{"id":4832,"date":"2016-11-23T16:28:55","date_gmt":"2016-11-23T19:28:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=4832"},"modified":"2017-08-03T01:47:40","modified_gmt":"2017-08-03T04:47:40","slug":"recanto-do-beija-flor-mostra-equipe-e-enredo-para-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/recanto-do-beija-flor-mostra-equipe-e-enredo-para-2017\/","title":{"rendered":"Recanto do Beija-Flor mostra equipe e enredo para 2017"},"content":{"rendered":"<p>A Recanto do Beija-Flor consolida sua equipe para o Carnaval Virtual 2017, al\u00e9m de apresentar o seu enredo para o pr\u00f3ximo desfile. No departamento art\u00edstico, Eduardo Tann\u00fas (ex-Caboclinho Verde) se une a Andre Dubois e Alberto Lemos. Na \u00e1rea musical, entra Victor Nowosh (ex-Nen\u00ea do Brasil).<\/p>\n<p>O enredo para 2017 \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0s conven\u00e7\u00f5es que se v\u00eaem nos livros de hist\u00f3ria do Brasil, e conecta a Polin\u00e9sia e a mitologia Maori ao Brasil. Confira a justificativa e a sinopse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DONA ROSA, N\u00c3O FOI SEU SEU CABRAL QUEM DESCOBRIU O BRASIL DOIS MESES DEPOIS DO CARNAVAL!<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capturar.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5285 alignright\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capturar.png\" alt=\"\" width=\"532\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capturar.png 532w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capturar-213x300.png 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 532px) 100vw, 532px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>JUSTIFICATIVA<\/strong><\/p>\n<p>O enredo da Recanto do Beija-Flor de 2017 j\u00e1 tem no seu t\u00edtulo uma provoca\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o apenas ao carnaval da Imperatriz Leopoldinense do ano 2000 e sim \u00e0 historiografia e aos livros de Hist\u00f3ria. Nessas terras n\u00e3o descobertas pelos brancos, j\u00e1 t\u00ednhamos por aqui civiliza\u00e7\u00f5es que merecem o protagonismo dos aut\u00f3ctones. \u00c9 um enredo cheio de implic\u00e2ncia. Implic\u00e2ncia para com as conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se a chegada do homem \u00e0 Am\u00e9rica tem como teoria mais aceita a passagem dos homens pelo estreito de Bering, n\u00f3s optamos pela menos convencional teoria da chegada dos maori polin\u00e9sios, via Pac\u00edfico, \u00e0 Am\u00e9rica do Sul. Esse povo do mar, andarilho, corajoso e heroico teria chegado aqui em suas canoas, pelo menos nove s\u00e9culos antes de Jesus de Nazar\u00e9 pregar na Galileia.<\/p>\n<p>Nossa narrativa \u00e9 uma hist\u00f3ria que ultrapassa o tempo dos homens. Por isso mesmo n\u00e3o podemos cont\u00e1-la sem a ajuda de seres atemporais. Por isso fomos buscar na antropologia, nos mitos e cren\u00e7as dos maori polin\u00e9sios suas compreens\u00f5es sobre a cria\u00e7\u00e3o do mundo por seus deuses. Os polin\u00e9sios s\u00e3o bastante diferentes de n\u00f3s no que concerne \u00e0 sexualidade. Falar de sexo para os polin\u00e9sios \u00e9 como falar de comida, de amizade, de qualquer coisa cotidiana. Para eles, uma rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 pecado. Muito pelo contr\u00e1rio! O sexo \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o! Foi atrav\u00e9s de atos sexuais que seu casal de deuses criadores (Lono e Kila) criaram o mundo. Sete atos de amor, cada um referente a um dia da semana, criaram o mundo e tudo que nele h\u00e1. Voc\u00ea pode estar se perguntando: essa hist\u00f3ria contada \u00e9 verdade? Querido leitor, esque\u00e7a seus padr\u00f5es de verdade e ci\u00eancia! Nessa narrativa, adentramos no mundo dos mitos. Mitos, como lembra-nos o renomado antrop\u00f3logo Levi Strauss, que existem para significar o mundo e tudo que nele h\u00e1. Os mitos s\u00e3o como fontes para nossa exist\u00eancia. Eles forjam um universo de magia, leveza e beleza, assim como o carnaval. Eles invertem, subvertem, colorem e desbotam o mundo que chamamos de real.