{"id":49856,"date":"2025-08-13T19:32:39","date_gmt":"2025-08-13T22:32:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=49856"},"modified":"2025-08-13T19:32:39","modified_gmt":"2025-08-13T22:32:39","slug":"unidos-de-franco-da-rocha-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/unidos-de-franco-da-rocha-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025\/","title":{"rendered":"Unidos de Franco da Rocha apresenta enredo para o Carnaval Virtual 2025"},"content":{"rendered":"<p>Fazendo a sua estreia no grupo,\u00a0o GRESV Unidos de Franco da Rocha apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo Especial, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual.<\/p>\n<p>De autoria de Tiago Herculano, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo\u00a0<em>\u201cG\u00e1rgulas, monstros e dem\u00f4nios: O animalesco medieval no Brasil festivo\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Confira abaixa sinopse oficial:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>G\u00e1rgulas, monstros e dem\u00f4nios: O animalesco medieval no Brasil festivo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>A cultura europeia, principalmente a ib\u00e9rica,<\/em><br \/>\n<em>que forma uma raiz-tronco da cultura brasileira,<\/em><br \/>\n<em>est\u00e1 povoada de elementos populares<\/em><br \/>\n<em>(Suassuna, 2008, p. 155).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0O Ariano Suassuna foi um escritor, poeta e dramaturgo que valorizou a cultura popular nordestina em sua Arte Armorial. Ele acentuou que a cultura popular nordestina teve influ\u00eancia nas narrativas folcl\u00f3ricas e teatrais do medievo. Muitos dos festejos populares nordestinos, seu pante\u00e3o de criaturas, cantigas e literaturas foram atravessados pelas narrativas advindas de Europa medieval, e no Nordeste, essas narrativas, em muitos casos assombrosos e animalescos, foram recodificadas pela cultura popular. A escola de samba virtual Unidos do Franco da Rocha aborda as rela\u00e7\u00f5es das narrativas europeias assombrosas e animalescas, que vieram ao Brasil por advento do invasor portugu\u00eas, sedimentaram a cultural popular nordestina, cujo, as criaturas do seu pante\u00e3o popular ressignificam poss\u00edveis narrativas de uma Europa medieval e est\u00e3o presentes tanto na Arte Armorial quanto nos Folguedos de um Brasil festivo.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>SINOPSE<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>O desfile come\u00e7a apresentando as narrativas de assombra\u00e7\u00e3o e temor de uma Europa Medieval. Com t\u00edtulo de \u201cUma Europa assombrada pelo desconhecido\u201d, o primeiro setor apresenta uma sociedade Europeia que vivia cercada por muros. Dentro deles, a sociedade era entendida como civilizada, l\u00e1 fora, al\u00e9m dos muros, tudo que existia era tratado como b\u00e1rbaro e selvagem. Neste contexto, surgem personagens animalescos como o \u201cHomem selvagem\u201d, que assombravam as regi\u00f5es externas das muralhas. Nos festejos medievais carnavalescos, as pessoas se vestiam destas criaturas como forma de \u201cafastar os esp\u00edritos dos mortos que, acreditava-se, rondavam pelo mundo naquele per\u00edodo\u201d (Ferreira, 2004, p. 31). Desta forma, \u201ca fantasia do homem selvagem, por sua vez, se referia a um personagem bastante conhecido da literatura medieval que, dizia-se, vivia no fundo das florestas, cercado de animais selvagens, com cabelos desgrenhados e o corpo coberto de pelos\u201d (Ferreira, 2004, p. 31). Esta Europa, assustada pelo desconhecido, viu na floresta seu maior temor e criou as narrativas de seres animalescos que a habitariam.