{"id":45168,"date":"2024-10-18T21:25:52","date_gmt":"2024-10-19T00:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=45168"},"modified":"2024-10-18T21:25:52","modified_gmt":"2024-10-19T00:25:52","slug":"ganvie-os-tofinu-e-o-enredo-da-folguedo-caipira-para-o-carnaval-virtual-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/ganvie-os-tofinu-e-o-enredo-da-folguedo-caipira-para-o-carnaval-virtual-2024\/","title":{"rendered":"Ganvi\u00e9 &#8211; Os Tofinu \u00e9 o enredo da Folguedo Caipira para o Carnaval Virtual 2024"},"content":{"rendered":"<p>Cantando as \u00e1guas sagradas dos Tofinu, a SCESV Folguedo Caipira apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual.<\/p>\n<p>De autoria de Alberto Lemos, a escola de Jaboticabal ir\u00e1 defender o enredo<em> &#8220;Ganvi\u00e9: A saga Tofinu sobre as \u00e1guas sagradas&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Confira abaixo a sinopse divulgada pela agremia\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Ganvi\u00e9: A saga Tofinu sobre as \u00e1guas sagradas<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>SINOPSE\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>No pal\u00e1cio real de Abomey, os preparativos para o Xwetanu chegaram ao fim. Esse ano a comemora\u00e7\u00e3o principal era pela vit\u00f3ria sobre o reino de Uid\u00e1, o que garantiria ao Daom\u00e9 a expans\u00e3o para o sul e o acesso \u00e0 costa e ao grande porto de Uid\u00e1. A receita que o com\u00e9rcio triangular entre \u00c1frica, Am\u00e9rica e Europa e o acesso a armas mais letais eram fundamentais para os interesses do rei Agaj\u00e1, que tinha planos de futuramente se libertar dos pesados tributos impostos pelo poderoso Imp\u00e9rio de Oy\u00f3 e se consolidar como pot\u00eancia regional. Na presen\u00e7a de uma multid\u00e3o de s\u00faditos de todas as castas e de embaixadores de na\u00e7\u00f5es africanas e europeias, o grande festival garantiu homenagens aos voduns da casa real e a diviniza\u00e7\u00e3o de Agaj\u00e1, o quinto de sua dinastia, por todo o povo do Daom\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>No primeiro dia Agaj\u00e1 recebeu presentes dos embaixadores, dos s\u00faditos e dos nobres vassalos dos territ\u00f3rios conquistados, ouviu pacientemente suas demandas e resolveu disputas, com a intermedia\u00e7\u00e3o sagrada de Legba.<\/em><\/p>\n<p><em>No segundo dia, Agaj\u00e1 escolheu alguns de seus escravos para sacrif\u00edcio. Uma pilha de corpos degolados se formou em frente a sua tenda e o sangue das v\u00edtimas foi derramado no solo pelo pr\u00f3prio rei.<\/em><\/p>\n<p><em>No terceiro dia, Agaj\u00e1 se purificou em um banho ritual e vestiu novos trajes luxuosos. Os sacerdotes lhe impuseram uma coroa de ouro e o declararam Ahosu, da mesma forma que seus antepassados, que foram honrados com ofertas generosas de alimentos e bebidas.<\/em><\/p>\n<p><em>No quarto dia Agaj\u00e1 organizou um desfile solene de voduns que percorreu a capital enquanto o povo entoava c\u00e2nticos sagrados.<\/em><\/p>\n<p><em>No quinto dia, Agaj\u00e1 liderou um desfile de ricos conselheiros e administradores regionais, que distribu\u00edram esp\u00f3lios da guerra para a popula\u00e7\u00e3o em sinal de generosidade.<\/em><\/p>\n<p><em>No sexto dia, enquanto o povo era guiado em cerim\u00f4nias pelos sacerdotes, o monarca se reuniu com seus conselheiros e analisou as mudan\u00e7as do contexto pol\u00edtico.<\/em><\/p>\n<p><em>No s\u00e9timo dia o ex\u00e9rcito organizou uma grande parada, com a participa\u00e7\u00e3o de todos os regimentos militares, dentre os quais se destacava o regimento das mulheres guerreiras, treinadas desde a inf\u00e2ncia para serem os melhores soldados nas guerras, as Ahosi.<\/em><\/p>\n<p><em>No oitavo dia houve uma grande festa, com banquetes, m\u00fasicas e dan\u00e7as cerimoniais, que demonstravam a generosidade do rei para com seu povo. O novo emblema, com destaque para um navio, foi apresentado a todos. Fora da tenda real, Agaj\u00e1 era aclamado como rei sagrado do povo do Daom\u00e9. No interior, as autoridades reconheceram o Ahosu soberano de todas as terras que conquistou e assinaram contratos e tratados com o rei.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_44758\" aria-describedby=\"caption-attachment-44758\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-44758\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1-768x960.