{"id":32777,"date":"2022-05-20T12:00:37","date_gmt":"2022-05-20T15:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=32777"},"modified":"2022-05-19T21:38:10","modified_gmt":"2022-05-20T00:38:10","slug":"32777-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/32777-2\/","title":{"rendered":"Yab\u00e1s, m\u00e3es, mulheres: A majestade feminina \u00e9 o enredo da Coruja Negra para 2022"},"content":{"rendered":"<p>Escola de Praia Grande, litoral paulistano, a rec\u00e9m ascendida ao Grupo de Acesso 1, Coruja Negra trar\u00e1 para a passarela virtual em 2022 o enredo\u00a0<em>Yab\u00e1s, m\u00e3es, mulheres: A majestade feminina\u00a0<\/em>de autoria de Thiago Braga.<\/p>\n<p>Confira a sinopse da agremia\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em>O Esp\u00edrito sobre a carne.<\/em><\/p>\n<p><em>Um dia, quando o mundo era jovem e n\u00e3o conhecia o bem ou o mal, o Orum abriu-se em contempla\u00e7\u00e3o. De l\u00e1 vinham, como que j\u00e1 senhoras daquele ventre novo do Aye. Vieram como numa revoada, todas as duzentas e uma, cada qual com seu poderoso p\u00e1ssaro. Senhoras do ei\u00e9, donas do ei\u00e9, mulheres-elei\u00e9. Porque as I\u00e1 Mi foram as primeiras m\u00e3es, ra\u00edzes primordiais, segredos do mal e do bem. T\u00e3o poderoso e destruidor quanto o ax\u00e9 \u00e9 construtor e positivo, foram os seus feiti\u00e7os. Vida e morte, impiedosas e anci\u00e3s. Quando desceram, voaram pelas \u00e1rvores. Sete foram suas moradas, sete \u00e1rvores tocadas pelo seu poder. A cada moradia, um novo poder elas descobriram. E enquanto puderam, exerceram o seu poder de modo terr\u00edvel e primevo. Ent\u00e3o Exu auxiliou Orunmil\u00e1, e este descobriu os seus segredos. E o mundo se equilibrou. Mas ainda hoje, ainda h\u00e1 a mem\u00f3ria dos seus poderes, que foram for\u00e7adas a compartilhar. Ainda hoje permanece a mem\u00f3ria do amor de Odu por Orunmil\u00e1, e os motivos pelo qual concedeu-lhe o seu pano de Egum, cedendo-lhe o dom\u00ednio e parte do seu poder. Porque ela sabia que na Terra, as mulheres tinham poder demais. Todos viriam ao mundo atrav\u00e9s delas, e o segredo da gesta\u00e7\u00e3o nunca lhes seria roubado, mesmo que ela reconhecesse a ast\u00facia e a intelig\u00eancia de Orunmil\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAs I\u00e1 Mi Oxorong\u00e1 s\u00e3o nossas m\u00e3es primeiras, ra\u00edzes primordiais da estirpe humana, s\u00e3o feiticeiras.<\/em><br \/>\n<em>S\u00e3o velhas m\u00e3es-feiticeiras as nossas m\u00e3es ancestrais. As I\u00e1 Mi s\u00e3o o princ\u00edpio de tudo, do bem e do mal.<\/em><br \/>\n<em>S\u00e3o vida e morte ao mesmo tempo, s\u00e3o feiticeiras. S\u00e3o as temidas aj\u00e9s (&#8230;)\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m entre os demais orix\u00e1s, h\u00e1 latente o grande poder feminino. \u00c9 t\u00e3o grande \u00e9 a sua for\u00e7a, que pelas m\u00e3os da velha Nan\u00e3 surge o homem, moldado por Oxal\u00e1 de sua lama. Apenas Nan\u00e3 Buruqu\u00ea soube cavar no fundo o lago pela argila, porque apenas ela sabe os segredos da cria\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o do corpo. Para ela retornaremos, mitigados de n\u00f3s mesmos para desaguar na nova exist\u00eancia. Ela, que \u00e9 a anci\u00e3 feiticeira e conhecedora das po\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, \u00e9 capaz de fazer dormir Oxaluf\u00e3. Ela, que rivalizou com Ogum e aboliu o metal, soberana que n\u00e3o pede licen\u00e7a a ningu\u00e9m. Ela, que p\u00f5e medo nos homens e premia as mulheres. Senhora Buruqu\u00ea, que mata sem faca. M\u00e3e de Ians\u00e3, Omolu e Oxumar\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cEram de Ogum os instrumentos de ferro e a\u00e7o. Por isso era t\u00e3o considerado entre os orix\u00e1s, pois dele todas as outras divindades dependiam. Sem a licen\u00e7a de Ogum, n\u00e3o havia sacrif\u00edcio; sem sacrif\u00edcio n\u00e3o havia orix\u00e1.