{"id":9887,"date":"2018-05-07T21:10:00","date_gmt":"2018-05-08T00:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=9887"},"modified":"2018-05-07T21:10:00","modified_gmt":"2018-05-08T00:10:00","slug":"conheca-o-enredo-do-gresv-malandros-para-o-carnaval-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/conheca-o-enredo-do-gresv-malandros-para-o-carnaval-2018\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o enredo do GRESV Malandros para o Carnaval 2018"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">MALANDROS<br \/>\nMADAME SAT\u00c3 APRESENTA A LAPA BO\u00caMIA<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/MALANDROS2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9888 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/MALANDROS2.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"806\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ah&#8230; Velha Lapa&#8230;<\/p>\n<p>Das serestas, cabar\u00e9s e festas emolduradas pelos lampi\u00f5es a g\u00e1s&#8230; Ah, Velha Lapa, quantas saudades nos traz&#8230; Recanto de belezas e encantos, dos malandros e artistas, das mundanas que conquistam. Da boemia, seu costume principal.<\/p>\n<p>Lapa do prazer, da mistura das cores e ra\u00e7as. Terra do gingado e da alegria. Lapa dos v\u00edcios, pecados e paix\u00f5es. Das virtudes, encantos e amores. Da boemia desenfreada, de malandragem e dos sambistas, dos desordeiros perigosos. Dos bares e caf\u00e9s, cabar\u00e9s e cassinos. Onde convivem diferentes tipos cariocas. A pr\u00f3pria imagem do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A Lapa bo\u00eamia come\u00e7a a surgir no fim da d\u00e9cada de 1910, com apogeu nos anos 30. \u00c9 a terra da dualidade. Ela n\u00e3o \u00e9 boa nem m\u00e1, mas sim boa e m\u00e1. Os bo\u00eamios est\u00e3o entre a ingenuidade e a criminalidade. Um estilo de vida duplo e perigoso.<\/p>\n<p>E entre malandros, meretrizes, m\u00fasicos, intelectuais, vedetes, gar\u00e7ons e outras figuras que comp\u00f5em o elenco deste bairro, quem nos leva para conhec\u00ea-lo \u00e9 Jo\u00e3o Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Sat\u00e3.<\/p>\n<p>Negro, homossexual, pobre e marginalizado. Jo\u00e3o trabalhou como travesti no teatro para se tornar artista, mas n\u00e3o deixou de lado a malandragem e ganhou o nome de Madame Sat\u00e3. Falar da Lapa \u00e9 falar de Madame Sat\u00e3. O bairro fez parte de sua trajet\u00f3ria desde sua chegada de Pernambuco. Quem melhor para nos mostrar a lapa bo\u00eamia?<\/p>\n<p>E l\u00e1 vamos n\u00f3s com o malandro Sat\u00e3, que come\u00e7a nos tornando familiares \u00e0s diversas figuras que frequentam o bairro.<\/p>\n<p>A Lapa foi marcada pelo misto de homens e mulheres, trabalhando ou se divertindo, o que lhe garantiu o seu tom peculiar. Para tra\u00e7ar o seu perfil, \u00e9 necess\u00e1rio imaginar a sua vida noturna notavelmente bo\u00eamia. A atmosfera humana era descrita como fascinante, e a muitos visitantes agradava ficar a observar, entre uma cerveja e outra, a rotina dos not\u00edvagos e bo\u00eamios, marinheiros, letrados, prostitutas e, sobretudo, da malandragem.<\/p>\n<p>Ah, a malandragem! Madame Sat\u00e3 nos apresenta a seus colegas malandros. Colegas, porque o respeito entre os malandros n\u00e3o quer dizer amizade. Afinal, n\u00e3o se pode confiar. Malandro de verdade \u00e9 aquele que acompanha as serenatas, frequenta os botequins e n\u00e3o corre de briga, nem contra a pol\u00edcia. \u00c9 aquele que imp\u00f5e respeito e medo. E n\u00e3o entrega o outro. sempre a sua navalha, a \u201cpastorinha\u201d.