{"id":9770,"date":"2018-03-19T03:05:14","date_gmt":"2018-03-19T06:05:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=9770"},"modified":"2018-03-19T03:05:14","modified_gmt":"2018-03-19T06:05:14","slug":"conheca-o-enredo-do-grpcscvjcb-caboclinho-verde-para-o-carnaval-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/conheca-o-enredo-do-grpcscvjcb-caboclinho-verde-para-o-carnaval-2018\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o enredo do GRPCSCVJCB Caboclinho Verde para o Carnaval 2018"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">CABOCLINHO VERDE<br \/>\nCANNABIS: UMA CABOCLINHO ALUCIN\u00d3GENA<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/29315218_1602989486464759_3770809474311258112_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9771 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/29315218_1602989486464759_3770809474311258112_n.jpg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/29315218_1602989486464759_3770809474311258112_n.jpg 378w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/29315218_1602989486464759_3770809474311258112_n-250x300.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 378px) 100vw, 378px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 noite de festa na floresta, toda tribo se prepara para uma importante celebra\u00e7\u00e3o. O grande paj\u00e9 adentra a relva para colher as sagradas ervas que ser\u00e3o utilizadas nos rituais da noite. Por\u00e9m, em meio \u00e0 mata, avistou um caboclo, esp\u00edrito guardi\u00e3o da floresta, que entregou uma planta ao paj\u00e9 e ordena a ele que queime e fume, com a tribo, no pito durante a festa. O paj\u00e9 jamais havia visto planta semelhante. Curioso e intrigado com o presente, retorna a aldeia e come\u00e7a o preparo.<\/p>\n<p>O fumo est\u00e1 pronto para ser queimado, a tribo se re\u00fane em polvorosa na ocara. O paj\u00e9 &#8220;acende, puxa, prende e passa&#8221;, todos queriam provar da grande novidade. &#8220;\u00cdndio quer cachimbo, \u00edndio quer fazer fuma\u00e7a&#8221;. Um por um, a tribo inteira entra na brisa, a maresia se espalhava pela floresta. O paj\u00e9 ficou doid\u00e3o, o cacique entrou na &#8220;n\u00f3ia&#8221;, curumim fica morgado. Iiiiiiiiihhhh&#8230;&#8221;deu onda&#8221;&#8230;\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0&#8220;Que po**a \u00e9 essa&#8221;, gritou um \u00edndio.\u00a0&#8220;Mas que viagem&#8221;&#8230; gritou um outro.<\/p>\n<p>Na verdade, era apenas o come\u00e7o da viagem&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sinopse:<\/strong><\/p>\n<p>Todo mundo via de tudo, mas ningu\u00e9m entendia nada. Que erva \u00e9 essa que deixou todo mundo doid\u00e3o?<\/p>\n<p>Foi pra l\u00e1 de Bagd\u00e1, entre montanhas do Himalaia e as long\u00ednquas plan\u00edcies do Paquist\u00e3o, que a misteriosa planta germinou primeiro, foi por volta de 8000 A.C., que os povos primitivos da regi\u00e3o resolveram enrolar a seda e apertar o baseado, descobrindo assim as propriedades m\u00e1gicas da erva.<\/p>\n<p>N\u00e3o demora muito at\u00e9 a brisa se espalhar por todo o oriente. Na China virou neg\u00f3cio, passou a circular intensamente nas rotas comerciais. Na \u00cdndia, era a d\u00e1diva dos deuses e reza a lenda que Shiva, em seu exaustivo recluso nos campos, encontrou abrigo em baixo de uma planta. Com fome e desgastado, a divindade comeu algumas folhas, elas o fortaleceram tanto que as tornou o\u00a0Bhang\u00a0seu alimento favorito. Entre devotos da divindade, o bhang \u00e9 a purifica\u00e7\u00e3o da alma e comunh\u00e3o com Shiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com os bedu\u00ednos, atravessou desertos e chegou ao continente negro. A \u00c1frica entrou na onda, ganhou novo nome e n\u00e3o demorou at\u00e9 a &#8220;diamba&#8221; criar ra\u00edzes por l\u00e1. A erva se popularizou entre festas e rituais religiosos. Com a chegada do europeu invasor, os filhos da \u00c1frica veem suas sinas serem forjadas atrav\u00e9s da escravid\u00e3o, e entre tenebrosas travessias nos tumbeiros a planta cruzou o atl\u00e2ntico, escondida na barra da saia das negras quibundos, aportou em solo Tupiniquim.