[&#8230;]<\/em><br \/>\n<em>Contrariada com essa preced\u00eancia dada a Ogum, Nan\u00e3 disse que n\u00e3o precisava de Ogum para nada, pois se julgava mais importante do que ele.<\/em><br \/>\n<em>\u201cQuero ver como vais comer,<\/em><br \/>\n<em>sem faca para matar os animais\u201d, disse Ogum. <\/em><br \/>\n<em>Ela aceitou o desafio e nunca mais usou a faca. (&#8230;)\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Nascida da primeira torrente de \u00e1guas, que tocou a cria\u00e7\u00e3o a partir das for\u00e7as de Olodumare-Olofim, Iemanj\u00e1 \u00e9 a senhora de todas as fendas ocas dos mares e dos oceanos. Ao lado do Deus Maior, domou com ele o fogo no fundo da Terra, apaziguando o poder de Aganju, mestre dos vulc\u00f5es. Iemanj\u00e1 esculpiu com Oc\u00f4 o aye, trazendo \u00e1rvores, florestas e bosques, que deixou aos cuidados de Ossaim. Ela moldou os p\u00e2ntanos com \u00e1gua turva, fazendo nascer a peste que entregou a Omulu, seu filho adotivo. E presenteou o que viria a ser com rios, cascatas e lagoas, para sua filha Oxum, dona das \u00e1guas doces. M\u00e3e dos orix\u00e1s, a todos convoca para comungarem de seu amor. Todos desejam faz\u00ea-la companhia, esta m\u00e3e protetora que \u00e9 a senhora de todas as cabe\u00e7as. Em seu pal\u00e1cio de estrelas-do-mar, p\u00e9rolas e conchas, aguarda que todos lhe prestem o devido respeito. Iemanj\u00e1 \u00e9 o poder da mar\u00e9, a for\u00e7a de uma tormenta, mas tamb\u00e9m o afago e a tranquilidade do mar sem ondas. S\u00f3 ela pode castigar seus filhos, e a ela todos devem obedi\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAo ver que somente Iemanj\u00e1 trazia-lhe um presente, Olodumare declarou:<\/em><br \/>\n<em>\u201cAwoy\u00f3 or\u00ed dor\u00ed re\u201d.<\/em><br \/>\n<em>\u201cCabe\u00e7as trazes, cabe\u00e7a ser\u00e1s\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Desde ent\u00e3o Iemanj\u00e1 \u00e9 a senhora de todas as cabe\u00e7as.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Lindas como o brilho do sol sobre as \u00e1guas doces, o clamor de uma espada e um escudo ou a luz de um rel\u00e2mpago que cruza os c\u00e9us, s\u00e3o as tr\u00eas amadas esposas de Xang\u00f4. Cada uma dona de poderes inexor\u00e1veis, senhoras da cria\u00e7\u00e3o e do poder. Oxum, a deusa das \u00e1guas doces, do ouro, da vida e da fertilidade. Senhora dos segredos do if\u00e1, dos feiti\u00e7os de amor e da beleza, apaziguadora de Olorumar\u00ea, pav\u00e3o e abutre. Ians\u00e3 \u00e9 dona dos raios, colecionadora dos dom\u00ednios de seus amantes, que a adoram. Mulher-b\u00fafalo que furiosa \u00e9 tempestade avassaladora. Aquela que desfaz no vento e cospe fogo, mulher-elefante implac\u00e1vel. Ob\u00e1 \u00e9 a guerreira, mestra das estrat\u00e9gias de guerra e da espada. Capaz de vencer em combate muitos orix\u00e1s homens. Rival de Oxum, com quem ainda disputa o amor de Xang\u00f4, \u00e9 uma m\u00e3e protetora e aguerrida de seus filhos.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_544612\" aria-describedby=\"caption-attachment-544612\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-544612\" src=\"https:\/\/www.srzd.com\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Gr\u00eamio-Recreativo-Escola-de-Samba-Virtual-Coruja-Negra-300x297.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"297\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-544612\" class=\"wp-caption-text\">Pavilh\u00e3o oficial da agremia\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A Carne sobre o esp\u00edrito.