{"id":49859,"date":"2025-08-13T19:36:40","date_gmt":"2025-08-13T22:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=49859"},"modified":"2025-08-13T19:36:40","modified_gmt":"2025-08-13T22:36:40","slug":"folguedo-caipira-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/folguedo-caipira-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025\/","title":{"rendered":"Folguedo Caipira apresenta enredo para o Carnaval Virtual 2025"},"content":{"rendered":"<p>Fazendo a sua estreia no grupo,\u00a0a SCESV Folguedo Caipira apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo Especial, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual.<\/p>\n<p>De autoria de Alberto Lemos, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo\u00a0<em>\u201cCandil: O folguedo flamejante da fronteira\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Confira abaixa sinopse oficial:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>CANDIL, o Folguedo Flamejante da Fronteira<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Sinopse<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s o trauma da Guerra do Paraguai, um dos conflitos mais sangrentos do continente, as fronteiras entre Brasil e Paraguai foram seladas com tinta e sangue. Sobre esse novo mapa geopol\u00edtico, ergueram-se os alicerces de um impetuoso projeto de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. A pecu\u00e1ria extensiva, fomentada pelo Imp\u00e9rio, transformou a plan\u00edcie pantaneira em espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o. Nas margens largas do rio Paraguai, o tempo passou a escorrer lentamente, como as boiadas pantaneiras, propiciando o nascimento de narrativas feitas de fronteiras m\u00f3veis, encontros forjados na dor e reinven\u00e7\u00f5es ritualizadas. \u00c9 nesse ch\u00e3o de conflitos e travessias que a figura do boi passou a ser protagonista no imagin\u00e1rio do povo da regi\u00e3o, que viu os rebanhos sendo conduzidos a la\u00e7o, por terra e por \u00e1gua.<\/em><\/p>\n<p><em>Por esses caminhos fluviais surgiram os grandes nomes da coloniza\u00e7\u00e3o, como Thomaz Larangeira, empres\u00e1rio articulador da Companhia Matte Larangeira, que fundou a cidade de Porto Murtinho como \u00faltimo entreposto brasileiro no rio Paraguai, o \u00faltimo ponto da extens\u00e3o do rio enquanto fronteira, um marco entre o Brasil e o &#8220;outro lado&#8221;. Com a prosperidade do gado e da erva-mate, vieram tamb\u00e9m homens e mulheres paraguaios, em sua maioria ind\u00edgenas guaranis, em busca de sobreviv\u00eancia ap\u00f3s terem seu territ\u00f3rio devastado. Essa migra\u00e7\u00e3o silenciosa, movida pela perda e pela f\u00e9, trouxe n\u00e3o apenas bra\u00e7os para o trabalho, mas tamb\u00e9m novos universos simb\u00f3licos.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_49799\" aria-describedby=\"caption-attachment-49799\" style=\"width: 233px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Folguedo-Caipira-Logo-2025.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-49799\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Folguedo-Caipira-Logo-2025-233x300.jpg\" alt=\"\" width=\"233\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Folguedo-Caipira-Logo-2025-233x300.jpg 233w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Folguedo-Caipira-Logo-2025-768x988.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Folguedo-Caipira-Logo-2025-796x1024.jpg 796w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Folguedo-Caipira-Logo-2025.jpg 995w\" sizes=\"auto, (max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-49799\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Os guaranis trouxeram suas canoas leves, seus saberes sobre a madeira do quebracho, seus bordados, o h\u00e1bito partilhado do terer\u00e9 e outros costumes musicais e culin\u00e1rios. A l\u00edngua guarani, falada em voz baixa pelo povo, tornou-se tecido vivo de mem\u00f3ria e comunica\u00e7\u00e3o, misturando-se ao portugu\u00eas e ao espanhol e formando um trilinguismo fluido, t\u00edpico dessa regi\u00e3o de fronteira.