{"id":49875,"date":"2025-08-13T20:17:43","date_gmt":"2025-08-13T23:17:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=49875"},"modified":"2025-08-13T20:17:43","modified_gmt":"2025-08-13T23:17:43","slug":"recanto-do-beija-flor-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/recanto-do-beija-flor-apresenta-enredo-para-o-carnaval-virtual-2025\/","title":{"rendered":"Recanto do Beija-Flor apresenta enredo para o Carnaval Virtual 2025"},"content":{"rendered":"<p>9\u00aa colocada do grupo na edi\u00e7\u00e3o passada, o GRESV Recanto do Beija-Flor apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo Especial, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual.<\/p>\n<p>De autoria de Alberto dos Santos de Lemos, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo <em>&#8220;O Pr\u00edncipe do Areal: Ancestralidade e Resist\u00eancia Negra no Sul do Brasil&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>Confira abaixa sinopse oficial:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O Pr\u00edncipe do Areal: Ancestralidade e Resist\u00eancia Negra no Sul do Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Justificativa<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>A hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil meridional h\u00e1 muito sofre o pior processo de invisibiliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dentro de nosso pa\u00eds. O tradicionalismo sulista frequentemente exalta a figura do ga\u00facho como um homem branco de ascend\u00eancia europeia, ignorando a presen\u00e7a negra e ind\u00edgena na forma\u00e7\u00e3o do estado. Nada como um personagem subversivo, contraintuitivo, para obrigar a historiografia a sair de sua zona de conforto.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Exaltando a figura do Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio Joaquim de Almeida, a Recanto do Beija-flor presta uma pequena contribui\u00e7\u00e3o no processo de \u201cdesapagamento\u201d do aporte dos negros para a forma\u00e7\u00e3o do estado onde se encontra o maior n\u00famero relativo de autodeclarados adeptos das religi\u00f5es de matriz africana e afrobrasileira, o Rio Grande do Sul.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A figura do pr\u00edncipe carrega um peso simb\u00f3lico, pois ele se tornou um \u00edcone para o movimento negro e para as religi\u00f5es afro-ga\u00fachas. Entendemos que sua hist\u00f3ria n\u00e3o depende apenas de comprova\u00e7\u00f5es documentais, ela vive na mem\u00f3ria coletiva e na afirma\u00e7\u00e3o cultural. Sua biografia n\u00e3o se encerra no passado. Ela continua em cada ritual, em cada canto, em cada a\u00e7\u00e3o da negritude ga\u00facha, pois os grandes ancestrais como ele nunca morrem. Exaltemos sua mem\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Um pr\u00edncipe em terras ga\u00fachas <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cEle era um pr\u00edncipe de Porto Alegre. Ele n\u00e3o era um pr\u00edncipe por ser filho do Ovonramwen Nogbaisi. Ele era pr\u00edncipe dos pobres, pr\u00edncipe do povo. Ele era reconhecido assim pela popula\u00e7\u00e3o\u201d. (Rodrigo de Azevedo Weimer)<\/em><\/p>\n<p><em>Fugindo do genoc\u00eddio imposto pelos europeus na costa da Guin\u00e9, Osuanlele Okizi Erup\u00ea seguiu o caminho contr\u00e1rio de seus irm\u00e3os agud\u00e1s. Nunca antes sequestrado e escravizado, ele cruzou o Atl\u00e2ntico para viver no Brasil, pouco tempo depois da Aboli\u00e7\u00e3o oficial da escravatura. Aqui ele se estabeleceu como homem livre, imigrante, e assumiu o nome Cust\u00f3dio Joaquim de Almeida.\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_49804\" aria-describedby=\"caption-attachment-49804\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Recanto-Logo-2025.