{"id":39312,"date":"2023-05-13T15:00:47","date_gmt":"2023-05-13T18:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=39312"},"modified":"2023-05-06T14:20:56","modified_gmt":"2023-05-06T17:20:56","slug":"a-saga-do-boi-e-o-enredo-da-folguedo-caipira-para-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/a-saga-do-boi-e-o-enredo-da-folguedo-caipira-para-2023\/","title":{"rendered":"A saga do boi \u00e9 o enredo da Folguedo Caipira para 2023"},"content":{"rendered":"<p>Desfilando pelo Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual, a SCESV Folguedo Caipira apresentou o enredo que levar\u00e1 para o seu desfile de 2023.<\/p>\n<figure id=\"attachment_645485\" aria-describedby=\"caption-attachment-645485\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-645485\" src=\"https:\/\/www.srzd.com\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Pavilh\u00e3o-Folguedo-Caipira-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-645485\" class=\"wp-caption-text\">Pavilh\u00e3o oficial da agremia\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>De autoria de Al\u00ea MSF e Vinicius Lopes, a escola de Jaboticabal\/SP ir\u00e1 caminhar pela figura do boi e suas representa\u00e7\u00f5es na humanidade atrav\u00e9s do enredo <em>&#8220;A Saga do Boi \u2013 \u00c9 Santo, \u00e9 profano. Um Deus de v\u00e1rios mundos&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Confira abaixo a sinopse do enredo divulgada pela agremia\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em><strong>Pr\u00f3logo do Enredo<\/strong> <\/em><\/p>\n<p><em>A sociedade cultural escola de samba virtual Folguedo<\/em><br \/>\n<em>Caipira apresenta para o Carnaval de 2023 o enredo \u201c A Saga do boi :\u00e9 santo , \u00e9 profano. Um Deus de v\u00e1rios mundos \u201c.<\/em><br \/>\n<em>Visando mostrar oque h\u00e1 de melhor na cultura brasileira para o Mundo, n\u00f3s da Folguedo desmistificaremos a sagrada figura do Boi, s\u00edmbolo maior de nossa agremia\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Desde a apari\u00e7\u00e3o dos primeiros homeridios na face da terra , os seus ancestrais que hoje conhecemos como<\/em><br \/>\n<em>\u201cgado\u201d J\u00e1 se fazia presente ,alimentando o imagin\u00e1rio e o corpo humano sendo al\u00e7ado a categoria de DEUS por civiliza\u00e7\u00f5es do antigo mundo .<\/em><br \/>\n<em>Cultuado ,venerado, amado e odiado, o boi e todas as suas variantes se fez necess\u00e1ria na forma\u00e7\u00e3o de diversas mitologias cruzando a fronteira entre o real e o ficcional se tornando pe\u00e7a chave de rituais ,lendas ,mitos e<\/em><br \/>\n<em>hist\u00f3rias dos mais diversos lugares, a Folguedo Caipira leva a passarela virtual ,sobre a \u00f3tica de narrativa de<\/em><br \/>\n<em>\u201c Conversa de bois \u201c de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa a rela\u00e7\u00e3o do boi com a natureza, com o ser humano e com o<\/em><br \/>\n<em>pr\u00f3prio boi ,desdobrando os b\u00fafalos ,touros, vacas<\/em><br \/>\n<em>,bezerros entre outros ,onde todos esses animais ganham um espa\u00e7o no universo m\u00edstico do homem primitivo ,mas tamb\u00e9m na mente do homem contempor\u00e2neo.<\/em><br \/>\n<em>Emergindo assim esse imenso carro de boi onde a mercadoria a ser levada \u00e9 o mundo ,mundo esse que se<\/em><br \/>\n<em>rendeu h\u00e1 milhares de anos a for\u00e7a e vigor desse animal que conseguiu evoluir o suficiente para ser considerado imortal.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQue j\u00e1 houve um tempo em que eles conversavam, entre si e com os homens, \u00e9 certo <\/em><br \/>\n<em>e indiscut\u00edvel&#8230;\u201d<\/em><br \/>\n<em>trecho de \u201cConversa de boi\u201d<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo I <\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Primitivas grutas<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Toca o berrante ao longe o Bisonte logo levanta as orelhas e diz. <\/em><br \/>\n<em>-Acorde Auroque j\u00e1 esta na hora de despertar, o carreiro <\/em><br \/>\n<em>n\u00e3o gosta de esperar! <\/em><br \/>\n<em>Auroque era um boi selvagem da ra\u00e7a \u201cBos primogenius\u201d o pai do gado domesticado que se v\u00ea aos <\/em><br \/>\n<em>montes pela fazendas mundo a fora ,foi de sua gen\u00e9tica que se originou a ra\u00e7a zebu entre outras.<\/em><br \/>\n<em>&#8211; MUHHHHHHHHHH !!! me deixe Bisonte j\u00e1 sou velho o suficiente para me levantar a hora que eu bem entender <\/em><br \/>\n<em>! disse o enorme Auroque<\/em><br \/>\n<em>O que o boi selvagem n\u00e3o se lembrava era que o <\/em><br \/>\n<em>Bisonte ou \u201cBison Priscus\u201d era t\u00e3o ou mais velho que ele <\/em><br \/>\n<em>,sua exist\u00eancia datava da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o e dele <\/em><br \/>\n<em>prov\u00e9m os Bisontes americanos . <\/em><br \/>\n<em>Os dois sempre estavam a frente do carro como \u201cbois de guia\u201d conduzindo os outros bois que vinham atr\u00e1s entretendo-os com suas hist\u00f3rias.