{"id":32798,"date":"2022-05-22T12:00:53","date_gmt":"2022-05-22T15:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=32798"},"modified":"2022-05-21T17:53:53","modified_gmt":"2022-05-21T20:53:53","slug":"malandros-trara-homenagem-ao-salgueiro-no-carnaval-virtual-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/malandros-trara-homenagem-ao-salgueiro-no-carnaval-virtual-2022\/","title":{"rendered":"Malandros trar\u00e1 homenagem ao Salgueiro no Carnaval Virtual 2022"},"content":{"rendered":"<p>Estreante no Grupo Especial, o GRESV Malandros apresentou o enredo que levar\u00e1 para o Carnaval Virtual 2022.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9877\" aria-describedby=\"caption-attachment-9877\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Malandros8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9877\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Malandros8-300x206.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"206\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Malandros8-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Malandros8-768x528.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Malandros8.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9877\" class=\"wp-caption-text\">Pavilh\u00e3o oficial da agremia\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A vermelha e branca do Rio de Janeiro\/RJ ir\u00e1 apresentar o enredo &#8220;<em>MAREJOU MEU OLHAR PELO MAR DA SAUDADE: A VOLTA DO MALANDO EM BUSCA DA FELICIDADE&#8221;, <\/em>de autoria do seu carnavalesco Clay Gommez.<\/p>\n<p>Confira abaixa a justificativa e sinopse do enredo:<\/p>\n<p><strong><em>JUSTIFICATIVA<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Em 2022, a G.R.E.S.V. Malandros tem o orgulho de, no Carnaval Virtual, poder homenagear uma de nossas grandes inspira\u00e7\u00f5es, o G.R.E.S. Acad\u00eamicos do Salgueiro, e dar o pontap\u00e9 inicial nos festejos pelos 70 anos da escola, que ser\u00e3o celebrados em 05 de mar\u00e7o de 2023. Neste ensejo, a escola revisita um dos enredos mais c\u00e9lebres do carnaval carioca, mas pela \u00f3tica que o p\u00fablico n\u00e3o viu.<\/em><\/p>\n<p><em>No segundo semestre de 1992, o Salgueiro anunciava o seu enredo para o carnaval seguinte, sem imaginar o qu\u00e3o antol\u00f3gico aquele desfile seria. No entanto, o que possivelmente muitos desconhe\u00e7am, \u00e9 que aquele samba &#8211; o mais famoso samba-enredo da hist\u00f3ria, cujo refr\u00e3o \u00e9 conhecido at\u00e9 por \u201cn\u00e3o-sambistas\u201d \u2013 n\u00e3o era o favorito naquela disputa.<\/em><\/p>\n<p><em>Durante as eliminat\u00f3rias na quadra, al\u00e9m do animad\u00edssimo \u201cExplode Cora\u00e7\u00e3o\u201d, despontava um po\u00e9tico samba, cuja derrota levaria a um gosto amargo que n\u00e3o seria esquecido at\u00e9 a Quarta-Feira de Cinzas. A obra que n\u00e3o foi para a avenida, ainda assim, ficou na mem\u00f3ria e at\u00e9 hoje \u00e9 lembrada em conversas saudosistas entre salgueirenses. <\/em><\/p>\n<p><em>A d\u00favida, por\u00e9m, fica no ar: \u201cComo teria sido \u2018Peguei um Ita no Norte\u2019 contado pela inspira\u00e7\u00e3o de Luiz, Sereno, Fernando e Diogo?\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>A G.R.E.S.V Malandros vem contar a sua vers\u00e3o da hist\u00f3ria: a vis\u00e3o de um malandro paraense que, \u00e0s v\u00e9speras de completar 30 anos de sua viagem ao Rio de Janeiro em um Ita, recorda de cada passo de seu itiner\u00e1rio. Com os olhos marejados, ele relembra sua chegada \u00e0 \u201cterra do samba, da mulata e futebol\u201d e como se apaixonou pelo Salgueiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Esperamos honrar neste desfile os compositores Luiz Fernando, Sereno, Fernando Baster (in memorian) e Diogo (in memorian), que carinhosamente autorizaram o uso de sua obra para estreitar ainda mais os la\u00e7os da G.R.E.S.V Malandros com o G.R.E.S. Acad\u00eamicos do Salgueiro. Que esta seja uma forma de apresentar a mais pessoas um samba que n\u00e3o ganhou a disputa oficial, mas venceu a barreira do tempo. