{"id":39275,"date":"2023-05-07T15:00:29","date_gmt":"2023-05-07T18:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=39275"},"modified":"2023-05-04T18:10:16","modified_gmt":"2023-05-04T21:10:16","slug":"academicos-de-madureira-ira-homenagear-aqualtune-no-carnaval-virtual-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/academicos-de-madureira-ira-homenagear-aqualtune-no-carnaval-virtual-2023\/","title":{"rendered":"Acad\u00eamicos de Madureira ir\u00e1 homenagear Aqualtune no Carnaval Virtual 2023"},"content":{"rendered":"<p>O GRESV Acad\u00eamicos de Madureira anunciou o enredo que marcar\u00e1 o seu retorno ao Grupo de Acesso I, do Carnaval Virtual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_473636\" aria-describedby=\"caption-attachment-473636\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-473636\" src=\"https:\/\/www.srzd.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/ACAD\u00caMICOS-DE-MADUREIRA-2-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-473636\" class=\"wp-caption-text\">Pavilh\u00e3o oficial da agremia\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>De autoria de Pedro Machado e Anderson Rocha, a vermelha e branca, de Madureira\/RJ, ir\u00e1 homenagear a princesa preta com o enredo <em>&#8220;Aqualtune: Hist\u00f3ria de uma princesa com olhos presenteados por Iemanj\u00e1&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Confira abaixo a sinopse do enredo divulgada pela escola:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Aqualtune: Hist\u00f3ria de uma princesa com olhos presenteados por Iemanj\u00e1.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Contam os antigos anci\u00f5es, uma lenda sobre um esp\u00edrito africano ancestral, que teria sido imortalizado pelo Deus supremo Olorum, grande criador do mundo e dos orix\u00e1s. \u00c1 divindade Aqualtune, os guerreiros quilombolas clamavam antes das batalhas, buscando coragem, for\u00e7as e prote\u00e7\u00e3o para que pudessem enfrentar seus inimigos em busca da vit\u00f3ria sobre os repressores.<\/em><\/p>\n<p><em>Aqualtune, princesa congolesa, possu\u00eda uma beleza singular, pele escura como a noite e olhos azuis da cor do mar. Ainda muito jovem casou \u2013 se com seu primo, o Duque de Mbamba, sucessor direto ao trono congol\u00eas, em uma cerim\u00f4nia tradicional, seguindo os costumes da cultura portuguesa. A celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio se deu na catedral de S\u00e3o Salvador do Congo, capital do imp\u00e9rio, sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Bispo Dom Manuel Baptista Soares, a maior autoridade eclesi\u00e1stica presente no reino, diante dos olhos de toda nobreza.<\/em><\/p>\n<p><em>Mesmo sendo um imp\u00e9rio independente, a cultura congolesa sofria com a grande influ\u00eancia dos portugueses. Dentro dos seus costumes, h\u00e1bitos e cren\u00e7as, j\u00e1 n\u00e3o se via a heran\u00e7a ancestral do povo congol\u00eas, cultuavam os santos de forma cat\u00f3lica, suas vestes eram semelhantes \u00e0s do invasor, e o portugu\u00eas ensinado como l\u00edngua oficial. Al\u00e9m de tudo isso, com o colonizador, mantinha ainda o com\u00e9rcio das suas riquezas naturais como marfim, ouro e as pedras preciosas, suas mercadorias principais.<\/em><\/p>\n<p><em>Detentora de um esp\u00edrito guerreiro, Aqualtune, n\u00e3o aceitava as injusti\u00e7as sofridas pelo seu povo, e seguindo os fundamentos da protetora de seu Or\u00ed, Iemanj\u00e1 (mesmo sem saber, por puro instinto materno) lutava bravamente contra o tr\u00e1fico ilegal de negros; recebia, acolhia e cuidava de todos que fugiam da guerra, que se encontrava al\u00e9m dos muros do seu imp\u00e9rio, e buscavam ref\u00fagio em seus dom\u00ednios, como uma grande m\u00e3e amparando seus filhos. Em meio a duelos e conflitos, durante uma investida contra sua cidade, a princesa foi capturada pelos Imbangala e pelos Jnagas (povos n\u00f4mades e canibais, educados desde pequenos para a guerra e s\u00f3 para esse fim, que habitavam a regi\u00e3o do Congo e da Angola, contratados pelos portugueses como mercen\u00e1rios e ca\u00e7adores de pessoas.), que logo a negociaram com os lusitanos contrabandistas.