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-49804\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Recanto-Logo-2025-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Recanto-Logo-2025-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Recanto-Logo-2025-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Recanto-Logo-2025-682x1024.jpg 682w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Recanto-Logo-2025.jpg 853w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-49804\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Depois de passar um tempo na Bahia e no Rio de Janeiro, recebeu orienta\u00e7\u00e3o dos b\u00fazios para seguir para o extremo sul do Brasil, na prov\u00edncia do Rio Grande de S\u00e3o Pedro. A regi\u00e3o era sabidamente dif\u00edcil, bem mais fria e com sequelas de sucessivas guerras, uma verdadeira encruzilhada de tr\u00eas pa\u00edses. Ali os negros escravizados haviam sido submetidos a sucessivos supl\u00edcios. Mas Cust\u00f3dio n\u00e3o foi \u00e0 procura de lamenta\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>E, de fato, o que ele encontrou em 1899, quando chegou em terras ga\u00fachas foi luta e resist\u00eancia. O per\u00edodo p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o na prov\u00edncia viu florescer fortes movimentos antirracistas que contrariavam narrativas hegem\u00f4nicas. Pessoas negras lutavam por alforria, sua e de seus irm\u00e3os, e que, mesmo exclu\u00eddos, n\u00e3o sucumbiram. Nesse cen\u00e1rio, Cust\u00f3dio chegou \u00e0 prov\u00edncia.<\/em><\/p>\n<p><em>A alcunha de pr\u00edncipe veio de uma suposta revela\u00e7\u00e3o de que ele seria filho de Sua Majestade Ovonramwen Nogbaisi, rei de Uid\u00e1, embora n\u00e3o existam provas documentais dessa filia\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio j\u00e1 era um personagem muito conhecido em todo o Rio Grande do Sul. Ap\u00f3s residir em Rio Grande, Bag\u00e9 e Pelotas, mudou-se para a capital Porto Alegre em 1901, supostamente a pedido do enfermo presidente da prov\u00edncia, J\u00falio de Castilhos, de quem se tornou amigo. Fixou resid\u00eancia na Cidade Baixa, pr\u00f3ximo ao local conhecido como Areal da Baronesa, um dos mais simb\u00f3licos territ\u00f3rios negros da cidade. Formado por popula\u00e7\u00f5es negras libertas e seus descendentes, o Areal nasceu da ocupa\u00e7\u00e3o de terras entre o centro e a Cidade Baixa, em uma \u00e1rea marcada tanto pela exclus\u00e3o social quanto pela resist\u00eancia cultural. Pr\u00f3ximo dali o Solar da Baronesa, antigo casar\u00e3o de elite, tornou-se ao longo do tempo um marco invertido: de espa\u00e7o aristocr\u00e1tico, transformou-se em refer\u00eancia da luta por mem\u00f3ria e pertencimento negro. A decis\u00e3o de Cust\u00f3dio de viver no Areal, mesmo mantendo tr\u00e2nsito e rela\u00e7\u00f5es com setores da elite branca, revela a complexidade de sua trajet\u00f3ria.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Suas conex\u00f5es com a pol\u00edtica ajudaram a garantir sua posi\u00e7\u00e3o social. Atuou como um mediador entre os populares e a elite, acolheu muita gente na sua casa, levava demandas de um lado para o outro. O comportamento de Cust\u00f3dio reflete a cultura agud\u00e1, grupo que costumava circular entre as camadas altas e baixas da sociedade.<\/em><\/p>\n<p><em>O que tornava sua presen\u00e7a absolutamente marcante em Porto Alegre no in\u00edcio do s\u00e9culo XX era a maneira como ele se apresentava ao mundo. Vestido com esmero, usando cartola, bengala, palet\u00f3 e sapatos bem lustrados, Cust\u00f3dio desfilava pelas ruas centrais da cidade como um verdadeiro pr\u00edncipe, causando uma subvers\u00e3o de ordem visual com sua simples presen\u00e7a. O corpo negro bem-vestido, limpo, perfumado, mostrava que a sujeira e a inferioridade associadas \u00e0 negritude n\u00e3o passavam de fic\u00e7\u00f5es racistas. Sua forma de vestir era tamb\u00e9m estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o em um contexto em que negros eram abordados constantemente pela pol\u00edcia, vistos como suspeitos.<\/em><\/p>\n<p><em>Os cavalos eram animais de adora\u00e7\u00e3o de Cust\u00f3dio, que tinha uma coudelaria nos fundos de casa e costumava sair em um landau puxado por dois corc\u00e9is brancos em dias de sol, e pretos em dias de chuva.<\/em><\/p>\n<p><em>Suas chegadas \u00e0s festas do Areal causavam como\u00e7\u00e3o no povo pela grande pompa. Na aus\u00eancia de monumentos, Cust\u00f3dio era o pr\u00f3prio monumento de uma cidade, que tamb\u00e9m era preta, onde os negros n\u00e3o eram figurantes da dor, mas protagonistas da honra.<\/em><\/p>\n<p><em>Cust\u00f3dio tamb\u00e9m figura entre os ancestrais do Batuque, religi\u00e3o afro-ga\u00facha ainda ofuscada pela hegemonia do Candombl\u00e9. O Batuque caracteriza-se por sua forte e efetiva heran\u00e7a tradicional africana, que se mant\u00e9m, apesar da longa conviv\u00eancia com uma sociedade ocidentalizada, al\u00e9m de enfrentar a repress\u00e3o aberta ou velada. Tamb\u00e9m ficou conhecido como Pai Cust\u00f3dio de Xapan\u00e3, quando trabalhava como sacerdote, atuando principalmente em curas f\u00edsicas e espirituais.