<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 se encaminhando para serem selados Bisonte grita :<\/em><br \/>\n<em>-Uhhhhhhhhhhhg vamos Auroque conte uma de suas lendas sobre aqueles que andam sobre duas patas . <\/em><br \/>\n<em>O velho e razinza Auroque olha com desd\u00e9m para a aud\u00e1cia de seu companheiro ,mas se anima em um raro momento de felicidade come\u00e7ando a confabular um <\/em><br \/>\n<em>conto sobre uma gruta pela qual ele havia passado .<\/em><br \/>\n<em>-Era frio n\u00e3o existia nada al\u00e9m de mato, florestas e pedras havia tamb\u00e9m uns seres estranhos que andavam sobre duas patas muito parecidos com o carreiro que nos conduz hoje em dia ,o per\u00edodo da <\/em><br \/>\n<em>humanidade se \u00e9 que existia isso naqueles seres, era o <\/em><br \/>\n<em>da pedra lascada tudo era novidade para aqueles seres aproximadamente 2,5 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, eles descobriram algo impressionante Bisonte! eles ao entrarem em Grutas para se proteger do clima e <\/em><br \/>\n<em>tamb\u00e9m de outros animais selvagens, come\u00e7ariam a desvendar o ambiente \u00famido e cheio de argila , ao <\/em><br \/>\n<em>encostar seus dedos sujos nas paredes eles veriam que poderiam criar imagens , inventariam tra\u00e7os, <\/em><br \/>\n<em>reproduziram figuras ;Nasce ent\u00e3o a primeira forma de arte visual nomeada de arte rupestre.<\/em><br \/>\n<em>Alguns s\u00e9culos depois o homem moderno j\u00e1 evolu\u00eddo em <\/em><br \/>\n<em>1879 na regi\u00e3o dos Montes Cant\u00e1bricos achariam essas imagens , seria a filha de Marcelino Santuola que ao entrar pelas frestas dessa mesma gruta na Espanha gritaria \u201c um touro papa !\u201d.<\/em><br \/>\n<em>A partir dali estava feita a maior descoberta sobre os homens pr\u00e9 hist\u00f3ricos, viviam entre eles os enormes Bisontes, B\u00fafalos e Touros que foram documentados assim como suas rotinas cotidianas em Altamira .<\/em><br \/>\n<em>Mas l\u00e1 pelos lados da Fran\u00e7a quase 100 anos ap\u00f3s ,em <\/em><br \/>\n<em>1940 Lascaux entraria nesse roll de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos de arte rupestre por\u00e9m, Lascaux foi muito mais al\u00e9m <\/em><br \/>\n<em>criou e replicou de forma virtual todo o territ\u00f3rio interior de sua gruta para exposi\u00e7\u00f5es disponibilizadas em acervo digital .<\/em><br \/>\n<em>Hoje todos , e em todos os lugares podem ver os maravilhosos bois que muito tinham a oferecer para <\/em><br \/>\n<em>aqueles seres humanos, al\u00e9m de aliment\u00e1-los ,os bois e <\/em><br \/>\n<em>bisontes selvagens lhe guarneciam de ossos para cria\u00e7\u00e3o <\/em><br \/>\n<em>de armas de ca\u00e7a ,utens\u00edlios e suas peles eram usadas como roupas que os protegiam do clima in\u00f3spito da terra primitiva .<\/em><br \/>\n<em>Nos \u00faltimos 10,000 mil anos a cria\u00e7\u00e3o de gado tem sustentado os humanos em suas necessidades, n\u00f3s bois de fato exercemos um estranho dom\u00ednio sobre os povos da terra .<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c O homem \u00e9 um bicho esmochado, que n\u00e3o devia haver. Nem conv\u00e9m espiar muito para o homem. E o \u00fanico vulto que faz ficar zonzo, de se olhar <\/em><br \/>\n<em>muito. E comprido demais, para cima, e n\u0101o cabe todo de uma vez, dentro dos olhos da gente. \u2013 <\/em><br \/>\n<em>Mas eu j\u00e5 vi o homem-do-pau-comprido correr de uma vaca &#8230;\u201d<\/em><br \/>\n<em>Trecho de \u201cconversa de bois<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo II<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>LENDAS DE UM velho MUNDO<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>-Ande touro pare de se lavar no riacho &#8230;disse o carreiro para \u00c1pis. <\/em><br \/>\n<em>\u00c1pis era o \u201cp\u00e9 de guia\u201d ou \u201c quarta de coice\u201d um touro totalmente branco de cauda negra e com um sinal de lua minguante no peito , pertencia a realeza eg\u00edpcia era cultuado como um Deus e por saber disso nutria uma vaidade impec\u00e1vel.<\/em><br \/>\n<em>-Mhuuuuuuuuuu esse carreiro \u00e9 uma sarna em meus cornos \u201c disse \u00c1pis para Minotauro .<\/em><br \/>\n<em>Minotauro tamb\u00e9m ocupava o lugar de \u201c p\u00e9 de guia \u201c por\u00e9m ele era negro como a escurid\u00e3o de um recinto <\/em><br \/>\n<em>fechado ,diziam os outros bois que ele podia andar sobre duas patas assim como o bicho homem.