<\/em><\/p>\n<p><em>Assim que chegou ao porto de Luanda, despida de suas vestes de rainha, a vestiram como uma longa \u201ccamisola\u201d de algod\u00e3o cru, semitransparente, e cobriram \u2013 lhe o rosto utilizando uma m\u00e1scara de ferro, impedindo que os outros negros a reconhecessem, prevenindo qualquer rebeli\u00e3o por parte dos aprisionados. Ali iniciava \u2013 se o inferno na vida da pobre princesa, justo ela que estava habituada a salvar vidas encontradas em tais condi\u00e7\u00f5es, agora era a v\u00edtima desse infort\u00fanio, da sanha incontrol\u00e1vel dos lusitanos, que desejavam tornar toda a popula\u00e7\u00e3o africana escrava. Sabendo da preciosidade que tinham em suas m\u00e3os e prevendo o alto valor que poderiam comercializar a nobre congolesa, agora escrava, em sua maior col\u00f4nia, os portugueses embarcaram Aqualtune no primeiro navio negreiro que rumaria para as terras brasileiras.<\/em><\/p>\n<p><em>Sob o olhar de Aqualtune passava-se a realidade nua e crua do que sua na\u00e7\u00e3o sofria nas m\u00e3os dos brancos. Nessa \u201cbarca da morte\u201d, negros eram acoitados, amarrados ao mastro e torturados. Durante a sofrida travessia mar\u00edtima, onde almas choravam e peles sangravam, qualquer tentativa de resist\u00eancia era reprimida pelos capatazes, as mulheres eram constantemente violentadas, e vistas como objeto profano no olhar do homem branco. Os escravizados eram tratados como mercadoria, sem nenhuma humanidade, as instala\u00e7\u00f5es eram insalubres, centenas de negros ocupava os v\u00e1rios andares da embarca\u00e7\u00e3o, os mais idosos e enfermos eram arrastados pelo ch\u00e3o do conv\u00e9s e lan\u00e7ados ao mar, para que os \u201cmonstros marinhos\u201d os devorassem. Aqualtune n\u00e3o esqueceria jamais o terror cravado nos olhos de cada prisioneiro, em seu esp\u00edrito, crescia a vontade inquebr\u00e1vel de livrar a sua gente daquela desventura.<\/em><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s longo tempo sofrendo, com aquela terr\u00edvel e absurda viagem rumo ao desconhecido, a embarca\u00e7\u00e3o atracou no Porto do Recife, na Capitania de Pernambuco. Homens bem armados apontavam as escopetas em dire\u00e7\u00e3o aos cativos, enquanto eles eram acorrentados uns aos outros formandos uma enorme fila. Caminhavam lentamente at\u00e9 o cais, onde eram colocados em pequenas celas, escuras, \u00famidas e estreitas, com portas de ferro, pris\u00f5es utilizadas para mercadorias humanas, que compunham o ca\u00f3tico mercado de escravos.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o tardou para que Aqualtune fosse vendida como escrava \u201creprodutora\u201d. Seu destino foi a Fazenda e Engenho Bom Sucesso, situada na regi\u00e3o de Porto Calvo (atual Alagoas). Em meio a vasta planta\u00e7\u00e3o de cana \u2013 de \u2013 a\u00e7\u00facar erguia \u2013 se uma mans\u00e3o, de dois andares; pintada de branco, com janelas em verde escuro. Era nesse lindo cen\u00e1rio que moravam os maiores temores dos aprisionados.<\/em><\/p>\n<p><em>A massacrante e longa jornada, come\u00e7ava com o galo cantando pela manh\u00e3 e s\u00f3 terminava ap\u00f3s o sol se p\u00f4r. Era uma realidade inimagin\u00e1vel ser escrava naquele lugar, ainda se fazia noite, quando os feitores tocavam o sino, e rapidamente, os escravos se aprontavam para a labuta. As mulheres eram designadas ao trabalho na lavoura, colhendo frutas e legumes, e cortando a cana, j\u00e1 os homens encarregados do trabalho na moenda, lugar destinado \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, antes da sua comercializa\u00e7\u00e3o. Aqualtune insatisfeita com a vida repugnante que se encontrava, come\u00e7ou a preparar uma estrat\u00e9gia para fugir daquele ambiente hostil, escondendo instrumentos utilizados na lavoura, para que pudessem ser utilizados com armas e explorou melhor as propriedades do engenho, buscando uma rota de fuga.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_645110\" aria-describedby=\"caption-attachment-645110\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-645110\" src=\"https:\/\/www.srzd.com\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Logo-Acad\u00eamicos-de-Madureira-2023-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-645110\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Tomou conhecimento de uma tribo de guerreiros que vivia na floresta, e que n\u00e3o se deixavam mais serem escravizados, pretendendo se juntar a eles, com a esperan\u00e7a de um dia poder retornar a sua terra. Em uma madrugada, a princesa se fez general de um grupo de oitenta e cinco cativos revoltos, e comandou uma investida contra os capatazes daquela pris\u00e3o, conseguindo conquistar a liberdade sua e dos seus ali presentes. Come\u00e7ava ali a luta para a liberdade!