<\/em><\/p>\n<p><em>O segundo setor, chamado de \u201cUm g\u00f3tico animalesco\u201d, traz o per\u00edodo do Baixo Medievo, conhecido pela arte g\u00f3tica que ornou as igrejas com figuras animalescas das G\u00e1rgulas, criaturas em forma de p\u00e1ssaros monstruosos, para educar os fi\u00e9is a temer o pecado, essa ideia da monstruosidade medieval invade a cultura popular do trovadorismo e ganha imagens assombrosas a partir dos contos e festejos populares. A imagem do assombroso come\u00e7a a ser criada pela imagina\u00e7\u00e3o popular de uma sociedade medieval domesticada pelo medo, mas, pela cultura popular medieval, o povo festejava com o pante\u00e3o animalesco que temia. O carnaval se torna o palco onde esse animalesco participa dos festejos da sociedade (Bakhtin, 1999).<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_49783\" aria-describedby=\"caption-attachment-49783\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Franco-da-Rocha-Logo-2025.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-49783\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Franco-da-Rocha-Logo-2025-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Franco-da-Rocha-Logo-2025-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Franco-da-Rocha-Logo-2025-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Franco-da-Rocha-Logo-2025-576x1024.jpg 576w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-49783\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O terceiro setor, com t\u00edtulo de \u201cO monstruoso colonizador\u201d, trata de quando o homem avan\u00e7a para o mar por meio das navega\u00e7\u00f5es na busca pela explora\u00e7\u00e3o de outras terras. Foi assim que o invasor levou consigo essas narrativas assombrosas e tornou animalesco tudo que desconheciam. O mar se torna palco para suas narrativas temerosas em rela\u00e7\u00e3o ao desconhecido oce\u00e2nico. No enredo da Unidos da Tijuca para o carnaval de 2024, intitulado \u201cO conto de Fados\u201d do carnavalesco Alexandre Louzada, aponta que<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>[&#8230;] os navegantes portugueses detalhavam, em suas cr\u00f4nicas, os monstros marinhos e as criaturas m\u00edticas que acreditavam ver nos oceanos por onde passavam. A qualquer sinal de intemp\u00e9ries, escurid\u00e3o, nevoeiro ou mesmo animais, os navegantes ficavam em p\u00e2nico nas embarca\u00e7\u00f5es. Os monstros marinhos, segundo as cren\u00e7as da \u00e9poca, eram considerados predadores vorazes, destruidores dos navios. Essas criaturas dizimariam os tripulantes, saqueariam mantimentos, trariam o caos (Louzada, 2024, p. 394).<\/em><\/p>\n<p><em>O europeu vai transformando seus temores em imagem e delas surgem monstros que destroem embarca\u00e7\u00f5es, criaturas que surgem das brumas, assombra\u00e7\u00f5es devoradoras de tripulantes, entre outras narrativas. Elas v\u00e3o se popularizando \u00e0 medida que s\u00e3o escritas, cantadas, pintadas e, desta forma, um repert\u00f3rio animalesco acaba sendo difundido e chegando as terras brasileiras. Chegando ao Brasil, o colonizador imaginou as narrativas ind\u00edgenas pela sua monstruosidade. Com objetivo de explorar a nova terra rec\u00e9m-invadida, o portugu\u00eas come\u00e7a a impor o mesmo senso civilizat\u00f3rio que tinha na Europa. Veste os nativos na mesma velocidade que transforma os seus rituais, suas cantigas e suas narrativas em dem\u00f4nios. O para\u00edso descoberto era o local do pecado, mas \u201co inferno [&#8230;] n\u00e3o eram os outros, os outros n\u00e3o eram os monstros, as criaturas abomin\u00e1veis eram eles pr\u00f3prios [colonizadores], que escravizaram e dizimaram, por meio de viol\u00eancia incomensur\u00e1vel, popula\u00e7\u00f5es inteiras. Eram esses, sim, os verdadeiros monstros mar\u00edtimos colonizadores\u201d (Louzada, 2024, p. 396).