{"id":9462,"date":"2018-03-11T19:18:58","date_gmt":"2018-03-11T22:18:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=9462"},"modified":"2018-03-11T19:18:58","modified_gmt":"2018-03-11T22:18:58","slug":"conheca-o-enredo-do-gresv-independentes-para-o-carnaval-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/conheca-o-enredo-do-gresv-independentes-para-o-carnaval-2018\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o enredo do GRESV Independentes para o Carnaval 2018"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">INDEPENDENTES<br \/>\nNAMINSKY &#8211; OBI ALAGBARA, OBI OMARAN<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/WhatsApp-Image-2018-03-11-at-15.50.28.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9463 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/WhatsApp-Image-2018-03-11-at-15.50.28.jpeg\" alt=\"\" width=\"763\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/WhatsApp-Image-2018-03-11-at-15.50.28.jpeg 763w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/WhatsApp-Image-2018-03-11-at-15.50.28-238x300.jpeg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 763px) 100vw, 763px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cNaminsky, Ob\u00ed Alagbara, Ob\u00ed Omaran<\/p>\n<p>O resgate da mem\u00f3ria: \u00e9 preciso lembrar!<br \/>\nO ano era 1917. O endere\u00e7o: rua Visconde de Ita\u00fana 117, Pra\u00e7a Onze. Regi\u00e3o que na \u00e9poca era conhecida como Pequena \u00c1frica. Era uma daquelas festas que varavam noites. A anfitri\u00e3 se chamava Hil\u00e1ria Batista de Almeida. As festas celebravam os orix\u00e1s, mas tamb\u00e9m temas e ritmos do mundo. H\u00e1relatos de que Hil\u00e1ria, Tia Ciata para os \u00edntimos, adorava uma roda de partido alto e que se destacava na dan\u00e7a do miudinho, uma forma de sambar de p\u00e9s juntos. Freq\u00fcentavam sua casa grandes g\u00eanios da Pequena \u00c1frica: Donga, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, Jo\u00e3o da Baiana, Sinh\u00f4, Mario de Almeida e outros de igual talento. Mas sim&#8230;As mulheres tinham grande destaque nessas festan\u00e7as. Elas eram chamadas de tias. E estavam por l\u00e1 Tia Am\u00e9lia(m\u00e3e de Donga), Tia Veridiana( m\u00e3e de Chico da baiana), Tia Prisciliana (m\u00e3e de Jo\u00e3o da Baiana)&#8230; E as tias,donas dos lugares de mem\u00f3ria, dos lugares de afeto, come\u00e7aram a contar hist\u00f3rias de suas ancestrais. Hist\u00f3rias de mulheres negras que resistiram \u00e0s chagas da escravid\u00e3o e que constru\u00edram zonas de fuga para a liberdade. E ao contarem e cantarem suas vidas de luta trouxeram a tona biografias escondidas pela hist\u00f3ria do homem branco! E lembraram nomes como: Aqualtune, Dandara dos Palmares, Eva Maria do Bonsucesso, Luisa Mahin, Na Angotime, Tereza de Benguela&#8230;<br \/>\nFoi uma epifania on\u00edrica&#8230; Hist\u00f3rias sendo relembradas nas rodas de conversas e samba. E diz a historiografia que foi l\u00e1 naquele ano de 1917 que surgiu o primeiro samba&#8230; Mas sabemos, aqui para n\u00f3s, que ali foram bordadas narrativas infinitas da liberdade&#8230;<br \/>\nNas festas eram formados c\u00edrculos e as tias contavam para as crian\u00e7as as hist\u00f3rias das hero\u00ednas de pele negra. Tia Ciata com sua voz firme e de tom