<\/p>\n<p>Numa G\u00eanese de sensualidade e prazer, Kila e Lono criam, no primeiro ato, o c\u00e9u e a terra; no segundo, a flora; no terceiro, a mega fauna; os continentes no quarto; o homem e a mulher no quinto; deram ordem aos homens de se expandirem pelo mundo no sexto; criaram o mist\u00e9rio da Hist\u00f3ria e do Arb\u00edtrio no s\u00e9timo.<\/p>\n<p>A cosmologia polin\u00e9sia \u00e9 bastante diferente da crist\u00e3. Se temos um Deus \u00fanico, masculino, assexuado e sujeito de tudo, os polin\u00e9sios tinham um deus e uma deusa em equidade. Lono e Kila criaram tudo e davam de presente um ao outro suas cria\u00e7\u00f5es de amor. Kila e Lono criaram o homem e a mulher em igualdade. N\u00e3o houve essa hist\u00f3ria de uma vir da costela do outro! Criaram os dois ao mesmo tempo para n\u00e3o dar confus\u00e3o! Apesar de terem dado ao homem e \u00e0 mulher a sabedoria dos deuses, mandaram-lhes tratar os animais e tudo que h\u00e1 de vivo na Terra com equidade e respeito. Dizia o s\u00e1bio S\u00f3crates que os deuses carregam consigo a expectativa dos homens de seus tempos, j\u00e1 que eles s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es dos homens. Se assim for, nossos deuses criaram um mundo um tanto quanto cient\u00edfico. O primeiro casal foi colocado por Lono e Kila na \u00c0frica, eram negros sim, tinham cabelos duros sim, bei\u00e7os grandes sim, ancas sensuais sim, eram \u00e9banos sim&#8230; Da \u00c1frica, conforme ordenaram-lhes Kila e Lono, foram andar pelo mundo. O casal que n\u00e3o era bobo nem nada, nem eram chatos, resolveu criar humanos de peles, cabelos, olhos e estaturas diferentes. Os s\u00e1bios deuses eram adeptos do multiculturalismo. E achavam o mundo m\u00faltiplo uma del\u00edcia! Encantaram-se com a diversidade!<\/p>\n<p>Kila e Lono criaram as estrelas para orientarem homens e mulheres \u00e0 conquista do para\u00edso. O para\u00edso polin\u00e9sio \u00e9 aqui na Terra. \u00c9 palp\u00e1vel! Seu casal original nunca foi expulso dele! Ele fica a leste das terras polin\u00e9sias. Foi chamado primeiramente de Nova Rani \u2013 Nova Polin\u00e9sia. Lono e Kila deram aos polin\u00e9sios o para\u00edso. Indicaram o caminho de conquista do mesmo. Ind\u00edcios arqueol\u00f3gicos apontam que esse para\u00edso \u00e9 hoje o pa\u00eds conhecido como Brasil.<\/p>\n<p>Depois do s\u00e9timo ato de amor, cansados, abra\u00e7ados um ao outro, disseram aos homens e mulheres: &#8220;Agora \u00e9 com voc\u00eas! V\u00e3o ao mundo e divirtam-se!&#8221; Assim, criaram e deram aos homens e mulheres a Hist\u00f3ria e o Arb\u00edtrio!<\/p>\n<p>O s\u00e9timo dia dos deuses durou mil\u00eanios. Eles acompanharam de perto a trajet\u00f3ria do homem pelo planeta. Viram florescer no Brasil, na Am\u00e9rica do Sul, complexas civiliza\u00e7\u00f5es. Enamoraram a humanidade por mil\u00eanios. At\u00e9 que&#8230; voc\u00eas j\u00e1 sabem, n\u00e9? At\u00e9 que umas criaturas de pele branca, fedidas e peludas passaram a se sentir superiores \u00e0s outras criaturas espalhadas pelo globo.