhas foram as respons\u00e1veis pela aproxima\u00e7\u00e3o da nossa origem e do cheiro do couro de animais saiam o toque de nossa liberdade mesmo que somente espiritual. &#8220;&#8230; os escravos eram proibidos de praticar sua cultura, qualquer tipo de luta ou dan\u00e7a; a capoeira, uma forma de luta de resist\u00eancia do negro passou a ser mascarada pela dan\u00e7a, principalmente no quilombo e nas senzalas e se transformou em um importante instrumento de resist\u00eancia dos escravos brasileiros&#8230;&#8221;(Scheifer-2012 -p\u00e1gina 123)<\/em><\/p>\n<p><em><strong>PONTO DE PRETO VELHO.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Bahia oh \u00c1frica vem c\u00e1 vem nos ajudar.<br \/>\nBahia oh \u00c1frica vem c\u00e1 vem nos ajudar<br \/>\nFor\u00e7a baiana, for\u00e7a africana vem c\u00e1 nos ajudar &#8230;&#8221; <strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>ATO 2:\u00a0 OK\u00ca CABOCLO<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>No ano de 1981 nascia meu aparelho Zelio Fernandino de Moraes. Com a suspeita de dist\u00farbios mentais ou possess\u00f5es aos dezessete anos prestes a ingressar nas for\u00e7as armadas, meu cavalo foi levado a federa\u00e7\u00e3o esp\u00edrita de Niter\u00f3i onde se usava a doutrina de Kardec para propalar o espiritismo.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas como um lugar considerado para elevar a alma n\u00e3o permitiu que esp\u00edritos de luz tenham voz? Foi o que aconteceu comigo! Em gera\u00e7\u00f5es anteriores fui padre jesu\u00edta e vi de perto o terror da invas\u00e3o ao solo brasileiro e retornei como filho deste solo agora personificado na figura do caboclo sete encruzilhadas.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>No dia 15 de novembro fui expulso por ser considerado um esp\u00edrito atrasado, ent\u00e3o no dia posterior ja onde seria a futura tenda esp\u00edrita Nossa Senhora da Piedade, proclamei atrav\u00e9s de brados ind\u00edgenas que ali todo caboclo, preto velho, boiadeiro e exus pudessem ter voz para falar sob o olhar da caridade eterna.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas a inquisi\u00e7\u00e3o agora tinha outro nome \u00e9 ela se chamava &#8221; preconceito religioso &#8220;. A igreja cat\u00f3lica, evang\u00e9lica e assim como os kardecistas tentavam deslegitimar algo que era \u00fanico, a nossa &#8220;umbanda&#8221;, um rito totalmente brasileiro e metaf\u00edsico que quase por osmose absorvia outras doutrinas espirituais tais como: o candombl\u00e9 de Angola, quimbandas, xamanismos, ciganos e entre outros.\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_32538\" aria-describedby=\"caption-attachment-32538\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Folguedo-Caipira-2022.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-32538\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Folguedo-Caipira-2022-214x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Folguedo-Caipira-2022-214x300.jpeg 214w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Folguedo-Caipira-2022-768x1076.jpeg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Folguedo-Caipira-2022-731x1024.jpeg 731w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Folguedo-Caipira-2022.jpeg 1142w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-32538\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por\u00e9m os jornais como o &#8220;Estado de S\u00e3o Paulo &#8221; e o movimento pol\u00edtico a n\u00edvel federal de 1950 a 1964, eram implac\u00e1veis em demonizar nosso movimento e tentaram branquear nossa ancestralidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Apesar dos tempos sombrios da ditadura civil-militar, come\u00e7ou uma expans\u00e3o umbandista, tanto \u00e9, que 94% dos terreiros de umbanda foram registrados em cart\u00f3rios. A partir do fim da d\u00e9cada de 60 e durante a d\u00e9cada de 70, com a colabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos e intelectuais, passaram a ser inclu\u00eddas nos calend\u00e1rios nacionais e regionais, festas como o cortejo \u00e1 Iemanj\u00e1, legitimando a cren\u00e7a como brasileira.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;H\u00e1 uns quarenta anos mais ou menos aproveitando a enorme aceita\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos espirituais por parte dos brasileiros, entidades que presidiram o destino espiritual da ra\u00e7a resolveram levar avante a \u00e1rdua tarefa de lhes dar uma religi\u00e3o que fosse genuinamente brasileira. Porque, filho de tr\u00eas ra\u00e7as &#8211; a branca, a negra e a \u00cdndia n\u00e3o era justo que coubesse ao brasileiro como importada, fosse ela qual fosse, e que n\u00e3o revivesse os anseios das tr\u00eas ra\u00e7as a que pertence. A religi\u00e3o que lhes estava destinada deveria ser uma religi\u00e3o ecl\u00e9tica&#8230;&#8221; (Azevedo,1960 p\u00e1gina 63).