<\/em><br \/>\n<em>-mughhhhhhg!! n\u00e3o seja pregui\u00e7oso \u00c1pis saia logo desse riacho e vamos para a forma\u00e7\u00e3o do carro ,n\u00e3o me <\/em><br \/>\n<em>obrigue a tira-lo da\u00ed ! Exclamou Minotauro <\/em><br \/>\n<em>-Eu tenho saudades Minotauro daquela \u00e9poca em que o bicho homem nos temia e nos venerava, voc\u00ea se lembra? Perguntou-lhe \u00c1pis <\/em><br \/>\n<em>A saudade de \u00c1pis era compreens\u00edvel afinal ele de fato era um Deus cheio de regalias , o animal mais celebrado do antigo Egito a pr\u00f3pria reencarna\u00e7\u00e3o do Deus Ptah.<\/em><br \/>\n<em>A princ\u00edpio \u00c1pis era um Deus da fertilidade e da for\u00e7a f\u00edsica ao passar dos anos foi associado tamb\u00e9m a Os\u00edris <\/em><br \/>\n<em>Deus dos mortos ,com o decorrer dos tempos essas associa\u00e7\u00f5es se tornaram mais intensas culminando na lenda \u201cprociss\u00e3o de \u00c1pis \u201c, que consistia em ir de cidades em cidades eg\u00edpcias carregando os restos mortais de Os\u00edris que havia sido morto por seu irm\u00e3o Seth.<\/em><br \/>\n<em>\u00c1pis significou todo um complexo conceito religioso ,sua identidade como touro sagrado de M\u00eanfis seja como <\/em><br \/>\n<em>H\u00f3rus ,seja como Os\u00edris ou Atum se fundiu com toda uma cultura .<\/em><br \/>\n<em>\u00c1pis morreu!!!salve \u00c1pis!!!<\/em><br \/>\n<em>Com isso M\u00eanfis se cobria de luto , muitos eg\u00edpcios raspava suas cabe\u00e7as e comiam somente verduras em sinal de respeito mas \u00c1pis renasceria por muitas e <\/em><br \/>\n<em>muitas gera\u00e7\u00f5es no corpo de um novo touro branco .<\/em><br \/>\n<em>Adora\u00e7\u00e3o a deuses bois n\u00e3o se restringia ao Egito no caso da iconografia hindu o B\u00fafalo por ser mais r\u00fastico, selvagem e pesado era o animal perfeito para ser a <\/em><br \/>\n<em>montaria da divindade da morte Yama assim como no <\/em><br \/>\n<em>Tibet o Esp\u00edrito da morte tem cabe\u00e7a de B\u00fafalo entre as popula\u00e7\u00f5es montanhesas do Viatn\u00e3 para os quais o <\/em><br \/>\n<em>sacrif\u00edcio desses animais sagrados era um ato religioso essencial, o B\u00fafalo \u00e9 respeitado da mesma forma que um ser humano ,o abate do animal atrav\u00e9s do rito <\/em><br \/>\n<em>sacrificial transforma o em uma esp\u00e9cie de enviado, intercessor da comunidade junto aos Esp\u00edritos superiores.<\/em><br \/>\n<em>Sabe se tamb\u00e9m que do vale do Indo no atual <\/em><br \/>\n<em>Paquist\u00e3o e no beluchist\u00e3o arque\u00f3logos j\u00e1 encontravam vasos de argila com desenhos de zebus bem como esculturas destes mesmos animais ,prov\u00e9m tamb\u00e9m do <\/em><br \/>\n<em>vale o Indo a milenar adora\u00e7\u00e3o a vaca Nandi que servia de companheira para Shiva deus Indiano.<\/em><br \/>\n<em>N\u00f3s \u00faltimos 3000 mil anos da hist\u00f3ria indiana , os bovinos ganham uma conota\u00e7\u00e3o espiritual em festivais <\/em><br \/>\n<em>de sacrif\u00edcio at\u00e9 ent\u00e3o comuns passam a ser proibidos e somente a nobreza pode comer carne por\u00e9m em 1000 <\/em><br \/>\n<em>d.c o consumo \u00e9 restrito a todas as castas ,com a invas\u00e3o <\/em><br \/>\n<em>isl\u00e2mica no s\u00e9culo XVIII, os hindus para se diferenciar dos invasores que comiam carne aproveitam para enfatizar a proibi\u00e7\u00e3o do consumo e abate dos animais sagrados .<\/em><br \/>\n<em>A venera\u00e7\u00e3o por esse animal se estende por longas civiliza\u00e7\u00f5es ,na antiga Mesopot\u00e2mia existia cer\u00e2micas <\/em><br \/>\n<em>da cultura \u201c Tell Halaf \u201c de quase 4.000 a.c ornadas com figuras de bois ou somente suas cabe\u00e7as.<\/em><br \/>\n<em>No Imp\u00e9rio Ass\u00edrio o complexo de cidades que ia de <\/em><br \/>\n<em>Uruk , Djemdet ,Nasr, Meslim, Lagas at\u00e9 Akkad por volta de 3.000 a 2.000 a.c tinham imensos ornamentos de <\/em><br \/>\n<em>touros selvagens e dom\u00e9sticos em suas arquiteturas, <\/em><br \/>\n<em>como a exemplo do Pal\u00e1cio do rei Sargon II cujos touros <\/em><br \/>\n<em>eram enfeitados com asas e com cabe\u00e7as humanas , no <\/em><br \/>\n<em>Reino HITITA o touro foi venerado como Deus do rel\u00e2mpago e das intemp\u00e9ries mais tarde esse mesmo <\/em><br \/>\n<em>Deus seria renomeado de J\u00daPITER pelos ex\u00e9rcitos romanos .<\/em><br \/>\n<em>-n\u00e3o desejo lembrar de nada do passado \u00c1pis &#8230; murmurou com dor no cora\u00e7\u00e3o Minotauro<\/em><br \/>\n<em>Ao contr\u00e1rio de \u00c1pis ,Minotauro j\u00e1 n\u00e3o tivera a mesma sorte em sua jornada hist\u00f3rica.