<\/em><\/p>\n<p><em>A princesa guerreira, que se encontrava indecisa para qual lugar deveria partir, foi guiada finalmente pelo esp\u00edrito ancestral das matas, na dire\u00e7\u00e3o dos escravos livres. Ap\u00f3s dois dias de caminhada, o grupo encontrou os guerreiros quilombolas, e corajosamente a general do grupo foi pedir-lhes ajuda. O grupo seguiu os guerreiros at\u00e9 um vasto descampado no meio da floresta, onde se encontravam algumas cabanas, negros corriam e brincavam livremente. Ao chegar ao local, uma \u201cpreta velha\u201d, vestida de branco, com cabelos que pareciam nuvens, se encontrava sentada pr\u00f3ximo a um braseiro, que iluminava seu rosto doce e gentil. Ao se aproximar daquela senhora, Aqualtune foi tomada pela sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento, era como se aquela anci\u00e3 j\u00e1 fizesse parte da vida da princesa.<\/em><\/p>\n<p><em>A velha senhora pegou nas m\u00e3os de Aqualtune, e como uma vis\u00e3o, revelou a princesa de que ela era filha da Rainha dos mares, que seus olhos reluzentes como as \u00e1guas do mar eram d\u00e1diva de Odoy\u00e1. A s\u00e1bia anci\u00e3 tamb\u00e9m revelou a qualidade de Iemanj\u00e1 (ess\u00eancia do orix\u00e1), que regia a princesa, manifestou que ela possu\u00eda liga\u00e7\u00e3o com o grande guerreiro Ogum Alagbed\u00e9, tamb\u00e9m chamada Iemanj\u00e1 Ogunt\u00e9, uma guerreira que carrega, preso \u00e0 cintura, as armas de ferro confeccionadas pelo grande ferreiro Ogum. \u00c9 indom\u00e1vel e justiceira, como o mar revolto. Al\u00e9m de todas essas novidades que aqueciam o cora\u00e7\u00e3o de Aqualtune, ela ainda foi informada que foi Ox\u00f3ssi, o protetor das florestas, que a guiou at\u00e9 o encontro da aldeia.<\/em><\/p>\n<p><em>Concluindo sua fala, a anci\u00e3 apresentou o sincretismo presente na aldeia em suas celebra\u00e7\u00f5es, que os santos embora fossem parecidos com os santos cat\u00f3licos, adorados e reverenciados pelos colonizadores, possu\u00edam outros nomes e outra identidade, o que para Aqualtune seria primordial para ela se desligar das ra\u00edzes do seu passado, e firmar seus p\u00e9s no centro da ancestralidade do seu povo, ela se encontrava no meio da terra de um povo livre, o Quilombo dos Palmares, um lugar de resist\u00eancia e liberdade!<\/em><\/p>\n<p><em>O tempo foi passando lentamente e a princesa foi se aprofundando no reconhecimento da sua cultura ancestral, se afei\u00e7oando a cada membro daquela comunidade, conhecendo as dan\u00e7as africanas, ao som dos atabaques e cada can\u00e7\u00e3o entoada pelo seu povo, seu cora\u00e7\u00e3o e sua alma se sentiam mais vivos ao toque do tambor. A escravid\u00e3o fazia parte de sua vida agora, mas foi nessa terra de sofrimento que se sentiu africana verdadeiramente. Com seus conhecimentos logo ascendeu ao cargo de general e l\u00edder de Palmares, o maior de todos os quilombos. Em Palmares criou seus descendentes, Ganga Zumba, que viria a se tornar um habilidoso guerreiro, e a Sabina, m\u00e3e do maior l\u00edder quilombola de nossa hist\u00f3ria, Zumbi dos Palmares.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o se sabe ao certo, se foi em batalha ou em decorr\u00eancia do tempo, que Aqualtune fez a passagem para o Orum, a certeza que temos \u00e9 que a for\u00e7a e a esperan\u00e7a, sempre latente de libertar seu povo das amarras da opress\u00e3o, levaram Aqualtune, nessa terra onde aprendeu a louvar os santos e os orix\u00e1s, a se reconhecer como africana e transformou Palmares num lugar de sonhos e de liberdade.<\/em><\/p>\n<p><em>Sua vida em terra nunca ser\u00e1 esquecida, em cada pele preta Aqualtune Vive!<\/em><\/p>\n<p><em>ODOY\u00c1 IEMANJ\u00c1!!!<\/em><br \/>\n<em>AX\u00c9 AQUALTUNE!!!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O GRESV Acad\u00eamicos de Madureira anunciou o enredo que marcar\u00e1 o seu retorno ao Grupo de Acesso I, do Carnaval Virtual. 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Confira abaixo<\/p>\n","protected":false},"author":358,"featured_media":38829,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[229],"tags":[338,339,230,231,232,233,237,238,194,340,341],"class_list":["post-39275","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carnaval-virtual-2023","tag-academicos-de-madureira","tag-aqualtune","tag-carnaval-virtual","tag-carnaval-virtual-2023","tag-cav","tag-cav-2023","tag-enredo","tag-enredo-2023","tag-gresv-academicos-de-madureira","tag-madureira","tag-princesa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/358"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39275"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39276,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39275\/revisions\/39276"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}