{"id":49826,"date":"2025-06-06T23:30:32","date_gmt":"2025-06-07T02:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=49826"},"modified":"2025-06-06T23:30:32","modified_gmt":"2025-06-07T02:30:32","slug":"belas-artes-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/belas-artes-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025\/","title":{"rendered":"Belas Artes apresenta enredo para o Carnaval Virtual 2025"},"content":{"rendered":"<p>14\u00aa colocada do grupo na edi\u00e7\u00e3o passada, o ACSCES Belas Artes apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo de Acesso I, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual.<\/p>\n<p>De autoria de Igor Cesar Cine, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo <em>&#8220;LIBERDADE, LIBERDADE! Que a Voz da Igualdade Seja Sempre a Nossa Voz&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>Confira abaixa sinopse oficial:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>LIBERDADE, LIBERDADE! Que a Voz da Igualdade Seja Sempre a Nossa Voz<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Resumo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Nascemos livres.<\/em><br \/>\n<em>Mas a hist\u00f3ria dos homens teceu correntes, forjou grilh\u00f5es, arrancou de povos inteiros o direito de viver plenamente.<\/em><\/p>\n<p><em>Nesta avenida, a nossa escola se torna gri\u00f4, e falar\u00e1 sobre a Liberdade.<\/em><\/p>\n<p><em>A Liberdade \u00e9 um direito, e n\u00e3o um favor.<\/em><\/p>\n<p><em>Por\u00e9m, a humanidade roubou de muitas hist\u00f3rias o destino.<\/em><\/p>\n<p><em>Para falar de Liberdade, segmentamos em tr\u00eas setores e s\u00edmbolos da hist\u00f3ria, que tamb\u00e9m come\u00e7am com L: Lu\u00edsa Mahin, Luiz Gama e Leopoldinense.<\/em><\/p>\n<p><em>Dos campos sagrados da Costa da Mina, onde a na\u00e7\u00e3o Nag\u00f4 Geg\u00ea cultuavam seus orix\u00e1s, nasce Lu\u00edsa, filha da tribo Mahin, forjada na resist\u00eancia e moldada pelo esp\u00edrito de liberdade. Trazida ao Brasil pelas correntes da escravid\u00e3o, Lu\u00edsa se torna mais que sobrevivente: torna-se mensageira da liberdade, escondendo em quitutes simples as palavras que incendiariam revoltas e acenderiam esperan\u00e7as.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 dela que nasce Luiz Gama \u2014 g\u00eanio das letras e mestre do direito. Entre poesias burlescas e s\u00e1tiras impiedosas, Luiz empunha a pena como espada, e nas cortes, sem diploma, rasga as correntes que prendiam seus irm\u00e3os. Advogado dos injusti\u00e7ados, poeta dos esquecidos, sua luta atravessa os s\u00e9culos e se eterniza como canto de igualdade.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_49795\" aria-describedby=\"caption-attachment-49795\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Belas-Artes-Logo-2025.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-49795\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Belas-Artes-Logo-2025-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Belas-Artes-Logo-2025-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Belas-Artes-Logo-2025-768x960.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Belas-Artes-Logo-2025-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Belas-Artes-Logo-2025.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-49795\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Seguimos, ent\u00e3o, pela hist\u00f3ria da liberdade no Brasil: dos quilombos, da resist\u00eancia oculta nas senzalas, das revoltas que clamaram justi\u00e7a, at\u00e9 o fat\u00eddico 13 de maio, quando a caneta assinou a Lei \u00c1urea \u2014 mas n\u00e3o apagou as marcas da escravid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Por fim, reverenciamos um marco do nosso pr\u00f3prio carnaval: o inesquec\u00edvel desfile da Imperatriz Leopoldinense de 1989, quando o grito de liberdade ecoou forte na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, eternizando no samba a luta de todo um povo.