professoral lembrava das grandes guerreiras do passado:<br \/>\n&#8211; Agora quero contar a hist\u00f3ria das grandiosas Dandara dos Palmares e Aqualtune. Foram duas bravas negras quilombolas que viveram na mesma \u00e9poca no quilombo dos Palmares! Dandara foi casada com Zumbi dos Palmares, lutava capoeira e jamais renunciou a liberdade. Esteve a frente de um ex\u00e9rcito de 10 mil homens. Preferiu \u201cse matar\u201d a voltar a ser escrava&#8230;<br \/>\nE logo a hist\u00f3ria, na festa, viraria m\u00fasica:<br \/>\nPorque tinha bem certeira<br \/>\nUma baita opini\u00e3o:<br \/>\nLiberdade para poucos<br \/>\nN\u00e3o conforta o cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nO quilombo que existia<br \/>\nPara todos lutaria<br \/>\nSem abrir uma exce\u00e7\u00e3o<br \/>\nTia Ciata falaria da guerreira negra, gr\u00e1vida e escravizada Aqualtune. As crian\u00e7as adoraram a sonoridade singular de seu nome&#8230; A gr\u00e1vida Aqualtune daria luz, j\u00e1 livre nos Palmares, a Ganga Zumba, importante nos v\u00e1rios mocambos do quilombo da liberdade.<br \/>\nTia Viridiana muito s\u00e1bia das hist\u00f3rias da Bahia relatou as sagas de Maria Felipa e Luisa Mahin:<br \/>\n&#8211; Seus guris agitados, vim a voc\u00eas contar, a hist\u00f3ria de Maria Felipa! Foi ela respons\u00e1vel pela nossa independ\u00eancia, mesmo n\u00e3o bradando o Ipiranga. Vivia nas terras da Bahia, na ilha de Itaparica e de l\u00e1 expulsou os portugueses exploradores. Tem tamb\u00e9m a Luisa, escrava alforriada que sabia ler e escrever, lutou na Sabinada e tamb\u00e9m ao lado dos Mal\u00eas. Nunca sucumbiu a escravid\u00e3o, pois a liberdade era a sua voca\u00e7\u00e3o!<br \/>\nE nossas hero\u00ednas negras da Bahia, ganhariam versos sonoros tamb\u00e9m:<br \/>\nGostaria que Luisa<br \/>\nFosse muito mais lembrada<br \/>\nNas escolas brasileiras<br \/>\nFosse sempre ali citada<br \/>\n\u00c9 por isso que lutamos<br \/>\nPra que seja memorada<br \/>\nTia Am\u00e9lia muito festeira e boa quituteira,conhecia v\u00e1rias hist\u00f3rias de valentes mulheres negras. Trouxe as crian\u00e7as hist\u00f3rias de mais 3 de nossas hero\u00ednas:<br \/>\n&#8211; Quem de voc\u00eas conhece a hist\u00f3ria da primeira \u201cfessorinha\u201d negra como eu, da hist\u00f3ria do Brasil? O nome dela \u00e9 Maria Firmina dos Reis. Guerreira firme resiliente escreveu belos livros contra a escravid\u00e3o. Foi tamb\u00e9m a primeira escritora negra da hist\u00f3ria do Brasil. E Mariana Crioula aqui de Paty dos Alferes voc\u00eas j\u00e1 ouviram falar? Organizou a maior revolta contra a escravid\u00e3o do nosso Rio de Janeiro. Eva Maria do Bonsucesso, tamb\u00e9m do Rio de Janeiro,foi a primeira a vencer na justi\u00e7a um senhor branco. Teve grandeza de enfrentar uma justi\u00e7a que s\u00f3 se faz para os ricos.<br \/>\nEm ritmo de modinha, j\u00e1 que tia Am\u00e9lia era grande cantora, ecoou os seguintes versos:<br \/>\nCom humilde gratid\u00e3o<br \/>\nQuero aqui enaltecer<br \/>\nA Firmina escritora<br \/>\nEm que eu consigo ver<br \/>\nUma negra corajosa<br \/>\nPra me fortalecer<br \/>\nE foi tia Prisciliana quem nos trouxe as hist\u00f3rias de tr\u00eas rainhas negras que nessas terras resistiram:<br \/>\n&#8211; Agora quero lhes falar sobre a negra Esperan\u00e7a que uma carta escreveu ao presidente da prov\u00edncia do Piau\u00ed, relando os maus tratos e torturas a gente negra do Brasil. Encheu-nos de esperan\u00e7a a Esperan\u00e7a. Teve a negra rainha quilombola do Mato Grosso tamb\u00e9m&#8230; Fez seu quilombo prosperar e os homens brancos invejar. Seu nome era Tereza de Benguela. Outra rainha que temos que lembrar \u00e9 Na Angotim\u00e9, que princesa veio de l\u00e1, mas aqui tornou-se rainha. Rainha do Querenbet\u00e3 de Zomadonu.