{"id":32781,"date":"2022-05-20T15:00:36","date_gmt":"2022-05-20T18:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=32781"},"modified":"2025-05-01T22:33:50","modified_gmt":"2025-05-02T01:33:50","slug":"em-2022-a-belas-artes-e-afro-e-quente-e-guerreira-diz-sua-sinopse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/em-2022-a-belas-artes-e-afro-e-quente-e-guerreira-diz-sua-sinopse\/","title":{"rendered":"&#8216;Em 2022 a Belas Artes \u00e9 afro! \u00c9 quente! \u00c9 guerreira!&#8217;, diz sua sinopse"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_32669\" aria-describedby=\"caption-attachment-32669\" style=\"width: 329px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/BELAS-ARTES.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-32669\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/BELAS-ARTES-1024x731.jpg\" alt=\"\" width=\"329\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/BELAS-ARTES-1024x731.jpg 1024w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/BELAS-ARTES-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/BELAS-ARTES-768x549.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/BELAS-ARTES.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 329px) 100vw, 329px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-32669\" class=\"wp-caption-text\">Pavilh\u00e3o oficial da agremia\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A escola de Curitiba, capital paranaense, a Belas Artes, levar\u00e1 o enredo\u00a0Hist\u00f3rias negras separadas pelo atl\u00e2ntico sul.\u00a0A escola presidida por Igor C\u00e9sar Cine disputar\u00e1 o Grupo de Acesso 2, e trazendo um novo pavilh\u00e3o para o ano de 2022. Confira abaixo:<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m a sinopse da agremia\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>No velho mundo<br \/>\nUm fabuloso imp\u00e9rio desponta<br \/>\nE em plena savana se encontra<br \/>\nCom uma \u00c1frica majestosa, guiada por um Rei<\/p>\n<p>Um reino de riqueza e adora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nAmor e uni\u00e3o<br \/>\nDe povo guerreiro,<br \/>\nValente e justiceiro,<br \/>\nQue luta pela sua comunidade<br \/>\nPor paz e igualdade<\/p>\n<p>Lealdade \u00e9 o seu ideal<br \/>\nDos Congos aos Males<br \/>\nNa busca por dignidade, afinal.<\/p>\n<p>Abaixo da linha do equador<br \/>\nAs mesmas \u00e1guas que separam,<br \/>\nA \u00c1frica e Novo Mundo,<br \/>\nFazem encontrar destinos na Hist\u00f3ria<br \/>\nEm seu curso em desatino<\/p>\n<p>No porto \u00e9 um negro sonho a ser embarcado<br \/>\nOs olhos refletem a imensid\u00e3o azul<br \/>\nHorizonte incerto do Atl\u00e2ntico Sul<br \/>\nSobre mar de Yemanj\u00e1<br \/>\nSobre mar de Olokun<\/p>\n<p>Novas terras a povoar,<br \/>\nE vinha povo de todo lugar&#8230;<br \/>\nBenguela, Costa da Mina, Benin&#8230;<br \/>\n\u00c9 a na\u00e7\u00e3o Banto<br \/>\n\u00c9 a na\u00e7\u00e3o Yorub\u00e1<\/p>\n<p>E ao deixar o tumbeiro para aportar<br \/>\nNestas terras de alma e solo f\u00e9rteis<br \/>\nSua cultura plantou,<br \/>\nSemente de forte valor<br \/>\nNa sua lavoura l\u00e1grimas, sorriso<br \/>\nAmor<\/p>\n<p>Aqui foi a\u00e7oitado, mas negro \u00e9 filho de Zambi<br \/>\nUm Zumbi da cor<br \/>\nQue na Serra da Barriga lutou<br \/>\nFez Quilombo, fez Imp\u00e9rio<br \/>\nContra branca opress\u00e3o<br \/>\nPalmares resiste em flor<\/p>\n<p>E pelas terras de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o<br \/>\nNa Casa