{"id":49769,"date":"2025-05-02T00:01:12","date_gmt":"2025-05-02T03:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=49769"},"modified":"2025-05-21T19:25:51","modified_gmt":"2025-05-21T22:25:51","slug":"sankofa-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/sankofa-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025\/","title":{"rendered":"Sankofa apresenta enredo para o Carnaval Virtual 2025"},"content":{"rendered":"<p>Em mais um retorno ano Carnaval Virtual, o GRESV Sankofa apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo de Acesso II na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual.<\/p>\n<p>De autoria de Guilherme Niegro e Vivian Pereira., a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo\u00a0<em>\u201cCALUNDUS DE LUZIA PINTA\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Confira abaixa sinopse oficial:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>CALUNDUS DE LUZIA PINTA<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>PR\u00d3LOGO\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Nos confins do tempo, entre os suspiros das \u00e1rvores e os murm\u00farios dos rios, ergue-se a hist\u00f3ria de uma alma marcada pela trajet\u00f3ria dos ventos e pelas cicatrizes do destino. Eu,<\/em><\/p>\n<p><em>Luzia Pinta, preta, forra, solteira, nascida sob o sol ardente de Angola e enraizada na terra de Vila de Sabar\u00e1, trago comigo a incerteza de minha genealogia, aprisionada desde o nascer neste corpo que j\u00e1 viu o peso da escravid\u00e3o. \u00c9 na sombra de minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria que em lembran\u00e7as encontro meus irm\u00e3os, Jo\u00e3o e \u00c2ngela, companheiros de travessias em uma inf\u00e2ncia marcada pela imensid\u00e3o dos caminhos desconhecidos. Posso narrar minha vida de tr\u00e1s para frente ou ao contr\u00e1rio se algu\u00e9m preferir que assim seja, vou desvendando os mist\u00e9rios do tempo, mas para os inquisidores que me julgaram, meu relato se encerra onde suas mentes limitadas creem que tenha come\u00e7ado. Foi numa manh\u00e3 de agosto, no long\u00ednquo ano de 1743, no tribunal do Santo Of\u00edcio da Torre de Tombo em Lisboa, capital de Portugal, que minha f\u00e9 foi posta \u00e0 prova, n\u00e3o apenas pelos a\u00e7oites f\u00edsicos, mas principalmente pelas palavras que dilaceraram minha carne e minha alma. Acusaram-me do mais infame dos crimes aos olhos de quem professa a f\u00e9 neste mundo: Feiti\u00e7aria, serva do mal. Rotularam minhas pr\u00e1ticas de cura como artimanhas do dem\u00f4nio.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu, que j\u00e1 nasci sob a \u00e9gide do Deus cat\u00f3lico, encontrei na minha f\u00e9 a liberdade, desde os dias em que os grilh\u00f5es me prenderam em \u00c1frica. Em nome dessa f\u00e9, fui agraciada com vis\u00f5es, como aquela que me visitou pela primeira vez quando eu era apenas uma menina de tenra idade, desfalecida aos p\u00e9s de uma \u00e1rvore. No turbilh\u00e3o da vis\u00e3o, mergulhei em um rio de tranquilidade ao lado de uma velha senhora, de pele escura e cabelos alvos como as nuvens dos c\u00e9us. Naquele instante, experimentei uma paz que transcende qualquer compreens\u00e3o anterior. Dentro desta quimera estive em um casebre que encontrei ao passar por uma encruzilhada tentando achar o meu destino, neste aposento um senhor negro de barba branca e grande, estava sentado em um cadeira e rodeado de crian\u00e7as da cor de \u00e9bano como eu estavam em semblante feliz. Ao acordar aos P\u00e9s do padre da cidade de S\u00e3o Paulo de Luanda, contei a ele esta visagem que tive, sem mencionar a cor da pele do senhor que eu vi. Para o Padre este Senhor era Deus, e foi a\u00ed que me apeguei mais a minha f\u00e9 naquele Deus da minha revela\u00e7\u00e3o!<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_49770\" aria-describedby=\"caption-attachment-49770\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sankofa-Logo-2025.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-49770\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sankofa-Logo-2025-240x300.png\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sankofa-Logo-2025-240x300.png 240w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sankofa-Logo-2025-768x960.png 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sankofa-Logo-2025-819x1024.png 819w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sankofa-Logo-2025.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-49770\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Nas horas sombrias das sess\u00f5es de inquisi\u00e7\u00e3o que duraram meses, tentaram arrancar de mim a ess\u00eancia de minha f\u00e9, obrigando-me a renegar os la\u00e7os que me uniam ao Deus que conheci, apesar de todas as adversidades. O calundu que brota das tradi\u00e7\u00f5es de meus Nkulu transcende a estreiteza do pensamento cartesiano, sendo para n\u00f3s cura, dan\u00e7a, destino e virtude. Pelas terras de onde vim, ele \u00e9 conhecido por muitos nomes, cada qual carregando a singularidade das ervas, dos animais, dos solos e das pessoas. Contudo, a cosmogonia de meu povo, os Bantos, \u00e9 tecida com fios de eternidade, entrela\u00e7ando o come\u00e7o ao meio e ao recome\u00e7o incessante. Hoje, meus passos ecoam na mem\u00f3ria do povo preto, e vez ou outra sou convocada a descer aos terreiros desta terra para tecer curas aos corpos enfermos, mantendo viva a chama Nkulu que arde em meu peito. No fluxo perene da vida, nada se repete, tudo se transforma, assim como o vento que sopra e a alma que dan\u00e7a ao ritmo dos tambores ancestrais.