{"id":5303,"date":"2017-08-03T02:12:23","date_gmt":"2017-08-03T05:12:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=5303"},"modified":"2017-08-03T02:12:23","modified_gmt":"2017-08-03T05:12:23","slug":"de-goias-para-o-carnaval-virtual-conheca-o-enredo-da-arautos-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/de-goias-para-o-carnaval-virtual-conheca-o-enredo-da-arautos-do-cerrado\/","title":{"rendered":"De Goi\u00e1s para o Carnaval Virtual, conhe\u00e7a o enredo da Arautos do Cerrado."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sou imb\u00e9 na aldeia, pequi no quintal e Arautos no Carnaval<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Autor:\u00a0Danilo Guerra Couto, F\u00e1bio Granville , Robert Mori e Andr\u00e9 Wonder<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085737644-Lucas-Xavier-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-5304\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085737644-Lucas-Xavier-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"760\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085737644-Lucas-Xavier-1.jpg 682w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085737644-Lucas-Xavier-1-197x300.jpg 197w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085737644-Lucas-Xavier-1-674x1024.jpg 674w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>Sou do Cerrado. As minhas ra\u00edzes est\u00e3o fincadas neste solo sagrado onde enfrento a esta\u00e7\u00e3o da seca, o fogo abrasador que renova a vida nos campos, e tamb\u00e9m a esta\u00e7\u00e3o das habituais chuvas torrenciais, quando a \u00e1gua toca no solo, formando um ambiente prop\u00edcio para que eu possa nascer, crescer e permanecer neste lugar. Neste ecossistema tipicamente brasileiro, num bioma conhecido por sua grande biodiversidade, chamo a aten\u00e7\u00e3o me enfeitando de lindas flores e oferecendo meus dourados frutos, batizados de pequi, para que os habitantes t\u00edpicos deste lugar se aproximem e me fa\u00e7am companhia, rondando meus tortos galhos e se deliciando desta minha iguaria, transformando-me no s\u00edmbolo maior deste ch\u00e3o. Sou ind\u00edgena. Os \u00edndios s\u00e3o os mais antigos habitantes deste bioma no qual me encontro, como a tribo dos Kuikuros. E l\u00e1 sou imb\u00e9. Do alto de minha copa observo suas ocas e seus rituais nativos. Em \u00e9poca de colheita, ou\u00e7o-os gritarem da aldeia \u2013 \u201cImb\u00e9 Gikeg\u00fc\u201d \u2013 tem \u201ccheiro do pequi\u201d, e as mulheres da tribo v\u00eam colher meus frutos, espinhosos e de casca grossa, derramados no ch\u00e3o. Tenho uma rela\u00e7\u00e3o com os \u00edndios de profundo respeito, assim como eles tem com meus galhos, folhas e, principalmente, frutos. Todo Kuikuro que nasce ganha um pequizeiro de presente. Segundo a tribo, atra\u00eddos por minhas flores e um dos principais respons\u00e1veis por minha prolifera\u00e7\u00e3o neste ch\u00e3o, o beija-flor tem poderes sobrenaturais e \u00e9 meu verdadeiro dono. Debaixo de meus tortuosos ramos, a minha origem mitol\u00f3gica \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Os mais velhos contam aos jovens sobre um jacar\u00e9 que sa\u00eda do rio em forma de homem, atra\u00eddo por duas \u00edndias irm\u00e3s que eram casadas com um bravo guerreiro chamado Marik\u00e1. Este nem desconfiava da trai\u00e7\u00e3o de suas esposas com o r\u00e9ptil, quando um dia, ao apontar uma flecha para uma cotia, esta se transformou em um \u00edndio e relatou toda a hist\u00f3ria para Marik\u00e1, levando-o ao lugar da trai\u00e7\u00e3o, fazendo-o flechar o cora\u00e7\u00e3o do jacar\u00e9. As duas irm\u00e3s, por conta da intimidade com o animal, enterraram-no em terras pr\u00f3ximas \u00e0 aldeia e, cinco dias depois, quando foram visit\u00e1-lo, em seu t\u00famulo havia brotado um pequizeiro. Os \u00edndios mant\u00eam essa tradi\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica e esse respeito comigo. Imb\u00e9 pr\u00f3ximo da aldeia \u00e9 sinal de prosperidade. Sou do quintal do Brasil. Caryocar brasiliense, este \u00e9 meu nome cient\u00edfico. Os estudos sobre mim revelam que se pode aproveitar praticamente tudo que forne\u00e7o. Dos meus troncos fazem canoas para navega\u00e7\u00e3o. Do \u00f3leo extra\u00eddo da am\u00eandoa ou da pr\u00f3pria polpa, pode-se fazer biodiesel. Com a mesma pot\u00eancia do combust\u00edvel, aproveita-se as propriedades afrodis\u00edacas dos meus frutos. Da casca e do caro\u00e7o, faz-se tamb\u00e9m a extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leos para usos farmacol\u00f3gicos, fornecendo poderosos rem\u00e9dios naturais contra muitos males, como antif\u00fangicos, bactericidas e at\u00e9 para preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer. A ind\u00fastria cosm\u00e9tica tamb\u00e9m se utiliza da extra\u00e7\u00e3o desses \u00f3leos para fabrica\u00e7\u00e3o de sabonetes e shampoos. S\u00e3o v\u00e1rios os benef\u00edcios provindos de meus elementos, por\u00e9m, \u00e9 na culin\u00e1ria aonde estou mais presente. Orgulho-me de ser colhido no quintal desta terra e ir direto para a panela da dona de casa, aonde a tradicional galinhada com pequi \u00e9 feita naquele t\u00edpico fog\u00e3o \u00e0 lenha e servido e admirado por todos dessa regi\u00e3o. Sou celebra\u00e7\u00e3o. Celebro o encontro de povos. Nas festas do pequi que agitam o Centro-Oeste brasileiro, a viola d\u00e1 o tom sertanejo e os meus frutos geram diversos quitutes como conservas, sucos, sorvetes, licores e at\u00e9 past\u00e9is. O povo quilombola louva a \u00e9poca da coleta do pequi. Na celebra\u00e7\u00e3o do Mapulaw\u00e1 \u00b9, o \u00edndio agradece ao esp\u00edrito do beija-flor por permitir a colheita dos meus frutos. Celebro pela vida, pela preserva\u00e7\u00e3o. Sou madeira de lei. Sou esse povo do cerrado que respeita a natureza e permite que esse bioma seja protegido. E por conta disso, a gente festeja. Afinal, estou no carnaval. Muito prazer! Sou um pequizeiro e essas s\u00e3o as minhas mem\u00f3rias&#8230; Sou Arautos do Cerrado, querendo entrar para a hist\u00f3ria! \u00b9 Mapulaw\u00e1 &#8211; Beija-Flor, protetor e polinizador do pequi<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085788990-Lucas-Xavier-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5164 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085788990-Lucas-Xavier-1.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085788990-Lucas-Xavier-1.jpg 720w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/FB_IMG_1501085788990-Lucas-Xavier-1-300x229.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou imb\u00e9 na aldeia, pequi no quintal e Arautos no Carnaval Autor:\u00a0Danilo Guerra Couto, F\u00e1bio Granville , Robert Mori e Andr\u00e9 Wonder Sou do Cerrado. 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