<\/em><\/p>\n<p><em><strong>PONTO DE CABOCLO.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>&#8221; \u00d3 jurem\u00ea, \u00d3 jurema<br \/>\nSua folha caiu serena \u00d3 jurema dentro desse gong\u00e1<br \/>\nSua folha caiu serena \u00d3 jurema dentro desse gong\u00e1<br \/>\nPara chamar todos os caboclos \u00d3 jurema para sarava &#8220;<strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>ATO 3 &#8211; TOCADORES DE F\u00c9<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Wuid\u00e1 era um dos maiores portos de embarque de escravos no continente africano. Aos menos afortunados s\u00f3 restavam dar voltas em torno da &#8220;\u00c1RVORE DO ESQUECIMENTO&#8221; para que quando chegasse ao novo mundo n\u00e3o tivessem as lembran\u00e7as de seu passado.<\/em><\/p>\n<p><em>Por\u00e9m o som transcende a barreira do sofrimento e junto dele as recorda\u00e7\u00f5es de uma vida de liberdade. Nenhum atabaque havia chegado ao Brasil, pelo menos n\u00e3o de forma concreta, ele veio em meio \u00e0s lembran\u00e7as persistentes do terror da escravid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Orquestra percussiva a favor da religi\u00e3o, assim era denominado o grupo de pessoas que tocavam para suas divindades oriundas de v\u00e1rios lugares do territ\u00f3rio africano. A sinfonia de xer\u00ea, ar\u00f4, adja, agog\u00f4 e cadocor\u00f4 estava pronta para resistir em nome de uma na\u00e7\u00e3o e no Brasil serviu para recordar, celebrar e expandir o dom\u00ednio cultural afro.<\/em><\/p>\n<p><em>A maior fun\u00e7\u00e3o do Alagbe, \u00e9 tocar para entoar for\u00e7as divinas que n\u00e3o somente aparecem a fim de incorporar, mas tamb\u00e9m fazem pensar, crescer, lutar e sobreviver conforme a ancestralidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Da forma\u00e7\u00e3o musical dentro de um terreiro sa\u00edram m\u00fasicos que disseminaram de forma sublime as ra\u00edzes de uma ideologia. Nos anos 40 e 50 do s\u00e9culo passado, og\u00e3s e alagbes, formaram grupos denominados &#8220;jazzes&#8221;, parecidos com os grupos musicais desse ritmo que conhecemos atualmente.<\/em><\/p>\n<p><em>Mesmo sendo for\u00e7ados a incorporar melodias europeias, os tocadores nunca se afastaram de suas origens. Muitos desses m\u00fasicos trabalhavam em barbearias nos meados de 1840, por\u00e9m no s\u00e9culo seguinte com a vinda da aboli\u00e7\u00e3o, com a suposta forma\u00e7\u00e3o de um estado laico e fortalecidos com os in\u00fameros congressos de m\u00fasica afro-brasileira organizados por M\u00e3e menininha do Gantois, os sagrados m\u00fasicos ajudaram a potencializar a import\u00e2ncia da m\u00fasica negra, resultando no surgimento de grupos de afox\u00e9 como &#8220;korin nago&#8221;, a participa\u00e7\u00e3o dos atabaqueiros no cinema, por exemplo no filme &#8220;Barravento &#8221; de Glauber Rocha em 1962 e no campo da dan\u00e7a com o corpo de bal\u00e9 &#8220;Viva Bahia&#8221;, que apoiado pelo Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais levou a capoeira para o mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Desta forma, n\u00e3o s\u00f3 com a ajuda de incentivadores como Em\u00edlia Biancardi e Djalma Correia e entre outros, a cultura musical afro-brasileira perdeu o estigma de marginalizada.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;&#8230;na rua das grades de ferro nos entornos do mercado Santa Barbara&#8230;abrigava uma oficina de barbearia e tamb\u00e9m sediava uma banda de m\u00fasica em que os escravos tocavam desde pelo menos 1782, a banda tocava em festas populares cat\u00f3licas&#8230;com a morte de Manoel Jos\u00e9 em 1856 a banda passou a ser de seu filho &#8230;&#8221; (Castillo ,2017 p\u00e1ginas 21.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>PONTO DE SAUDA\u00c7\u00c3O AOS OG\u00c3S.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>\u201cOh! Meu Og\u00e3, de Lei \u2013 bis<br \/>\nA estrela que brilha l\u00e1 no c\u00e9u, senhor Og\u00e3<br \/>\n\u00c9 de Jesus de Nazar\u00e9<br \/>\nA estrela que brilha l\u00e1 no c\u00e9u, senhor Og\u00e3<br \/>\n\u00c9 de Jesus de Nazar\u00e9\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Og\u00e3-nilu!