{"id":54182,"date":"2026-07-20T22:59:37","date_gmt":"2026-07-21T01:59:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=54182"},"modified":"2026-07-20T22:59:37","modified_gmt":"2026-07-21T01:59:37","slug":"altaneiros-do-samba-aposta-em-reedicao-para-o-carnaval-virtual-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/altaneiros-do-samba-aposta-em-reedicao-para-o-carnaval-virtual-2026\/","title":{"rendered":"Altaneiros do Samba aposta em reedi\u00e7\u00e3o para o Carnaval Virtual 2026"},"content":{"rendered":"<p>Retornando ao Grupo Especial, o GRESV Altaneiros do Samba apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Carnaval Virtual 2026.<\/p>\n<p>De autoria de\u00a0Cecel Altaneiros, a agremia\u00e7\u00e3o aposta na reedi\u00e7\u00e3o do enredo &#8220;Camafeu de Ox\u00f3ssi, um guia, um mestre e um Ob\u00e1&#8221;, de 2012.<\/p>\n<p>Confira a sinopse do enredo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Camafeu de Ox\u00f3ssi, um guia, um mestre e um Ob\u00e1<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>JUSTIFICATIVA <\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>O Gr\u00eamio Recreativo Escola de Samba Virtual \u201cAltaneiros do Samba\u201d honrosamente presta essa homenagem a um dos mais expressivos personagens e mitos da cultura brasileira.<\/em><\/p>\n<p><em>Considerado &#8220;patrim\u00f4nio da baianidade&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Rebuscando a vasta hist\u00f3ria da cultura baiana, encontramos registros e relatos sobre \u00c1pio Patroc\u00ednio da Concei\u00e7\u00e3o, popularmente conhecido como &#8220;Camafeu de Ox\u00f3ssi&#8221;.\u00a0 O legend\u00e1rio guardi\u00e3o da cultura baiana e um \u00edcone da cultura afro-brasileira. Um homem do povo, um guia, um expoente da cultura soteropolitana, um mestre, solista de berimbau, cantador de capoeira e um homem de sorte tanto no jogo quanto no amor, como esse Ob\u00e1 mesmo se autodefiniu: \u201cUm homem em que as adversidades da vida n\u00e3o foram capazes de vencer a sua f\u00e9, coragem e sabedoria\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>A INF\u00c2NCIA E A ADOLESC\u00caNCIA <\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>\u00c1pio Patroc\u00ednio da Concei\u00e7\u00e3o nasceu em 04 de outubro de 1914, no bairro de Gravat\u00e1, na cidade de Salvador, Estado da Bahia.\u00a0 Filho de Faustino Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio e Maria Firmina da Concei\u00e7\u00e3o. Seu pai era mestre-pedreiro, descendente de africano. Conviveu com ele at\u00e9 os sete anos. Sua m\u00e3e veio de Camamu, era negociante de tabuleiro. Negociava frutas, doces, acaraj\u00e9s\u2026 tudo na Baixa dos Sapateiros.<\/em><\/p>\n<p><em>Sua m\u00e3e teve 16 filhos. Ele, Raimundo, Jo\u00e3o e seus outros irm\u00e3os\u2026 cada um de um pai. Como ficou \u00f3rf\u00e3o de pai ainda menino, \u00c1pio da Concei\u00e7\u00e3o, foi trabalhar para ajudar a m\u00e3e. Apanhava frutas na ro\u00e7a, ajudava a fazer as cocadas e a vend\u00ea-las. O menino n\u00e3o parava, era guerreiro nato. Tanto que vendeu giletes, cord\u00f5es de sapato ou cadar\u00e7os e pedra para isqueiro na porta do Elevador Lacerda na Baixada do Sapateiro.<\/em><\/p>\n<p><em>De menino de rua que passou fome e perdeu toda a fam\u00edlia, a aprendiz de art\u00edfice de Salvador, trabalhando na fundi\u00e7\u00e3o, ele atingiu a adolesc\u00eancia como pregoeiro de quinquilharias. Anos posteriores o levaram para o passeio do Mercado Modelo como engraxate, al\u00e9m de vender os jornais de modinha nas feiras de \u00c1gua de Meninos, Dois de Julho e Sete Portas. Conforme ele mesmo descreveu em certa oportunidade:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0&#8220;Eu ia para as feiras de \u00c1gua de Menino, Dois de Julho e Sete Portas com as modinhas nas m\u00e3os, fazia samba de improviso e formava a roda. Depois, fiquei uns tempos vendendo p\u00e3o dormido, com um balaio na cabe\u00e7a.