{"id":9414,"date":"2018-03-11T13:52:09","date_gmt":"2018-03-11T16:52:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=9414"},"modified":"2018-03-11T13:52:09","modified_gmt":"2018-03-11T16:52:09","slug":"conheca-o-enredo-do-gresv-morro-do-esplendor-para-o-carnaval-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/conheca-o-enredo-do-gresv-morro-do-esplendor-para-o-carnaval-2018\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o enredo do GRESV Morro do Esplendor para o Carnaval 2018"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">MORRO DO ESPLENDOR<br \/>\nJorge Ben Jor &#8211; O Poeta Urbano e Suburbano<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/16-Morro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9415\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/16-Morro.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"638\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/16-Morro.jpg 960w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/16-Morro-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/16-Morro-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/16-Morro-321x214.jpg 321w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/16-Morro-140x94.jpg 140w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Do sonho que bem mais parece uma realidade de uma t\u00edpica noite de ver\u00e3o carioca, com a lua cheia, morada de S\u00e3o Jorge, brilhante, cintilante, com sua grandeza, mas que beleza! Estamos em fevereiro e tem carnaval. Nessa apoteose, com o poder do algo mais e da alegria, o Morro do Esplendor o aguarda com sua quadra toda iluminada, preparada, com a presen\u00e7a de todos que ali est\u00e3o: os baluartes, compositores, desde os fundadores \u00e0 nova gera\u00e7\u00e3o, passando pelo nosso casal e a bateria, com seu mestre e ritmistas. Ningu\u00e9m queria ficar de fora desse grande encontro. Todos arrumados, como de costume, mas era n\u00edtida no ar uma mistura de ansiedade com puro prazer, o brilho no olhar. N\u00e3o era preciso falar nada, todos o aguardavam com as mesas de toalhas azuis e brancas impec\u00e1veis e o pavilh\u00e3o tremulando ao fundo. Est\u00e1vamos prontos para receber nosso convidado t\u00e3o ilustre.<br \/>\nA conversa j\u00e1 estava bem avan\u00e7ada, apalavrada, mas faltava esse contato humano, o olho no olho, o calor e a sinergia, a troca de energia com a Escola e seu futuro homenageado. Era o que todos esperavam e, j\u00e1 madrugada adentro, todo de branco discreto e silencioso, eis que surge, anunciado com toda honra para os presentes, Jorge Ben Jor! Salve Simpatia! Uma das mais completas e transparentes tradu\u00e7\u00f5es do Brasil, dono de uma sonoridade inconfund\u00edvel, estamos diante do Poeta Alquimista, que \u00e9 a mistura do samba, batuque e swing. \u00c1frica-Brasil. Atravessou todos os movimentos musicais do pa\u00eds: Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicalismo. Construtor de imagens, personagens, melodias que est\u00e3o no imagin\u00e1rio popular; para-raio do sentimento profundo da humanidade, tradutor e criador, cercado de mist\u00e9rio e revela\u00e7\u00e3o. Por onde passa nesse mundo faz amigos e deixa marca, arrasta, movimenta a multid\u00e3o: sabe como ningu\u00e9m animar a festa! Em uma conversa descontra\u00edda, desinibida, sem protocolo ou compromisso, a felicidade \u00e9 contagiante e Jorge vai entrando. Com a uni\u00e3o de seus ancestrais, a for\u00e7a da raiz africana de sua m\u00e3e com a raiz do samba e da malandragem de seu pai, nasce Jorge que diz:<br \/>\n\u201cEu sou mesclado, porque misturo com minha m\u00e3e, a \u00c1frica, e como meu pai, o Rio, Brasil!\u201d &#8211; e j\u00e1 emenda \u2013 \u201cmeu pai e minha m\u00e3e se conheceram na Gafieira Elite, dan\u00e7aram muito na Estudantina tamb\u00e9m. Arrastaram as sand\u00e1lias, arrastaram at\u00e9 gastar, madrugada adentro, at\u00e9 o casamento\u201d &#8211; e d\u00e1 risada. \u2013 \u201cDe meu pai aprendi a malandragem, o lado fil\u00f3sofo e o samba de verdade. Meu pai me levou pela primeira vez, quando menino, no Salgueiro, para sentir de perto o que j\u00e1 ouvia em casa. Foi amor \u00e0 primeira vista, fiquei fascinado! Era uma coisa diferente. Aquilo me deixou assim&#8230; em transe! Meu pai foi compositor, teve gravadas tr\u00eas m\u00fasicas de Carnaval. Sempre tive m\u00fasica boa em casa. Atrav\u00e9s da minha m\u00e3e fui presenteado com a for\u00e7a e a cultura negra bruta africana, e com muita m\u00fasica et\u00edope de sua terra, muito batuque. Eu era crian\u00e7a e ouvia esse som. Eles falavam numa l\u00edngua que eu n\u00e3o entendia e um batuque que mexia comigo. Isso foi misturando tudo.