<\/p>\n<p>Imortalizado nos textos e na m\u00fasica. Estigmatizados e perseguidos pela pol\u00edcia. A figura do malandro na lapa se torna um mito. Sempre vestido com aprumo, com seu chap\u00e9u panam\u00e1. Viviam na gafieira, nas rodas de samba ou na capoeira. Para sustentar seu estilo de vida, as vezes serviam de Le\u00f5es de ch\u00e1cara nos cabar\u00e9s e pens\u00f5es. Mas a vida bo\u00eamia n\u00e3o se alia ao trabalho. \u201cTrabalhar? Trabalhar pra qu\u00ea? Se eu trabalhar eu vou morrer\u201d. E assim seguimos pelos becos sob a luz da lua.<\/p>\n<p>Ao lado dos seus colegas malandros, Sat\u00e3 nos leva para conhecer o roteiro dos mais famosos estabelecimentos da Lapa: Os cabar\u00e9s.<\/p>\n<p>Os bares e cabar\u00e9s tomaram o lugar dos clubes refinados da Lapa do in\u00edcio do s\u00e9culo. Estas casas eram simples, mas sempre estavam cheias. Lares da divers\u00e3o barata, onde se misturavam os malandros, os intelectuais e mesmo os curiosos, fascinados pelos tipos caricatos que frequentavam o lugar.<\/p>\n<p>Somos recebidos pelo cabaretier, figura de eleg\u00e2ncia \u00edmpar em seu smoking surrado, que se encarrega rapidamente de apresentar o show e animar o ambiente como apenas uma pessoa estafada da exaustiva rotina poderia fazer. Chegam as deslumbrantes dan\u00e7arinas, mulheres belas e escolhidas a dedo, alguns poderiam dizer. Em seu show, elas iluminam a noite, sem jamais deixarem transparecer o sofrimento de quem ganha a vida em um trabalho cansativo na madrugada.<\/p>\n<p>Por fim, Sat\u00e3 e os malandros nos levam a conhecer o som da malandragem que embala as gafieiras. Vamos conhecer o samba que cresceu na lapa.<\/p>\n<p>A Lapa \u00e9 ponto de encontro para a composi\u00e7\u00e3o e troca de sambas. Re\u00fanem-se os compositores nos caf\u00e9s e esquinas, com vista para os arcos. As letras de samba s\u00e3o document\u00e1rios falados e cantados do cotidiano e, se os morros representam a raiz do sambista, o asfalto representa seu estilo de vida. O samba \u00e9 taxado de coisa de preto e de pobre. Tal como a Lapa. Talvez por isso que eles sempre tenham se dado t\u00e3o bem. Assim, o bairro se torna sua fonte de inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma grande roda, encontramos Noel, Geraldo, Ismael, Nelson, Herivelto e Benedito. Juntam-se Sat\u00e3 e os demais malandros a batucar e festejar. Wilson Batista come\u00e7a a cantar \u201cFoi na Lapa que eu nasci \/ Foi na Lapa que eu aprendi a ler \/ Foi na lapa que eu cresci \/ e na Lapa eu quero morrer\u201d. O samba ecoa pelas vielas madrugada adentro. Madame Sat\u00e3, ent\u00e3o coloca o salto alto e, travestido, come\u00e7a a sambar, respondendo aos olhares tortos com um sarc\u00e1stico \u201cEu gosto de homem, mas sou macho!\u201d<\/p>\n<p>A GRESV Malandros sa\u00fada a velha lapa bo\u00eamia! Salve a Lapa de Sat\u00e3, que permanece viva em nossa mem\u00f3ria e em nosso carnaval!<\/p>\n<p>\u201cEnquanto eu for vivo, a Lapa n\u00e3o morrer\u00e1!\u201d, assim disse Sat\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIA<\/p>\n<p>VELASQUES, M.C.C. <strong>A Lapa Bo\u00eamia: um Estudo da Identidade Carioca. <\/strong>Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria Social). Faculdade de Hist\u00f3ria. Universidade Federal Fluminense. 129p. 1994.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MALANDROS MADAME SAT\u00c3 APRESENTA A LAPA BO\u00caMIA Ah&#8230; Velha Lapa&#8230; Das serestas, cabar\u00e9s e festas emolduradas pelos lampi\u00f5es a g\u00e1s&#8230; Ah, Velha Lapa, quantas saudades nos traz&#8230; Recanto de belezas e encantos, dos malandros e artistas, das mundanas que conquistam. Da boemia, seu costume principal. Lapa do prazer, da mistura das cores e ra\u00e7as. 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