{"id":9891,"date":"2018-05-15T17:11:22","date_gmt":"2018-05-15T20:11:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/?p=9891"},"modified":"2018-05-15T17:11:22","modified_gmt":"2018-05-15T20:11:22","slug":"conheca-o-enredo-do-gresv-ungidas-para-o-carnaval-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/conheca-o-enredo-do-gresv-ungidas-para-o-carnaval-2018\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o enredo do GRESV Ungidas para o Carnaval 2018"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>GRESV UNGIDAS<br \/>\nMARCHA DA CONSCI\u00caNCIA BRANCA: E SE FOSSE COM VOC\u00ca?<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Pavilh\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9892 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Pavilh\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Pavilh\u00e3o-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Pavilh\u00e3o-160x160.jpg 160w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Pavilh\u00e3o-240x240.jpg 240w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Pavilh\u00e3o-60x60.jpg 60w, https:\/\/www.carnavalvirtual.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Pavilh\u00e3o-184x184.jpg 184w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Era o come\u00e7o de novos tempos. Na pr\u00f3spera e desenvolvida \u00c1frica, os Reinos de Ketu, Ashanti, J\u00eaje, Nag\u00f4, Songhay e Angola se fundiram formando o Reino Unido Afro-ancestral.<\/p>\n<p>Um imp\u00e9rio poderoso que, depois de descobrir que havia rotas mar\u00edtimas para as \u00cdndias, havia tamb\u00e9m uma terra \u201cinexplorada\u201d para al\u00e9m-oceano.<\/p>\n<p>Essa terra era justamente Pindorama.<\/p>\n<p>E quando os navegantes africanos, liderados por Aboubakari V, chegaram no novo continente e l\u00e1 acharam um espa\u00e7o para impor uma col\u00f4nia<\/p>\n<p>Os nativos de Pindorama, os Tupi-Guarany, n\u00e3o gostaram da invas\u00e3o de suas terras, por\u00e9m pouco puderam fazer frente o poderio dos navegadores.<\/p>\n<p>E assim, de Terra de S\u00e3o Rams\u00e9s para Negril, o nome da terra que tardiamente viraria uma refer\u00eancia na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>De S\u00e3o Rams\u00e9s para Negril, de Negril\u00a0 para Brasil, e, com um restante de escravid\u00e3o ind\u00edgena, houve o ciclo do Pau-Brasil.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a insubmiss\u00e3o e a alta mortalidade dos nativos praticamente os dizimaram, e os africanos precisavam de povos servis para trabalharem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, a miser\u00e1vel Europa, mergulhada ainda na Idade M\u00e9dia, entre tantas guerras feudais de semi-reinos, milhares de prisioneiros e prisioneiras s\u00e3o vendidos como escravos para os africanos.<\/p>\n<p>E come\u00e7aram a vir para as vilas brasileiras, diretamente de Portugal, Espanha, Fran\u00e7a, Holanda, Inglaterra, Alemanha, B\u00e9lgica e It\u00e1lia, entre outras na\u00e7\u00f5es menores, brancos para serem vendidos como mercadoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os navios que traziam esses escravos, chamados de navios-branqueiros, e conhecidos pela total insalubridade, foram batizados de mausoleiros.<\/p>\n<p>E assim, os pobres brancos, despidos de suas identidades, de suas nacionalidades, direitos, liberdades, incapazes de lutarem pelas suas vidas, s\u00e3o legados a regimes torturantes<\/p>\n<p>Alem\u00e3o? Franc\u00eas? Portugu\u00eas? \u00c9 tudo branco! Tudo queijo azedo! Peludos, descoloridos, enrugados e fracos! Que diferen\u00e7a faz? N\u00e3o aguentam meia hora de sol sem definhar! N\u00e3o s\u00e3o dignos como os africanos!<\/p>\n<p>E essas crendices de Messias que morreu e tr\u00eas dias depois ressuscitou? Balela! Tem que banir esse tipo de feiti\u00e7aria primitiva! Nas terras brasileiras s\u00f3 se pratica as verdadeiras palavras divinas dos esp\u00edritos ancestrais naturais, e o Islamismo e o Juda\u00edsmo s\u00e3o tolerados. O restante \u00e9 do dem\u00f4nio!<\/p>\n<p>E assim, o cristianismo foi completamente suprimido.<\/p>\n<p>Os brancos foram despidos de tudo. Dignidade, identidade, nacionalidade, nome e at\u00e9 mesmo de suas cren\u00e7as.