\u201d<br \/>\nJorge \u00e9 raiz, \u00e9 mistura transformada em originalidade. Tem o estilo \u00fanico, \u00e9 original. Jorge continua nos contando momentos de sua vida e obra que se faz misturar, que se entrela\u00e7a, nos dando uma aula de simplicidade, alegria e simpatia, e um futuro otimista!<br \/>\nA velha guarda j\u00e1 o esperava. Jorge reverencia e \u00e9 reverenciado, momentos que entram pra eternidade. A bateria se anima e com a pura cad\u00eancia come\u00e7a a batucar. Euf\u00f3rico, Jorge cantarola e se acomoda para uma livre prosa, tomado pela felicidade que ali todos sentiam. Continua.<br \/>\n\u201cA cegonha me deixou em Madureira de presente para minha m\u00e3e, Silvia Lenheira. Terra boa de gente trabalhadeira, nasci no ber\u00e7o do samba e de l\u00e1 fui pra o Rio Cumprido, bairro simp\u00e1tico e popular. Sou crist\u00e3o, cat\u00f3lico e carioca. S\u00f3 n\u00e3o sou romano porque nasci no Rio de Janeiro e tamb\u00e9m carrego minha f\u00e9 nos orix\u00e1s, essa \u00e9 a m\u00edstica. Salve Ogum! Eu, desde os treze anos, fiz semin\u00e1rio menor. Tinha aulas de canto, teclado e \u00f3rg\u00e3o. Isso tudo misturou com o que eu ouvia fora, desde o samba, rock,m\u00fasica afro e brasileira.<br \/>\nComecei a fazer minhas letras na escola. Eu sempre escrevi muito. Mod\u00e9stia \u00e0 parte, eu sempre fui bom. Escrevia grandes reda\u00e7\u00f5es, escrevia coisas que eu gostava e a\u00ed, depois, eu passei a cantarolar essas coisas todas. Quase fui jogador de futebol; joguei no infanto-juvenil do Flamengo. O futebol era bom, mas eu tinha que correr pra trabalhar, estudar e ajudar a pagar as contas. L\u00e1 n\u00e3o ganhava nada, n\u00e3o era remunerado. At\u00e9 que apareceu a m\u00fasica. Ganhei meu primeiro pandeiro aos quatorze anos de idade. Participava como tocador de pandeiro nos blocos de carnaval. Aos dezoito, ganhei meu primeiro viol\u00e3o de minha m\u00e3e e comecei a me apresentar em festas e boates, tocando Bossa Nova e Rock and Roll. Fui parar no Beco das Garrafas; frequentava o Beco aos domingos, tocando com os m\u00fasicos da mais alta qualidade, j\u00e1 famosos. A gente come\u00e7ava \u00e0s cinco da tarde e ia at\u00e9 meia-noite. Foi nesse palco que cantei meu primeiro sucesso MAIS QUE NADA. J\u00e1 foi uma mistura, n\u00e9? Este samba que \u00e9 misto de maracatu.\u201d<br \/>\nO Morro n\u00e3o se segura e come\u00e7a a cantarolar: \u201c\u00f4 \u00f4\u00f4\u00f4\u00f4 ari\u00e1 raio, oba, oba, oba.\u201d Parecia at\u00e9 ensaiado. Jorge vem junto, canta e diz:<br \/>\n\u201c\u00c9 dessa magn\u00e9tica que estou falando. Gosto de cantar, compor e escrever do que amo: samba, carnaval, o meu Salgueiro, futebol&#8230; o Maracan\u00e3 foi palco de muitas de minhas inspira\u00e7\u00f5es. o circo, ah o circo! Foi sempre presente na minha vida. Era minha maior divers\u00e3o, sempre gostei, principalmente dos palha\u00e7os e daquela magia toda. Fui a todos os circos no Rio de Janeiro. Tamb\u00e9m escrevi sobre as mulheres, claro! Tenho minhas musas inspiradoras: Lorraine, Denize, Berenice s\u00e3o musas mesmo. Existem de verdade. Mas minha Maria, Dom\u00eanica, Dumingaz ou simplesmente Tereza sabe que ela \u00e9 \u00fanica, ela \u00e9 muito companheira. Eu sou Fla Fla ela \u00e9 Me Me e nos entendemos muito bem! Sempre sei por onde anda minha Tereza\u201d. Com esse seu jeito contagiante, Jorge, em estado puro, prossegue: \u201cPelo sangue que carrego e minha identifica\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica, componho de maneira natural m\u00fasicas com personagens negros, sendo cantadas de maneira bela, forte e singela. Uma coisa que gratifica. Em Zumbi, falo de maneira forte, mas nem por isso desprovida de beleza. Essa for\u00e7a negra me inspira. Can\u00e7\u00f5es como XICA DA SILVA, UMBABARAUMA, personagens negros que marcaram a hist\u00f3ria cotidiana ou mundial, foram compostas com esse sentimento.