{"id":54180,"date":"2026-07-20T22:52:32","date_gmt":"2026-07-21T01:52:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=54180"},"modified":"2026-07-20T22:52:32","modified_gmt":"2026-07-21T01:52:32","slug":"agora-vai-cantara-o-batuque-no-carnaval-virtual-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/agora-vai-cantara-o-batuque-no-carnaval-virtual-2026\/","title":{"rendered":"Agora Vai cantar\u00e1 o batuque no Carnaval Virtual 2026"},"content":{"rendered":"<p>Estreante no Grupo Especial, o GRESVSDQ Agora Vai apresentou o enredo que levar\u00e1 para a avenida no Carnaval Virtual 2026;<\/p>\n<p>De autoria de Cl\u00e1udio Daflon, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender o enredo <em>&#8220;De couro e alma&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Confira a sinopse do enredo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>De couro e alma<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Para o carnaval de 2026, o Agora Vai se inspira no samba concorrente do Imp\u00e9rio da Tijuca para o enredo Batuk (Carnaval de 2014), da parceria de Samir Trindade, Serginho Aguiar, Elson Ramires, Filipe Ara\u00fajo, Jota e Alexandre Moreira.<\/em><\/p>\n<p><em>Tudo come\u00e7a na \u00c1frica, onde o primeiro som sentido e compreendido \u00e9 o do cora\u00e7\u00e3o, j\u00e1 pulsando em 2\/4 (du-du; tum-tum), em sintonia com os surdos que hoje fazem o ch\u00e3o tremer na avenida\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>L\u00e1, os ritmos foram codificados e, desde ent\u00e3o, reimaginados, dando origem \u00e0quela que, para n\u00f3s, foi a grande cria\u00e7\u00e3o humana: a linguagem dos tambores. Atrav\u00e9s deles, por milhares de anos, os criadores falaram, cantaram e pensaram em seus mundos; com o tempo, misturaram cria\u00e7\u00f5es de dentro e de fora deles.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>1) Origem? Tambores, corpos e mundos entrela\u00e7ados<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Desde a sua inven\u00e7\u00e3o e a cada porrada no seu couro, o tambor tem sido a tecnologia do imposs\u00edvel: entrela\u00e7a tudo aquilo que, por muito tempo, a dureza de colonizadores travados e\u00a0 desritmados julgou imisc\u00edvel: o terreno e o divino, o corpo e a mente, o instintivo e o racional. Junta e mistura batuques cultivados em terras africanas desde tempos ancestrais, ritualizados e atualizados nos pr\u00f3prios corpos africanos, que, ao contr\u00e1rio da chave europeia do pecado e da vergonha, dan\u00e7am como instrumentos de acesso aos prazeres e saberes.<\/em><\/p>\n<p><em>Seus sons s\u00e3o sentidos, vividos e pensados. Por isso, al\u00e9m de m\u00faltiplos, s\u00e3o din\u00e2micos \u2013 pulsando em revolu\u00e7\u00e3o permanente. Tem for\u00e7a e tem magia, pois, sim, o batuque tem o poder de curar e transformar tudo o que alcan\u00e7a.\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_54171\" aria-describedby=\"caption-attachment-54171\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESVSDQ-Agora-Vai-2026.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-54171\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESVSDQ-Agora-Vai-2026-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESVSDQ-Agora-Vai-2026-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESVSDQ-Agora-Vai-2026-768x960.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESVSDQ-Agora-Vai-2026-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESVSDQ-Agora-Vai-2026.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-54171\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>2) Uma inven\u00e7\u00e3o para canto, dan\u00e7a, devo\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Os tambores e seus ritmos, por defini\u00e7\u00e3o, nunca s\u00e3o est\u00e1ticos, e a inspira\u00e7\u00e3o que os cria pode at\u00e9 ser \u201cuma luz que chega de repente\u201d, mas ela vem de longe, muito longe, e vai longe, muito longe. S\u00e3o tecnologia comunicativa primordial: eles falam (e gritam) para que os p\u00e9s daqui levantem poeira; para que outros, dali, escutem e se juntem; e tamb\u00e9m para que des\u00e7am, dan\u00e7ando, aqueles que v\u00eam de l\u00e1, de Aruanda. Por serem capazes de mexer e misturar o daqui, o dali e o de l\u00e1, os tambores s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sempre a inventar.<\/em><\/p>\n<p><em>Para os seus inventores bantos, o tambor \u00e9 ngoma; \u00e9, portanto, bem mais que o artefato tambor: \u00e9 ritmo, dan\u00e7a e espiritualidade. O batuque \u00e9 media\u00e7\u00e3o entre o mundo vis\u00edvel e o invis\u00edvel, para chamar inkisis como Aluvai\u00e1, ligado aos caminhos, passagens e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o entre mundos; e Nkosi, com ritmos fortes que remetem \u00e0 guerra, \u00e0 for\u00e7a e ao ferro.<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 na tradi\u00e7\u00e3o dos seus inventores iorub\u00e1s, Ay\u00e1n (ou \u00c0y\u00e0n) \u00e9 o orix\u00e1 que reside nos tambores que falam, a energia que garante a conex\u00e3o com os ancestrais. Os tambores reverberam Exu, que \u00e9, afinal, mensageiro e regente das trocas sonoras que circulam entre mundos; e tamb\u00e9m Orunmil\u00e1, pois, assim como o If\u00e1, o som \u00e9 resson\u00e2ncia de sua voz.