<br \/>\nMuitas daquelas crian\u00e7as nunca tinham ouvido falar das NAMINSKY do Brasil, por isso \u00e9 preciso lembrar:<br \/>\nOh, Tereza de Benguela!<br \/>\nNosso espelho ancestral<br \/>\nSua alma ainda vive<br \/>\nE entre n\u00f3s \u00e9 maioral<br \/>\nN\u00f3s honramos sua luta<br \/>\nSua for\u00e7a atemporal!<br \/>\nTodos enriquecidos com aquelas mem\u00f3rias viveram a mais feliz das festas de suas vidas! Acreditamos n\u00f3s da Independentes que era carnaval! Que outra folia seria t\u00e3o fenomenal? Daqui de 2017 demos um nome a tal encantadora festa: NAMINSKY, OBI ALAGBARA, OBI OMOR\u00c3N. Ax\u00e9, salvem as guerreiras negras, hero\u00ednas do Brasil!<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria, a mem\u00f3ria e a resist\u00eancia!<br \/>\nA institui\u00e7\u00e3o mais cruel a sangrar nosso solo e Hist\u00f3ria foi a escravid\u00e3o. Cerca de 5,5 milh\u00f5es de negros foram trazidos da \u00c1frica para o Brasil, durante mais de 350 anos de escravid\u00e3o. Essa institui\u00e7\u00e3o permanece como macula do passado em nosso presente. Hoje ela se transverte no racismo, marca t\u00e3o feia que cismamos em ainda carregar.<br \/>\nA historiografia tem usado in\u00fameras p\u00e1ginas para descrever as dores que ela causava aos corpos, mentes e almas dos negros escravizados. Negros que foram transformados em \u201ccoisas\u201d. N\u00e3o existia humanidade na maneira que o olhar branco senhorial via o negro. O negro al\u00e9m de ser visto como coisa, era trocado como. Seu corpo foi enquadrado na l\u00f3gica capitalista que se expandiu pelo mundo a partir do s\u00e9culo XVI.<br \/>\nOs corpos negros estavam submetidos a sofrimentos impens\u00e1veis. Pessoas eram retiradas d\u00b4\u00c1frica e de sua vida local. Todo um sistema de solidariedade e de pertencimento \u00e9tnico era rompido. Os negros chegava aos navios, na costa ocidental da \u00c1frica, acorrentados. Quase sempre n\u00e3o falavam a mesma l\u00edngua dos homens acorrentados aos seus lados. Essa despersonaliza\u00e7\u00e3o contribu\u00eda com os desejos dos brancos.<br \/>\nNos navios tumbeiros os negros tinham diante de si uma odiss\u00e9ia de horrores. Eram dispostos como mercadorias j\u00e1 que aos empreiteiros do com\u00e9rcio d\u00b4almas interessava transportar o maior n\u00famero poss\u00edvel de negros. J\u00e1 no s\u00e9culo XVIII foram constru\u00eddos tumbeiros de 3 andares. No primeiro inferior ficavam os jovens meninos, rapazes e homens adultos, eram eles que moviam os remos dos navios, sujeitos as intemp\u00e9ries do Mar Oceano(Atl\u00e2ntico) ; no andar intermedi\u00e1rio ficaram as mulheres; no andar superior ficavam as gr\u00e1vidas e as crian\u00e7as menores. Os negros aprisionados viajavam sentados em filas paralelas, cada um com a cabe\u00e7a apoiada sobre o corpo de quem estava \u00e0 frente. E gra\u00e7as \u00e0 superlota\u00e7\u00e3o mais as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene, a cada viagem havia um gigantesco n\u00famero de morte dos passageiros.Da\u00ed o nome \u201ctumbeiro\u201d que se remete a tumba, sendo os navios enormes tumbas que sangravam o Atl\u00e2ntico.