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>Saiu de l\u00e1 para ser mar\u00edtimo e foi parar na Estiva &#8211; Companhia Docas da Bahia. Mas n\u00e3o gostava de trabalhar para os outros. Contava: &#8220;Uma vez, estava na pior e fui lavar pratos no restaurante de um espanhol. Tinha coisa de uns 18 anos. N\u00e3o fiquei nem um m\u00eas. N\u00e3o ag\u00fcentei as implic\u00e2ncias do galego&#8221;.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_54160\" aria-describedby=\"caption-attachment-54160\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-54160\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-160x160.jpg 160w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-240x240.jpg 240w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-60x60.jpg 60w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026-184x184.jpg 184w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Altaneiros-do-Samba-2026.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-54160\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><strong>O SURGIMENTO DO CAMAFEU DE OX\u00d3SSI<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Uma hist\u00f3ria perpassada oralmente, por pessoas que conheceram e\/ou conviveram com o nosso homenageado. Narra a transforma\u00e7\u00e3o de \u00c1pio da Concei\u00e7\u00e3o em Camafeu de Ox\u00f3ssi.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Um camafeu \u00e9 uma j\u00f3ia usada pelas senhoras da sociedade para prender a gola de seus vestidos. Geralmente esse broche tinha como principal atrativo uma figura em relevo do rosto de uma senhora ou do seu esposo&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Havia um comerciante que se chamava \u00c1pio, que era filho-de-santo do terreiro Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1, e era de Ox\u00f3ssi, no sincretismo religioso o orix\u00e1 da ca\u00e7a, da mata e da fartura. Era ent\u00e3o conhecido como tal.<\/em><\/p>\n<p><em>Um dia passeando com amigos pelas ruas do Pelourinho, trope\u00e7ou e quando caiu viu um broche lindo, o tal camafeu. Gostou tanto que os amigos o apelidaram de &#8220;Camafeu de Ox\u00f3ssi&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>CANDOMBL\u00c9, CAPOEIRA E SAMBA. SUAS PROFISS\u00d5ES DE F\u00c9 <\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Camafeu \u00e9 a Bahia. Assim, se escrevo sobre a Bahia, ele tem de estar presente. Isso sem falar que somos irm\u00e3os de santo, que \u00e9 como se f\u00f4ssemos irm\u00e3os de sangue. Ele \u00e9 Camafeu de Ox\u00f3ssi, e eu tamb\u00e9m sou de Ox\u00f3ssi&#8230;&#8221;\u00a0 Jorge Amado<\/em><\/p>\n<p><em>Sobrinho de M\u00e3e Aninha e filho-de-santo de M\u00e3e Senhora, Ob\u00e1 de Xang\u00f4, Osi Ob\u00e1 Ares\u00e1 no terreiro Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1, que tem suas mais relevantes cerim\u00f4nias no Pal\u00e1cio de Xang\u00f4, ao lado de Olga de Alaketu, Caryb\u00e9, Dorival Caymmi e Jorge Amado.<\/em><\/p>\n<p><em>Ele seguiu fielmente sua devo\u00e7\u00e3o a Ox\u00f3ssi e ao candombl\u00e9 baiano.<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m de ter amizade com M\u00e3e Menininha do Gantois. Sendo presidente do Afox\u00e9 Filhos de Gandhi no per\u00edodo de (1976 a 1982).