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>SINOPSE\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Baixando neste terreiro transmutada no p\u00e1ssaro Sankofa, permitam-me contar minha hist\u00f3ria, imbu\u00edda de mem\u00f3rias dos tempos passados e daquilo que vivi e testemunhei. Para o carnaval virtual de 2025 minha saga \u00e9 enredo do Gr\u00eamio Recreativo Escola de Samba Virtual Sankofa! Eu, Luzia Pinta, vi o sol nascer em terras distantes, banhando as plan\u00edcies de Angola com seu esplendor dourado. Nasci escravizada ainda em minha terra natal. Em minha mem\u00f3rias remontam de uma idade em que os sonhos s\u00e3o tecidos de esperan\u00e7a e inoc\u00eancia, for\u00e7ada a cruzar o vasto oceano que separa continentes, em um navio que mais parecia uma pris\u00e3o flutuante. Cheguei \u00e0 Bahia, onde o ar carregava o aroma da liberdade negada, e dali fui levada \u00e0s terras \u00e1ridas e cobi\u00e7adas de Vila Sabar\u00e1, nas entranhas de Minas Gerais, onde o ouro corria como sangue nas veias da terra. Hoje, meus passos ecoam na mem\u00f3ria do povo preto, e vez ou outra sou convocada a descer aos terreiros desta terra para tecer curas aos corpos enfermos, mantendo viva a chama Nkulu que arde em meu peito. No fluxo perene da vida, nada se repete, tudo se transforma, assim como o vento que sopra e a alma que dan\u00e7a ao ritmo dos tambores ancestrais.<\/em><\/p>\n<p><em>Mulher negra, marcada pela sina dos escravizados, mas tamb\u00e9m Nganga, a sacerdotisa, emiss\u00e1ria de vis\u00f5es que se abriram para mim ainda na inf\u00e2ncia em Angola, recebi os ensinamentos de minha Tia Maria. O destino entrela\u00e7ou minha hist\u00f3ria com as correntes do Atl\u00e2ntico, aquela Kalunga Grande que engoliu tantas vidas e sonhos de meus ancestrais.<\/em><\/p>\n<p><em>Registros fragmentados narram minha jornada, testemunhos da viol\u00eancia que permeia o sistema escravista e colonial. Minha carta de alforria \u00e9 um eco silencioso de uma batalha travada nos bastidores da opress\u00e3o. Mas n\u00e3o fui a \u00fanica a sentir o peso da injusti\u00e7a e da intoler\u00e2ncia. Em meio aos rituais, eu reunia pessoas de todas as origens, unidas na busca por cura e prote\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 n\u00e3o conhecia fronteiras entre os oprimidos. Mas para os olhos inquisidores, nossos c\u00e2nticos e dan\u00e7as eram profanos, uma afronta \u00e0 ordem estabelecida. N\u00e3o bastou me crismar na igreja cat\u00f3lica deles, mas eu sabia que minha devo\u00e7\u00e3o transcendia os limites impostos pelo colonizador. Sob a tutela do negro Miguel, mestre dos segredos ancestrais, encontrei minha verdadeira voca\u00e7\u00e3o. Tornei-me atrav\u00e9s dos ancestrais, sacerdotisa, curandeira, guardi\u00e3 dos mist\u00e9rios que tecem o universo.<\/em><\/p>\n<p><em>Nos confins de Sabar\u00e1, eu erguia meu altar, mesclando s\u00edmbolos sagrados das tr\u00eas linhagens nas quais tive contato para escrever minha sorte. O ouro que acumulei servia n\u00e3o s\u00f3 para minha liberta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para honrar os santos que me assistiam nos momentos de cura. Por meus l\u00e1bios, flu\u00edam preces em l\u00ednguas esquecidas, uma mescla de lembran\u00e7as ancestrais e ensinamentos crist\u00e3os. Mas para os inquisidores, minhas palavras eram blasf\u00eamias, um desafio \u00e0 supremacia branca e ao dom\u00ednio da igreja. No ano de 1742, fui arrancada do mundo em que constru\u00ed em Sabar\u00e1 e lan\u00e7ada aos c\u00e1rceres sombrios do Santo Of\u00edcio, acusada de praticar os rituais sagrados dos calundus. Os calundus, heran\u00e7a dos povos Kimbundus, eram para mim uma ponte entre o mundo dos vivos e dos Nkulu, uma celebra\u00e7\u00e3o da vida e da conex\u00e3o com o sagrado.<\/em><\/p>\n<p><em>Fui torturada, exilada, mas n\u00e3o puderam silenciar minha voz nem apagar minha luz. Mesmo longe de minha terra, continuei a tecer os fios da cura e da esperan\u00e7a, at\u00e9 que, finalmente, meu esp\u00edrito ancestralizou e minha hist\u00f3ria mesmo que por fragmentos pode ser contada, de vez em quando ainda baixo nos terreiros que sucederam os calundus, sou energia vital. Que minha hist\u00f3ria seja um testemunho da resist\u00eancia e da resili\u00eancia daqueles que ousaram desafiar o jugo da escravid\u00e3o e do preconceito. Que o vento sopre minhas palavras atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, para que jamais se esque\u00e7a o legado de Luzia Pinta, a sacerdotisa que dan\u00e7ava entre pontos riscados por Mpemba.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mais um retorno ano Carnaval Virtual, o GRESV Sankofa apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo de Acesso II na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual. De autoria de Guilherme Niegro e Vivian Pereira., a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo\u00a0\u201cCALUNDUS DE LUZIA PINTA\u201d. 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