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/1.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-44758\" class=\"wp-caption-text\"><\/em> <em>Logo oficial do enredo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Ao fim de todos os rituais, Agaj\u00e1 se sentiu mais poderoso do que nunca. Mas durante as reuni\u00f5es ele tomou conhecimento de que algumas tribos n\u00e3o haviam ainda o reconhecido como rei, dentre elas a tribo dos Tofinu. Como esse povo vivia ao longo da costa, pelo potencial de criar problemas no tr\u00e1fego portu\u00e1rio, o Ahosu e seus generais planejaram ent\u00e3o subjugar os Tofinu. Os l\u00edderes deveriam reconhecer Agaj\u00e1 como rei e vodum ou se juntariam ao restante da popula\u00e7\u00e3o e seriam sequestrados e vendidos como escravos.<\/em><\/p>\n<p><em>Durante d\u00e9cadas os Tofinu resistiram aos ataques de outros povos na base apenas da diplomacia. Eles viviam na costa e praticavam pesca e com\u00e9rcio. Sua cren\u00e7a prezava a paz sob a orienta\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos da natureza e dos antepassados, e era diferente da praticada pelas c\u00f4rtes do Daom\u00e9. Inicialmente os l\u00edderes religiosos tofinu tentaram negociar com Agaj\u00e1 o pagamento de tributos anuais, mas as Ahosi sequestraram dezenas de pessoas da tribo e as venderam como escravos no porto de Uid\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Percebendo sua inferioridade b\u00e9lica, os Tofinu recorreram \u00e0 sabedoria dos antepassados. Em uma noite chuvosa, o s\u00e1bio Abodohou\u00e9 foi proclamado rei e recebeu dos voduns de seu povo o poder de se comunicar com os esp\u00edritos da natureza. Abodohou\u00e9 unificou todas as aldeias Tofinu e ordenou que aguardassem suas ordens. Em sonho, ele recebeu de seus ancestrais as orienta\u00e7\u00f5es que ele e seu povo deveriam buscar prote\u00e7\u00e3o no leste, onde haveria abund\u00e2ncia de \u00e1gua. Com seu rei \u00e0 frente, os Tofinu caminharam para leste por um dia e uma noite, at\u00e9 receberem a not\u00edcia de que o ex\u00e9rcito de Agaj\u00e1 se aproximava para encurral\u00e1-los nas margens do lago Nokou\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>Abodohou\u00e9 tranquilizou seu povo e disse que a salva\u00e7\u00e3o lhe havia sido revelada em sonho. Com aux\u00edlio dos esp\u00edritos das \u00e1guas, o rei se transformou em uma gar\u00e7a branca e voou at\u00e9 uma ilha de lama no meio do lago. Ali deveria ser constru\u00eddo a nova capital dos Tofinu. Espantado, o povo perguntou como chegaria at\u00e9 l\u00e1 com todos os seus pertences e como construiriam suas casas. Abodohou\u00e9 recorreu novamente aos esp\u00edritos das \u00e1guas e foi transformado em um grande crocodilo, que mergulhou no lago. Ele convenceu os outros crocodilos do lago a transportarem os Tofinu e seus pertences at\u00e9 as ilhas de lama, e ainda ajudaram as pessoas a montarem estruturas de estacas de juncos sobre as quais foram erguidas casas, orat\u00f3rios, cemit\u00e9rios, ancoradouros, estaleiros, celeiros e at\u00e9 ro\u00e7as para planta\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00e3o de aves e caprinos, al\u00e9m de um pal\u00e1cio para Abodohou\u00e9. Em troca, os crocodilos receberam a garantia de que haviam se tornado sagrados para os Tofinu, que uma parte do obtido na pesca a eles seria doada e que as pessoas n\u00e3o lhes fariam mal.<\/em><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s uma semana de trabalho, a nova cidade estava praticamente pronta e os Tofinu j\u00e1 haviam fabricado suas canoas para locomo\u00e7\u00e3o. Foi ent\u00e3o que Agaj\u00e1 em pessoa chegou com seu ex\u00e9rcito \u00e0s margens do lago, acreditando que seria a batalha mais f\u00e1cil de sua vida. Mas quando percebeu que teria que combater pessoas na \u00e1gua ele ficou frustrado. Os voduns que guiavam o rei do Daom\u00e9 n\u00e3o permitiriam de forma alguma que a \u00e1gua pura da natureza fosse maculada com sangue ou que pessoas fossem sequestradas em ambiente aqu\u00e1tico. Seria uma heresia grave, pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o imediata. Abodohou\u00e9 declarou que seu povo n\u00e3o sairia mais do lago, e que o com\u00e9rcio seria feito com outros povos em suas