<\/em><\/p>\n<p><em>Tudo quanto \u00e9 dito dessas m\u00e3es iab\u00e1s e suas hist\u00f3rias, reflete em nosso mundo \u00e0 luz do poder que carregam as iab\u00e1s. M\u00e3es de santo, matronas da boa vontade, herdeiras dessas passagens fant\u00e1sticas e cheias de mist\u00e9rio e poder. A M\u00e3e que nos inicia para a vida espiritual. A m\u00e3e de quem rasgamos o ventre rumo ao mundo. A m\u00e3e que acolhe nos bra\u00e7os as crian\u00e7as rejeitadas por outras. As av\u00f3s que s\u00e3o m\u00e3es de seus netos, tias que s\u00e3o m\u00e3es de seus sobrinhos. O princ\u00edpio feminino, imortal e imut\u00e1vel, que se adapta e resiste mesmo \u00e0s formas de opress\u00e3o. A di\u00e1spora africana, fincou no Brasil ra\u00edzes deste sagrado feminino, que se perpetua nas ruelas e favelas de nosso pa\u00eds. De norte a sul. M\u00e3es que lutam pelo sustento de seus lares, sozinhas ou ao lado de um marido ou outra esposa. M\u00e3es negras, m\u00e3es perif\u00e9ricas, mulheres que clamam por justi\u00e7a pela morte de seus filhos, que erguem-se em uma resist\u00eancia condo\u00edda. Mulheres que aplacam a dor, mulheres que se constr\u00f3em em um mundo que as aprisiona em seu pr\u00f3prio corpo. Mulheres que s\u00e3o violentadas, pelos homens e pelas capas de revistas. Mulheres que falam. Cicatrizes que\u00a0<\/em><em>falam. Corpos, ra\u00edzes, hist\u00f3ricas vinhas, ramos de uma \u00e1rvore antiga chamada poder. A Coruja Negra vem recuper\u00e1-lo, demonstrar que o poder que \u00e9 s\u00f3 da mulher, m\u00e3es ou n\u00e3o, guerreiras ou feiticeiras, nunca lhes foi totalmente roubado. Senhoras generais, senhoras articuladoras das grandes vit\u00f3rias sobre o advers\u00e1rio. A m\u00e3o que cura, que despacha o eb\u00f3, que segura um charuto e uma ta\u00e7a de vinho. Vozes que gargalham diante da injusti\u00e7a e da mis\u00e9ria, e fazem at\u00e9 mesmo do cemit\u00e9rio, seu imp\u00e9rio e morada.<\/em><\/p>\n<p><em>Ecos de uma mem\u00f3ria de luta e persist\u00eancia, o poder da mulher renasce em cada gira, vibra em cada corpo que ruge como um atabaque dos s\u00e9culos. Vestidos que rodam, com suas saias de cores vibrantes ou negras. Promessas e sortil\u00e9gios, que reverberam ainda a for\u00e7a dessas guias, a necessidade da sua prote\u00e7\u00e3o. Exu-Mulher, n\u00e3o \u00e9 brincadeira n\u00e3o! Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 bagun\u00e7a! \u00c9 a ast\u00facia e o ensinamento, o conselho que nutre e a m\u00e3o que corta \u2013 a navalhadas \u2013 o mal em nosso caminho!<\/em><\/p>\n<p><em>Arreda homem, que a\u00ed vem mulher! Laroy\u00ea!<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cDeu meia noite, a lua se escondeu L\u00e1 na encruzilhada<\/em><br \/>\n<em>Dando a sua gargalhada<\/em><br \/>\n<em>Pombagira apareceu\u201d &#8211; 7 Marias, Rita Beneditto.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escola de Praia Grande, litoral paulistano, a rec\u00e9m ascendida ao Grupo de Acesso 1, Coruja Negra trar\u00e1 para a passarela virtual em 2022 o enredo\u00a0Yab\u00e1s, m\u00e3es, mulheres: A majestade feminina\u00a0de autoria de Thiago Braga. Confira a sinopse da agremia\u00e7\u00e3o: O Esp\u00edrito sobre a carne. Um dia, quando o mundo era jovem e n\u00e3o conhecia o<\/p>\n","protected":false},"author":252,"featured_media":27612,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[227],"tags":[],"class_list":["post-32777","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carnaval-virtual-2022"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/252"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32777"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32780,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32777\/revisions\/32780"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}