{"id":39335,"date":"2023-05-16T15:00:30","date_gmt":"2023-05-16T18:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=39335"},"modified":"2023-05-10T22:40:24","modified_gmt":"2023-05-11T01:40:24","slug":"arco-do-teles-e-o-enredo-da-recanto-do-beija-flor-para-o-carnaval-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/arco-do-teles-e-o-enredo-da-recanto-do-beija-flor-para-o-carnaval-2023\/","title":{"rendered":"Arco do Teles \u00e9 o enredo da Recanto do Beija-Flor para o carnaval 2023"},"content":{"rendered":"<p>6\u00aa coloca no carnaval passado, o GRESV Recanto do Beija-Flor apresentou o enredo que ir\u00e1 levar para a disputa do Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_543825\" aria-describedby=\"caption-attachment-543825\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-543825\" src=\"https:\/\/www.srzd.com\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/1-Recanto-do-Beija-Flor-300x197.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-543825\" class=\"wp-caption-text\">Pavilh\u00e3o oficial da agremia\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>De autoria de Alberto dos Santos de Lemos, a escola de Serra\/ES contar\u00e1 do Arco do Teles atrav\u00e9s do enredo <em>&#8220;Hist\u00f3rias do Arco&#8230; do Teles, de todos, de sempre&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Confira abaixo a sinopse do enredo divulgada pela agremia\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>HIST\u00d3RIAS DO ARCO&#8230; DO TELES, DE TODOS, DE SEMPRE<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Pr\u00f3logo<\/em><\/p>\n<p><em>Um dia um beija-flor sobrevoou o centro do Rio de Janeiro e encontrou um belo portal junto \u00e0 Pra\u00e7a XV de novembro, uma verdadeira passagem que liga passado e presente. Uma entrada em forma de arco que, ao ser cruzado, v\u00e1rias hist\u00f3rias revelava. A seguinte sinopse conta as hist\u00f3rias que nosso p\u00e1ssaro encontrou por l\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Sinopse<\/em><\/p>\n<p><em>Tudo come\u00e7ou com a constru\u00e7\u00e3o do arco, em meados do s\u00e9culo XVIII, bem junto ao porto do Rio de Janeiro, local de troca de muitas mercadorias vindas da metr\u00f3pole com produtos locais e onde a vergonha da escravid\u00e3o de pessoas africanas era exposta de forma cotidiana. O chamado Largo do Carmo era uma \u00e1rea delimitada pela Rua Direita, a Casa dos Governadores da Capitania, o cais e um conjunto de edif\u00edcios em um terreno de propriedade do abastado juiz Ant\u00f4nio Telles de Menezes. Para se criar uma passagem que ligasse o largo \u00e0 Rua da Cruz atrav\u00e9s da Travessa do Mercado do Peixe, o engenheiro Jos\u00e9 Alpoim idealizou a passagem em forma de arco sob esse condom\u00ednio, que acabou consagrado como \u201cArco do Telles\u201d. Um nicho iluminado foi alocado em sua parede, com a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, protetora dos comerciantes, que sempre que por ali passavam lhe rendiam devo\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Nas primeiras d\u00e9cadas o local foi frequentado pela minguada burguesia carioca, que circulava pelos trapiches que funcionavam no t\u00e9rreo do casario, enquanto os andares superiores eram habitados por inquilinos distintos. Sobre o arco chegou a funcionar um hotel e o Senado da C\u00e2mara, uma esp\u00e9cie de C\u00e2mara Municipal e arquivo colonial. Sob o arco passavam escravos de ganho, mensageiros e todo tipo de gente interessada nas \u00faltimas not\u00edcias da cidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Entretanto, uma n\u00e3o t\u00e3o respeit\u00e1vel hist\u00f3ria come\u00e7ou em 1790, quando um grande inc\u00eandio de causas suspeitas ocorreu na propriedade dos Telles. O impopular conde de Resende, rec\u00e9m empossado vice-rei do Brasil, assistiu a boa parte do casario ser consumida em chamas da janela do Pa\u00e7o dos Vice-Reis, a antiga Casa dos Governadores. Com as chamas, tamb\u00e9m se foram importantes documentos, como os recibos e cobran\u00e7as de foros e os registros de im\u00f3veis da cidade, que estavam ali guardados. Apesar de haver duas v\u00edtimas fatais, muitos feridos e perdas materiais de valor incalcul\u00e1vel, o arco permaneceu intacto, mas seus frequentadores mudaram bastante.