<\/p>\n<p>Como honrar seus ancestrais Henry, Manoel, Pablo, Richard, Sigmund, Giordano, se agora eram obrigados a usar nomes africanos como Akin, Amir, Daren, Faraji, Malik, Talib? E as matriarcas\u00a0 que antes carregavam nomes nobres como Beatriz, Alice, Isabella, Chloe, Hannah, Alessandra,\u00a0 foram rebatizadas como Anaya, Ashia, \u00a0Jamila, Latifa, Makeda, N\u00fabia? Nomes europeus eram desonrosos para uma terra onde os oris\u00e0s, voduns, inkissis e a luz de Allah passaram a ser t\u00e3o sagrados.<\/p>\n<p>Sem absolutamente nada para fazerem, restou aos escravos europeus cultivarem a cana de a\u00e7\u00facar em Pernambuco, no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Xang\u00f4.<\/p>\n<p>Com o ciclo do a\u00e7\u00facar acabando, a descoberta do ouro nas Minas Gerais e das pedras preciosas em Goi\u00e1s e Mato Grosso intensificou ainda mais o tr\u00e1fico branqueiro, com milh\u00f5es de europeus saindo de suas terras nas condi\u00e7\u00f5es mais degradantes de transporte, para terem condi\u00e7\u00f5es ainda piores de tratamento em ambientes completamente desprovidos de humanidade. Morriam tanto quanto chegavam novos, em um ciclo vicioso impressionante.<\/p>\n<p>Do sangue branco, surgiu o Barroco Brasileiro, em terreiros suntuosos cultuando Orix\u00e1s, Voduns, Nkissis e Egunguns, bem como mesquitas extremamente luxuosas entalhadas em ouro iluminaram as cidades de Ouro Preto, Oxal\u00e1 Salvador e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O Ouro esgotou, e da Abiss\u00ednia veio o gr\u00e3o-caf\u00e9 para alimentar os cofres do Reino Afro-ancestral. Os brancos sa\u00edram das minas e voltaram para as lavouras, colherem, peneirarem, secarem e moerem toneladas de gr\u00e3os de um ouro t\u00e3o negro e t\u00e3o poderoso quanto os suseranos coloniais.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 300 anos de coloniza\u00e7\u00e3o, o ciclo do ouro se esgotando e guerras assolando o territ\u00f3rio africano, quando o Imp\u00e9rio Afro-ancestral acabou sendo invadido pelos \u00e1rabes, a fam\u00edlia real africana chegou no Brasil, fugindo da guerra.<\/p>\n<p>O Ob\u00e1 Sang\u00f2 VI chegou com sua esposa, Y\u00e1 Makeda, e o filho Abiodun na cidade de S\u00e3o Od\u00e9 do Rio de Janeiro. Decidido a transformar a incipiente cidade em uma capital digna de um Imp\u00e9rio africano, Ob\u00e0 Sang\u00f2 promove diversas melhorias urban\u00edsticas na cidade. Os brancos passam a ser tratado com menos tirania, e os brancos-forros come\u00e7am a virar uma realidade.<\/p>\n<p>Com isso, o Reino Unido Afro-Ancestral passa a ser Reino Unido Afro-Brasileiro.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a derrota dos \u00e1rabes pelos Et\u00edopes, Eg\u00edpcios, Sudaneses e Berberes, Ob\u00e1 Sang\u00f2 deixa seu filho para governar o Brasil. Por\u00e9m, Abiodun resolve dar ao Brasil a independ\u00eancia da \u00c1frica: nas margens do Rio Ipiranga, com um ex\u00e9rcito de brancos no front, o Brasil se torna o Imp\u00e9rio Brasileiro.<\/p>\n<p>A nova na\u00e7\u00e3o decidiu intensificar sua fama de \u201cceleiro do mundo\u201d.\u00a0 Mas, com as guerras civis do per\u00edodo Regencial, quando Abiodun abdica do trono, Abiodun II assume ainda adolescente e resolve repensar algumas quest\u00f5es escravocratas.<\/p>\n<p>Primeiro a lei Amen\u00f3fis IV, pro\u00edbe o tr\u00e1fico branqueiro no Brasil. A lei do Ikun Livre dava aos brancos o direito de nascerem sem a condi\u00e7\u00e3o de escravos. Por fim, a Princesa Nayra assinou a Lei Esc\u00farea, que abolia de vez a escravid\u00e3o europeia.<\/p>\n<p>Com o fim da Monarquia, todas as evolu\u00e7\u00f5es em prol da liberdade dos brancos europeus estariam em xeque. Ap\u00f3s o golpe militar que gerou a proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, as oligarquias come\u00e7aram a tra\u00e7ar a perpetua\u00e7\u00e3o do abismo social entre os negros, dominantes da sociedade, e os brancos, agora libertos.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, o Cristianismo passou a ser tolerado, por\u00e9m continuou sendo extremamente perseguido. M\u00fasicas comuns das periferias brancas, corti\u00e7os e favelas, como a Polca, a Valsa e a \u00d3pera eram estritamente proibidos. Serestas? Serenatas? Coisa de vagabundo! Vadiar n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o em um pa\u00eds que anseia no crescimento!