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Victor Nowosh e Daiv Santos<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong><em>SINOPSE<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>MAREJOU MEU OLHAR PELO MAR DA SAUDADE: A VOLTA DO MALANDO EM BUSCA DA FELICIDADE<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>ABERTURA: \u201cDO NORTE PARTE O ITA EM MINHAS LEMBRAN\u00c7AS\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cEu peguei um Ita l\u00e1 no Norte<\/em><br \/>\n<em>E fui parar longe da terra onde nasci<\/em><br \/>\n<em>O mar foi a minha estrada<\/em><br \/>\n<em>Nessa viagem t\u00e3o sonhada<\/em><br \/>\n<em>Muitos \u2018Brasis\u2019 eu conheci&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Certa vez estava eu \u2013 um velho malandro nortista \u2013 arrumando minha velha estante de livros quando, de repente, encontrei um \u00e1lbum antigo. Nele, encontrei fotografias de uma \u00e9poca em que deixei o meu Par\u00e1, embarquei no navio Ita e fui para o Rio de Janeiro conhecer o carnaval. O ano era 1993 e jamais imaginaria que aquela viagem me traria grandes mem\u00f3rias. Reuni meus netos ao meu redor na sala para lhes contar essa minha grande aventura e abri o velho \u00e1lbum de fotografias. J\u00e1 na primeira foto, voltei no tempo e ele me transportou para Bel\u00e9m do Par\u00e1, onde tudo come\u00e7ou. Era chegada ent\u00e3o a hora da partida rumo ao Rio de Janeiro! Eu me despedi de minha fam\u00edlia e embarquei no grande navio. Os motores \u201croncavam\u201d e me lembro bem, at\u00e9 hoje, quando a fuma\u00e7a sa\u00eda pelas chamin\u00e9s anunciando a partida do velho Ita. E l\u00e1 fui eu, me sentindo um conquistador em busca de novas terras. Eu era um jovem aventureiro e desbravador a caminho do desconhecido e isso me excitava muito. O mar era a minha estrada e, a cada quebra da onda no casco do navio, novos sonhos entravam em minha mente. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>PRIMEIRA E SEGUNDA PARADA: \u201cDEIXANDO O PORTO DO PAR\u00c1 E CONHECENDO O MARANH\u00c3O\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cVim de Bel\u00e9m pro Rio<\/em><br \/>\n<em>Mas antes me encantei<\/em><br \/>\n<em>Com lindos azulejos<\/em><br \/>\n<em>Meu boi-bumb\u00e1 dancei&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Enquanto o Ita partia em dire\u00e7\u00e3o ao primeiro porto, n\u00e3o podia deixar de olhar para tr\u00e1s e ver minha querida Bel\u00e9m do Par\u00e1 sumir no horizonte. Tantas lembran\u00e7as de minha terra querida que eu levava comigo na bagagem para jamais me esquecer de onde vim. Em minha mente, as imagens de sua fauna e flora, do seu artesanato marajoara, suas comidas t\u00edpicas e do C\u00edrio de Nazar\u00e9 &#8211; a festa mais importante de minha terra &#8211; deixavam em meu peito um tom de saudade, mesmo sabendo que logo voltaria para c\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Com os olhos j\u00e1 marejados, continuei minha viagem e, enfim, havia chegado ao porto de Itaqui no Maranh\u00e3o, estado vizinho ao meu Par\u00e1. Lembro-me que o capit\u00e3o disse que far\u00edamos algumas paradas pelo caminho durante a viagem e que, quem quisesse, poderia aproveitar para conhecer um pouco dos lugares por onde passar\u00edamos. Sem perder tempo desci e, ao lado de outros turistas, fui conhecer um pouco daquele Estado. Ao caminhar pelas ruas maranhenses cercadas por grandes palmeiras me encantei com lindos casar\u00f5es, cujas paredes eram todas ornamentadas por belos azulejos portugueses, o que dava um ar de riqueza ao lugar. Andando mais um pouco, ouvi ao longe uma batucada: encontrei um grupo de pessoas formando uma roda. Ao centro, uma bela mulher dan\u00e7ava e rodopiava, segurando sua longa saia florida. Perguntei a um dos brincantes o que era aquilo e ele me disse que era o \u201cTambor de Crioula\u201d, uma dan\u00e7a