<\/em><\/p>\n<p><em>Mestre de Capoeira, apelidado de &#8220;Besouro-Vivo&#8221;, fazia parte do chamado seleto grupo de mestres da capoeira baiana, carinhosamente chamada de &#8220;Cord\u00e3o de Ouro&#8221;, uma gradua\u00e7\u00e3o para designar os maiores mestres de todos os tempos.<\/em><\/p>\n<p><em>Tocador de berimbau, batuqueiro, Camafeu de Ox\u00f3ssi gravou dois discos, um deles &#8220;Berimbaus da Bahia&#8221; com os cantos de capoeira mais belos, alguns do tempo da Guerra do Paraguai:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Volta do mundo, \u00ea! Volta do mundo, ah!<br \/>\nEu estava l\u00e1 em casa sem pens\u00e1, sem magin\u00e1<br \/>\nE viero me busc\u00e1 para ajudar a venc\u00ea a guerra do Paragu\u00e1<br \/>\nCamarado \u00ea camaradinho camarado&#8230;&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Outros cantos est\u00e3o cheios de lembran\u00e7as da vida dos escravos:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0&#8220;No tempo em que eu tinha dinheiro, camarado \u00ea, comia na mesa com ioi\u00f4, deitava na cama com iai\u00e1&#8230; Depois que dinheiro acabou, mulher que chega pr\u00e1 l\u00e1, camarado. camaradinho \u00ea&#8230;.&#8221;. <\/em><\/p>\n<p><em>Outros s\u00e3o versos improvisados no repente, na mais pura \u00e1urea da brincadeira, e, repetidos, permanecem e se tornam cl\u00e1ssicos da capoeira como:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Bahia, minha Bahia,<br \/>\nBahia do Salvador<br \/>\nQuem n\u00e3o conhece capoeira<br \/>\nN\u00e3o lhe pode dar valor<br \/>\nTodos podem aprender<br \/>\nGeneral e at\u00e9 doutor&#8221;. <\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Paranau\u00ea &#8230; paranau\u00ea, Paran\u00e1!\u201d (Bis) <\/em><\/p>\n<p><em>Quando eu era crian\u00e7a, que jogava capoeira, os mais velhos assim diziam: \u201cEsse menino n\u00e3o \u00e9 brincadeira, rabo de arraia, martelo cruzado, meia-lua e o tombo de ladeira &#8230;&#8221; <\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 na mata fechada, \u00e9 na mata fechada, quero ver jogar capoeira, meus faraiados\u00a0\u00a0 (bis)<br \/>\nAli tem cobra coral, aranha caranguejeira, bom lugar pra se fazer a roda da capoeira&#8230;<br \/>\n\u00c9 na mata fechada, \u00e9 na mata fechada, quero ver jogar capoeira, meus faraiados\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (bis)<br \/>\nTem o canto da araponga e do sabi\u00e1 tem at\u00e9 uma caninana sempre no mesmo lugar&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Quando a mar\u00e9 baixar v\u00e1 lhe visitar, v\u00e1 lhe fazer devo\u00e7\u00e3o, v\u00e1 lhe presentear &#8230;<br \/>\nNo mar&#8230; mora Iemanj\u00e1, mora Iemanj\u00e1, mora Iemanj\u00e1! (bis)<br \/>\nSua l\u00e1grima correu pro mar, tocou no peito de Iemanj\u00e1, ela podia mudar a mar\u00e9 &#8230;<br \/>\nFazer &#8220;meu navio&#8221; voltar pra Guin\u00e9!<br \/>\nQuando a mar\u00e9 baixar v\u00e1 lhe visitar, v\u00e1 lhe fazer devo\u00e7\u00e3o, v\u00e1 lhe presentear &#8230;<br \/>\nNo mar&#8230; mora Iemanj\u00e1, mora Iemanj\u00e1, mora Iemanj\u00e1!\u201d (bis)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Com o tempo, a voz rouca n\u00e3o cantava mais, por\u00e9m se emprestava a hist\u00f3rias e nomes com quem conviveu numa cidade que n\u00e3o existe mais.