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 dor e sofrimento da labuta, os negros plantaram a esperan\u00e7a, semeando a erva nos canaviais. A planta foi rebatizada, seja no fumo de Angola ou no pito de pango, os filhos da \u00c1frica veem na planta a heran\u00e7a de seus ancestrais . N\u00e3o demorou muito at\u00e9 a novidade trazida das bandas de Angola se espalhar pelas senzalas do Brasil, a erva revitalizava a carne marcada pelo a\u00e7oite e alimentava a alma, na espera da t\u00e3o sonhada liberdade. Chegou aos terreiros e nos candombl\u00e9s passou a acender a conex\u00e3o com o divino.\u00a0Nos batukes e manifesta\u00e7\u00f5es culturais que come\u00e7avam a ecoar pelos quatro quantos do pa\u00eds a planta colocava ritmo as dan\u00e7as, libertava o corpo e estimulava selvagens movimentos, movimentos esses, que outrora ecoavam do outro lado do atl\u00e2ntico. Os olhos negros, antes vermelhos pelas l\u00e1grimas derramadas, se encontravam agora ainda mais vermelhos, por\u00e9m, deles\u00a0 j\u00e1 n\u00e3o escorriam mais l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anos mais tarde, a erva passou a ser perseguida. Com ela, o samba, o batuke, e a capoeira. Era o in\u00edcio de uma era de repress\u00f5es \u00e0s ra\u00edzes do povo negro, e no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, foi editada no Brasil, \u00e0 primeira lei no mundo contra o baseado.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX se iniciava e a repress\u00e3o transcendia fronteiras. Por todo o continente americano se fortalecia a segrega\u00e7\u00e3o racial. A mistura entre culturas latinas e caribenhas, fundida com as matizes africanas, fez a erva se popularizar cada vez mais entre as etnias mais pobres da Am\u00e9rica, alcan\u00e7ando os EUA, que entram na &#8220;n\u00f3ia&#8221; e iniciavam a pol\u00edtica de &#8220;guerra \u00e0s drogas&#8221;. O objetivo era acabar de uma vez com a erva no continente. Era um per\u00edodo de guerra e terror contra as popula\u00e7\u00f5es marginalizadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paralelamente, uma movimento embasado na paz e toler\u00e2ncia come\u00e7ava a nascer em uma ilha na altura Am\u00e9rica central, guiado pela luz de Jah, o movimento rastaf\u00e1ri florescia na Jamaica, a erva logo se popularizou entre seu seguidores. Ap\u00f3s tanto tempo demonizado, o baseado tornou-se novamente sagrado. Nas cerim\u00f4nias rastas trazia a ilumina\u00e7\u00e3o para mente, colocava o homem em contato com o divino, a erva tornava-se um s\u00edmbolo de liberdade. E na luta pela liberdade uma voz se destacava, Bob Marley, um jovem jamaicano ultrapassava as barreiras da ilha e espalhava a brisa pelo mundo, com Reggae e muita erva, Bob resgatou e renovou as ra\u00edzes de seus ancestrais, mostrando ao planeta que s\u00f3 a toler\u00e2ncia e o respeito podem construir um mundo melhor.<\/p>\n<p>Esse mundo come\u00e7ava a ser constru\u00eddo, 1960, era o in\u00edcio de uma nova era para o baseado, em um per\u00edodo conturbado pela amea\u00e7a da guerra fria, um grupo de pacifistas norte americanos come\u00e7ava a contagiar o mundo com seu discurso de &#8220;paz e amor&#8221;, nascia o fen\u00f4meno Hippie, a onda do baseado se alastrava como febre entre os jovens. Atr\u00e1s da brisa, chega tamb\u00e9m a galera do rock, jovens revoltados e contagiados por um ritmo fren\u00e9tico, levantavam fuma\u00e7a e clamavam por &#8220;sexo, drogas e rock&#8217;roll&#8221;. O que antes era um h\u00e1bito restrito aos guetos marginalizados, agora tomava conta dos parques a c\u00e9u aberto dos grandes centros urbanos, apertar um baseado, tornava-se um ato transgressor de liberdade, um protesto aos valores de uma sociedade incoerente e hip\u00f3crita.