<\/em><br \/>\n<em>A desgra\u00e7a de Minotauro come\u00e7a muito antes de sua exist\u00eancia, a princesa fen\u00edcia Europa em um passeio a <\/em><br \/>\n<em>praia se depara com um lindo touro enfeitado de flores <\/em><br \/>\n<em>e ao se aproximar e constatar sua mansid\u00e3o ,monta nele e sai a passear por\u00e9m este touro n\u00e3o era um animal <\/em><br \/>\n<em>comum ele pertencia a Posseidon que a mando de Zeus <\/em><br \/>\n<em>leva a princesa Europa pelo mar Egeu para a ilha de <\/em><br \/>\n<em>Creta ,da\u00ed nascia a conex\u00e3o dos fen\u00edcios com os cretenses que possibilitou a evolu\u00e7\u00e3o do alfabeto e arquitetura .<\/em><br \/>\n<em>Do romance de Europa e Zeus nasceu tr\u00eas crian\u00e7as mas s\u00f3 uma delas seria o rei da ilha de Creta o escolhido <\/em><br \/>\n<em>pelos deuses foi Minos que fez de Creta e de seu Pal\u00e1cio <\/em><br \/>\n<em>em Cnossos polo para o apogeu cretense por volta de 1.700 a.c ,a cultura local j\u00e1 dispunha de um padr\u00e3o inimagin\u00e1vel com fabulosos afrescos que contavam <\/em><br \/>\n<em>atrav\u00e9s de imagens as dan\u00e7as e touradas, ta\u00e7as e jarros de um colorido peculiar que testemunharam o gosto <\/em><br \/>\n<em>requintado de seu povo. <\/em><br \/>\n<em>A ru\u00edna de Creta come\u00e7a quando a rainha Pasifae enfeiti\u00e7ada se apaixona por esse touro branco que veio a ser presente de Posseidon ao seu marido , a mando da <\/em><br \/>\n<em>rainha ,D\u00e9dalo prisioneiro do rei constr\u00f3i uma vaca t\u00e3o veross\u00edmil que foi capaz de enganar o touro m\u00e1gico, <\/em><br \/>\n<em>touro esse que foi morto nos 12 trabalhos realizados por <\/em><br \/>\n<em>H\u00e9rcules; dessa rela\u00e7\u00e3o bestial nasce o temido <\/em><br \/>\n<em>Minotauro que fora enviado para um labirinto na pr\u00f3pria cidadela que de nove em nove anos recebia 7 <\/em><br \/>\n<em>homens e 7 mulheres como tributo ,esses jovens eram enviados para morrer pelas patas do Minotauro mas esse por sua vez s\u00f3 fazia se defender do destino infeliz que lhe foi proposto .<\/em><br \/>\n<em>Uma l\u00e1grima escorre dos olhos de Minotauro ao lembrar da vida cruel em que ele viver\u00e1, onde o \u00fanico lema era matar ou morrer .<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c&#8230; o bois soltos n\u00e3o pensam como homens .S\u00f3 n\u00f3s, bois de carro, sabemos pensar como o homem&#8230;\u201d<\/em><br \/>\n<em>Trecho de \u201cconversa de bois \u201c<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo III <\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Mitos do novo mundo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>-mugir ,ruminar , andar e servir ! Pensa a Vaca de Pres\u00e9pio<\/em><br \/>\n<em>A Vaca de Pres\u00e9pio era a \u00fanica f\u00eamea dessa junta ela ocupava o lugar de \u201c p\u00e9 de coice \u201c era extremamente <\/em><br \/>\n<em>d\u00f3cil e esperta ,tinha uma destreza e aten\u00e7\u00e3o \u00edmpar.<\/em><br \/>\n<em>-Me diga gringo l\u00e1 pelas suas bandas tem pastos t\u00e3o verdes quantos esses ? pergunta a Vaca para o touro cor de Bronze.<\/em><br \/>\n<em>A Vaca de pres\u00e9pio era muito perspicaz esteve ali junto de Jo\u00e3o e Maria no nascimento do homem mais <\/em><br \/>\n<em>importante da hist\u00f3ria atual ,Jesus Cristo h\u00e1 quem o <\/em><br \/>\n<em>diga que ela navegou pelos oceanos na arca de No\u00e9.<\/em><br \/>\n<em>Incr\u00e9dulo com a pergunta o touro de wall street responde:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; de onde eu venho h\u00e1 poucas pastagens, mas me fale voc\u00ea vaca fofoqueira tu confias no carreiro?<\/em><br \/>\n<em>-Gringo eu sou religiosa, tem uma passagem da b\u00edblia no livro de \u00caxodos que diz!<\/em><br \/>\n<em>\u201cTirai os brincos de vossas mulheres e vossas filhas trazeis a mim \u201csendo assim todo o povo hebreu trouxe consigo alguma pe\u00e7a de ouro por ordem de Aar\u00e3o que <\/em><br \/>\n<em>idealiza e constr\u00f3i um bezerro fundido de ouro .<\/em><br \/>\n<em>Aar\u00e3o proclama diante de todos aqueles Hebreus<\/em><br \/>\n<em>\u201c a\u00ed tens ,Israel os deuses que te fizeram sair do Egito&#8230;\u201d posteriormente foi feito um altar diante da imagem do <\/em><br \/>\n<em>bezerro ,onde era celebradas festas e sacrif\u00edcios pac\u00edficos em nome do Senhor de Israel isso tudo tendo como <\/em><br \/>\n<em>causa a impaci\u00eancia do povo hebreu que n\u00e3o aguentar\u00e1 mais esperar por Mois\u00e9s que n\u00e3o retornava do monte e assim renegando os ensinamentos do pr\u00f3prio.<\/em><br \/>\n<em>Mas n\u00e3o era somente pra Aar\u00e3o que os bovinos eram especiais ,o Rei Salom\u00e3o tinha em seu templo uma bacia que era carregada por 12 bois .