<\/em><\/p>\n<p><em>Um dos principais legados atribu\u00eddos ao pr\u00edncipe \u00e9 o assentamento do Bar\u00e1 no Mercado P\u00fablico de Porto Alegre, com o prop\u00f3sito de abrir os caminhos da cidade. Ele tamb\u00e9m \u00e9 associado \u00e0 difus\u00e3o do batuque no estado, religi\u00e3o de matriz africana presente nas cidades por onde passou.<\/em><\/p>\n<p><em>Cust\u00f3dio Joaquim de Almeida consolidou seu respeito e reconhecimento em Porto Alegre principalmente por sua atua\u00e7\u00e3o religiosa e sua habilidade como comerciante. Segundo Silva, teria mantido uma banca no Mercado Municipal da cidade, al\u00e9m de treinar e negociar cavalos de corrida. Cust\u00f3dio era frequentemente procurado por membros da elite local para a realiza\u00e7\u00e3o de trabalhos religiosos, e foi gra\u00e7as \u00e0 sua compet\u00eancia como l\u00edder espiritual que alicer\u00e7ou sua notoriedade, perpetuando sua imagem na mem\u00f3ria da cidade ao longo das d\u00e9cadas e seu maior prest\u00edgio est\u00e1 ligado ao seu trabalho como sacerdote do Batuque. Sua figura \u00e9 tradicionalmente associada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de diversos assentamentos sagrados em Porto Alegre, sendo o mais famoso o do Bar\u00e1 do Mercado P\u00fablico. Embora haja debate sobre a autoria desse assentamento, sua liga\u00e7\u00e3o com o local refor\u00e7a o imagin\u00e1rio afro-ga\u00facho que o associa ao fortalecimento das pr\u00e1ticas religiosas de matriz africana na cidade.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m de atender a pessoas famosas na cidade, Pai Cust\u00f3dio tamb\u00e9m prestava aux\u00edlio financeiro e acolhimento a africanos e afrodescendentes que viviam na pen\u00faria ou atravessavam dificuldades. Atrav\u00e9s de sua lideran\u00e7a religiosa, essas pessoas encontraram meios de consolidar sua identidade sociocultural, perpetuando pr\u00e1ticas e valores da cultura e religiosidade afro-ga\u00facha. Sua casa de religi\u00e3o era, para muitos, o principal espa\u00e7o de apoio material e espiritual, onde podiam buscar solu\u00e7\u00f5es para os mais diversos problemas. A liga\u00e7\u00e3o com o Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio representava, para essas comunidades vulner\u00e1veis, uma esperan\u00e7a concreta frente aos infort\u00fanios da exclus\u00e3o social.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>O pr\u00edncipe e sua realiza presentes <\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Hoje o legado dessa resist\u00eancia representada em Cust\u00f3dio est\u00e1 presente em diferentes bairros da cidade, terreiros, centros culturais, grupos de dan\u00e7a e coletivos art\u00edsticos trabalham para preservar, afirmar e reinventar tradi\u00e7\u00f5es negras. A oralidade, a m\u00fasica, os ritos religiosos e a ocupa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de espa\u00e7os p\u00fablicos tornaram-se ferramentas centrais para reivindicar visibilidade e combater o racismo estrutural.<\/em><\/p>\n<p><em>Uma das express\u00f5es mais fortes desse movimento \u00e9 a luta pela preserva\u00e7\u00e3o dos terreiros e das religi\u00f5es de matriz africana. As celebra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como a lavagem da escadaria da Igreja Nossa Senhora das Dores e a festa do Bar\u00e1 do Mercado, afirmam a presen\u00e7a negra no cora\u00e7\u00e3o da cidade e reivindicam respeito \u00e0 liberdade religiosa.<\/em><\/p>\n<p><em>O fortalecimento da mem\u00f3ria negra tamb\u00e9m passa por iniciativas de mapeamento de terreiros, biografias de figuras hist\u00f3ricas como o pr\u00f3prio pr\u00edncipe Cust\u00f3dio e atividades educativas mostram que a mem\u00f3ria negra \u00e9 viva e din\u00e2mica, n\u00e3o apenas uma lembran\u00e7a do passado. O campo art\u00edstico tamb\u00e9m tem se destacado nesse processo. Grupos de teatro, saraus de poesia, festivais de m\u00fasica e dan\u00e7as afro-brasileiras v\u00eam ocupando espa\u00e7os culturais e ruas, trazendo a est\u00e9tica e a for\u00e7a da cultura afro-ga\u00facha para o centro do debate p\u00fablico, reafirmando a ancestralidade e criando novas narrativas sobre ser negro no Sul do Brasil.