t\u00edpica do Maranh\u00e3o. Gostei muito do que vi e me diverti bastante. Em seguida, esse mesmo brincante me levou para conhecer outra festa folcl\u00f3rica do Estado Maranhense: o Bumba-meu-boi. Nela, um jovem rapaz trajado como o boi encenava na rua a lenda da morte do Bumb\u00e1 pelas m\u00e3os de pai Francisco, que o matava para atender o desejo de sua esposa gravida em comer a l\u00edngua do bicho. Aquela cultura me deixou muito fascinado! Fui recompensado por ver tudo aquilo logo em minha primeira viagem. J\u00e1 estava me esquecendo do hor\u00e1rio quando o Capit\u00e3o anunciou a partida. Corri de volta ao porto e, ao soar novamente a buzina do navio, o Ita partiu, continuando sua viagem rumo ao pr\u00f3ximo porto.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>TERCEIRA E QUARTA PARADA: \u201cOS PORTOS DE PIAU\u00cd E DO CEAR\u00c1\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cDepois deitei na rede<\/em><br \/>\n<em>Aos p\u00e9s dos coqueirais<\/em><br \/>\n<em>Vi rendas, vi rendeiras,<\/em><br \/>\n<em>Jangadas pelo cais&#8230;\u201d\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Os primeiros raios de sol anunciavam o novo dia ap\u00f3s uma noite bem tranquila ao mar. No horizonte surgia um novo porto: era o porto de Luiz Correia, que ainda estava em constru\u00e7\u00e3o (e est\u00e1 at\u00e9 hoje) no Estado do Piau\u00ed. Soube da forte influ\u00eancia negra no estado, que contribu\u00edra \u2013 e muito \u2013 para o artesanato local. Tamb\u00e9m soube sobre os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos que ali tinha e conheci suas grandes e arquitet\u00f4nicas forma\u00e7\u00f5es rochosas. Antes de partirmos, conheci diversas esp\u00e9cies de aves em extin\u00e7\u00e3o protegidas pelas ONGs de l\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Novamente seguimos viagem, e o Ita ent\u00e3o aportou no porto de Pec\u00e9m no Cear\u00e1, um grande complexo de transportes mar\u00edtimos que carinhosamente ganhou o apelido de \u201cEsquina do Atl\u00e2ntico\u201d. Descemos e logo de cara pude ver comerciantes locais vendendo vestidos de rendas, bordados, chap\u00e9us de palha feitos de Carna\u00faba, redes e frutos do mar. Nas praias, admirei-me ao ver belas jangadas navegando sob aquele c\u00e9u azul e sol forte, que irradiava for\u00e7a aos pescadores da regi\u00e3o. Conheci a literatura por meio de grandes autores como Jos\u00e9 de Alencar e Rachel de Queiroz.. Ao cair da noite, deparei-me com centenas de romeiros com velas acesas em suas m\u00e3os. Era uma prociss\u00e3o em f\u00e9 e louvor ao padroeiro do lugar: Padre Cicero, tamb\u00e9m chamado carinhosamente de \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d pelos fi\u00e9is. Uma peregrina\u00e7\u00e3o emocionante e repleta de f\u00e9 para fechar, com chave de ouro, aquele dia maravilhoso em terras cearenses.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_32799\" aria-describedby=\"caption-attachment-32799\" style=\"width: 188px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Malandros-2022.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-32799\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Malandros-2022-188x300.png\" alt=\"\" width=\"188\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Malandros-2022-188x300.png 188w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Logo-Enredo-Malandros-2022.png 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 188px) 100vw, 188px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-32799\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>QUINTA E SEXTA PARADA: \u201cOS PORTOS DO RIO GRANDE DO NORTE E DA PARA\u00cdBA\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cE a saudade bateu<\/em><br \/>\n<em>No balan\u00e7o do mar, meu olhar<\/em><br \/>\n<em>Marejou, marejou,<\/em><br \/>\n<em>Meu olhar&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Com as m\u00e3os tr\u00eamulas e os olhos marejados em l\u00e1grimas, parei por um tempo de