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, nossa escola levanta a bandeira da liberdade \u2014 n\u00e3o como um pr\u00eamio, mas como direito inalien\u00e1vel, conquistado a ferro, fogo e f\u00e9. <\/em><\/p>\n<p><em>Que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz!<\/em><\/p>\n<p><em>Que as asas da liberdade nunca se fechem sobre n\u00f3s!<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo 1: O Ber\u00e7o da Resist\u00eancia &#8211; A Jornada de Lu\u00edsa Mahin<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>1.1 Tribo Mahin:<\/strong> No calor da Costa da Mina, sob o sol dourado da \u00c1frica, nasceu Lu\u00edsa Mahin. Pertencia \u00e0 grande na\u00e7\u00e3o Nag\u00f4 Geg\u00ea, oriunda do Golfo de Benin, no poderoso reino do Daom\u00e9. Sua linhagem vinha da tribo Mahin \u2014 povo valente e ancestral, cujo nome ela carregaria como marca de identidade e orgulho. Entre palmeiras, c\u00e2nticos e tambores, cresceu sob os ensinamentos dos orix\u00e1s e da for\u00e7a coletiva de seu cl\u00e3.<\/em><\/p>\n<p><em>O Daom\u00e9 era um reino de esplendor e abund\u00e2ncia. Suas riquezas reluziam em ouro, marfim e tecidos fin\u00edssimos. As feiras fervilhavam com o com\u00e9rcio de temperos, contas coloridas, esculturas de madeira e metais preciosos. Seus guerreiros eram temidos e sua cultura era viva \u2014 nos pal\u00e1cios, cerim\u00f4nias grandiosas reverenciavam reis e deuses africanos, enquanto os aluf\u00e1s \u2014 s\u00e1bios mu\u00e7ulmanos \u2014 mantinham viva a espiritualidade e o saber ancestral. Eram todos livres.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>1.2 Aportou a Ambi\u00e7\u00e3o \u2013 A Chegada do Invasor:<\/strong> Mas, como um eclipse sombrio, chegaram os invasores europeus. Movidos pela sede insaci\u00e1vel de riqueza, transformaram alian\u00e7as em trai\u00e7\u00f5es e cobi\u00e7aram aquilo que os olhos estrangeiros n\u00e3o podiam conquistar pela honra. A ambi\u00e7\u00e3o aportou nas praias douradas, trazendo armas, viol\u00eancia e o com\u00e9rcio desumano de corpos e almas.<\/em><\/p>\n<p><em>Capturada nas teias da escravid\u00e3o, Lu\u00edsa foi arrastada ao por\u00e3o \u00famido de um navio tumbeiro \u2014 verdadeiros drag\u00f5es dos mares. A viagem era um inferno: fome, doen\u00e7a e morte a cada onda. No balan\u00e7o cruel do oceano Atl\u00e2ntico, muitos tombaram sem sequer chegar ao destino. Mas Lu\u00edsa resistiu. Sua for\u00e7a ancestral, herdada de gera\u00e7\u00f5es de guerreiros, manteve viva a chama da liberdade em seu peito.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao chegar \u00e0s terras do Brasil, seu corpo foi negociado como mercadoria. A escravid\u00e3o era brutal \u2014 um sistema que desumanizava, anulava identidades e tentava sufocar culturas milenares. Mas Lu\u00edsa Mahin, mesmo cativa, jamais se dobrou ao jugo da servid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>1.3 Salvador \u2013 A Chegada de Lu\u00edsa ao Brasil:<\/strong> Nas ruas vibrantes de Salvador, primeira capital do Brasil, Lu\u00edsa encontrou um novo palco para sua luta. As ladeiras do Pelourinho, os mercados de rua e os terreiros ecoavam a for\u00e7a da resist\u00eancia negra. Ali, ela se reconstruiu: quituteira nos tabuleiros, guerreira nas sombras.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>1.4 Quituteira:<\/strong> Mensagens Secretas da Liberta\u00e7\u00e3o: Com m\u00e3os habilidosas, preparava acaraj\u00e9s, abar\u00e1 e vatap\u00e1s \u2014 quitutes banhados no azeite de dend\u00ea sagrado. Por\u00e9m, escondidos entre as iguarias, viajavam bilhetes escritos em \u00e1rabe, mensagens secretas de insurrei\u00e7\u00e3o. Lu\u00edsa articulava revoltas, conectava l\u00edderes, mantinha viva a esperan\u00e7a dos cativos. Seus tabuleiros eram trincheiras. Seus quitutes, armas invis\u00edveis na luta pela liberdade.