<br \/>\nA viagem desses e dessas guerreiras rumo \u00e0 Am\u00e9rica foi detalhadamente retratada pela literatura abolicionista. Vejamos um trecho do c\u00e9lebre \u201cNavio Negreiro\u201d de Castro Alves:<br \/>\nNo entanto o capit\u00e3o manda a manobra<br \/>\nE ap\u00f3s, fitando o c\u00e9u que se desdobra<br \/>\nT\u00e3o puro sobre o mar,<br \/>\nDiz do fumo entre os densos nevoeiros:<br \/>\n\u201cVibrai rijo o chicote, marinheiros!<br \/>\nFazei-os mais dan\u00e7ar!\u2026\u201d<br \/>\nE ri-se a orquestra ir\u00f4nica, estridente\u2026<br \/>\nE da roda fant\u00e1stica a serpente<br \/>\nFaz doudas espirais\u2026<br \/>\nQual n\u2019um sonho dantesco as sombras voam!\u2026<br \/>\nGritos, ais, maldi\u00e7\u00f5es, preces ressoam!<br \/>\nE ri-se Satan\u00e1s!\u2026<br \/>\nNo Brasil, os que chegavam vivos eram vendidos nos mercados d\u00b4almas. Mais uma vez separados- o que garantia que eles n\u00e3o forjassem la\u00e7os de resist\u00eancia. Mas o mito da aceita\u00e7\u00e3o passiva da escravid\u00e3o n\u00e3o sobrevive a um olhar mais atento. H\u00e1 registros de estrat\u00e9gias de resist\u00eancia desde o s\u00e9culo XVII.<br \/>\nOs quilombos eram locais de resist\u00eancia, zonas de fuga, zonas da liberdade! Foi no mais famoso deles, o Quilombo dos Palmares, que viveram, lutaram e resistiram bravamente duas de nossas hero\u00ednas aqui reverenciadas: Dandara dos Palmares e Aqualtune.<br \/>\n\u201cNaminsky\u201d \u00e9 uma express\u00e3o ioruba para mulheres (ob\u00ed) resilientes, guerreiras, que lutam com afinco por justi\u00e7a e liberdade. As palavras em ioruba n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 palavras, s\u00e3o cheias de significados desse e de outros mundos( o mundo terreno, o ancestral e o futuro). \u201cNaminsky, Ob\u00ed Alagbara, Ob\u00ed Omaran&#8221; ( Traduzindo: \u201cGuerreiras, Mulheres Resistentes, Mulheres Fortes\u201d \u00e9 um enredo sobre mulheres&#8230; Sobre negras mulheres&#8230; Negras mulheres que nunca se deixaram escravizar porque suas almas eram altivas e livres! Nossas &#8220;Obi&#8221; s\u00e3o guerreiras e combateram a institui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica mais perversa que j\u00e1 existiu em nosso pa\u00eds: a escravid\u00e3o. Al\u00e9m da tentativa de escraviz\u00e1-las nossas negras mulheres foram submetidas ao esquecimento dos livros de hist\u00f3ria. Seguindo nossa verve independente e livre, a Independentes vem hoje nos falar de nossas dez \u201cnaminsky\u201d: as duas guerreiras do quilombo mais ic\u00f4nico do Brasil(Palmares): Dandara e Aqualtune; as duas guerreiras que eram princesas em \u00c1frica: N\u00e1 Agotime e Tereza de Benguela; as duas hero\u00ednas da Bahia: Luisa Mahin e Maria Felipa; As duas bravas da capital do Imp\u00e9rio brasileiro(Rio de Janeiro): Eva Maria do Bonsucesso e Mariana Crioula; Nossa primeira romancista e professora negra do Brasil: Maria Firmina dos Reis e a altiva Esperan\u00e7a Garcia, nossa hero\u00edna negra que lutou bravamente contra a escravid\u00e3o no Piau\u00ed.