<\/em><\/p>\n<p><em>No setor quatro do desfile, nomeado de \u201cMonstros ib\u00e9ricos-brasileiros\u201d, a escola apresenta a perspectiva que nas terras brasileiras essas narrativas europeias ganharam novos significados pela encantaria e pelo popular. A hist\u00f3ria do rei portugu\u00eas Dom Sebasti\u00e3o, que foi morto em uma guerra, ganha nas terras dos len\u00e7\u00f3is maranhenses, no estado do Maranh\u00e3o, uma narrativa encantada. Ele seria o Touro Negro Coroado, uma criatura com uma estrela na testa cuja espada est\u00e1 cravada. Se a mesma for retirada o rei desencantar\u00e1 e voltar\u00e1 a reinar para tornar Portugal em um grande imp\u00e9rio. Na encantaria dos festejos populares nordestinos, o rei volta sim \u00e0 vida, mas pela encantaria, pela dan\u00e7a do boi e todo um conjunto de festividades maranhenses, n\u00e3o para reinar em Portugal, mas para transformar a cultura popular em festa. \u00c9 na cultura popular brasileira que o rei reina em festa capaz de ressignificar seu retorno n\u00e3o como uma criatura assustadora, mas como pertencente \u00e0 identidade festiva de um povo. \u00c9 por meio deste cortejo que apontamos que \u201cna idealiza\u00e7\u00e3o de Ariano Suassuna, as refer\u00eancias ib\u00e9ricas e medievais, no \u00e1pice da experimenta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do manifesto armorial, seriam substitu\u00eddas por figuras do sert\u00e3o brasileiro para que nosso povo e sua arte fossem celebrados com a mesma grandeza das artes eruditas\u201d (Quintaes, 2024, p. 50).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 a partir da encantaria dos festejos populares que \u201cO Brasil Festivo\u201d, nome do \u00faltimo setor da escola, encerra o desfile apresentando o quanto esta cultura europeia e seu pante\u00e3o animalesco ganharam outras vertentes fazendo parte da cultura popular brasileira. Um exemplo est\u00e1 na criatura da Bernun\u00e7a, presente na festividade Boi de mam\u00e3o de Santa Catarina, que \u00e9 \u201c[&#8230;] uma esp\u00e9cie de bicho-pap\u00e3o da Gal\u00edcia e Portugal que \u2018engolia\u2019 crian\u00e7as mal comportadas, representada por um indiv\u00edduo usando uma capa ou um drag\u00e3o. [&#8230;] Se a Bernun\u00e7a chegasse perto da crian\u00e7a, e esta n\u00e3o gritasse \u2018abrenuntio\u2019, era engolida\u201d (Silva, 2019, p. 52). O imagin\u00e1rio que trouxe essas criaturas da Europa ganhou no festejo popular o palco para suas encena\u00e7\u00f5es, nele, a cultura brasileira foi ressignificando-os ao ponto de criar a sua pr\u00f3pria identidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Ainda neste setor, a cultura europeia chegou ao Brasil de diversas formas, uma foi por meio do trovadorismo que valorizou a sabedoria popular. No nordeste, o trovador virou repente. Ele criou cantigas e cord\u00e9is que propagaram a imagina\u00e7\u00e3o popular. Esse saber popular foi respons\u00e1vel por criar novas criaturas, monstros e saberes que contaram a hist\u00f3ria de um povo. Essas literaturas e essas narrativas assombrosas, ao encontrarem o Brasil das festividades populares, influenciaram na cultura Armorial do Ariano Suassuna.