<\/em><\/p>\n<p><em>Fiel \u00e0s ra\u00edzes africanas, Lu\u00edsa negou o batismo crist\u00e3o imposto pelos senhores coloniais. Cultivou os ritos dos orix\u00e1s, manteve viva a l\u00edngua, os costumes e a f\u00e9 dos aluf\u00e1s \u2014 os s\u00e1bios mu\u00e7ulmanos que a inspiraram na luta e no conhecimento. Sua identidade africana era sua armadura invis\u00edvel contra a opress\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Foi nesse contexto que Lu\u00edsa deu \u00e0 luz Luiz Gama \u2014 fruto da esperan\u00e7a e da resist\u00eancia. Mais do que m\u00e3e, foi semeadora de uma miss\u00e3o: forjar em seu filho a chama inextingu\u00edvel da liberdade, que ele carregaria como heran\u00e7a em sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>1.5 Movimentos:<\/strong> A Revolta dos Mal\u00eas e a Sabinada: Lu\u00edsa n\u00e3o era apenas mensageira, mas tamb\u00e9m estrategista. Atuou nas articula\u00e7\u00f5es da Revolta dos Mal\u00eas (1835), ao lado de negros mu\u00e7ulmanos que sonhavam com a emancipa\u00e7\u00e3o. Participou ainda dos movimentos que culminaram na Sabinada, uma rebeli\u00e3o que clamava por justi\u00e7a e igualdade. Cada bilhete enviado, cada reuni\u00e3o escondida, cada palavra sussurrada nas noites da Bahia carregava o sonho de liberta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas a repress\u00e3o veio como um vendaval de sangue. Tropas coloniais sufocaram as revoltas com brutalidade. Muitos l\u00edderes foram executados ou desapareceram nos por\u00f5es do poder. De Lu\u00edsa Mahin, o que se sabe \u00e9 que sua imagem se perdeu entre mitos e mem\u00f3rias \u2014 mas sua presen\u00e7a permanece viva como s\u00edmbolo eterno da coragem e da luta pela liberdade.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo 2: Luiz Gama &#8211; A Palavra que Rompe Correntes<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Com a pena em chamas e o verbo como espada, Luiz Gama incendiou consci\u00eancias, desafiou imp\u00e9rios e escreveu, com a pr\u00f3pria vida, um legado eterno de resist\u00eancia e liberdade.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em><strong>2.1 Mercador de Escravos: O Filho Vendido pelo Pai:<\/strong> Em meio aos ataques e persegui\u00e7\u00f5es \u00e0s revoltas, Lu\u00edsa Mahin precisou desaparecer para sobreviver, deixando para tr\u00e1s seu filho Luiz. Um destino cruel o aguardava: vendido como escravo pelo pr\u00f3prio pai \u2014 um fidalgo pertencente a uma das fam\u00edlias mais tradicionais da Bahia, de origem portuguesa. Luiz, ainda menino, foi embarcado rumo ao Rio de Janeiro numa barca de mercadores de escravos. Mas a fama dos baianos como incendi\u00e1rios de rebeli\u00f5es o acompanhava, e, desconfiados, muitos compradores hesitavam em adquirir aquele jovem de esp\u00edrito inquieto.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>2.2 A Escravid\u00e3o e a Semente da Liberdade:<\/strong> Luiz Gama acabou vendido ao alferes Ant\u00f4nio Pereira Cardoso em uma fazenda no interior de Lorena, S\u00e3o Paulo. Ali, no compasso for\u00e7ado da lavoura, cresceu. Mas a injusti\u00e7a n\u00e3o sufocou sua chama. Em segredo, Luiz aprendeu as primeiras letras, ajudado por um estudante que vivia na casa do senhor. Num tempo em que a alfabetiza\u00e7\u00e3o de escravizados era proibida, cada palavra decifrada era um ato de rebeldia silenciosa.<\/em><\/p>\n<p><em>Com intelig\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o, Luiz reuniu provas de que, por ser filho de Lu\u00edsa Mahin, uma mulher livre, tamb\u00e9m ele nascera livre \u2014 e fora escravizado ilegalmente. Com isso, conquistou a pr\u00f3pria liberdade, n\u00e3o pelas m\u00e3os de seus algozes, mas pela for\u00e7a da lei e da verdade que ele mesmo desvendou.