<\/p>\n<p>Em Palmares viveram duas de nossas hero\u00ednas: Aqualtune e Dandara. A primeira era, em \u00c1frica, filha do rei do Congo. Foi tamb\u00e9m uma grande guerreira e estrategista e liderou um ex\u00e9rcito de 10 mil homens para combater a invas\u00e3o de seu reino(Congo) no ano de 1675. Sua derrota gerou sua escravid\u00e3o! Foi vendida e enviada ao Brasil como escrava reprodutora. Sistematicamente estuprada Aqualtune organizou uma fuga e a estrutura\u00e7\u00e3o do quilombo mais famoso da hist\u00f3ria do Brasil: Palmares. Aqualtune foi m\u00e3e de tr\u00eas expoentes de Palmares: Ganga Zumba, Gana e Sabina( m\u00e3e de Zumbi). M\u00e3e, av\u00f3, ancestral maior dos Palmares,a brava Aqualtune deve ser sempre lembrada!<br \/>\nDandara foi esposa de Zumbi com quem teve tr\u00eas filhos. Ela e seu esposo recusaram aceitar um acordo que Ganga Zumba(tio de Zumbi) assinou com o governo de Pernambuco. Recusando a ser de novo escravizada Dandara cometeu suic\u00eddio em 1694, jogando-se de uma pedreira.<\/p>\n<p>Bravas Esperan\u00e7a Garcia, Maria Felipa e Luisa Mahin. Esperan\u00e7a Garcia foi uma escrava alfabetizada de forma ilegal pelos jesu\u00edtas no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XVIII. Os jesu\u00edtas seriam expulsos de Portugal e de seu Imp\u00e9rio global pelo Marqu\u00eas de Pombal. Garcia viveria com seus filhos e marido na Fazenda dos Algod\u00f5es em Nazar\u00e9 do Piau\u00ed. Indignada com os castigos que sofria do feitor da fazenda- ela, seus filhos e os escravos locais- Esperan\u00e7a redige uma carta de den\u00fancia dos maus tratos ao presidente da Prov\u00edncia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Piau\u00ed. Essa carta \u00e9 um dos documentos mais importantes que refletem a resist\u00eancia negra aos males da escravid\u00e3o.<br \/>\nMaria Felipa nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Era descendente de negros escravizados oriundos do Sud\u00e3o. Vivia como pescadora e marisqueira. Durante o processo de independ\u00eancia do Brasil, a Bahia foi a prov\u00edncia que teve mais dificuldades de se tornar independente. L\u00e1, os portugueses, resistiram com afinco e houve uma guerra civil. Maria Felipa lideraria um grupo de 200 pessoas, entre \u00edndios, mulheres e escravos, que causaram derrotas expressivas aos portugueses. O mais famoso epis\u00f3dio foi a Guerra de Itaparica na qual Felipa e seus comandados queimaram 40 navios inimigos, imprimindo uma importante derrota aos ex colonizadores.<br \/>\nLu\u00edsa Mahin ,da Costa da Mina, foi vendida como escrava e enviada ao Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Em 1812 Lu\u00edsa foi alforriada. Lu\u00edsa era praticante da religi\u00e3o isl\u00e2mica e desde \u00c1frica alfabetizada. Tinha excelentes m\u00e3os para a cozinha. Depois de alforriada ganharia a vida como quituteira, vendendo suas del\u00edcias nas ruas de Salvador. Nos seus doces, Lu\u00edsa repassava bilhetes que articulavam revoltas escravas e conspira\u00e7\u00f5es contra esse terr\u00edvel mal. Lu\u00edsa foi uma importante l\u00edder da ic\u00f4nica Revolta dos Mal\u00eas em 1835. Liderou tamb\u00e9m a Sabinada em 1837. Nossa naminsky era m\u00e3e de Lu\u00eds Gama, negro abolicionista e um dos poetas mais importantes oponentes da escravid\u00e3o. Os mal\u00eas, durante a revolta, gritavam nas ruas de Salvador: \u201cLu\u00edsa rainha da Bahia. Salve Lu\u00edsa!