<\/em><\/p>\n<p><em>Os tambores s\u00e3o, portanto, artefatos m\u00e1gicos. O batuque que ressoa deles forma uma gram\u00e1tica em constante evolu\u00e7\u00e3o, com o poder de criar saberes, filosofias e mundos inteiros, al\u00e9m de ser capaz de cur\u00e1-los, ao recriar, junto ao choro e \u00e0 saudade, as exist\u00eancias roubadas pelo colonizador.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>3) Revolu\u00e7\u00f5es, reconstru\u00e7\u00f5es e recosturas pelos batuques<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>A partir da captura e da travessia por Calunga, os batuques daqueles que sobreviveram passam a ser fundamento da reexist\u00eancia, da reimagina\u00e7\u00e3o e da reconstru\u00e7\u00e3o de mundos roubados.<\/em><\/p>\n<p><em>Irrompendo o sil\u00eancio imposto naquele cativeiro de valas e correntes, os tambores ressoam vida e liberdade, sendo parte fundamental da revolu\u00e7\u00e3o que permitiu a reexist\u00eancia e a reconstru\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os rompidos violentamente pela escraviza\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a captura e o tumbeiro, a vida pode novamente fazer sentido pelo dom da mem\u00f3ria e da mistura t\u00e3o bem expressos nos batuques e nos cantos que come\u00e7aram a ser ouvidos nos portos de cidades como o Rio de Janeiro, Recife, Salvador e S\u00e3o Lu\u00eds \u2013 revolu\u00e7\u00f5es sonoras que, um dia, pensadas em conjunto, iriam formar a batucada brasileira. Atrav\u00e9s da tecnologia e da magia dela, recosturam-se vidas, agora reconectadas \u00e0 mem\u00f3ria, livres do esquecimento e com sentidos refeitos. Os batuques venceram a morte e reorientaram o negro que chorou a ter esperan\u00e7a em futuros poss\u00edveis, apesar da dor e da saudade.<\/em><\/p>\n<p><em>Desde a sua origem, \u201cbatucar\u201d carrega a ideia de percuss\u00e3o corporal e instrumental, n\u00e3o apenas de \u201cm\u00fasica\u201d em sentido amplo. \u201cBatuk\u201d \u00e9 verbo, do tronco banto \u2013 especialmente quimbundo, falado em Angola \u2013 associado a bater, golpear, percutir, sobretudo com as m\u00e3os; incorporado ao portugu\u00eas j\u00e1 no s\u00e9culo XVII. E at\u00e9 por isso, por ser verbo, n\u00e3o para nunca. Ent\u00e3o veio a rea\u00e7\u00e3o: colonizadores e elites colonizadas tentaram proibir os \u201cinstrumentos de pancadaria\u201d. Percebendo-se incapazes, buscaram control\u00e1-los, modific\u00e1-los, mas nada disso foi capaz de impedir o seu ecoar. Apesar de incessantes tentativas de repress\u00e3o, silenciamento e apropria\u00e7\u00e3o, os batuques seguem florescendo nas ruas, terreiros e quintais, revolucionando e fazendo sorrir outra vez.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>4) Coroa\u00e7\u00e3o do batuk: o renascimento nesse cong\u00e1 do primeiro Imp\u00e9rio do samba<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Talvez a maior inven\u00e7\u00e3o dos batuqueiros desde o batuque tenha sido o samba. Ele, que j\u00e1 nasce enfeitado de ax\u00e9, j\u00e1 estava, de alguma forma, presente desde a origem do batuque. Dos morros e de outros quilombos modernos do Rio de Janeiro, o batuque do samba irrompe, imp\u00f5e sua presen\u00e7a e ent\u00e3o invade e moderniza uma cidade ainda negada \u00e0 maior parte de seus habitantes \u2013 portanto, ainda arcaica.<\/em><\/p>\n<p><em>Um desses \u201cquilombos modernos\u201d surge numa encosta da Floresta da Tijuca, que abrigava, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, antigos quilombos formados por escravizados fugitivos de fazendas da regi\u00e3o. Em meio \u00e0 mata, esses grupos resistiram, cultivaram suas ro\u00e7as e desafiaram a ordem escravista, prolongando sua presen\u00e7a e ressoando seus batuques mesmo no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>No Morro da Formiga, especialmente negro, fundaram o primeiro imp\u00e9rio do samba, o Imp\u00e9rio da Tijuca, que, desde os seus primeiros passos em 1940, letra e educa \u2013 como verdadeira escola \u2013 os seus crias e todo o resto da cidade sobre os saberes de batuque de couro, alma e madeira, dos quais \u00e9 guardi\u00e3. \u00c9 nesse terreiro que acontece o assentamento\/firmamento, com base no respeito \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e \u00e0 comunidade, onde o samba \u201cassentado\u201d respeita a ancestralidade e a origem e firma o ax\u00e9, em permanente transforma\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Tudo come\u00e7a e continua na \u00c1frica\u2026<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estreante no Grupo Especial, o GRESVSDQ Agora Vai apresentou o enredo que levar\u00e1 para a avenida no Carnaval Virtual 2026; De autoria de Cl\u00e1udio Daflon, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender o enredo &#8220;De couro e alma&#8221;. 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