<\/em><\/p>\n<p><em>Entre todas essas express\u00f5es, a mais potente \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem de Caacup\u00e9, padroeira do Paraguai, cuja imagem azulada e pequena atravessou a fronteira escondida entre tecidos e promessas, ornada com fitas e cabelos tran\u00e7ados como ex-votos. A festa dedicada a ela, no dia 8 de dezembro, tornou-se o ponto alto do calend\u00e1rio espiritual da regi\u00e3o, momento em que os limites entre o mundo vis\u00edvel e o invis\u00edvel se entrela\u00e7am.<\/em><\/p>\n<p><em>Como parte das festividades em honra \u00e0 santa, heran\u00e7as ancestrais possibilitaram o surgimento do \u201cToro Candil\u201d, criatura h\u00edbrida, m\u00edtica, flamejante. Seu corpo \u00e9 uma arma\u00e7\u00e3o de ferro e couro, \u00e0s vezes feita de papel mach\u00ea. Seus chifres, embebidos em querosene, s\u00e3o acesos como tochas incandescentes. Ele caminha pelas ruas da cidade em penumbra como um candelabro em movimento, s\u00edmbolo da mem\u00f3ria ancestral e da for\u00e7a regeneradora do fogo. Ningu\u00e9m sabe ao certo quem o carrega. Seu condutor \u00e9 an\u00f4nimo, como os ancestrais que atravessaram o rio em sil\u00eancio, com a alma marcada pela guerra e pela esperan\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>O Touro n\u00e3o caminha s\u00f3. Ele \u00e9 seguido pelos mascaritas, figuras liminares, andr\u00f3ginas, que habitam o espa\u00e7o entre o sagrado e o profano. Cobertos por roupas grotescas e m\u00e1scaras femininas, mesclam frases em guarani, portugu\u00eas e espanhol; insultam, dan\u00e7am, distribuem bebida como se fosse comunh\u00e3o pag\u00e3. Suas a\u00e7\u00f5es performam uma purifica\u00e7\u00e3o pelo riso e pela transgress\u00e3o. Mas, diante da imagem da Virgem, ajoelham-se, silenciosos. O rito se suspende. Ali, entre o riso e a dor, refaz-se o pacto: f\u00e9 e irrever\u00eancia coexistem, como o fogo que queima e ilumina. O ritual continua com a Pelota Tat\u00e1, uma bola em chamas chutada de p\u00e9 em p\u00e9, como uma oferenda ef\u00eamera \u00e0 m\u00e3e-terra. A bola ardente, jogada em roda, evoca antigas festas solares, herdadas das pr\u00e1ticas agr\u00e1rias guarani e reinterpretadas pelas liturgias cat\u00f3licas.<\/em><\/p>\n<p><em>Com o tempo, a festa cruzou outras fronteiras, a do folclore oficial, a do turismo cultural, a da arte espetacularizada. O Toro Candil passou a ser interpretado tamb\u00e9m pelos olhos do carnaval, do boi-bumb\u00e1, das festas juninas. Novos personagens foram incorporados: anjinhos, Nego Pe\u00e3o, Sinhazinha, Paj\u00e9, compondo um imagin\u00e1rio h\u00edbrido e barroco, caracter\u00edstico das culturas mesti\u00e7as. Uma nova narrativa foi inventada: o Toro atravessa o rio em busca da novilha Estrela, e desse encontro m\u00edtico nascem dois descendentes m\u00e1gicos: o Touro Bandido, negro e selvagem, s\u00edmbolo tel\u00farico da for\u00e7a; e o Touro Encantado, azul e dourado, ser espiritual que revela tesouros ocultos.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, o que antes era um rito devocional tornou-se tamb\u00e9m um festival multicultural. O povo assiste, participa, julga e reinventa a hist\u00f3ria: todos os anos, o Bandido e o Encantado disputam a paternidade do Toro Candil em uma arena julgada pela pr\u00f3pria Virgem. O resultado \u00e9 sempre o mesmo: empate. Porque, no campo da cultura viva, n\u00e3o se trata de vencer, mas de pertencer.<\/em><\/p>\n<p><em>Entre a brasa e a promessa, a m\u00e1scara e o altar, o riso e a f\u00e9, continua o Toro Candil a romper fronteiras, n\u00e3o apenas atrav\u00e9s do rio Paraguai, mas das camadas da identidade fronteiri\u00e7a, trazendo \u00e0 tona uma hist\u00f3ria feita de deslocamentos, hibridismos e futuros poss\u00edveis.