<\/em><\/p>\n<p><em>O movimento de Suassuna bebeu dos saberes de v\u00e1rias refer\u00eancias de livretos e folhetins ib\u00e9ricos. [&#8230;] Foi assim que Suassuna transformou em arte a busca por essa nova identidade cultural que valorizasse a brasilidade da nossa gente. Ent\u00e3o o sert\u00e3o se tornou palco de um grande reinado onde o povo \u00e9 realeza! A musicalidade ficou por conta dos folguedos populares. Bras\u00f5es, xilogravuras, pinturas, livros e pe\u00e7as teatrais nasceram misturando elementos medievais com elementos do nosso sert\u00e3o (Quintaes, 2024, p. 49).<\/em><\/p>\n<p><em>O desfile termina homenageando a cultura popular nordestina, por meio do movimento art\u00edstico do Ariano Suassuna, que ressignificou essa influ\u00eancia narrativa animalesca medieval. O cortejo carnavalesco se encerra com homenagem ao dramaturgo que deu asas as on\u00e7as brasileiras, a \u201c[&#8230;] on\u00e7a caetana desenhada por Suassuna que tem como detalhe de decora\u00e7\u00e3o ferros que eram utilizados para ferrar boi no sert\u00e3o e se tornaram inspira\u00e7\u00e3o para cria\u00e7\u00e3o de toda tipografia utilizada nas obras de arte do Movimento Armorial\u201d (Quintaes, 2024, p. 50). O sert\u00e3o nordestino ganha ares medievais para mostrar sua origem trovadoresca e para representar os elementos do sert\u00e3o que invoca, na encantaria, todo um pante\u00e3o de monstros e criaturas do popular festivo do nosso pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>BAKHTIN, Mikhail. <strong>A cultura popular na Idade M\u00e9dia e no Renascimento<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1999.<\/em><\/p>\n<p><em>FERREIRA, Luiz Felipe. <strong>O livro de ouro do carnaval brasileiro<\/strong>. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.<\/em><\/p>\n<p><em>LOUZADA, Alexandre. Unidos da Tijuca: O conto de Fados In: LIESA. <strong>Livro Abre-Alas 2024<\/strong>: domingo. Rio de Janeiro: LIESA, 2024. p. 377-458. Dispon\u00edvel em: https:\/\/liesa.globo.com\/downloads\/memoria\/outros-carnavais\/2024\/abre-alas-domingo-carnaval-2024.pdf.<strong> Acesso em 16 abr. 2025.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>QUINTAES, Mauro. Unidos do Porto da Pedra: Lun\u00e1rio Perp\u00e9tuo \u2013 A prof\u00e9tica do saber popular. In: LIESA. <strong>Livro Abre-Alas 2024<\/strong>: domingo. Rio de Janeiro: LIESA, 2024. p. 03-94. Dispon\u00edvel em: https:\/\/liesa.globo.com\/downloads\/memoria\/outros-carnavais\/2024\/abre-alas-domingo-carnaval-2024.pdf.<strong> Acesso em 16 abr. 2025.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>SILVA, Carlos Eduardo da. O boi de mam\u00e3o: teatralidade performatividade e musicalidade no folclore catarinense. In: Piragibe, Mario Ferreira (org). <strong>Estudos em performance e performatividades<\/strong>. (Cole\u00e7\u00e3o Artes da Cena). 1ed. Jundia\u00ed: Paco, 2019, v. 1, p. 47-69. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.pacolivros.com.br\/estudos-em-performance-e-performatividades-vol1?srsltid=AfmBOoochaihxA0-7RbwSVtS4eeu5Lruq3bcf8mCxKxNPx2aw6THbTG9\">https:\/\/www.pacolivros.com.br\/estudos-em-performance-e-performatividades-vol1?srsltid=AfmBOoochaihxA0-7RbwSVtS4eeu5Lruq3bcf8mCxKxNPx2aw6THbTG9<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>SUASSUNA, Ariano. <strong>Almanaque armorial<\/strong>. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 2008.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazendo a sua estreia no grupo,\u00a0o GRESV Unidos de Franco da Rocha apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo Especial, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual. De autoria de Tiago Herculano, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo\u00a0\u201cG\u00e1rgulas, monstros e dem\u00f4nios: O animalesco medieval no Brasil festivo\u201d. 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