folhear o antigo \u00e1lbum de fotografias e me lembrei dos dois pr\u00f3ximos portos onde o Ita havia aportado. Dois portos muito especiais e cheios de boas lembran\u00e7as. Quando descemos no porto do Rio Grande do Norte, logo corri para conhecer a casa de C\u00e2mara Cascudo, um importante historiador que preservava o folclore nacional e o fez se tornar famoso por todo o pa\u00eds. Tamb\u00e9m pude conhecer de perto o Forte dos Reis Magos, ponto tur\u00edstico importante do estado. Encantei-me bastante com o artesanato potiguar e seus trabalhos de cestarias, bordados, cer\u00e2micas, couro, madeira e pedras. Pude provar tamb\u00e9m a maravilhosa culin\u00e1ria regional como a caranguejada, o bai\u00e3o-de-dois e a carne de sol, al\u00e9m de doces t\u00edpicos como doce de batata doce, doce de caju em calda, doce de jaca e o pudim de macaxeira.<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1, ao aportar na Para\u00edba, o forte vento do litoral soprou em meu rosto e me senti no para\u00edso. Apaixonei-me pela arquitetura colonial portuguesa do lugar e as casas coloridas do seu centro hist\u00f3rico. Pude registrar em fotos as belas praias de Mana\u00edra e Tamba\u00fa e os belos recifes de corais ao largo da Costa, um lugar prop\u00edcio para o mergulho. Pude finalmente conhecer e saber um pouco mais a respeito do \u201cMaior S\u00e3o Jo\u00e3o do mundo\u201d, uma festa t\u00edpica nordestina feita nos meses de junho e julho para louvar seu padroeiro. Aprendi tamb\u00e9m a dan\u00e7ar seus ritmos t\u00edpicos, como o bai\u00e3o, o xaxado e o forr\u00f3. Era uma viagem cultural que, em todos os portos que eu passava, mais me encantava. Por\u00e9m n\u00e3o podia perder o foco e minha viagem rumo ao Rio seguia mar a fora.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>S\u00c9TIMA E OITAVA PARADA: \u201cOS PORTOS DE PERNAMBUCO E DE ALAGOAS\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cGuardei<\/em><br \/>\n<em>De cada porto uma lembran\u00e7a<\/em><br \/>\n<em>E vou sorrir feito crian\u00e7a<\/em><br \/>\n<em>Quando recordar<\/em><br \/>\n<em>Imagens da cultura popular&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Enfim o Ita chegou \u00e0 metade de sua viagem e, ao aportar no porto de Pernambuco, corri para conhecer o seu t\u00e3o famoso carnaval folcl\u00f3rico. Fiquei encantado com os gigantes bonecos de Olinda e o esplendor do Galo da Madrugada. De repente, aproximou-se um grupo de pessoas com v\u00e1rias sombrinhas coloridas nas m\u00e3os. Eles dan\u00e7avam um ritmo folcl\u00f3rico chamado frevo e, a cada passo que davam, parecia que iriam quebrar as pernas com tantos movimentos r\u00e1pidos. Ao passar a \u201cgalera\u201d do frevo, deparei-me com um cortejo real. Eram o rei e a rainha do maracatu, com seus trajes tradicionais, sendo amparados por pessoas com trajes finos e estandartes nas m\u00e3os. Logo atr\u00e1s deles, homens com roupas largas e cabeleiras coloridas tamb\u00e9m representavam personagens t\u00edpicos da regi\u00e3o. Eram os lanceiros das congadas, outra dan\u00e7a t\u00edpica pernambucana. Antes de partir com o Ita para o pr\u00f3ximo porto, fui conhecer a \u201cNova Jerusal\u00e9m\u201d, o maior teatro a c\u00e9u aberto do mundo, onde todos os anos na Sexta-Feira Santa \u00e9 encenada \u201cA paix\u00e3o de Cristo\u201d. Tamb\u00e9m n\u00e3o pude deixar de conhecer os livretos de cordel, que retratavam as hist\u00f3rias dos povos nordestinos em forma de rimas; as hist\u00f3rias contadas pela popula\u00e7\u00e3o sobre Lampi\u00e3o e seu bando; sobre Luiz Gonzaga, que era conhecido como o rei do bai\u00e3o; sobre o autor literato Ariano Suassuna; entre tantos outros que deram vida e fama a esse estado maravilhoso, considerado por muitos como \u201co melhor estado do Brasil.