<\/em><\/p>\n<p><em>Chegou a ser diretor das escolas de samba S\u00f3 Falta Voc\u00ea, Deixa Pra L\u00e1 e Gato Preto, onde aproveitava para cantar seus sambas. Al\u00e9m das rodas de samba onde cantava versos de improviso, em locais pitorescos como a orla mar\u00edtima de Salvador, nas beiras das praias ou mesmo nos cais dos portos, geralmente ap\u00f3s a pescaria no cair da noite, o povo humilde e festeiro celebrava a vida cantando, dan\u00e7ando, assim reviam-se os amigos e mantinham vivas as tradi\u00e7\u00f5es afro de seus ancestrais.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>BARRACA DE S\u00c3O JORGE NO MERCADO MODELO<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Camafeu me conta que vai ser dono de restaurante&#8230; estar\u00e1 agora com seu berimbau e sua picardia, seu riso largo e sua voz molhada, em meio \u00e0 riqueza e \u00e0 cor da comida baiana, servindo vatap\u00e1 e alegria&#8230;&#8221;\u00a0 Jorge Amado.<\/em><\/p>\n<p><em>Em 1945, Camafeu conseguiu sua primeira barraca no Mercado Modelo de Salvador.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Mas eu brincava muito, fazia muita farra, e o neg\u00f3cio pifou novamente&#8221;. &#8220;A\u00ed eu tive de vender a barraca. Fiquei parado uns tempos, n\u00e3o queria trabalhar pra ningu\u00e9m, at\u00e9 que consegui voltar ao Mercado. O administrador permitiu que eu colocasse umas t\u00e1buas num lugar onde tinha um chafariz, e ali eu vendia roupas e sapatos usados. De noite, levava tudo pra casa num saco\u2026 com isso, fui arranjando dinheiro e comprei as barracas 17 e 18, e, depois, a 15 e a 16&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Instalado novamente, resolveu diversificar, passou a negociar com material de candombl\u00e9: contas, colares, ervas, p\u00f3s e outras mercadorias.<\/em><\/p>\n<p><em>Em agosto de 1969&#8230; Seu trabalho esvaiu-se na fuma\u00e7a. O fogo crepita e \u00e9 visto ao longe, queima o antigo Mercado Modelo em Salvador. Camafeu enche a cara, canta e dan\u00e7a diante das chamas. Perdeu tudo, como v\u00e1rios outros barraqueiros. Mas era assim que reagia. Cantar e dan\u00e7ar eram o jeito de sua gente reagir e ele era como os do seu povo.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;(&#8230;) Jorge, o Amado, procurou-o no dia seguinte:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Est\u00e1 muito chateado, meu irm\u00e3o?&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Tem problema n\u00e3o, Jorge&#8221;, respondeu Camafeu.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Tinha problema sim, claro que tinha&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Jorge adiou uma viagem para a Europa. Entregou ao amigo, assinada por ele e Carib\u00e9, uma nota promiss\u00f3ria. Camafeu levantou um empr\u00e9stimo banc\u00e1rio: 5 mil cruzeiros. Devia 3 mil, pagou. Comprou mercadorias e come\u00e7ou tudo de novo. Era o in\u00edcio de muitos in\u00edcios desse bravo filho de Ox\u00f3ssi.<\/em><\/p>\n<p><em>Na sua Barraca S\u00e3o Jorge, aberto em riso, cercado de objetos rituais, de obis a orob\u00f4s, ele ensinava os mist\u00e9rios da Bahia.<\/em><\/p>\n<p><em>Ainda d\u00e9cada de 60, a Universidade Federal da Bahia criou o curso de l\u00edngua iorub\u00e1 e Camafeu foi um dos primeiros alunos. Foi convidado para ir \u00e0 \u00c1frica, representando a Bahia no Primeiro Festival de Arte Negra do Senegal, junto com Pastinha e outras pessoas. L\u00e1 ele cantou em iorub\u00e1 para Oxum e para Ox\u00f3ssi.<\/em><\/p>\n<p><em>Nos anos 70, Camafeu de Ox\u00f3ssi \u00e9 presenteado pelo ent\u00e3o Prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalh\u00e3es com a constru\u00e7\u00e3o de um restaurante, com o nome hom\u00f4nimo, uma forma de reconhecimento, pela contribui\u00e7\u00e3o de Camafeu de Ox\u00f3ssi a cultura baiana.