<\/em><\/p>\n<p><em>As estruturas agora sombrias passaram a ser habitadas por marginais e uma ampla variedade de delinquentes. Sob o arco, abrigados do sol forte e da chuva e a poucos metros da sede do governo, negros jogavam capoeira observados por Oxum, sincretizada com a imagem de Maria, que ao inc\u00eandio tamb\u00e9m resistira. \u00c0 noite era a vez do baixo meretr\u00edcio ocupar o lugar. As prostitutas prestavam seus servi\u00e7os ali mesmo no arco ou ao longo da degradada Travessa do Com\u00e9rcio. A mais c\u00e9lebre foi B\u00e1rbara Vicente de Urpia, conhecida por j\u00e1 ter sido uma acompanhante de luxo muito linda, mas que viu sua beleza ser perdida aos poucos pelo tempo. Sua op\u00e7\u00e3o foi ent\u00e3o ganhar a vida ali sob o arco. Adotou a alcunha de B\u00e1rbara dos Prazeres, por sempre se posicionar ofertando seu corpo exatamente na frente do nicho de Nossa Senhora, que considerava sua protetora. A estrat\u00e9gia de propaganda de B\u00e1rbara funcionou por alguns anos, atraindo centenas de clientes.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas o tempo passou ainda mais, afetando em definitivo a beleza de B\u00e1rbara dos Prazeres. Ela ent\u00e3o teria recorrido \u00e0 magia negra para reaver seu vi\u00e7o e voltar a ser desejada. A pol\u00edcia suspeitava que B\u00e1rbara sequestrava crian\u00e7as filhas de escravos e de mendigos e at\u00e9 rec\u00e9m-nascidos \u00f3rf\u00e3os da roda dos expostos da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia. Ela supostamente os sacrificava para se banhar em seu sangue no mangue, onde hoje \u00e9 a Cidade Nova. O sumi\u00e7o das crian\u00e7as foi registrado pela pol\u00edcia e a not\u00edcia aterrorizou as fam\u00edlias do Rio de Janeiro. Embora B\u00e1rbara fosse a principal suspeita, nunca nenhuma pista foi encontrada. O terror era tamanho que, quando ela n\u00e3o era vista em seu ponto no arco, dizia-se que \u201ca bruxa estava solta\u201d. Prestes a completar 60 anos, n\u00e3o foi mais vista e surgiu a lenda de que finalmente teria descoberto a f\u00f3rmula da juventude eterna.<\/em><\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m ali tiveram seus momentos de mendic\u00e2ncia os loucos, desalojados e farsantes. Bandidos famosos como o temido Olho de Gato se escondiam no beco, onde a pol\u00edcia nem pensava em fazer opera\u00e7\u00f5es. Os esc\u00e2ndalos eram tamanhos, que a popula\u00e7\u00e3o resolveu transferir a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres para uma igreja.<\/em><\/p>\n<p><em>D\u00e9cadas depois, o arco e suas redondezas foram revitalizados e o local voltou a abrigar armaz\u00e9ns e bares Do arco foi poss\u00edvel presenciar, no Largo do Carmo, acontecimentos importantes na hist\u00f3ria do Brasil ocorridos nesse tempo, como a chegada da fam\u00edlia real portuguesa fugitiva, a aclama\u00e7\u00e3o de Dom Jo\u00e3o VI, Dom Pedro I dizendo ao povo que ficaria no Brasil em 1822, os cortejos de Dom Pedro II e o an\u00fancio da lei \u00e1urea pela Princesa Isabel.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_645945\" aria-describedby=\"caption-attachment-645945\" style=\"width: 224px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-645945\" src=\"https:\/\/www.srzd.com\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Logo-Recanto-do-Beija-Flor-2023-224x300.