{"id":54188,"date":"2026-07-20T23:15:58","date_gmt":"2026-07-21T02:15:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=54188"},"modified":"2026-07-20T23:15:58","modified_gmt":"2026-07-21T02:15:58","slug":"primeira-estacao-do-samba-canta-a-santa-da-ponta-dagua-no-carnaval-virtual-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/primeira-estacao-do-samba-canta-a-santa-da-ponta-dagua-no-carnaval-virtual-2026\/","title":{"rendered":"Primeira Esta\u00e7\u00e3o do Samba canta a Santa da Ponta D&#8217;\u00e1gua no Carnaval Virtual 2026"},"content":{"rendered":"<p>15\u00aa colocada na edi\u00e7\u00e3o 2025, o GRESV Primeira Esta\u00e7\u00e3o do Samba apresentou o enredo que disputar\u00e1 o t\u00edtulo de campe\u00e3 do Grupo Especial, do Carnal Virtual.<\/p>\n<p>De autoria de Jo\u00e3o Canavarros, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender o enredo <em>&#8220;A Santa da Ponta D&#8217;\u00e1gua&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Confira a sinopse do enredo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A Santa da Ponta D`\u00c1gua<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>O sert\u00e3o \u00e9, antes de tudo, resist\u00eancia. Quando a seca chega, n\u00e3o chega sozinha traz consigo o sil\u00eancio dos a\u00e7udes vazios, o mugido fraco do gado, o estalo da terra abrindo feridas. O sol n\u00e3o nasce: incendeia. O vento n\u00e3o sopra: arrasta poeira e destino.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cMeu Divino Pai Eterno,<br \/>\nmande chuva pra esse ch\u00e3o,<br \/>\nmolhe a ro\u00e7a do pequeno<br \/>\n<\/em><em>e alivie o cora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Assim rezam as bocas rachadas do povo. Foi num desses tempos de c\u00e9u fechado para a miseric\u00f3rdia que, nas cercanias de Exu, surgiu uma mulher. Ningu\u00e9m soube dizer de onde vinha. Talvez viesse de muitas secas. Talvez carregasse no corpo a soma das retiradas, dos flagelados, das m\u00e3es que atravessaram l\u00e9guas com filhos nos bra\u00e7os e esperan\u00e7a no olhar. Trazia um beb\u00ea, ainda em seus primeiros meses, colado ao peito seco. Caminhava como quem j\u00e1 entregou quase tudo, menos a f\u00e9. Ao avistar o casar\u00e3o nas imedia\u00e7\u00f5es do Genipapo, subiu a escadaria como quem sobe o altar de uma igreja. Bateu \u00e0 porta com os n\u00f3s dos dedos tr\u00eamulos.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_54166\" aria-describedby=\"caption-attachment-54166\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Primeira-Esta\u00e7\u00e3o-do-Samba-2026.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-54166\" src=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Primeira-Esta\u00e7\u00e3o-do-Samba-2026-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Primeira-Esta\u00e7\u00e3o-do-Samba-2026-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Primeira-Esta\u00e7\u00e3o-do-Samba-2026-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Primeira-Esta\u00e7\u00e3o-do-Samba-2026-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Logo-Oficial-GRESV-Primeira-Esta\u00e7\u00e3o-do-Samba-2026.jpg 1620w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-54166\" class=\"wp-caption-text\">Logo oficial do enredo<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u201cPelo amor de Nosso Senhor,<br \/>\nvalei-me Nossa Senhora,<br \/>\n<\/em><em>h\u00e1 tr\u00eas dias n\u00e3o como nada,<br \/>\nsocorrei esta m\u00e3e agora.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Quem atendeu foi o coronel, dono de terras vastas, de gado numeroso, de muitos homens a seu servi\u00e7o. Homem de autoridade, mas n\u00e3o de compaix\u00e3o naquele instante. Ela pediu alimento. Ele ofereceu moedas. O cobre brilhou no sol duro do meio-dia. Mas fome n\u00e3o se mata com metal. Desesperada, ela respondeu que sua fome era de p\u00e3o, n\u00e3o de cobre. A porta se fechou. E o barulho ecoou como senten\u00e7a. A mulher seguiu, com o filho nos bra\u00e7os, rumo a um baixio que reluzia ao longe. Talvez \u00e1gua. Talvez sombra. Talvez milagre.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cS\u00e3o Jos\u00e9, meu padroeiro,<br \/>\nn\u00e3o me deixe padecer.