das Minas, rainha Agotime<br \/>\nDo seu povo Nag\u00f4<br \/>\nRebatizada de Maria<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 Mineira<br \/>\nDo vodum \u00e9 Na\u00ea<\/p>\n<p>E pela Bahia, neto de Al\u00e1\u00e0fim Abiodun<br \/>\nHerdeiro de Oyo, \u201cSalvador\u201d do povo<br \/>\nDom Ob\u00e1 II<br \/>\nLetras e versos isl\u00e2micos<br \/>\nPara escrever um destino novo<\/p>\n<p>Nos caminhos deste Brasil,<br \/>\nO meu canto ecoa no Rio<br \/>\nUm escravo vira Rei,<br \/>\nIgn\u00e1cio Gon\u00e7alves Monte,<br \/>\nRei dos Mahi destas terras daqui<\/p>\n<p>Nas encostas dos Dois Irm\u00e3os,<br \/>\nEstava Seixas, portugu\u00eas e branco de corpo,<br \/>\nMas negro de cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nCam\u00e9lias para a Princesa na liberta\u00e7\u00e3o<br \/>\nA pena de ouro da aboli\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>E voltaram para terra negra em Ajud\u00e1<br \/>\nO povo de luta, o Agud\u00e1<br \/>\n\u00c9 povo unido, codinome brasileiro<br \/>\nO destino separado foi unido pela Belas Artes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_32712\" aria-describedby=\"caption-attachment-32712\" style=\"width: 373px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-07-at-22.58.08.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-32712\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-07-at-22.58.08-683x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-07-at-22.58.08-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-07-at-22.58.08-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-07-at-22.58.08-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-07-at-22.58.08.jpeg 1067w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-32712\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial da escola.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Confira a defesa da escola:<\/p>\n<p>O Novo Mundo foi o nome dado pelos europeus na \u00e9poca da descoberta da Am\u00e9rica, por ser um continente novo para todos. O velho mundo seria no caso o que eles j\u00e1 conheciam: Europa, \u00c1sia e, principalmente, o fio condutor do nosso enredo, a \u00c1FRICA.<br \/>\nNa Idade Moderna, sobretudo a partir da descoberta da Am\u00e9rica, houve um florescimento da escravid\u00e3o. Desenvolvendo-se ent\u00e3o um cruel e lucrativo com\u00e9rcio de homens, mulheres e crian\u00e7as entre a \u00c1frica e as Am\u00e9ricas. A escravid\u00e3o passou a ser justificada por raz\u00f5es morais e religiosas e baseada na cren\u00e7a da suposta superioridade racial e cultural dos europeus.<br \/>\nO meio de transporte era essencialmente os navios negreiros, que navegavam pelo extenso oceano Atl\u00e2ntico, com condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia. Esse mesmo oceano guarda hist\u00f3rias de sofrimento e gl\u00f3rias, de supera\u00e7\u00e3o e fortalecimento. \u00c1guas que de certa forma, juntam essas hist\u00f3rias e ligam momentos marcantes de dor, amor e grandes reinados.<\/p>\n<p>O negro ao embarcar, deixava para tr\u00e1s todos os seus sonhos, sua hist\u00f3ria de vida, sua dignidade e passavam a serem tratados pelos brancos como mercadorias. N\u00e3o imaginavam encontrar nada al\u00e9m do sofrimento e dor. Ao olharem pro horizonte, nada avistavam al\u00e9m do extenso Atl\u00e2ntico Sul. Uma vida cheia de incertezas aquelas \u00e1guas traziam.