<\/em><br \/>\n<em>-O bicho homem \u00e9 assim Gringo pensa mais em si que no <\/em><br \/>\n<em>todo&#8230; concluiu a Vaca de Pres\u00e9pio <\/em><br \/>\n<em>Gringo era touro da ra\u00e7a red angus tinha a pelagem na cor bronze , Gringo assim como a Vaca de Pres\u00e9pio <\/em><br \/>\n<em>tamb\u00e9m ocupava o lugar de \u201cp\u00e9 de coice \u201d por\u00e9m ele era mais arrojado tinha um ar contempor\u00e2neo devido a sua viv\u00eancia ,ele vinha de terras estrangeiras sua cidade <\/em><br \/>\n<em>natal, Nova York do s\u00e9culo XX, ele \u00e9 s\u00edmbolo do vigor <\/em><br \/>\n<em>financeiro americano dizem que assim que ele pisou em Wall Street a bolsa de valores atingiu cifras milion\u00e1rias, ele j\u00e1 estava acostumado a ver o bicho homem fazer de <\/em><br \/>\n<em>tudo pela gan\u00e2ncia ,cosmopolita Gringo viu sua imagem e semelhan\u00e7a se tornar hit com a \u201cCow Parade\u201d <\/em><br \/>\n<em>idealizada pelo su\u00ed\u00e7o Pascal Knaap em Zurique como <\/em><br \/>\n<em>forma de democratizar a arte ,ou em filmes a exemplo do gentil touro Ferdinando seu filme favorito ou como can\u00e7\u00f5es de ninar do tipo \u201cboi da cara preta\u201d o que ele n\u00e3o entendia era o porque da menina ter medo de careta .<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo iv<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Sert\u00e3o da farinha podre<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>-muuuuuuuuuggg venha r\u00e1pido Jaguan\u00eas bicho homem levou uma carreira de um dos bois &#8230;gargalhava Nelore ao ver a cena. <\/em><br \/>\n<em>Nelore era um boi branco de pele preta ,ele e Jaguan\u00eas era os \u00faltimos da junta e ocupavam o lugar de \u201cboi de <\/em><br \/>\n<em>coice\u201d entendiam do bicho homem como nenhum outro boi da junta poderia entender ,ambos eram zebuinos <\/em><br \/>\n<em>sendo que nelore era da \u00cdndia e Jaguan\u00eas africano .<\/em><br \/>\n<em>-Esse dia ainda nem come\u00e7ou direito e j\u00e1 temos muita hist\u00f3ria da lida pra contar&#8230;Avaliava Jaguan\u00eas<\/em><br \/>\n<em>Nelore era relativamente um boi comum nas fazendas de gado do Brasil com enormes cupins na parte superior do torso ,geralmente visto aos montes em feiras de <\/em><br \/>\n<em>agropecu\u00e1rias ,representa 80% do rebanho comercial do pa\u00eds desde a d\u00e9cada de 60 .<\/em><br \/>\n<em>Os zebuinos como Nelore s\u00e3o de origem indiana al\u00e9m deles h\u00e1 uma infinidade de outros tipos de zebus <\/em><br \/>\n<em>rodando o territ\u00f3rio nacional ,Gir ,Guzer\u00e1 e indusbrasil como exemplo todos s\u00e3o subesp\u00e9cies do \u201cBos tauros indicus \u201c .<\/em><br \/>\n<em>Por serem r\u00fasticos e capazes de se aclimatar aos tr\u00f3picos os pecuaristas brasileiros em especial do tri\u00e2ngulo <\/em><br \/>\n<em>mineiro come\u00e7aram na metade do s\u00e9culo XX expedi\u00e7\u00f5es a \u00cdndia no intuito de trazer os zebus para o Brasil.<\/em><br \/>\n<em>Sem muita exatid\u00e3o sabe se que os bovinos chegaram em solo nacional em pequenos lotes ao longo do s\u00e9culo XVIII a mando do donat\u00e1rio Martim Afonso Souza de Portugal a S\u00e3o Vicente em S\u00e3o Paulo em 1534.<\/em><br \/>\n<em>No ano seguinte foi a vez da capitania de Pernambuco receber os novos animais a mando de Duarte Coelho, os primeiros n\u00facleos de povoa\u00e7\u00f5es foram acompanhados pelos rebanhos nas faixas litor\u00e2neas de norte a sul e tamb\u00e9m no centro e planalto com a finalidade de <\/em><br \/>\n<em>facilitar a vida do colonizadores e de transporte na <\/em><br \/>\n<em>tra\u00e7\u00e3o dos engenhos de a\u00e7\u00facar, na ocupa\u00e7\u00e3o do Sert\u00e3o al\u00e9m de dar carne e leite para os colonos.<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 Jaguan\u00eas era um boi com riscas negras e vermelhas salpicados de branco nativo do Nilo \u00e9 forte por natureza foi por muito tempo mantido no haras da fazenda imperial Santa Cruz de Dom Pedro I junto de diversas outras esp\u00e9cies .<\/em><br \/>\n<em>Na d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XIV os bovinos seriam usados na tra\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os de caf\u00e9, por serem ex\u00f3ticos em <\/em><br \/>\n<em>rela\u00e7\u00e3o a ra\u00e7a europeia e com uma larga experi\u00eancia na sele\u00e7\u00e3o e hibrida\u00e7\u00e3o de animais, o Bar\u00e3o do Paran\u00e1 <\/em><br \/>\n<em>adquiri esse t\u00edtulo de Dom Pedro II por sua cria\u00e7\u00e3o na <\/em><br \/>\n<em>fazenda do vale do caf\u00e9 em Para\u00edba do Sul ao importar para o zool\u00f3gico de Londres esse tipo de esp\u00e9cie zebuina .