\u201d. Perseguida Lu\u00edsa Mahin fugiria para o Rio de janeiro, aonde foi presa. Paira uma d\u00favida sobre seu destino: dizem os historiadores que ou teria sido exilada em Angola ou teria fugido para o maranh\u00e3o, aonde fundou o tambor de crioula.<\/p>\n<p>Rainhas Na Angotim\u00e9 e Tereza de Benguela. Na Angotim\u00e9, ou Agotime, foi uma das esposas do rei Agonglo, do poderoso reino de Daom\u00e9. O sanguin\u00e1rio filho mais velho de Agonglo, Adandozan, desejava assumir o trono e afastar toda possibilidade de rivais chegarem a ele. Ap\u00f3s consulta aos deuses, ficou decidido que Ghezo, filho de Agotime, assumiria o trono ap\u00f3s a morte de Agonglo. Isso gerou a f\u00faria de Adandozan. Em 1797 falece Agonglo e inicia-se uma guerra sucess\u00f3ria. Adandozan vende Agotime como escrava e ordena que seu nome seja mudado para que ningu\u00e9m jamais a encontrasse. Agotime \u00e9 rebatizada como Maria Jesu\u00edna e enviada ao Brasil. Agotime consegue comprar sua liberdade e fundou o Querenbet\u00e3 de Zomadonu, conhecido como Casa das Minas.Ap\u00f3s anos de guerra sucess\u00f3ria em Daom\u00e9 Ghezo vence o tio Adandozan e envia ao Brasil uma miss\u00e3o de resgate de Agotime, mas nunca a encontrou.<br \/>\nTereza de Benguela foi rainha em \u00c1frica. Ap\u00f3s uma guerra local foi escravizada e enviada para o Brasil. Tereza organiza junto ao seu esposo ,Jos\u00e9 Piolho, a constru\u00e7\u00e3o do mais famoso quilombo do Centro Oeste: Quilombo do Quaritir\u00ea, no Mato Grosso. Ela comandava toda a administra\u00e7\u00e3o do Quilombo e tamb\u00e9m seu ex\u00e9rcito. No Quaritir\u00ea os quilombolas plantavam algod\u00e3o, dominavam o uso da forja e comercializavam tecidos, armas e alimentos excedentes. O quilombo reunia \u00edndios e negros fugidos do dom\u00ednio branco. Em 1770 o quilombo seria destru\u00eddo. Tereza foi rebatizada rainha no Quaritir\u00ea. Em sua homenagem o dia 25 de julho foi institu\u00eddo Dia Nacional de Tereza de Benguela e de todas as mulheres negras!<\/p>\n<p>Aguerridas Eva Maria do Bonsucesso e Mariana Crioula; Traremos tamb\u00e9m a hist\u00f3ria gigante de Maria Firmina dos Reis. Firmina foi a primeira romancista negra do Brasil. Seu macrotema era o combate \u00e0 escravid\u00e3o. Como lembra-nos a escritora negra africana Chimamanda \u00e9 necess\u00e1rio recusar os perigos de s\u00f3 se contar uma hist\u00f3ria sobre os negros: como escravos, sofredores e necessitados de tudo! \u00c9 necess\u00e1rio contar tamb\u00e9m suas vit\u00f3rias, a beleza de sua cultura, seus atos her\u00f3icos no mundo! Firmina foi uma dessas mulheres!<br \/>\nEva Maria do Bonsucesso vivia no Rio de Janeiro no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Alforriada trabalhava como quitandeira em feiras no bairro de Bonsucesso. Em 1811 montou seu tabuleiro numa cal\u00e7ada, quando uma cabra tangida por um escravo levou uma penca de bananas e um ma\u00e7o de couves. Eva correu atr\u00e1s da cabra, quando deparou com o dono do animal, Jos\u00e9 In\u00e1cio de Sousa. O senhor branco, irritado, a esbofeteou. Eva revidou a agress\u00e3o. A querela foi parar na justi\u00e7a. Contando com v\u00e1rias testemunhas Eva Maria venceu o caso na justi\u00e7a.Jos\u00e9 In\u00e1cio passou um m\u00eas preso e como pagamento da pena teve que alforriar tr\u00eas de seus escravos. Foi a primeira mulher negra, pobre, ex escrava a ganhar uma querela na justi\u00e7a contra um homem branco e senhor de escravos.