<br \/>\nNa Mitologia Yoruba, Ol\u00f3\u00f2kun ou Olokun &#8211; No Benin \u00e9 considerado como do sexo masculino e em If\u00e9 como sendo do sexo feminino, divindade do mar. Propriet\u00e1rio\/a (Olo) dos Oceanos (Okun).<br \/>\nNa natureza Olokun \u00e9 simbolizado pelo mar profundo e \u00e9 o verdadeiro dono das profundezas do presente, onde ningu\u00e9m jamais esteve.<br \/>\nNo Brasil \u00e9 cultuada como m\u00e3e de Iemanj\u00e1 e dona do mar (Olokun).<br \/>\nIyemanj\u00e1, Yemanj\u00e1, Yemaya, Iemoja &#8220;Iemanj\u00e1&#8221; ou Yemoja, \u00e9 um orix\u00e1 africano, cujo nome deriva da express\u00e3o Iorub\u00e1 &#8220;Y\u00e8y\u00e9 omo ej\u00e1&#8221; (&#8220;M\u00e3e cujos filhos s\u00e3o peixes&#8221;)<br \/>\nYemoj\u00e1, que \u00e9 saudada como Od\u00f2 (rio) \u00ecy\u00e1 (m\u00e3e) pelo povo Egb\u00e1, por sua liga\u00e7\u00e3o com Olokun, Orix\u00e1 do mar (masculino (em Benin) ou feminino (em If\u00e9)), muitas vezes \u00e9 referida como sendo a rainha do mar em outros pa\u00edses. Cultuada no rio \u00d2g\u00f9n em Abeokuta<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de escravos causou verdadeira sangria na \u00c1frica: alimentou guerras internas, abalou organiza\u00e7\u00f5es tradicionais, destruiu reinos, tribos e cl\u00e3s e matou criminosamente milh\u00f5es de negros.<br \/>\nO Yorub\u00e1 constitue o segundo maior grupo \u00e9tnico na Nig\u00e9ria, representando 18% da popula\u00e7\u00e3o total aproximadamente. Vivem em grande parte no sudoeste do pa\u00eds; tamb\u00e9m h\u00e1 comunidades de iorubas significativas no Benin, Togo, Serra Leoa, Cuba e Brasil.<br \/>\nPor volta de 2000 a.C., os primeiros povos chamados de bantos partiram do sudeste da atual Nig\u00e9ria e se expandiram por todo o sul da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Tumbeiro \u00e9 como os navios negreiros eram chamados. Os escravos eram marcados com ferro em brasa como se fossem animais. Os tumbeiros eram verdadeiras sepulturas, pois durante a viagem morriam, em geral 40% dos negros.<br \/>\nOs povos vindos da \u00c1frica, mesmo n\u00e3o pertencendo aos mesmos grupos \u00e9tnicos, chegando aqui no Brasil, vivendo sob a condi\u00e7\u00e3o desumana que lhes foi imposta, se agarraram as suas origens, deixando aos seus descendentes apenas a carga cultural que traziam na mem\u00f3ria, no bater dos tambores, na comida, nas cren\u00e7as, misturando essa carga cultural com a cultura europ\u00e9ia trazida pelos portugueses, criando assim a cultura brasileira.<br \/>\nTra\u00e7os fortes da cultura africana podem ser encontrados hoje em variados aspectos da cultura brasileira, como a m\u00fasica popular, a religi\u00e3o, a culin\u00e1ria, o folclore e as festividades populares. Os estados do Maranh\u00e3o, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Rio Grande do Sul foram os mais influenciados pela cultura de origem africana,<br \/>\nA m\u00fasica que foi criada pelos afro-brasileiros \u00e9 uma mistura de influ\u00eancias de toda a \u00c1frica subsaariana com elementos da m\u00fasica portuguesa e, em menor grau, amer\u00edndia, que produziu uma grande variedade de estilos.<br \/>\nA m\u00fasica popular brasileira \u00e9 fortemente influenciada pelos ritmos africanos. As express\u00f5es de m\u00fasica afro-brasileira mais conhecidas s\u00e3o o samba, maracatu, ijex\u00e1, coco, jongo, carimb\u00f3, lambada e o maxixe.<\/p>\n<p>O Quilombo dos Palmares (localizado na atual regi\u00e3o de Uni\u00e3o dos Palmares, Alagoas) era uma comunidade auto-sustent\u00e1vel, um reino (ou rep\u00fablica na vis\u00e3o de alguns) formado por escravos negros que haviam escapado das fazendas, pris\u00f5es e senzalas brasileiras.