<\/p>\n<p>A Recanto n\u00e3o deixar\u00e1 se abater pelo pessimismo hist\u00f3rico! At\u00e9 porque Kila e Lono s\u00e3o deuses de promessas cumpridas! Prometeram amar e encaminhar mulheres e homens bons para o bem. Por isso, prometemos desde j\u00e1 um desfile suntuoso, \u00e0 altura dos mist\u00e9rios, segredos e vigor dos deuses e homens realmente descobridores dessa terra!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>SINOPSE<\/strong><\/p>\n<p>Sete atos de amor: a cria\u00e7\u00e3o do mundo e tudo o que nele h\u00e1.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, Lono e Kila se deitaram. Da c\u00f3pula do masculino com o feminino, criou-se o c\u00e9u e a terra.\u00a0 Ao avistarem a primeira cria\u00e7\u00e3o gerada por seu amor, viram que era bom.<\/p>\n<p>No segundo dia, Kila e Lono se deitaram mais uma vez. Do amor nasceu o ch\u00e3o. Lono e Kila viram que era bom. Kila maravilhada ordenou: \u201cQue do encontro das \u00e1guas com o ch\u00e3o seco nas\u00e7a a relva; da relva, ervas que produzam sementes e \u00e1rvores que d\u00eaem frutos sobre a terra; frutos que contenham sementes, cada uma segundo a sua esp\u00e9cie\u201d. E assim foi feito. Eles admiraram sua cria\u00e7\u00e3o e viram que era bom.<\/p>\n<p>Maravilhados e alimentados com o banquete de vossas cria\u00e7\u00f5es, Lono e Kila se amaram no terceiro dia. Lono disse: \u201cQue as \u00e1guas fiquem cheias de seres vivos e imensos p\u00e1ssaros voem sobre a terra, sob o firmamento do c\u00e9u\u201d. Lono ofereceu \u00e0 sua amante, a sua deusa esposa, a cria\u00e7\u00e3o do terceiro dia. Ela a chamou de \u201cmegafauna\u201d e admirou-a como a um filho.<\/p>\n<p>No quarto dia, abra\u00e7ando-se sem cansar, sem parar, tarde e noite, tremendo nas \u00e1guas \u00famidas de Namolokama (o \u201cmar do amor\u201d polin\u00e9sio) a \u00e1gua os chamava para a proa do barco da cria\u00e7\u00e3o. E de l\u00e1 eles criaram os seis continentes. E foi nesse dia tamb\u00e9m que, segundo a sabedoria polin\u00e9sia, criaram o Ocidente e o Oriente e os separaram:<\/p>\n<p><em>\u201cOh Fronteira do Ocidente,<br \/>\n<\/em><em>Oh Firmamento Superior,<br \/>\n<\/em><em>Oh Firmamento Inferior,<br \/>\n<\/em><em>C\u00e1 est\u00e1 seu tesouro,<br \/>\n<\/em><em>Aten\u00e7\u00e3o, oh esp\u00edritos guardi\u00e3es da noite,<br \/>\n<\/em><em>Preservem sua crian\u00e7a (o Brasil),<br \/>\n<\/em><em>Assegurem-lhe um marido chefe que governe a regi\u00e3o. \u201d <\/em><\/p>\n<p>Viram que era bom. Admiraram suas cria\u00e7\u00f5es. E na noite do quarto para o quinto dia se amaram intensamente. De seu amor do quinto dia criaram o homem e a mulher. Ap\u00f3s a astenia do grande ato, determinaram que os primeiros homens fossem negros, habitassem a \u00c1frica e dessem origem a toda humanidade. \u00a0Kila aben\u00e7oou o continente africano e o chamou de \u201cm\u00e3e \u00c1frica\u201d. Ninaram o primeiro casal, ensinaram a eles coisas que s\u00f3 os deuses sabiam e os intu\u00edram a conviverem com os animais com equidade e respeito.<\/p>\n<p>No sexto dia Lono e Kila n\u00e3o criaram nada. Pai e m\u00e3e da humanidade, os deuses deram algumas instru\u00e7\u00f5es aos homens. Instru\u00edram-lhes a ocuparem todos os continentes. Da \u00c1frica, os homens chegaram \u00e0 Europa e os deuses como pintores de sua cria\u00e7\u00e3o determinaram que suas peles clareassem. Viram que o m\u00faltiplo era belo. Da \u00c1frica, os homens foram para a \u00c1sia. Kila aos beijos com Lono, pincelou na pele dos asi\u00e1ticos um tom amarelado. E viram que os homens eram m\u00faltiplos e que a multiplicidade era bela e boa. De forma l\u00fadica, os deuses amantes foram brincando com os olhos, os cabelos, as alturas, as l\u00ednguas da humanidade, pois homens e mulheres eram suas grandes cria\u00e7\u00f5es. O sexto dia foi de muita alegria. De muito amor e de muita cria\u00e7\u00e3o. Fizeram dos continentes seu ateli\u00ea.