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Feliz e enriquecido de tanta cultura, era chegada a hora de me despedir de Pernambuco e embarcar no Ita novamente. Afinal, o porto de Alagoas estava logo a frente. Ao desembarcar, deslumbrei-me com o brilho das \u00e1guas cristalinas de suas praias e com os seus corais e conchas coloridas. Pude ver de perto as vastas planta\u00e7\u00f5es de cana de a\u00e7\u00facar, provar das suas t\u00e3o famosas cacha\u00e7as e conhecer um pouco mais sobre Zumbi, o l\u00edder do Quilombo dos Palmares. No mar, uma prociss\u00e3o de barcos seguia o cortejo em homenagem ao Bom Jesus dos Navegantes ao som de fogos que explodiam coloridos no c\u00e9u. Soube tamb\u00e9m do festejo o pastoril, uma fragmenta\u00e7\u00e3o de um pres\u00e9pio natalino, montado todo ano para saudar a chegada do Natal e o nascimento de Cristo. Outro grande folguedo alagoano que pude conhecer durante a minha viagem foi o Reisado, onde m\u00fasicos, cantores e dan\u00e7arinos v\u00e3o tradicionalmente de porta em porta anunciar a chegada do Messias. Rito esse que tamb\u00e9m antecede as festas natalinas enriquecendo assim a cultura da popula\u00e7\u00e3o alagoana.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>NONA E D\u00c9CIMA PARADA: \u201cOS PORTOS DE SERGIPE E DA BAHIA\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cO maracatu, a capoeira<\/em><br \/>\n<em>Olha o sururu, sarapatel<\/em><br \/>\n<em>Valentes cangaceiros<\/em><br \/>\n<em>Em livros de cordel&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Em seguida, com o Ita, cheguei \u00e0 Sergipe, o menor Estado do pa\u00eds. Ali, pude conhecer um pouco sobre sua atividade agr\u00edcola, que \u00e9 um dos fortes pontos da economia sergipana, assim como a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural. Tamb\u00e9m pude conhecer o seu rico e diversificado folclore regional, com suas festas e dan\u00e7as que possuem grande influ\u00eancia dos povos ind\u00edgenas, africanos e europeus como o Cacumbi, Guerreiros, Caboclinhos e lambe-sujos. Antes de partir de Sergipe rumo \u00e0 Bahia, fomos convidados a participar da festa do \u201cZ\u00e9 Pereira\u201d, tradicional bloco carnavalesco que agita todos os anos o Carnaval da cidade de Aracaju, a capital do estado.<\/em><\/p>\n<p><em>E o Ita partiu novamente&#8230; Senti um clima diferente ao aportar na Bahia. Uma emo\u00e7\u00e3o forte tomou conta de mim ao pisar naquele solo aben\u00e7oado por todos os Orix\u00e1s. Bahia, a terra da magia, o lar do Candombl\u00e9. Da nega baiana do tabuleiro de quindim, do sururu, do sarapatel e do acaraj\u00e9. Lugar este onde todo ano seguem os festejos para saudar Iemanj\u00e1, a rainha do mar, e onde tradicionalmente acontece a lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim.\u00a0 Fui conhecer o t\u00e3o famoso farol da Barra e, ao subir a ladeira do Pelourinho, fui convidado para dan\u00e7ar ax\u00e9 ao som da batucada do Olodum. J\u00e1 estava totalmente entregue \u00e0 magia baiana quando uma multid\u00e3o surgiu e me arrastou para o meio deles. Juntos, partimos atr\u00e1s dos trios el\u00e9tricos que agitavam o carnaval da cidade. Despedi-me da Bahia em \u00eaxtase, j\u00e1 com uma pontinha de saudade e um aperto no cora\u00e7\u00e3o de querer voltar mais vezes \u00e0quele lugar m\u00edstico. Agora, faltava bem pouco para chegar ao Rio. A viagem do Ita estava chegando ao fim e meu cora\u00e7\u00e3o explodia de tanta felicidade ao saber que logo, logo chegar\u00edamos ao nosso destino.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>PARADAS FINAIS: \u201cO PORTO DO ESP\u00cdRITO SANTO E, FINALMENTE, A CHEGADA AO RIO DE JANEIRO\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cEnt\u00e3o cheguei ao Rio de Janeiro<\/em><br \/>\n<em>Foi maior a emo\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Um brinde \u00e0 natureza<\/em><br \/>\n<em>Aguenta cora\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Enfim, o Ita havia deixado o Nordeste brasileiro para tr\u00e1s e havia adentrado o Sudeste, ao aportar no Esp\u00edrito Santo. Mal chegamos ao porto e j\u00e1 conheci um pouco de suas hist\u00f3rias locais. Soube como