<br \/>\nZumbi nasceu em Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um mission\u00e1rio portugu\u00eas quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado &#8216;Francisco&#8217;, Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu portugu\u00eas e latim. Apesar destas tentativas de acultur\u00e1-lo, Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e ast\u00facia na luta e j\u00e1 era um estrategista militar respeit\u00e1vel quando chegou aos vinte e poucos anos.<br \/>\nQuinze anos ap\u00f3s Zumbi ter assumido a lideran\u00e7a, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invas\u00e3o do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destru\u00edda e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi tra\u00eddo por Ant\u00f4nio Soares, e surpreendido pelo capit\u00e3o Furtado de Mendon\u00e7a em seu reduto (talvez a Serra Dois Irm\u00e3os). Apunhalado, resiste, mas \u00e9 morto com 20 guerreiros quase dois anos ap\u00f3s a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabe\u00e7a cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabe\u00e7a foi exposta em pra\u00e7a p\u00fablica, visando desmentir a cren\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.<br \/>\nAgotime representa a for\u00e7a dos elementos naturais transformando a vida que se transforma em culto.<br \/>\nDesde tempos imemoriais se cultuava os voduns da fam\u00edlia real do Daom\u00e9, hoje Benim. Um Cl\u00e3 m\u00e1gico e m\u00edstico iluminava o continente negro, numa \u00e9poca de uma \u00c1frica conturbada por guerras tribais em busca do poder.<br \/>\nMuitos reis passaram e o Daom\u00e9, que era apenas uma cidade, tornou-se um pa\u00eds.<br \/>\nNo pal\u00e1cio D\u00e3xome, reinava Agongolo. O rei tinha como segunda esposa a rainha Agotime e dois filhos (Adandozan, do primeiro casamento, e Gezo, nascido de Agotim\u00e9).<br \/>\nA rainha era conhecida em seu reino pelas hist\u00f3rias que contava sobre seus ancestrais e sobre o culto aos reis mortos. Guardava os segredos do culto a Xelegbat\u00e1, a peste. Detentora de tais conhecimentos, o novo rei tratou de mant\u00ea-la isolada, acusando-a de feiti\u00e7aria, e n\u00e3o hesitou em vend\u00ea-la como escrava.<br \/>\nO sofrimento f\u00edsico da rainha, tra\u00edda e humilhada, era uma realidade menor, pois o seu esp\u00edrito continuava liberto e sobre as ondas a rainha liderou um grande cortejo, atravessando o mar.<br \/>\nA rainha Agotime chega ao Maranh\u00e3o. Terra da encantaria e de forte representa\u00e7\u00e3o popular. Os tambores afinados a fogo e tocados com alma por og\u00e3s, inspirados por velhos esp\u00edritos africanos, ecoam por ocasi\u00e3o das festas e pela religi\u00e3o. Foi no Maranh\u00e3o que Agotime, trazida para o Brasil como escrava, voltou a ser Rainha. Sob orienta\u00e7\u00e3o de seu vodum, fundou a &#8220;Casa das Minas\u201d, de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, em meados do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>C\u00e2ndido da Fonseca Galv\u00e3o, ou melhor, Dom Ob\u00e1 II D&#8217;\u00c1frica, um l\u00edder popular afro-brasileiro das ruas do Rio, pioneiro do movimento da negritude e da luta pela igualdade racial no Brasil, que atuou no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o para a Aboli\u00e7\u00e3o. Dom Ob\u00e1 (que quer dizer &#8220;rei&#8221; em iorub\u00e1) nasceu na Vila dos Len\u00e7\u00f3is, no sert\u00e3o da Bahia, por volta de 1845.