<\/p>\n<p>Quando o Brasil caminhava para uma diminui\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, os coron\u00e9is oligarcas n\u00e3o aceitaram a reforma agr\u00e1ria promovida pelo presidente Jo\u00e3o Elegib\u00f4. O mesmo foi deposto e foi instaurado uma ditadura militar no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nos 20 anos de ditadura, os 800 negros de classe m\u00e9dia e alta viraram not\u00edcia de seus desaparecimentos ou mortes. Mas as dezenas de milhares de brancos perif\u00e9ricos que foram cruelmente torturados e mortos jamais foi sequer contabilizada.<\/p>\n<p>As favelas cresceram vertiginosamente, juntamente com a desigualdade social. Quem era a suprema maioria dos miser\u00e1veis? Sim! Os brancos!<\/p>\n<p>E os brancos, marginalizados, come\u00e7aram a impor seus estilos paralelos. O ballet, a \u00f3pera e a MPB passaram a ser apreciados pelos negros, sempre tentando dar um jeito de se apropriarem culturalmente, gourmetizarem os estilos e tirar o protagonismo dos brancos.<\/p>\n<p>O Rock ent\u00e3o era duramente marginalizado. Um estilo cheio de m\u00fasicas que exaltavam sexo, drogas, viol\u00eancia, entupiam as madrugadas das favelas das grandes cidades.<\/p>\n<p>E, mesmo com a toler\u00e2ncia ao Catolicismo, o Protestantismo continuou sendo absolutamente perseguido.\u00a0 Era extremamente comum ver uma Assembleia de Deus, uma Igreja Universal ou uma Igreja Batista sendo depredada, queimada e vandalizada em nome de Olorum.<\/p>\n<p>E quando o congresso sancionou a lei anti-racismo? Os discursos mudaram muito, n\u00e9?<\/p>\n<p>Os negros n\u00e3o aceitaram muito bem a proibi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o poderem mais chamar brancos de leite azedo, palmit\u00e3o, urso polar, neanderthal, sem serem punidos. \u201cNada contra os brancos. Tenho at\u00e9 amigos que s\u00e3o. Mas n\u00e3o vou aceitar minha filha casando com esse desbotado\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo nos dias de hoje, com as leis, as milit\u00e2ncias e as insistentes iniciativas das comiss\u00f5es dos direitos humanos, o abismo entre os negros opressores e os brancos oprimidos \u00e9 imenso<\/p>\n<p>Precisou da aprova\u00e7\u00e3o de um sistema de cotas para brancos nas universidades. 78% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria \u00e9 branca, assim como 94% da popula\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel. Apenas 5% dos brancos fazem parte da elite brasileira, e somente 11% dos brancos est\u00e3o em cargos legislativos e executivos.<\/p>\n<p>Quando isso vai muda?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Pois \u00e9, queridas pessoas. Tudo que voc\u00eas leram at\u00e9 o presente momento n\u00e3o passa de uma f\u00e1bula de psicologia do absurdo.\u00a0 POR\u00c9M, se voc\u00eas inverterem as palavras negro com branco, voc\u00eas estar\u00e3o de cara com a realidade horrenda da hist\u00f3ria do Brasil. O mesmo vale para as manifesta\u00e7\u00f5es culturais de origem europeia em contrapartida com as de origem africana no Brasil.<\/p>\n<p>O abismo racial no Brasil \u00e9 uma realidade t\u00e3o inacredit\u00e1vel, que toda essa f\u00e1bula escrita n\u00e3o conta metade dos absurdos que pessoas negras passam todos os dias desde quando o primeiro navio negreiro chegou ao Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta \u201cn\u00e3o ser racista\u201d. \u00c9 essencial ser ANTI-RACISTA.<\/p>\n<p>Em homenagem a todas as pessoas negras que, na base de muito sangue, suor, l\u00e1grimas e sofrimento, conseguiram deixar legados riqu\u00edssimos essenciais para a identidade brasileira, a Ungidas exige de todos que leram esse t\u00edtulo e n\u00e3o seja uma pessoa negra, reflitam profundamente: E SE FOSSE COM VOC\u00ca?<\/p>\n<p>Marielle Franco. Presente!<\/p>\n<p>Eduardo Tann\u00fas, Murilo Polato e Rafael de Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GRESV UNGIDAS MARCHA DA CONSCI\u00caNCIA BRANCA: E SE FOSSE COM VOC\u00ca? Era o come\u00e7o de novos tempos. Na pr\u00f3spera e desenvolvida \u00c1frica, os Reinos de Ketu, Ashanti, J\u00eaje, Nag\u00f4, Songhay e Angola se fundiram formando o Reino Unido Afro-ancestral. 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