<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 livre, Luiz Gama ingressou nas for\u00e7as armadas. No entanto, sua natureza insubmissa logo se revelou incompat\u00edvel com a rigidez e as injusti\u00e7as da hierarquia militar. A liberdade pulsava mais forte em suas veias do que qualquer farda poderia conter.<\/em><\/p>\n<p><em>Como amanuense \u2014 aquele que copia documentos \u00e0 m\u00e3o \u2014, Luiz Gama aprofundou-se nas palavras e nas leis. Trabalhando na pol\u00edcia, enfrentou discrimina\u00e7\u00e3o por sua cor, mas ali conheceu Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, figura influente que reconheceu seu talento. \u00c0 margem das universidades, Luiz se fez autodidata, mergulhando nos c\u00f3digos jur\u00eddicos, nos discursos legais e nas possibilidades de justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Entre os sal\u00f5es liter\u00e1rios e as p\u00e1ginas dos jornais, Luiz Gama fez da palavra sua espada. Poeta sat\u00edrico, publicou as Ourovas Burlescas, onde ridicularizava a falsa moral da elite escravocrata. Como jornalista, fundou O Diabo Coxo e O Cabri\u00e3o, peri\u00f3dicos irreverentes que denunciavam a corrup\u00e7\u00e3o, o racismo e a hipocrisia. Sua pena era afiada: com humor \u00e1cido e coragem rara, inflamava cora\u00e7\u00f5es e espalhava as sementes da rebeldia.<\/em><\/p>\n<p><em>Autodidata e corajoso, Luiz Gama tornou-se r\u00e1bula \u2014 advogado sem forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, mas mestre das leis. No tribunal, erguia sua voz com precis\u00e3o e paix\u00e3o, conquistando a liberdade de mais de 500 negros cativos. Enfrentando senhores poderosos, defendia escravizados com uma argumenta\u00e7\u00e3o feroz e fundamentada, provando que a justi\u00e7a poderia ser revirada por quem tivesse coragem de desafiar o poder.<\/em><\/p>\n<p><em>Enquanto o Imp\u00e9rio do Brasil fingia abolir a escravid\u00e3o apenas \u201cpra ingl\u00eas ver\u201d, Luiz Gama expunha a farsa. Lutou contra a impunidade, apontando falhas nas leis, a neglig\u00eancia dos governantes e a hipocrisia institucionalizada. Recorreu ao habeas corpus para libertar os injusti\u00e7ados e exigiu o direito de compra de alforria. A cada vit\u00f3ria, Luiz Gama transformava esperan\u00e7a em realidade, iluminando o caminho da liberdade com a tocha da justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo 3: A \u201cConquista\u201d Da Liberdade<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Nas pra\u00e7as, nos sal\u00f5es e nas ruas, a semente da liberdade germinava. O Movimento Abolicionista ganhou for\u00e7a atrav\u00e9s de figuras corajosas como Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Castro Alves \u2013 o &#8220;poeta dos escravos&#8221; \u2013, e Joaquim Nabuco. Mulheres tamb\u00e9m ergueram suas vozes, como a escritora e militante Maria Firmina dos Reis. Suas palavras, seus atos e suas organiza\u00e7\u00f5es inflamaram cora\u00e7\u00f5es, preparando o solo para o que seria, enfim, o golpe final contra a escravid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0Muito antes da assinatura de leis, a verdadeira liberdade j\u00e1 era cultivada nos quilombos, redutos de resist\u00eancia e sobreviv\u00eancia. Entre as matas e montanhas, comunidades como o lend\u00e1rio Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, e tantos outros \u2013 Quilombo do Leblon, Quilombo do Campo Grande, Quilombo de S\u00e3o Benedito \u2013 mantinham acesa a chama da autonomia africana em terras brasileiras. Eram territ\u00f3rios de ref\u00fagio, cultura, espiritualidade e sonho livre.