Vit\u00f3ria, a capital do estado, havia se tornado uma cidade portu\u00e1ria e uma grande exportadora de min\u00e9rio de ferro. Pude conhecer tamb\u00e9m sua bela e movimentada Praia da Costa e o Convento da Penha, situado no alto de um penhasco que oferecia uma vista panor\u00e2mica da cidade a todos os turistas. Soube tamb\u00e9m a respeito de suas festas mais famosas, como a festa da polenta, a festa em homenagem a Nossa Senhora da Penha, o festival de arte e m\u00fasica e o Vital, um carnaval fora de \u00e9poca, geralmente comemorado em novembro, que hoje j\u00e1 n\u00e3o existe mais. Provei de sua deliciosa culin\u00e1ria, como a moqueca capixaba, feita de peixes e frutos do mar cozidos em panelas de barro artesanais ao molho de urucum, entre outros pratos t\u00edpicos, deixados como heran\u00e7a pelos povos ind\u00edgenas que habitavam o lugar antes da coloniza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Era chegada a hora de partir novamente, e l\u00e1 foi o Ita pelo mar do Atl\u00e2ntico em dire\u00e7\u00e3o ao estado que eu tanto queria conhecer: o meu querido Rio de Janeiro. Aportamos enfim na \u201cCidade Maravilhosa\u201d e logo de cara me encantei com a bela vista da Guanabara, com o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar ao longe e com o Corcovado, onde a est\u00e1tua do Cristo Redentor aben\u00e7oava a minha chegada. Lembro-me bem: era um domingo de carnaval. As ruas tomadas por blocos e foli\u00f5es fantasiados; os bares da Lapa cheios; as famosas praias de Copacabana e de Ipanema lotadas; e, no Maracan\u00e3, acontecia mais um grande cl\u00e1ssico do futebol. Na Sapuca\u00ed, fogos anunciavam os desfiles das primeiras escolas de samba daquele ano. A primeira noite foi linda, por\u00e9m foi na noite seguinte que me encantei e conheci o meu grande amor! Era segunda-feira de carnaval quando vi a terceira escola adentrar o Samb\u00f3dromo, cantando o famoso refr\u00e3o: \u201cExplode cora\u00e7\u00e3o \/ na maior felicidade&#8230;\u201d. Realmente, meu cora\u00e7\u00e3o explodiu de tanta felicidade ao saber que o enredo daquela escola nada mais era do que o Ita e todo o trajeto que percorri para chegar at\u00e9 ali. Eu me vi naquele enredo, dentro daquele desfile. Fui \u00e0s lagrimas ao sentir a energia daquele desfile triunfal, daquela escola, e ao ver como as arquibancadas deliravam e cantavam juntas \u00e0quele samba. Ali, tive a certeza de que nascia meu amor, branco e vermelho. O nome deste amor? \u00a0\u201cAcad\u00eamicos do Salgueiro\u201d!<\/em><\/p>\n<p><em>Veio a Quarta-Feira de Cinzas e a apura\u00e7\u00e3o s\u00f3 confirmou o que todos sabiam: o Salgueiro havia se sagrado o grande campe\u00e3o do carnaval daquele ano e o grande campe\u00e3o do meu cora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.\u00a0 N\u00e3o era \u00e0 toa que ele era conhecido pelo bord\u00e3o: \u201cNem melhor e nem pior, apenas uma escola diferente.\u201d E o \u201cSal\u201d soube fazer a diferen\u00e7a. Venceu! \u00a0Por isso meus queridos netos, ao recordar este velho \u00e1lbum de fotografias com voc\u00eas eu vos digo: voltei para a minha Bel\u00e9m do Par\u00e1 passado aquele carnaval, mas com a certeza de que um dia voltaria ao Rio de Janeiro s\u00f3 pra ver o meu querido Salgueiro ser campe\u00e3o novamente!<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cMe faz um dengo, meu xod\u00f3<\/em><br \/>\n<em>Eu sou Salgueiro, nem melhor e nem pior<\/em><br \/>\n<em>Me faz um dengo, meu xod\u00f3<\/em><br \/>\n<em>Eu sou Malandro, nem melhor e nem pior\u201d<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estreante no Grupo Especial, o GRESV Malandros apresentou o enredo que levar\u00e1 para o Carnaval Virtual 2022. A vermelha e branca do Rio de Janeiro\/RJ ir\u00e1 apresentar o enredo &#8220;MAREJOU MEU OLHAR PELO MAR DA SAUDADE: A VOLTA DO MALANDO EM BUSCA DA FELICIDADE&#8221;, de autoria do seu carnavalesco Clay Gommez. 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