<br \/>\n<\/em><em>Se faltar for\u00e7a no corpo,<br \/>\nque n\u00e3o falte o crer.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Mas o corpo tem limite. A f\u00e9, \u00e0s vezes, \u00e9 maior que a carne. Na localidade conhecida como Ponta D\u2019\u00c1gua, a mulher caiu. O ch\u00e3o quente recebeu seu peso leve. O sopro vital se foi como vento que se dissipa na caatinga. O menino, alheio \u00e0 morte, buscava o seio que j\u00e1 n\u00e3o respondia.<\/em><\/p>\n<p><em>Horas depois, um viajante encontrou a cena. Levou a not\u00edcia ao coronel. Falou da mulher morta. Da crian\u00e7a \u00f3rf\u00e3. Do sert\u00e3o testemunhando mais uma dor.<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00f3 ent\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o do homem estremeceu. Mandou buscar mortalha e rede em Exu. Providenciou o enterro. Cumpriu o ritual que a vida lhe negara. \u00c0 noite, jantou. Dormiu. Mas o sert\u00e3o guarda mist\u00e9rios que n\u00e3o se explicam. Ao amanhecer, diante da porta do casar\u00e3o, estavam dobradas a rede e a mortalha usadas no sepultamento. Sobre elas, as mesmas moedas dadas como esmola. Era\u00a0\u00a0 como\u00a0\u00a0 se\u00a0\u00a0 a\u00a0\u00a0 seca\u00a0\u00a0 tivesse\u00a0\u00a0 devolvido\u00a0\u00a0 a\u00a0\u00a0 resposta. Era como se o invis\u00edvel tivesse falado. O coronel adoeceu dos nervos. Sobre seu fim, o tempo n\u00e3o registrou com clareza. Quanto \u00e0 crian\u00e7a, o destino se perdeu nas veredas da hist\u00f3ria. Mas a mulher, ah! essa o povo n\u00e3o esqueceu. Seu t\u00famulo tornou-se ch\u00e3o de promessa. Vela acesa em noite escura. Ponto de romaria. Gente simples passou a chamar-lhe Santa da Ponta D\u2019\u00c1gua. Dizem que gra\u00e7as foram alcan\u00e7adas. Que doen\u00e7as cessaram. Que chuva caiu ap\u00f3s novena. Que m\u00e3es aflitas encontraram consolo. Ex-votos se acumulam: fotos, fitas, cartas, pequenos objetos deixados em gratid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Porque no sert\u00e3o, quem sofre demais vira intercessor. A hist\u00f3ria daquela mulher n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dela. \u00c9 de todos os nordestinos que enfrentaram a seca com f\u00e9 maior que a fome. \u00c9 das retiradas, dos paus-de-arara, das m\u00e3es que enterraram filhos e dos filhos que enterraram m\u00e3es. \u00c9 da resist\u00eancia de um povo que aprende a plantar esperan\u00e7a em ch\u00e3o rachado. E assim, a f\u00e9 se transforma em prociss\u00e3o. O povo caminha pela estrada de terra. Alguns descal\u00e7os. Outros carregando velas e promessas. H\u00e1 quem puxe bendito:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c\u00d3 M\u00e3e da Ponta D\u2019\u00c1gua,<br \/>\nescutai nossa ora\u00e7\u00e3o,<br \/>\n<\/em><em>v\u00f3s que sofrestes na seca,<br \/>\nsede abrigo e prote\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>O cortejo avan\u00e7a devagar. Poeira sobe sob os p\u00e9s. O sol j\u00e1 n\u00e3o parece t\u00e3o cruel. Porque ali h\u00e1 f\u00e9. Ao longe, o t\u00famulo simples surge entre a vegeta\u00e7\u00e3o rala. Algu\u00e9m chora. Algu\u00e9m agradece. Algu\u00e9m pede chuva. Algu\u00e9m pede cura. E todos entendem que aquela mulher an\u00f4nima se tornou s\u00edmbolo.<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00edmbolo da dor nordestina.<br \/>\nS\u00edmbolo da injusti\u00e7a humana.<br \/>\nS\u00edmbolo da justi\u00e7a divina.<\/em><\/p>\n<p><em>A prociss\u00e3o termina, mas a f\u00e9 continua. Porque no sert\u00e3o, a seca pode castigar o corpo mas jamais consegue matar a esperan\u00e7a. E a Santa da Ponta D\u2019\u00c1gua permanece, como \u00e1gua invis\u00edvel brotando no cora\u00e7\u00e3o do povo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>15\u00aa colocada na edi\u00e7\u00e3o 2025, o GRESV Primeira Esta\u00e7\u00e3o do Samba apresentou o enredo que disputar\u00e1 o t\u00edtulo de campe\u00e3 do Grupo Especial, do Carnal Virtual. De autoria de Jo\u00e3o Canavarros, a agremia\u00e7\u00e3o ir\u00e1 defender o enredo &#8220;A Santa da Ponta D&#8217;\u00e1gua&#8221;. 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