<\/p>\n<p>Me considero um arquimista, que \u00e9 aquele que estuda, que sabe como acontecem as coisas, admirador da alquimia. Isso, musicalmente, tem sido muito bom. Essa espirituosidade na hora de compor, aquela tenacidade, sagacidade, perseveran\u00e7a. Os livros de alquimia me ensinaram isso. O pr\u00f3prio Nicolas Flamel me inspirou: alquimista fant\u00e1stico, meu muso, o namorado da vi\u00fava que evita qualquer rela\u00e7\u00e3o com pessoas de temperamento s\u00f3rdido. Traz com ele agricultura celeste, onde a planta \u00e9 semeada e colhida de acordo com o Sol, a Lua e as estrelas, numa \u00e9poca tal, e com essas plantas curava-se as pessoas. E vieram os deuses astronautas, de outras gal\u00e1xias.<br \/>\nDeles n\u00f3s herdamos uma heran\u00e7a c\u00f3smica quase infinita. Essas s\u00e3o filosofias fascinantes. Canto e conto historias sobre deuses, pr\u00edncipes, gente da gente,que me orgulha, que me faz evoluir. Mas, \u00e0s vezes eu penso: \u2018P\u00f4, n\u00e3o pode ser muito intelectual, tem que misturar. Minha m\u00fasica \u00e9 urbana e suburbana Procuro fazer um \u2018Som Universal\u2019\u2019\u2019.<br \/>\nFiz muito sucesso l\u00e1 fora, isso \u00e9 algo legal que regozija. Dos Estados Unidos ao Jap\u00e3o, conheci o mundo cantando. Em um festival na \u00c1frica do Sul fui o \u00fanico artista fora do continente a estar presente. \u00c9 de emocionar! Ter minhas can\u00e7\u00f5es gravadas por artista de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, de todas as correntes musicais, \u00e9 um grande reconhecimento, que alimenta, impulsiona.<\/p>\n<p>Nesse caminho n\u00e3o estou sozinho: sou bandleader, toquei a vida inteira com gente de primeira. Meus primeiros discos foram gravados com um conjunto que tocava jazz, o Meireles e os Copa 5. Tive a companhia do ,Admiral Jorge V, Trio Mocoto, e o conjunto que est\u00e1 comigo desde 75, a Banda do Z\u00e9 Pretinho.<br \/>\nMinhas m\u00fasicas tamb\u00e9m t\u00eam protesto e houve muita censura, mas protesto tem que ter, n\u00e3o d\u00e1 pra ver o erro diante dos nossos olhos e ficar calado. Minha m\u00fasica pode soar triste, mas ela sempre tem um final feliz. Sempre proponho isso. A gente tem que falar que tristeza existe, mas ela pode acabar e virar felicidade. \u00c9 isso que acredito para o nosso pa\u00eds tropical, o no nosso Patropi, aben\u00e7oado por Deus e bonito por natureza. Tenho f\u00e9 que chegaremos l\u00e1.\u201d<br \/>\nSanta Clara clareou o dia e o Morro que, de p\u00e9, aplaude com profunda admira\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o e respeito o sim de Jorge Ben Jor! Os fogos anunciam a confirma\u00e7\u00e3o do enredo, que nada mais \u00e9 que a tradu\u00e7\u00e3o dessa admira\u00e7\u00e3o em forma de uma grande homenagem no desfile na avenida virtual, com o fio condutor dessa rica mescla, miscigena\u00e7\u00e3o incandescente da vida e obra de Jorge Ben Jor que se define \u201cO Poeta Urbano e Suburbano\u201d. Entre aplausos e l\u00e1grimas de emo\u00e7\u00e3o, Jorge abra\u00e7a um a um que se faz presente na quadra, desejando ao Morro do Esplendor um excelente carnaval!<br \/>\nJorge fecha:<br \/>\n\u201cEstou contente, mas ainda tenho muito caminho para percorrer. Estou sempre ouvindo tudo para ver o que est\u00e1 acontecendo, para n\u00e3o ficar estacionado. Tem arte que s\u00f3 serve para mostrar seu ego. Eu quero uma arte com poesia, alegria, harmonia, energia e simpatia&#8221;.<\/p>\n<p>Jorge se vai, mas n\u00e3o sem antes de pedir a ben\u00e7\u00e3o para a imagem de s\u00e3o Jorge no altar do Morro, e em baixa voz diz:<br \/>\n\u201cEu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge \u201c.<br \/>\nImbat\u00edvel ao extremo, assim \u00e9 Jorge. Viva Jorge! Salve Jorge!<br \/>\nA fam\u00edlia agradece. Salve, simpatia!<\/p>\n<p>Sinopse desenvolvida por Rodrigo Said<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MORRO DO ESPLENDOR Jorge Ben Jor &#8211; O Poeta Urbano e Suburbano Do sonho que bem mais parece uma realidade de uma t\u00edpica noite de ver\u00e3o carioca, com a lua cheia, morada de S\u00e3o Jorge, brilhante, cintilante, com sua grandeza, mas que beleza! Estamos em fevereiro e tem carnaval. 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