margens, mas os Tofinu se manteriam dentro de suas canoas. Contrariado, Agaj\u00e1 se deu por vencido e desistiu de subjugar os Tofinu, retornando com seu grande ex\u00e9rcito para o pal\u00e1cio de Abomey. Em comemora\u00e7\u00e3o, o povo nomeou a cidade como Ganvi\u00e9, que na l\u00edngua dos tofinu significa \u201cSobrevivemos\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>A constru\u00e7\u00e3o da cidade inteira sob estacas, seguindo o padr\u00e3o de palafitas, n\u00e3o foi exclusividade de Ganvi\u00e9. Mas ali, a criatividade humana permitiu a inven\u00e7\u00e3o das estacas com material extremamente perec\u00edvel dispon\u00edvel na redondeza, o que implica na necessidade de reconstru\u00e7\u00e3o quase anual das estruturas. Os tofinu tamb\u00e9m inventaram onze tecnologias (acadjas) diferentes para a cria\u00e7\u00e3o de peixes, cada uma com formato, tamanho, finalidade e at\u00e9 materiais diferentes. As fun\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o divididas, com homens obtendo alimentos na pesca e agricultura e mulheres cuidando da fam\u00edlia e circulando com canoas para trocas comerciais.<\/em><\/p>\n<p><em>Ganvi\u00e9 na atualidade \u00e9 uma cidade da Rep\u00fablica do Benim com cerca de 30 mil habitantes, que ainda vivem de forma quase autossustent\u00e1vel em 3 mil edif\u00edcios, em uma cidade flutuante no lago Nokou\u00e9. O monarca descendente de Abodohou\u00e9 n\u00e3o tem mais fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desde a anexa\u00e7\u00e3o francesa, mas se mant\u00e9m como um l\u00edder espiritual que preserva as tradi\u00e7\u00f5es \u00fanicas do seu povo. A cidade foi proclamada patrim\u00f4nio mundial em 1996 e pode ser visitada. Seus principais desafios hoje s\u00e3o a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, a seguran\u00e7a h\u00eddrica e a manuten\u00e7\u00e3o do turismo sustent\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p><em>Moral da Hist\u00f3ria: Quando um povo \u00e9 amea\u00e7ado por um inimigo poderoso, ele pode usar a sua intelig\u00eancia, a sua habilidade, a sua coragem, a sua f\u00e9, o seu amor e a sua uni\u00e3o para se salvar e se reinventar.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Bibliografia<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>ADERINTO, S. (ed.). African kingdoms : an encyclopedia of empires and civilizations. ABC-CLIO, LLC. Santa Barbara (CA), 2017.<\/em><\/p>\n<p><em>CHRISTIAN, B. P., et al. The Lake City of Ganvi\u00e9 in the Face of Environmental Development Challenges: A Review of the Literature. International Journal of Environment and Climate Change, 2023 13(8), 471\u2013486. DOI: 10.9734\/ijecc\/2023\/v13i81974<\/em><\/p>\n<p><em>HENIGE, David; JOHNSON, Marion. Agaja and the Slave Trade: another look at the evidence. History in Africa, v. 3, p. 57-67, 1976.<\/em><\/p>\n<p><em>KOBAYASHI, K. Tecendo redes imperiais: uma dimens\u00e3o asi\u00e1tica do com\u00e9rcio brit\u00e2nico de escravos no Atl\u00e2ntico no s\u00e9culo XVIII. Afro-\u00c1sia, Salvador, n. 63, 2021. DOI: 10.9771\/aa.v0i63.38307.<\/em><\/p>\n<p><em>LAW, R. Dahomey and the Slave Trade: Reflections on the Historiography of the Rise of Dahomey. In: European Intruders and Changes in Behaviour and Customs in Africa, America and Asia before 1800. Routledge, 2017. p. 123-153.<\/em><\/p>\n<p><em>MAMA, D, et al. Caracterisation d\u2019un Syst\u00e8me Lagunaire en Zone Tropicale: cas du\u00a0 lac\u00a0 Nokou\u00e9\u00a0 (B\u00e9nin).\u00a0 Eur\u00a0 J\u00a0 Sci\u00a0 Res. 2011;56(4):516-28.<\/em><\/p>\n<p><em>NIYONKURU, C; LAL\u00c8Y\u00c8, PA. Impact of Acadjafisheries\u00a0\u00a0 on\u00a0\u00a0 fish\u00a0\u00a0 assemblages\u00a0\u00a0 in\u00a0\u00a0 Lake Nokou\u00e9, Benin, West Africa. Knowl Manag Aquat Ecosyst. 2010;399(399):5<\/em><\/p>\n<p><em>ROSS, D. Robert Norris, Agaja, and the Dahomean Conquest of Allada and Whydah. History in Africa, v. 16, p. 311\u201324, 1989. DOI: 10.2307\/3171789.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cantando as \u00e1guas sagradas dos Tofinu, a SCESV Folguedo Caipira apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual. De autoria de Alberto Lemos, a escola de Jaboticabal ir\u00e1 defender o enredo &#8220;Ganvi\u00e9: A saga Tofinu sobre as \u00e1guas sagradas&#8221;. 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