<\/em><br \/>\n<em>Conhecido como tri\u00e2ngulo mineiro, hoje localizado entre os rios Grande e Parana\u00edba antes pertencentes a <\/em><br \/>\n<em>capitania de Goi\u00e1s desde o s\u00e9culo XVIII, fazendo a <\/em><br \/>\n<em>liga\u00e7\u00e3o entre as cedes de Minas Gerais e Mato Grosso era usado pelos tropeiros como pastagens dessas ra\u00e7as de bovinos, foi o gado que fez o tri\u00e2ngulo mineiro se tornar mineiro .<\/em><br \/>\n<em>Os tropeiros que utilizavam a regi\u00e3o reclamavam de ter que pagar tributos a Minas Gerais em 1816 assim sendo anexado ao estado por volta de 1836 , o antigo \u201c Sert\u00e3o da farinha podre\u201d \u00e9 al\u00e7ada a vila e l\u00e1 pelos meados de 1866 se torna a rec\u00e9m criada cidade de Uberaba .<\/em><br \/>\n<em>O \u201cSert\u00e3o da farinha podre\u201d a partir do s\u00e9culo XIX passa a receber o povoamento ,com a decad\u00eancia da <\/em><br \/>\n<em>minera\u00e7\u00e3o a elite que antes era enriquecida com ouro e diamantes passa a trabalhar com a pecu\u00e1ria. <\/em><br \/>\n<em>No processo de consolida\u00e7\u00e3o de um tipo de gado capaz de avan\u00e7ar pelo Sert\u00e3o os criadores de Uberaba <\/em><br \/>\n<em>enobreceram seus bovinos fazendo de sua cidade polo de cria\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a indiana com desenvolvimento de laborat\u00f3rios de insemina\u00e7\u00e3o artificial .<\/em><br \/>\n<em>Como os bovinos s\u00e3o mercadorias utilizadas para est\u00e1 ou aquela fun\u00e7\u00e3o a manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e diferenciada se faz necess\u00e1ria para o aprimoramento da carne ou <\/em><br \/>\n<em>para produ\u00e7\u00e3o de leite resultando na promo\u00e7\u00e3o do bem estar animal evitando doen\u00e7as como a febre aftosa e anomalias como da vaca louca .<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_645475\" aria-describedby=\"caption-attachment-645475\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-645475\" src=\"https:\/\/www.srzd.com\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Logo-Folguedo-Caipira-2023-265x300.jpg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-645475\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo v <\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>A farra dos bois<\/strong> <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ehhhhhhhh meus bois vamos s\u00edmbora, oces n\u00e3o queriam festejar meus meninos&#8230;<\/em><br \/>\n<em>-hoje tem um tant\u00e3o de festejo bom pra n\u00f3s visitar !! exclamou o Carreiro<\/em><br \/>\n<em>A junta de bovinos seguia o caminho do destino entre uma parada e outra, lembran\u00e7as dos mais diversos tipos.<\/em><br \/>\n<em>A primeira parada foi no Rio de Janeiro as touradas come\u00e7avam a ser organizadas promovidas para entreter em datas importantes a monarquia portuguesa se <\/em><br \/>\n<em>tornando mais not\u00e1vel no per\u00edodo que compreende 1808 a 1821,quando a fam\u00edlia real se instala na cidade em <\/em><br \/>\n<em>raz\u00e3o dos conflitos napole\u00f4nicos ap\u00f3s uma pausa de 18 anos na pr\u00e1tica de corrida de touros em 2 de julho de 1870 o jornal da tarde anuncia .<\/em><br \/>\n<em>\u201cacaba de chegar a est\u00e1 corte ,de Montevid\u00e9u o senhor Servano Gomes ,empres\u00e1rio de uma companhia de touros [&#8230;],prop\u00f5e a dar <\/em><br \/>\n<em>espet\u00e1culos desse g\u00eanero que tem sido muito <\/em><br \/>\n<em>aplaudidos nas capitais de Lisboa, Madrid e Montevid\u00e9u. \u201c<\/em><br \/>\n<em>Os bois da comitiva do Carreiro nada gostaram da ideia de permanecer ali .<\/em><br \/>\n<em>-Esse carreiro doido est\u00e1 pedindo um solavanco daqueles Bisonte! <\/em><br \/>\n<em>Resmunga a Vaca de Pres\u00e9pio <\/em><\/p>\n<p><em>O carreiro entende e prossegue com sua jornada at\u00e9 encontrar uma romaria de carros de bois id\u00eanticos aos dele .<\/em><br \/>\n<em>-Agora sim os festejos v\u00e3o come\u00e7ar, viu Minotauro se eu n\u00e3o tivesse me banhado, n\u00e3o estaria apropriado para a ocasi\u00e3o .verbalizou \u00c1pis <\/em><br \/>\n<em>Na primeira semana de julho come\u00e7a a festa do divino pai eterno ,uma romaria que vai da cidade de <\/em><br \/>\n<em>Moss\u00e2medes noroeste de Goi\u00e2nia utilizando um importante meio de transporte brasileiro o \u201ccarro de boi\u201d que se estende por 150 km at\u00e9 o santu\u00e1rio de Trindade em Goi\u00e1s.<\/em><br \/>\n<em>Em m\u00e9dia s\u00e3o 20 ou 30 carros por caravana ,se leva de tudo mantimentos, bagagens ,utens\u00edlios e o principal a <\/em><br \/>\n<em>f\u00e9, essas caravanas s\u00e3o formadas por fam\u00edlias que vivem da pecu\u00e1ria extensiva (Corte e leite) os romeiros ao final de cada pouso di\u00e1rio fazem um reza .