<\/p>\n<p>Deram aos polin\u00e9sios, povo de pele amer\u00edndia, povo do mar, a miss\u00e3o de ocuparem a Am\u00e9rica. A Am\u00e9rica do Sul. Seu para\u00edso, como mostraram as profecias acima, seria uma terra, no futuro, chamada \u201cBreasail\u201d. Brasil! Uma pr\u00f3spera terra de fauna maravilhosa. Os polin\u00e9sios deveriam usar de seus conhecimentos para chegarem \u00e0 terra da promessa.<\/p>\n<p>Depois de tudo criarem, num quadro de aparente abulia p\u00f3s-coito, Kila e Lono conceberam a Hist\u00f3ria. No descanso do s\u00e9timo dia temos o mist\u00e9rio da trajet\u00f3ria da humanidade. N\u00e3o sabemos com certeza se os deuses exaustos e maravilhados viram a hist\u00f3ria que se segue como sonho ou pesadelo. Chamaram a saga dos polin\u00e9sios rumo \u00e0 Am\u00e9rica e de arb\u00edtrio. N\u00e3o souberam se o que viram era bom, mas prometeram desde o in\u00edcio dos tempos protegerem a Am\u00e9rica e seu para\u00edso, o Brasil.<\/p>\n<p>Ilhas de Hist\u00f3ria. Homens andarilhos. Um povo que tinha um para\u00edso prometido a Leste. Homens conduzidos por promessas divinas e utopias. Os maoris polin\u00e9sios enfrentaram os perigos do mar&#8230; Um mar oceano&#8230; Pac\u00edfico, por\u00e9m t\u00e3o turbulento quanto o mar de Cam\u00f5es, mil\u00eanios depois. Entoavam c\u00e2nticos numa l\u00edngua m\u00e1gica:<\/p>\n<p><em>Sa bobo na matana,<br \/>\n<\/em><em>Sa Yadra na Lomana.<br \/>\n<\/em><em>Sa vei ko qaqa?<br \/>\n<\/em><em>Sa laki yara<br \/>\n<\/em><em>Sa vei ko datuvu?<br \/>\n<\/em><em>Sa Iaki tukutuku. <\/em><\/p>\n<p>Os olhos cerrados,<br \/>\nA mente desperta.<br \/>\nOnde est\u00e1 o her\u00f3i?<br \/>\nFoi ser arrastado (para o mar)<br \/>\nOnde est\u00e1 o covarde?<br \/>\nFoi levar a not\u00edcia.<\/p>\n<p>Vieram em suas canoas trocando presentes em formas de colar. D\u00e1divas que geravam d\u00edvidas. D\u00edvidas e d\u00e1divas que chegaram ao sul da Am\u00e9rica. Am\u00e9rica que em sua cosmologia talvez viesse se chamar \u201cNova Rani\u201d. Rani que na l\u00edngua dos maoris polin\u00e9sios significava literalmente \u201cterra de nossos av\u00f3s\u201d. Os polin\u00e9sios descobriram uma terra extasiante. Eram novos animais para darem nomes, novas plantas, novas \u00e1rvores&#8230; O novo que impulsiona a vida!<\/p>\n<p>Nessa saga estranha que desafia os c\u00e2nones da historiografia, n\u00e3o nos espanta que nosso primeiro habitante tenha sido uma mulher de pele amer\u00edndia. Seguindo os passos dela, Luzia, nossos caminhos ser\u00e3o iluminados nessa hist\u00f3ria ainda sem relato. Os deuses n\u00e3o lidam com o tempo como os humanos. O s\u00e9timo dia de Kila e Lono durou mil\u00eanios. Eles viram em seu &#8220;dia-sonho&#8221; o florescer de cinco civiliza\u00e7\u00f5es em terras que hoje conhecemos como Brasil. Em plena Amaz\u00f4nia viveriam os sambaquis, povo que coabitou por mil\u00eanios o cora\u00e7\u00e3o da mata, em harmonia com a floresta. No Par\u00e1, na ilha m\u00e1gica do barro viveram os marajoaras, que transmitiam sua sensibilidade atemporal em arte. Da Serra do Roncador, regi\u00e3o central do Brasil, Mato Grosso, floresceram os &#8220;roncadores&#8221;, homens que viviam em sintonia com o sono atemporal de Kila e Lono e que constru\u00edram nas rochas elos de hist\u00f3ria entre si mesmos, seu passado, presente e futuro numa