<br \/>\nMariana Crioula foi escrava no Rio de Janeiro e em Paty do Alfares- RJ. Era escrava de confian\u00e7a e trabalhava como costureira e mucama. Em 1838 Mariana lideraria a maior revolta de escravos do Rio de Janeiro. Casada com Manuel Congo, Mariana e o marido reuniram cerca de 300 escravos de 6 fazendas da regi\u00e3o e formaram o quilombo do Congo. Manuel e Mariana foram aclamados como rei e rainha do Quilombo. Em 1839 o Quilombo foi destru\u00eddo e os negros sobreviventes capturados. Mariana foi absolvida a pedido da sua senhora, mas assistiu ao enforcamento de seu companheiro Manuel Congo. Ela deixaria sua hist\u00f3ria de luta e coragem registrada de uma forma bem peculiar: passou a produzir tapetes e pinturas nos quais contava a hist\u00f3ria de Manuel Congo e da luta heroica pela liberdade em Paty do Alferes.<br \/>\nAl\u00e9m de ser a primeira romancista negra do Brasil, Maria Firmina dos Reis foi tamb\u00e9m a primeira professora negra concursada de nossa hist\u00f3ria. Seu romance \u00darsula escrito em 1864 criticava duramente a escravid\u00e3o. Firmina concluiu que para que suas ideias fossem levadas adiante era necess\u00e1rio educar as crian\u00e7as pobres. Aposentada em 1880, fundou uma escola para educa\u00e7\u00e3o de meninos e meninas no povoado de Ma\u00e7aric\u00f3 no Maranh\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o de meninas causaria verdadeiros arrepios na elite branca e machista da \u00e9poca! Sua escola seria fechada em 1888 pelos motivos expressos. Sua literatura de luta e seu projeto pedag\u00f3gico libertador nos s\u00e3o exemplo at\u00e9 hoje! Seguimos suas letras como exemplos da resist\u00eancia!<\/p>\n<p>Justificar o que?<br \/>\nMulheres Guerreiras, insubmissas \u00e0s crueldades da escravid\u00e3o. Esse \u00e9 o enredo da Independentes! Mulheres escondidas dos livros de Hist\u00f3ria, mem\u00f3rias apagadas de bravas biografias. Mulheres que historicamente foram duplamente reprimidas: primeiro por serem mulheres num mundo historicamente de homens; segundo por serem al\u00e9m de mulheres, negras. Dupla exclus\u00e3o! Todas elas, hoje, t\u00eam nomes! T\u00eam seus nomes lembrados como protagonistas da Hist\u00f3ria do Brasil! Hoje a Independentes as concede, em homenagem, suas certid\u00f5es de batismo nos autos da mem\u00f3ria da Hist\u00f3ria com &#8220;H&#8221; mai\u00fasculo. &#8220;Agoy\u00ea&#8221;, o mundo deve o perd\u00e3o a quem lutou pelo Brasil, pela liberdade e pela justi\u00e7a!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INDEPENDENTES NAMINSKY &#8211; OBI ALAGBARA, OBI OMARAN \u201cNaminsky, Ob\u00ed Alagbara, Ob\u00ed Omaran O resgate da mem\u00f3ria: \u00e9 preciso lembrar! O ano era 1917. O endere\u00e7o: rua Visconde de Ita\u00fana 117, Pra\u00e7a Onze. Regi\u00e3o que na \u00e9poca era conhecida como Pequena \u00c1frica. Era uma daquelas festas que varavam noites. 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