<\/p>\n<p><em><strong>ATO 4 &#8211; A MAGIA DO SOM<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>\u201cA m\u00fasica brasileira \u00e9 uma flor de tr\u00eas ra\u00e7as tristes\u201d, como dizia o poeta Olavo Billac.<\/em><\/p>\n<p><em>O branco europeu trouxe consigo o lirismo atrav\u00e9s dos ritmos cl\u00e1ssicos e melodias sacras. Do negro escravizado veio os in\u00fameros instrumentos de percuss\u00e3o, o modo lascivo de dan\u00e7ar e as cores e bailados viscerais. O ind\u00edgena trouxe a inspira\u00e7\u00e3o sonora dos marac\u00e1s que fascinam at\u00e9 hoje o imagin\u00e1rio popular.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa miscel\u00e2nea de melodias se espalhou pelo territ\u00f3rio nacional, o que resultou em cada parte do Brasil uma peculiaridade musical materializada em folias, folguedos, rodas de samba e dan\u00e7as.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0A sonoridade afro-brasileira nos envolve em seus toques e nos conduz por um breve e inesquec\u00edvel momento, esquecer das dificuldades da vida e realiza a nossa conex\u00e3o com o sagrado mesmo que de forma profana.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 a verdadeira magia que os sons podem proporcionar, a liberdade de sempre para podermos sonhar!<\/em><\/p>\n<p><em>Atabaque: substantivo masculino. Fam\u00edlia dos tambores oblongos com pele retesada numa das extremidades. Uso no Brasil em festividades religiosas. Etnogr\u00e1ficas; curimb\u00f3, tambaque, tambaque. Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>O CANTO DAS TR\u00caS RA\u00c7AS.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>CLARA NUNES.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Ningu\u00e9m ouviu<br \/>\nUm solu\u00e7ar de dor<br \/>\nNo canto do Brasil<br \/>\nUm lamento triste<br \/>\nSempre ecoou<br \/>\nDesde que o \u00edndio guerreiro<br \/>\nFoi para o cativeiro<br \/>\nE de l\u00e1 cantou<\/em><\/p>\n<p>Negro entoou<br \/>\nUm canto de revolta pelos ares<br \/>\nNo Quilombo dos Palmares<br \/>\nOnde se refugiou<br \/>\nFora \u00e0 luta dos Inconfidentes<br \/>\nPela quebra das correntes<br \/>\nNada adiantou<br \/>\nE de guerra em paz<br \/>\nDe paz em guerra<br \/>\nTodo o povo dessa terra<br \/>\nQuando pode cantar<br \/>\nCanta de dor<\/p>\n<p>\u00d4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4<br \/>\n\u00d4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4<br \/>\n\u00d4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4<br \/>\n\u00d4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4, \u00f4<\/p>\n<p>E ecoa noite e dia<br \/>\n\u00c9 ensurdecedor<br \/>\nAi, mas que agonia<br \/>\nO canto do trabalhador<br \/>\nEsse canto que devia<br \/>\nSer um canto de alegria<br \/>\nSoa apenas<br \/>\nComo um solu\u00e7ar de dor<\/p>\n<p><em><strong>BIBLIOGRAFIA:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>ABC dos Og\u00e3s. Autor: Severino Sena.<\/em><\/p>\n<p><em>Aruanda. Autor: M\u00e1rio Barcelos<\/em><\/p>\n<p><em>A umbanda como projeto de nomea\u00e7\u00e3o da realidade brasileira.<\/em><\/p>\n<p><em>Do negro ao branco: breve hist\u00f3ria do nascimento da umbanda.<\/em><\/p>\n<p><em>Enciclop\u00e9dia Delta Larousse.<\/em><\/p>\n<p><em>Entre linhas e falanges: a diversidade da umbanda na contemporaneidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Escravid\u00e3o no per\u00edodo colonial: a vida dos negros nos engenhos de a\u00e7\u00facar.<\/em><\/p>\n<p><em>O alagbe: entre o mundo e o terreiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Umbanda uma religi\u00e3o que n\u00e3o nasceu: breves considera\u00e7\u00f5es sobre uma tend\u00eancia dominante na interpreta\u00e7\u00e3o do universo umbandista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buscando o t\u00edtulo de campe\u00e3 do Grupo de Acesso II do Carnaval Virtual, a SCESV Folguedo Caipira divulgou o enredo que levar\u00e1 para a passarela virtual em 2022. A laranja e amarelo de Jaboticabal\/SP ir\u00e1 apresentar o enredo &#8220;O Som da Liberta\u00e7\u00e3o&#8221;, de autoria de sua carnavalesca Al\u00ea MSF e do presidente Vin\u00edcius Lopes. Confira<\/p>\n","protected":false},"author":358,"featured_media":32538,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[227],"tags":[],"class_list":["post-32537","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carnaval-virtual-2022"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/358"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32537"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32688,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32537\/revisions\/32688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}