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje o restaurante \u00e9 ponto tur\u00edstico e serve as mais variadas iguarias da culin\u00e1ria baiana. Ali de frente \u00e0 Baia de Todos os Santos, est\u00e1 impresso em cada prato, em cada ingrediente, nas conversas, nos debates, nas m\u00fasicas veiculadas, no dia a dia, a alma deste que \u00e9 considerado um &#8220;patrim\u00f4nio da baianidade&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>MORREU O HOMEM, NASCEU O MITO <\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Camafeu de Ox\u00f3ssi\u2026 guia das ruas e mist\u00e9rios da cidade do Salvador\u2026 Em meus livros, ele aparece sempre como Camafeu, porque \u00c1pio Patroc\u00ednio da Concei\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe, \u00e9 um apelido que puseram nele quando nasceu&#8221;.\u00a0 Jorge Amado <\/em><\/p>\n<p><em>Combalido h\u00e1 muito tempo, Camafeu foi vencido por uma neoplasia maligna na garganta e faleceu no Hospital Aristides Maltez, aos 78 anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Um ritual religioso marcou no dia 27 de mar\u00e7o de 1994. O sepultamento de uma das figuras mais conhecidas da Bahia: \u00c1pio Patroc\u00ednio da Silva, o Camafeu de Ox\u00f3ssi, foi no Cemit\u00e9rio da Ordem Terceira do S\u00e3o Francisco. E contou com a presen\u00e7a de v\u00e1rios amigos e admiradores daquele que era uma das maiores autoridades do culto afro-brasileiro na Bahia.<\/em><\/p>\n<p><em>Camafeu ficou conhecido n\u00e3o s\u00f3 como propriet\u00e1rio de um dos mais famosos restaurantes de comidas t\u00edpicas da Bahia, localizado no Mercado Modelo, como tamb\u00e9m pelo posto Ob\u00e1 de Xang\u00f4, que ocupava no Terreiro Il\u00ea Axe Op\u00f4 Afonj\u00e1. Era querido pelas principais m\u00e3es-de-santo da Bahia e amigo de Dorival Caymmi, Jorge Amado e Gilberto Gil.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Camafeu, Camafeu, cad\u00ea voc\u00ea? Estou em todo lugar!<br \/>\nS\u00f3 vendendo bugigangas, no mercado popular!<br \/>\nSe o mercado est\u00e1 fechado, \u00e9 no mar que eu vou pescar!<br \/>\nSamba no mar, samba no mar &#8230;<br \/>\nSamba no mar da Bahia &#8230; samba no mar!\u201d (bis) <\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Samba no Mar &#8211; Martinho da Vila&#8221;. <\/em><\/p>\n<p><em><strong>Bibliografia Consultada:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Site Wikip\u00e9dia<\/em><\/p>\n<p><em>Site Youtube<\/em><\/p>\n<p><em>Blog spitituslitterae<\/em><\/p>\n<p><em>Blog do Gutemberg<\/em><\/p>\n<p><em>Blog Capoeiragem Sol Nascente<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retornando ao Grupo Especial, o GRESV Altaneiros do Samba apresentou o enredo que levar\u00e1 para a disputa do Carnaval Virtual 2026. De autoria de\u00a0Cecel Altaneiros, a agremia\u00e7\u00e3o aposta na reedi\u00e7\u00e3o do enredo &#8220;Camafeu de Ox\u00f3ssi, um guia, um mestre e um Ob\u00e1&#8221;, de 2012. Confira a sinopse do enredo: Camafeu de Ox\u00f3ssi, um guia, um<\/p>\n","protected":false},"author":358,"featured_media":54160,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[535,522,13],"tags":[],"class_list":["post-54182","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carnaval-virtual-2026","category-gresv-altaneiros-do-samba","category-grupo-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/358"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54182"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54183,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54182\/revisions\/54183"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}