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0No dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei \u00c1urea, decretando a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil \u2013 o \u00faltimo pa\u00eds das Am\u00e9ricas a faz\u00ea-lo. A lei, composta de apenas dois artigos, foi breve, quase fria, sem assegurar direitos b\u00e1sicos como terras, trabalho ou indeniza\u00e7\u00f5es aos libertos. Ficaram as lacunas, ficaram as cicatrizes. A liberdade foi conquistada, mas o abandono social transformou a liberdade jur\u00eddica em uma luta ainda maior: a batalha por dignidade e igualdade.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Cap\u00edtulo 4: Liberdade, Liberdade! Que a Voz da Igualdade Seja Sempre a Nossa Voz<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>A assinatura da Lei \u00c1urea em 1888 deu a liberdade jur\u00eddica aos negros, mas n\u00e3o garantiu igualdade. Sem terras, educa\u00e7\u00e3o ou acesso ao trabalho digno, a maioria dos ex-escravizados foi abandonada \u00e0 pr\u00f3pria sorte. A exclus\u00e3o econ\u00f4mica e social empurrou negros e pobres para os morros e periferias, formando as primeiras favelas, frutos diretos da omiss\u00e3o do Estado e da heran\u00e7a da escravid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Apesar de toda marginaliza\u00e7\u00e3o, o povo negro resistiu e transformou exclus\u00e3o em pot\u00eancia. O samba, a capoeira e o candombl\u00e9 floresceram como manifesta\u00e7\u00f5es de for\u00e7a cultural e identidade. Se os quilombos hist\u00f3ricos foram destru\u00eddos, surgiram novos quilombos urbanos na m\u00fasica, na dan\u00e7a e na f\u00e9. A resist\u00eancia seguiu viva, reinventada em cada roda de batuque e em cada terreiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Em reconhecimento a essa luta ancestral, foi criada a data do Dia da Consci\u00eancia Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares, l\u00edder do maior quilombo da hist\u00f3ria brasileira. A data foi institu\u00edda oficialmente em 2003 e, em 2023, foi finalmente reconhecida como feriado nacional. Um marco que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de recordar e valorizar a trajet\u00f3ria negra no Brasil.<\/em><\/p>\n<p><em>No batuque dos tambores, nas alas coloridas e nos enredos vibrantes, surgem as Escolas de Samba, espa\u00e7os onde o povo negro se fez protagonista de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Na passarela, todo negro \u00e9 rei, toda negra \u00e9 rainha. Cada desfile \u00e9 celebra\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o de identidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Em 1989, a Imperatriz Leopoldinense eternizou na avenida a luta pela liberdade com o hist\u00f3rico enredo &#8220;Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre n\u00f3s&#8221;, comemorando o centen\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o. Com samba no p\u00e9 e alma nas vozes, a escola transformou o passado de dor em um canto de esperan\u00e7a e orgulho.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, celebramos as conquistas, mas sem esquecer os desafios que ainda persistem. <\/em><\/p>\n<p><em>A luta de Lu\u00edsa Mahin, de Luiz Gama e de milh\u00f5es de an\u00f4nimos ecoa em cada passo de resist\u00eancia. <\/em><\/p>\n<p><em>Que a voz da igualdade ressoe eternamente em nossos cora\u00e7\u00f5es e na nossa hist\u00f3ria! <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14\u00aa colocada do grupo na edi\u00e7\u00e3o passada, o ACSCES Belas Artes apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo de Acesso I, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual. De autoria de Igor Cesar Cine, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo &#8220;LIBERDADE, LIBERDADE! 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