<\/em><\/p>\n<p><em>O som grave do tambor de sopapo voltou a ecoar em Porto Alegre como um chamado ancestral. Depois de d\u00e9cadas de invisibilidade, o instrumento t\u00edpico da cultura negra sulrio-grandense, criado pelos descendentes de africanos, ressurgiu como s\u00edmbolo de resist\u00eancia e reapropria\u00e7\u00e3o cultural. Esse resgate do sopapo n\u00e3o \u00e9 apenas musical; \u00e9 pol\u00edtico e espiritual. O sopapo era ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o com o sagrado, uma extens\u00e3o da alma negra no Sul do Brasil.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ao lado do sopapo, outro movimento ganha corpo: o resgate da mem\u00f3ria negra no carnaval de Porto Alegre. Durante muito tempo, o carnaval porto-alegrense foi embranquecido nas narrativas oficiais, apagando a contribui\u00e7\u00e3o decisiva dos clubes e blocos negros que criaram as bases da festa popular. Nos \u00faltimos anos, iniciativas como o Carnaval da Restinga, o fortalecimento dos desfiles no Complexo Cultural do Porto Seco e o surgimento de blocos afrocentrados trouxeram de volta ao centro do debate a import\u00e2ncia da cultura negra no carnaval da cidade.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Assim como o tambor de sopapo, o carnaval negro porto-alegrense \u00e9 mais que celebra\u00e7\u00e3o: \u00e9 um ato de afirma\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e perten\u00e7a. Em cada batida de tambor, em cada desfile colorido, reverbera a mesma energia que movia figuras como Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio. Mesmo diante do racismo e da exclus\u00e3o, a cultura negra do Sul resiste, renasce e continua a ensinar o que significa existir com dignidade, beleza e for\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>A Recanto canta a resist\u00eancia atrav\u00e9s da mem\u00f3ria <\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>As discuss\u00f5es acerca das origens do pr\u00edncipe Cust\u00f3dio s\u00e3o muitas; quando se fala de um pr\u00edncipe africano que viveu em Porto Alegre e se tornou um s\u00edmbolo para o movimento negro e a livre express\u00e3o de cultos afro-ga\u00fachos, essa significa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, vai muito al\u00e9m de comprova\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, adentrando um imagin\u00e1rio identit\u00e1rio e de afirma\u00e7\u00e3o cultural que se mant\u00e9m at\u00e9 os dias de hoje.<\/em><\/p>\n<p><em>Muitos dos desafios que Cust\u00f3dio enfrentou, como racismo, invisibiliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o urbana, ainda marcam a vida da popula\u00e7\u00e3o negra ga\u00facha. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m continuidade na coragem, na criatividade e na capacidade de reinven\u00e7\u00e3o. Cust\u00f3dio, que j\u00e1 caminhava com cartola pelas ruas para afirmar sua realeza negra, hoje inspira jovens que erguem faixas, microfones e tambores para afirmar seu lugar no mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>O Pr\u00edncipe do Areal n\u00e3o deixou monumentos de pedra, mas ergueu mem\u00f3rias de for\u00e7a. Hoje, mesmo que os ventos modernos soprem outras m\u00fasicas pelas ruas da capital, h\u00e1 quem ainda sinta, entre o cheiro da terra molhada e o eco distante dos tambores, a passagem de um homem de cartola, sorriso sereno e olhos firmes, conduzindo, em seu passo lento e majestoso, a dignidade de um povo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>9\u00aa colocada do grupo na edi\u00e7\u00e3o passada, o GRESV Recanto do Beija-Flor apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Grupo Especial, na edi\u00e7\u00e3o comemorativa dos 10 anos do Carnaval Virtual. De autoria de Alberto dos Santos de Lemos, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender, em 2025, o enredo &#8220;O Pr\u00edncipe do Areal: Ancestralidade e Resist\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":358,"featured_media":49804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[494,29,13],"tags":[],"class_list":["post-49875","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carnaval-virtual-2025","category-gresv-recanto-do-beija-flor","category-grupo-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/358"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49875"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49876,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49875\/revisions\/49876"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}