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-645945\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Na \u00e9poca do imp\u00e9rio, frequentou o arco o alem\u00e3o Jo\u00e3o Alberto Matias, autonomeado Bar\u00e3o de Schindler, outrora combatente nas guerras napole\u00f4nicas, enlouqueceu ao saber da morte da esposa durante as guerras platinas e passou a vagar pelas ruas do Rio, sempre vestido de fraque verde e fazendo c\u00e1lculos de supostas d\u00edvidas em seus cadernos. Volta e meia proferia discursos e ganhou do povo o apelido de \u201cfil\u00f3sofo do cais\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XX o porto do Rio de Janeiro foi deslocado, assim como o eixo de poder da cidade. Mas o velho cais e os armaz\u00e9ns ali persistiram. V\u00e1rias fam\u00edlias de imigrantes portugueses viviam nos andares superiores das casas da agora saneada Travessa do Com\u00e9rcio e faziam seus neg\u00f3cios no t\u00e9rreo. No sobrado de n\u00famero 13 viveu a fam\u00edlia Miranda. O pai era barbeiro em um sal\u00e3o pr\u00f3ximo, e a m\u00e3e fazia refei\u00e7\u00f5es para vender com a ajuda de suas filhas Carmen e Aurora. Mais tarde se tornariam cantoras profissionais. Carmen Miranda, \u00edcone da m\u00fasica brasileira, viveu seis anos ao lado do arco.<\/em><\/p>\n<p><em>Na d\u00e9cada de 1950, sob influ\u00eancia da arquitetura modernista em uma metr\u00f3pole que crescia rapidamente, muitos pr\u00e9dios antigos foram demolidos no centro da cidade, dando lugar a altos edif\u00edcios. Lucio Costa projetou um grande pr\u00e9dio para ocupar o lugar do antigo casario, mas teve a sensibilidade de reconhecer o valor hist\u00f3rico das constru\u00e7\u00f5es, preservando a estrutura original dos im\u00f3veis que circundam o arco. Resistiu o portal ao inc\u00eandio e ao \u00edmpeto modernista. O conjunto passou a ser protegido como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico brasileiro. No local, os armaz\u00e9ns foram se transformando em bares, restaurantes e n\u00facleos de mem\u00f3ria.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A preserva\u00e7\u00e3o fez do conjunto do Arco do Teles e da Travessa do Com\u00e9rcio um retrato vivo do Rio antigo no meio da agitada regi\u00e3o central da cidade. Virou cen\u00e1rio de filmes e novelas, palco de grandes festas tem\u00e1ticas que atraem a juventude e do \u201chappy hour\u201d dos executivos no fim do dia de trabalho. Turistas se fascinam. No carnaval sempre passam blocos e os casais ef\u00eameros ainda usam o beco para praticarem car\u00edcias ousadas. Ali, a capoeira continua sendo jogada regularmente, assim como se apresentam grupos de samba de roda vestidos a car\u00e1ter.<\/em><\/p>\n<p><em>O arco hoje em dia se preocupa em resistir apenas ao vandalismo e ao abandono, mas segue firme sendo cen\u00e1rio da vida dos cidad\u00e3os cariocas e continua sendo um recanto livre para todos circularem e se encontrarem com o Rio de Janeiro do passado. Dizem que a energia do lugar \u00e9 t\u00e3o forte, que os mais sens\u00edveis podem escutar cumprimentos de fidalgos, gritos de vendedores, pedidos de b\u00ean\u00e7\u00e3os a Nossa Senhora, gargalhadas de bruxas e bandidos, lamentos de mendigos, cantos de pequenas not\u00e1veis e todos os sons dos personagens que ali viveram e frequentaram durante os quase tr\u00eas s\u00e9culos de hist\u00f3ria que o arco presenciou.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Este enredo, idealizado para a comemora\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio de 15 anos do G.R.E.S. Recanto do Beija-flor, \u00e9 dedicado \u00e0queles que amam a cidade do Rio de Janeiro e todos os seus recantos eternizados em poesia. <\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>6\u00aa coloca no carnaval passado, o GRESV Recanto do Beija-Flor apresentou o enredo que ir\u00e1 levar para a disputa do Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual. 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