<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cSou romeiro que caminha Sou devoto do senhor<\/em><br \/>\n<em>Caminhando pela terra santa<\/em><br \/>\n<em>Velha trindade da f\u00e9 e amor\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Durante a festa do divino em trindade a cidade chega a receber cerca de 300 a 400 mil romeiros dos quais 10 <\/em><br \/>\n<em>mim chegam utilizando o carro de boi , comemorando o dia da sant\u00edssima trindade um domingo ap\u00f3s ao pentecostes (50 dias depois da P\u00e1scoa).<\/em><br \/>\n<em>A origem dos festejos come\u00e7ou em 1840 quando um casal de camponeses achou uma medalha de barro que tinha a imagem de Virgem Maria sendo coroada pela <\/em><br \/>\n<em>Sant\u00edssima trindade isto \u00e9 o pai ,o filho e o esp\u00edrito santo no arraial do Barro Preto.<\/em><br \/>\n<em>No santu\u00e1rio existe ambiente chamado de \u201c sala dos milagres\u201d al\u00e9m das penit\u00eancias e promessas a sala <\/em><br \/>\n<em>cont\u00e9m artefatos das b\u00ean\u00e7\u00e3os alcan\u00e7adas, do lado de <\/em><br \/>\n<em>fora acontecem desfiles de carros de boi que chamam a aten\u00e7\u00e3o dos devotos se tornando atra\u00e7\u00e3o principal do <\/em><br \/>\n<em>evento religioso ,os carreiros t\u00eam um espa\u00e7o reservado <\/em><br \/>\n<em>para o acampamento cedido pela prefeitura de Trindade nestes alojamentos provis\u00f3rios as mulheres cuidam das tarefas dom\u00e9sticas e os homens levam seus sagrados gados para pastar nas redondezas .<\/em><br \/>\n<em>As romarias atravessam m\u00faltiplos dom\u00ednios; do sagrado ao secular ,do tradicional ao moderno ,do regional ao nacional , do campo \u00e0 cidade em um car\u00e1ter amb\u00edguo <\/em><br \/>\n<em>,nelas o romeiro transp\u00f5e a vida sedent\u00e1ria da rotina para o nomadismo tempor\u00e1rio saindo de um lugar <\/em><br \/>\n<em>familiar e entrando em um universo sacral, resultando em contato direto com o sagrado e profano refor\u00e7ando o conv\u00edvio familiar e consolidando a rela\u00e7\u00e3o dentro de sua comunidade com seu estilo de vida.<\/em><br \/>\n<em>Ao prosseguir com a caravana os bois se deparam com o festival folcl\u00f3rico de Parintins onde o amor e o \u00f3dio por um dos bumbas envolvidos na disputa andam juntos ,o <\/em><br \/>\n<em>boi Bumb\u00e1 come\u00e7a a partir do roubo do boi preferido de um fazendeiro feito por pai Francisco para satisfazer os <\/em><br \/>\n<em>desejos de sua esposa gr\u00e1vida que almejava comer a l\u00edngua do boi ,ao perceber a aus\u00eancia do animal o <\/em><br \/>\n<em>fazendeiro interroga todos os funcion\u00e1rios e obriga pai <\/em><br \/>\n<em>Francisco a trazer o tal boi de volta vivo , desesperado <\/em><br \/>\n<em>Francisco pede ajuda ao paj\u00e9 que consegue ressuscitar o animal , da\u00ed nasce o mito do boi bumba que \u00e9 comemorado como sinal de celebra\u00e7\u00e3o pelo milagre alcan\u00e7ado.<\/em><br \/>\n<em>Esse mesmo mito se espalhou pelo Brasil e \u00e9 festejado cada um a sua maneira de acordo com a sua regi\u00e3o <\/em><br \/>\n<em>como no caso do bumba meu boi do Cear\u00e1 ,boi Bumb\u00e1 <\/em><br \/>\n<em>do Amazonas, boi Calemba do Rio Grande do Norte, boi mam\u00e3o de Santa Catarina .<\/em><br \/>\n<em>No estado do Maranh\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o negra ficou proibida de festejar o bumba meu boi no per\u00edodo de <\/em><br \/>\n<em>1861 a 1868 , at\u00e9 a d\u00e9cada de 60 os bois n\u00e3o podiam ir ao centro de S\u00e3o Jo\u00e3o para n\u00e3o incomodar as fam\u00edlias do primeiro escal\u00e3o da cidade.<\/em><br \/>\n<em>Seguindo a caravana os bois e a vaca chegam na regi\u00e3o <\/em><br \/>\n<em>norte do Esp\u00edrito Santo onde acontece o folguedo Reis de boi que tem a mesma lenda sobre outra \u00f3tica ressignificando o mito .<\/em><br \/>\n<em>Esse festejo acontece ao som de apitos, marujos come\u00e7am a tocar uma marcha de chamada do vaqueiro <\/em><br \/>\n<em>este por sua vez aparece batendo um bast\u00e3o de madeira semelhante a uma bengala sapateando vestindo trajes <\/em><br \/>\n<em>velhos e coloridos, o vaqueiro trabalhador sai de casa em casa ofertando seu boi que entra dan\u00e7ando, <\/em><br \/>\n<em>terminada a cantoria ocorre a morte do boi todas as <\/em><br \/>\n<em>suas partes s\u00e3o vendidas e cada participante contribui com o vaqueiro como pode ,posteriormente o boi \u00e9 <\/em><br \/>\n<em>ressuscitado ao som da marcha \u201clevanta meu boi\u201d.