<br \/>\nD. Ob\u00e1 se alistou e lutou na Guerra do Paraguai (1865-70), de onde saiu oficial honor\u00e1rio do Ex\u00e9rcito brasileiro, por bravura. De volta ao pa\u00eds, fixou resid\u00eancia no Rio, onde era tido pela sociedade de bem como um homem meio amalucado, uma figura folcl\u00f3rica e era, ao mesmo tempo, respeitado e reverenciado como um pr\u00edncipe real por escravos, esfarrapados, libertos e homens livres de cor que viviam nesta \u00c1frica carioca.<br \/>\nAmigo pessoal do Imperador D. Pedro II, assumiu papel hist\u00f3rico importante no processo de Aboli\u00e7\u00e3o, pois era o elo entre as elites do poder mon\u00e1rquico e a massas populares.<\/p>\n<p>Considerado um rei entre seu povo, Ign\u00e1cio ajudara a fundar a Congrega\u00e7\u00e3o dos Pretos Minas do Reino do Mahi, localizada no interior da Irmandade de Santo Elesb\u00e3o e Santa Efig\u00eania. Eleito rei da congrega\u00e7\u00e3o, era ele uma lideran\u00e7a entre os pretos minas. Seu prest\u00edgio e lideran\u00e7a tamb\u00e9m advinham do fato de ser neto de \u201cEfu\u00ed Agoan\u201d, segundo narra o seu testamento, um bem afamado soberano do Reino do Mahi, na Costa da Mina.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro foi formado, ent\u00e3o, o Quilombo do Leblon, que teve como seu idealizador o portugu\u00eas Jos\u00e9 de Seixas Magalh\u00e3es, um rico e moderno empreendedor que fabricava e comercializava malas e objetos de viagem, na Rua Gon\u00e7alves Dias, no centro da cidade e que j\u00e1 utilizava a m\u00e1quina a vapor em suas f\u00e1bricas. Al\u00e9m disto, Seixas investia tamb\u00e9m em terrenos na zona sul, tendo adquirido uma Ch\u00e1cara no Leblon com a cumplicidade dos principais abolicionistas da Capital do Imp\u00e9rio, muitos deles proeminentes da Confedera\u00e7\u00e3o Abolicionista. Nesta ch\u00e1cara ele cultivava flores com o aux\u00edlio de escravos fugidos, formando o Quilombo do Leblon, um quilombo simb\u00f3lico feito para objetos simb\u00f3licos &#8211; nele se cultivavam cam\u00e9lias &#8211; cujo uso passou a simbolizar a simpatia ao Movimento Abolicionista.<br \/>\nAs cam\u00e9lias cultivadas no Quilombo do Leblon se tornariam s\u00edmbolo do movimento e se destacavam nos vestidos de muitas senhoras da Corte, incluindo a pr\u00f3pria Princesa Isabel e nos ramalhetes de cam\u00e9lias com os quais se presenteavam as pessoas. Enfeitavam tamb\u00e9m os jardins das casas, para identificar seus donos como abolicionistas.<br \/>\nFoi em 13 de maio de 1888, atrav\u00e9s da Lei \u00c1urea, que liberdade total finalmente foi alcan\u00e7ada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>O processo da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura foi muito longo e com lentas conquistas. A luta e resist\u00eancia dos negros durante todo o processo tamb\u00e9m foram fundamentais. Uma longa Hist\u00f3ria marcada com muito sangue, perdas e grandes reinados.<br \/>\nEm 2022 a Belas Artes \u00c9 AFRO! \u00c9 QUENTE! \u00c9 GUERREIRA!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola de Curitiba, capital paranaense, a Belas Artes, levar\u00e1 o enredo\u00a0Hist\u00f3rias negras separadas pelo atl\u00e2ntico sul.\u00a0A escola presidida por Igor C\u00e9sar Cine disputar\u00e1 o Grupo de Acesso 2, e trazendo um novo pavilh\u00e3o para o ano de 2022. 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