regi\u00e3o que \u00e9 hoje celebrada por uf\u00f3logos. Na Serra da Capivara temos uma das civiliza\u00e7\u00f5es mais antigas da Am\u00e9rica e l\u00e1 viveram homens que compartilharam a sabedoria ancestral polin\u00e9sia. Em todo litoral do Brasil viveram os tupinamb\u00e1s que mesmo em locais t\u00e3o dispersos falavam um mesmo idioma. \u00a0Todos eram povos antropof\u00e1gicos! Ao se alimentarem de seus inimigos, mantinham vivas suas qualidades e ofertavam suas carnes aos seus deuses. Povos descobridores, her\u00f3is de um novo mundo. Um mundo que lhes foi ofertado por seu pai e sua m\u00e3e divinos.<\/p>\n<p>Em algum momento, que na cronologia ocidental data o ano de 1492, os deuses Lono e Kila tiveram um grande pesadelo. A terra que eles presentearam como para\u00edso ao seu povo escolhido, a Am\u00e9rica, seria invadida pelos brancos. Um cen\u00e1rio apocal\u00edptico transformaria a terra amada num local de sofrimentos, doen\u00e7as e devasta\u00e7\u00f5es inauditas a hist\u00f3ria de amor que o casal de deuses tinha concebido na sua cria\u00e7\u00e3o. Um breve relato de um povo herdeiro sintetiza a \u00faltima cena dessa hist\u00f3ria:<\/p>\n<blockquote><p>Quando os avistei, chorei de medo. Os adultos j\u00e1 os haviam encontrado algumas vezes, mas eu nunca! Pensei que eram esp\u00edritos canibais e que iam nos devorar. Eu os achava muito feios, esbranqui\u00e7ados e peludos. Eles eram t\u00e3o diferentes que me aterrorizavam (&#8230;) pens\u00e1vamos que eram seres sobrenaturais voadores que iam cair sobre n\u00f3s e queimar todos (&#8230;) Todas as terras foram criadas em uma \u00fanica vez, as dos brancos e as nossas, ao mesmo tempo que o c\u00e9u. Os brancos esqueceram dos deuses e se acharam como eles. Se achavam engenhosos. Foi nesse momento que perderam toda a sabedoria. Os brancos foram criados em nossa floresta por Kila e Lono, mas estes os expulsaram porque temiam sua falta de sabedoria e porque eram perigosos para n\u00f3s. Eles lhes deram uma terra, muito longe daqui, pois queria nos proteger de suas m\u00e1quinas, epidemias e armas. Os brancos continuam a mentir para si mesmos pensando que descobriram essa terra! Como se ela estivesse vazia! Como se os seres humanos n\u00e3o a habitassem desde os primeiros tempos! [Relato do \u00edndio ianom\u00e2mi Davi Kopenawa, \u201c<em>Descobrindo os brancos<\/em>\u201d in <em>A outra margem do Ocidente<\/em>]<\/p><\/blockquote>\n<p>E o futuro? Que sonhos sonharam os deuses? Que pesadelos tiveram? Os sonhos aos deuses pertencem&#8230; cabe-nos a n\u00f3s contar&#8230; trazer a not\u00edcia! <strong><em>No\u00b4Ole\u00b4a ike akua! <\/em><\/strong><em>(&#8220;Que os sonhos dos deuses sejam louvados!&#8221;)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Recanto do Beija-Flor consolida sua equipe para o Carnaval Virtual 2017, al\u00e9m de apresentar o seu enredo para o pr\u00f3ximo desfile. No departamento art\u00edstico, Eduardo Tann\u00fas (ex-Caboclinho Verde) se une a Andre Dubois e Alberto Lemos. Na \u00e1rea musical, entra Victor Nowosh (ex-Nen\u00ea do Brasil). O enredo para 2017 \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0s conven\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[29,13],"tags":[],"class_list":["post-4832","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-gresv-recanto-do-beija-flor","category-grupo-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4832"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5286,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4832\/revisions\/5286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}