<\/p>\n<p>A fuma\u00e7a levantada pelos transgressores foi tanta, que chegou ao Brasil. Os ventos da contracultura espalharam a brisa pelo pa\u00eds, ao som da vanguarda tropicalista, os Mutantes derrubavam cometas e os &#8220;baurets&#8221; de Tim Mia caiam no gosto da mo\u00e7ada. Mesmo em meio a repress\u00e3o e a censura do regime militar, era poss\u00edvel escutar pelas ruas os berros da juventude revolucion\u00e1ria&#8230; &#8220;\u00c9 PROIBIDO PROIBIR&#8221;!!!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas proibiram&#8230; Os anos se passaram, a tal proibi\u00e7\u00e3o se enraizou e hoje deu suporte a maior guerra j\u00e1 travada no pa\u00eds,\u00a0a guerra do tr\u00e1fico transforma cidades em campos de batalha, e s\u00e3o os exclu\u00eddos e marginalizados as principais v\u00edtimas do caos, pelas periferias e favelas se instaura o medo e a inseguran\u00e7a, diariamente vidas inocentes sucumbem \u00e0 balas perdidas e achadas, e em meio a tanta dor e sofrimento, uma pergunta paira no ar &#8230;<\/p>\n<p>-ser\u00e1 que algum dia essa guerra vai acabar???<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 esperan\u00e7a, a ci\u00eancia avan\u00e7a rumo a um novo tempo, aquilo que nossos ancestrais j\u00e1 conheciam no passado come\u00e7a a ser comprovado, a erva injustamente culpada pela morte de milhares de pessoas em uma guerra sem fim, \u00e9 a mesma que agora tem o poder de curar in\u00fameras doen\u00e7as e salvar vidas. O mundo passa a olhar a erva de uma forma diferente, v\u00e1rios pa\u00edses come\u00e7am constatar o potencial econ\u00f4mico da planta, o baseado come\u00e7a a ser legalizado. Portugal, Espanha, Colorado, e at\u00e9 nossos hermanos uruguaios j\u00e1 entenderam a parada, o baseado legalizado, torna-se o maior aliado na luta contra o tr\u00e1fico de drogas. Milhares de brasileiros passam a sair pelas ruas em suas marchas da maconha, reunidos em prol de um \u00fanico ideal, na luta contra a guerra e pela liberdade, j\u00e1 entenderam que o melhor rem\u00e9dio \u00e9 &#8220;o cachimbo da paz&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso na floresta, a tribo tamb\u00e9m come\u00e7a a se mobilizar&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A indiarada gostou tanto da onda, que tamb\u00e9m resolveu se manifestar o protesto vai come\u00e7ar, uma marcha atravessa a mata, cruza a cidade e invade a avenida, a noite de festa que come\u00e7ou na floresta, encontra sua apoteose no maior espet\u00e1culo da terra. Embrazando a alegria, o caboclo comanda a tribo, a indiarada unida faz a massa delirar, e da primeira \u00e0 ultima arquibancada um grito se faz ecoar &#8221; &#8220;LEGALIZA J\u00c1, LEGALIZA J\u00c1&#8221; . No batuke e na euforia a farra dura a noite inteira, mas o dia vem raiando, a brisa vai indo embora, e vai batendo aquela larica, que sempre vem no final da onda, e quando ela chega, \u00e9 dif\u00edcil de matar, a tribo t\u00e1 com fome, o caboclo t\u00e1 sedento, sedento pelo t\u00edtulo.<br \/>\nEssa larica, \u00e9 vontade de vencer&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Autor:\u00a0<\/strong>Ariel Portes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CABOCLINHO VERDE CANNABIS: UMA CABOCLINHO ALUCIN\u00d3GENA Introdu\u00e7\u00e3o: \u00c9 noite de festa na floresta, toda tribo se prepara para uma importante celebra\u00e7\u00e3o. O grande paj\u00e9 adentra a relva para colher as sagradas ervas que ser\u00e3o utilizadas nos rituais da noite. 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