<\/em><br \/>\n<em>\u201cN\u00f3s somos bois&#8230; bois de carro &#8230;os outros <\/em><br \/>\n<em>,que v\u00eam em manadas ,para ficarem um tempo nas \u00e1guas pastando na invernada sem trabalhar ,s\u00f3 <\/em><br \/>\n<em>vivendo e pastando ,e v\u00e3o-se embora para lugar <\/em><br \/>\n<em>aos novos que chegam magros ,esses todos n\u00e3o s\u00e3o como n\u00f3s&#8230;\u201d<\/em><br \/>\n<em>Trecho de \u201cconversa de bois\u201d<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Ep\u00edlogo<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Boi Folguedo <\/em><br \/>\n<em>A comitiva retorna para o Rio de Janeiro por\u00e9m agora era fevereiro as ruas estavam em festa tudo era bonito cheio de cor, os bois da junta do Carreiro ficam <\/em><br \/>\n<em>fascinados com tamanha beleza e felizes por terem suas <\/em><br \/>\n<em>vidas, hist\u00f3rias e mortes contadas agora no Carnaval por diversas escolas de samba desde Est\u00e1cio de S\u00e1 que <\/em><br \/>\n<em>contou a hist\u00f3ria do boi voador de Maur\u00edcio de Nassau <\/em><br \/>\n<em>at\u00e9 Unidos de Padre Miguel que tem como s\u00edmbolo o boi avermelhado como lembran\u00e7a da vida rural carioca .<\/em><br \/>\n<em>Outras agremia\u00e7\u00f5es enalteceram o boi em seus enredos Boi da Ilha do Governador, Uni\u00e3o de Jacarepagu\u00e1, <\/em><br \/>\n<em>Imp\u00e9rio de Casa Verde e Para\u00edso do Tuiuti s\u00e3o algumas delas ;4 dias de festas espalhados pela cidade e pelo <\/em><br \/>\n<em>pa\u00eds, os bois caem na gandaia , a junta \u00e9 recebida pelo o <\/em><br \/>\n<em>rei momo da cidade que era um boi tamb\u00e9m !!! o Boi <\/em><br \/>\n<em>Folguedo convida todos os seus semelhantes a brincarem o Carnaval remodelando esse animal e <\/em><br \/>\n<em>reafirmando sua identidade que se funde com a hist\u00f3ria <\/em><br \/>\n<em>da humanidade, entendo o porqu\u00ea dele ser imortal.<\/em><br \/>\n<em>Fim<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO homem n\u00e3o \u00e9 mais forte do que um boi&#8230; nem todos os bois obedecem sempre o <\/em><br \/>\n<em>homem.\u201d<\/em><br \/>\n<em>Trecho de \u201cconversa de bois\u201d<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Biografia<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa: Sagarana <\/em><br \/>\n<em>Conversa de bois :Uma f\u00e1bula de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa <\/em><br \/>\n<em>Hist\u00f3ria ,ci\u00eancia e tecnologia da carne bovina <\/em><br \/>\n<em>Nome aos bois: Zebus e zebueiros em uma pecu\u00e1ria de elite <\/em><br \/>\n<em>1\u00b0congresso de arqueologia pen\u00ednsular <\/em><br \/>\n<em>A conta\u00e7\u00e3o dos bois :Uma leitura sobre as vozes bovinas no conto\u201cconversa de bois\u201dna obra Sagarana <\/em><br \/>\n<em>\u201cConversa de bois\u201dsob a \u00f3tica Nietzscheana da cr\u00edtica da raz\u00e3o <\/em><br \/>\n<em>Arte paleol\u00edtico como proposi\u00e7\u00e3o cosmopolitica: uma inven\u00e7\u00e3o Betesiana <\/em><br \/>\n<em>A evolu\u00e7\u00e3o dos ruminantes <\/em><br \/>\n<em>Fato e nota: O cavalo e o boi na Am\u00e9rica ,em especial no Brasil <\/em><br \/>\n<em>A longa vida dos s\u00edmbolos <\/em><br \/>\n<em>SAGARANA : O Brasil de Guimar\u00e3es Rosa <\/em><br \/>\n<em>O artista popular :Reinven\u00e7\u00f5es e as apropria\u00e7\u00f5es dos Reis de boi <\/em><br \/>\n<em>Veterin\u00e1ria e Zootecnia <\/em><br \/>\n<em>A romaria do Pai divino <\/em><br \/>\n<em>Hist\u00f3ria do povoamento bovino no Brasil central <\/em><br \/>\n<em>A geografia m\u00edtica do boi <\/em><br \/>\n<em>A inven\u00e7\u00e3o e o encantamento do boi em Guimar\u00e3es e <\/em><br \/>\n<em>Elomar: Tra\u00e7os de uma narrativa oral no Sert\u00e3o <\/em><br \/>\n<em>Abram a porteira ,deixem meu boi passar <\/em><br \/>\n<em>Uma divers\u00e3o adequada? As touradas no Rio de Janeiro do s\u00e9culo XIV (1870-1884) <\/em><br \/>\n<em>Deuses Animais de Elizabeth Loibl<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfilando pelo Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual, a SCESV Folguedo Caipira apresentou o enredo que levar\u00e1 para o seu desfile de 2023. De autoria de Al\u00ea MSF e Vinicius Lopes, a escola de Jaboticabal\/SP ir\u00e1 caminhar pela figura do boi e suas representa\u00e7\u00f5es na humanidade atrav\u00e9s do enredo &#8220;A Saga do Boi \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":358,"featured_media":39014,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[229],"tags":[419,420,230,231,232,233,237,238,421,422,423,424],"class_list":["post-39312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carnaval-virtual-2023","tag-a-saga-do-boi","tag-boi","tag-carnaval-virtual","tag-carnaval-virtual-2023","tag-cav","tag-cav-2023","tag-enredo","tag-enredo-2023","tag-folguedo","tag-folguedo-caipira","tag-profano","tag-sagrado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/358"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39312"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39313,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39312\/revisions\/39313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}