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>CASTILHO, Maria Augusta de; PAIVA, N\u00edvea Maria Mendes de. <strong>Patrim\u00f4nio cultural na Festa do Touro Candil em Porto Murtinho, MS.<\/strong> Multitemas, Campo Grande, v. 43, n. 1, p. 53-65, jun. 2003. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.multitemas.ucdb.br\/multitemas\/article\/view\/264\/309\">https:\/\/www.multitemas.ucdb.br\/multitemas\/article\/view\/264\/309<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>ESSELIN, Paulo Marcos. <strong>A pecu\u00e1ria bovina no processo de ocupa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento econ\u00f4mico do pantanal sul-mato-grossense (1830-1910).<\/strong> Dourados: Ed. UFGD, 2011. 358p. ISBN: 978-85-8147-010-8. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/omp.ufgd.edu.br\/omp\/index.php\/livrosabertos\/catalog\/view\/27\/42\/114\">https:\/\/omp.ufgd.edu.br\/omp\/index.php\/livrosabertos\/catalog\/view\/27\/42\/114<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>GIMENES, Marcos. <strong>A Hist\u00f3ria da Cidade de Porto Murtinho contada pela Festa do Touro Candil.<\/strong> 2017. 19 f. TCC (Gradua\u00e7\u00e3o) &#8211; Curso de Licenciatura em Geografia, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Porto Murtinho, 2017. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/faeng.ufms.br\/files\/2017\/09\/A-hist%C3%B3ria-da-cidade-de-Porto-Murtinho-contada-pela-festa-do-touro-Candil.pdf\">https:\/\/faeng.ufms.br\/files\/2017\/09\/A-hist%C3%B3ria-da-cidade-de-Porto-Murtinho-contada-pela-festa-do-touro-Candil.pdf<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>MARIN, J\u00e9rri Roberto. <strong>Fronteiras e fronteiri\u00e7os: os interc\u00e2mbios culturais e a nacionaliza\u00e7\u00e3o da fronteira no sul do estado de Mato Grosso.<\/strong> In: Fronteiras: Revista de Hist\u00f3ria, Campo Grande, v. 4\/5, n. 7\/9, p. 151-182, 2000\/2001. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ojs.ufgd.edu.br\/index.php\/FRONTEIRAS\/article\/download\/13417\/6849\">https:\/\/ojs.ufgd.edu.br\/index.php\/FRONTEIRAS\/article\/download\/13417\/6849<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>TEDESCO, Giselda Paula. <strong>\u201cToro Candil\u201d: um componente da singularidade cultural em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul.<\/strong> 2017. 118 f. Tese (Doutorado) &#8211; Curso de P\u00f3s- Gradua\u00e7\u00e3o em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, Universidade Anhanguera-Uniderp, Campo Grande, 2017. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.pgsscogna.com.br\/bitstream\/123456789\/12200\/1\/Giselda%20Paula%20Tedesco.pdf\">https:\/\/repositorio.pgsscogna.com.br\/bitstream\/123456789\/12200\/1\/Giselda%20Paula%20Tedesco.pdf<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>TEDESCO, Giselda Paula; ALVES, Gilberto Luiz. <strong>Toro Candil: tradi\u00e7\u00e3o de uma fronteira ambivalente. <\/strong>Intera\u00e7\u00f5es (Campo Grande), [S.L.], p. 29-42, 16 fev. 2018. Universidade Cat\u00f3lica Dom Bosco. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.20435\/inter.v19i1.1622\">http:\/\/dx.doi.org\/10.20435\/inter.v19i1.1622<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>TORCHI-CHACAROSQUI, Gicelma da Fonseca. <strong>A cultura sul-mato-grossense e sua condi\u00e7\u00e3o mesti\u00e7a: aspectos semi\u00f3ticos da manifesta\u00e7\u00e3o popular do El Toro Candil.<\/strong> Boitat\u00e1 v. 5, n. 18, 2017. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5433\/boitata.2010v5.e31170\">https:\/\/doi.org\/10.5433\/boitata.2010v5.e31170<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazendo a sua estreia no grupo,\u00a0a SCESV Folguedo Caipira apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo Especial, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual. De autoria de Alberto Lemos, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo\u00a0\u201cCandil: O folguedo flamejante da fronteira\u201d. 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