Sankofa cantará festa dos Pretos-Velhos no Carnaval Virtual 2026
Desfilando pelo Grupo de Acesso I, o GRESV Sankofa apresentou o enredo que levará para a disputa da edição de 2026 do Carnaval Virtual. De autoria de Vivian Pereira e Guilherme Niegro, a agremiação irá defender o enredo “Uma Festa no Sertão”. Confira abaixo a sinopse oficial: Uma Festa no Sertão Sou Sankofa. Sou o pássaro do tempo. Não sigo em linha reta. Meu caminho é espiral. Volto para trás para recolher a memória e então sigo rumo ao horizonte. Porque antes de tudo é preciso lembrar: Esta história vem de uma terra não tão distante. No tempo em que tudo começou, este lugar era chamado de Sertão. Assim se conhecia a vasta região rural que hoje compõe a Zona Oeste carioca — território de mato, rios e fazendas espalhadas entre vales e montanhas. Estradas de barro, roças abertas no braço e trilhos de trem guiavam quem chegava para recomeçar. Desço em Inhoaíba. Chão batido. Mato vivo. Terra de caminhos abertos. Chamaram de campo ruim porque nunca souberam escutar a terra. Mas a terra sabe. E o meu povo também. Antes do progresso, laranjais. Antes da praça, encruzilhada. E é nas encruzilhadas da história que a memória aprende a caminhar. SETOR 2 Camélia branca no peito. Pano alvo, renda, lenço e carijó. A liberdade não foi presente. Ergueu-se passo a passo. Quando o Brasil marcou o 13 de maio, este chão respondeu diferente. Não se festeja decreto. A lei disse: acabou. Mas o corpo sabia: a luta continua. Celebra-se quem resistiu. Castro Alves fez do verso um grito. André Rebouças sonhou caminhos para um país que não quis enxergar seu povo retinto. E com eles caminharam os que não estão nos livros: os sem nome, os que lutaram com o corpo, com a fé e com a própria vida. Por eles, a festa se levantou. A praça vestiu África. O tambor chamou memória. O corpo virou bandeira. A arte tomou a rua. A cena virou quilombo. A Umbanda abriu caminhos. A rua virou gira. Povo de terreiro, povo de igreja, memórias diferentes, mesma raiz. Toda festa tem raiz. E toda raiz leva de volta à praça onde a memória se firma. SETOR 3 Foi por essas trilhas que o preto chegou no vagão da esperança. Trouxe mala curta e fé imensa. Plantou liberdade e criou raízes onde muitos viam apenas passagem. Foi assim que a memória encontrou seu chão. E o tempo se acomodou na praça. Tio Quincas. Joaquim Manuel da Silva. Homem de trilho e travessia, caminhante de fé pelas estradas do sertão carioca. Figura tão querida que a memória ganhou corpo em bronze. No 13 de maio de...
Convocando Budas, Bambas de Ouro retorna ao Carnaval Virtual
Retornando ao Carnaval Virtual, a ESV Bambas de Ouro apresentou o enredo que levará para a disputa do Grupo de Acesso II, na edição 2026 do Carnaval Virtual. De autoria de Lucas Carneiro e Lucas Vieira, a agremiação irá defender o enredo “CONVOQUE SEU BUDA!”. Confira abaixa sinopse oficial: CONVOQUE SEU BUDA! Abaixo das nuvens e acima dos palácios, onde o irreal flerta com a verdade, os antigos contam a história que capturou a atenção do mundo. Para além das florestas da Índia, o Marajá Sudodara e a Rainha Maya governavam com esplendor, mas viviam sob a sombra de um trono vazio. Eles desejavam ardentemente um herdeiro para honrar sua dinastia, mas o destino, implacável, lhes negava o filho. Até que o silêncio dos deuses foi quebrado. Em um sonho, Maya vislumbrou um presságio divino: um majestoso elefante branco aparecia, carregando entre as presas uma flor de Lótus. Os Brâmanes confirmaram a profecia com um aviso de dois gumes: a criança nasceria para a grandeza, mas seu destino oscilaria entre ser um Soberano Supremo, perpetuando o poder do pai, ou uma Luz Espiritual que guiaria a humanidade, abandonando a coroa. Ansiosos e temerosos, os reis clamaram aos céus pela continuidade de seu sangue. O grande dia chegou durante uma viagem da corte. Ao cruzar uma floresta, Maya sentiu o chamado da vida. O cortejo parou. De repente, um silêncio sobrenatural dominou a mata, convidando a natureza a testemunhar o milagre. Veados, macacos e aves pararam para observar. Até o elefante real curvou-se diante da luz que emanava do ventre da rainha. E, como se a própria terra celebrasse, a floresta verde explodiu em cores: flores de Lótus brotaram do chão, pavimentando o caminho para a criança, Sidarta Gautama. Mas o Marajá Sudodara jamais esqueceu a profecia. Determinado a vencer os deuses pelo cansaço, transformou seu amor em uma fortaleza, blindando o filho contra qualquer sombra de dor ou sofrimento. Sidarta cresceu em um éden artificial, onde a velhice e a morte eram lendas proibidas. Tudo parecia caminhar conforme a vontade do Rei: o Príncipe foi preparado para o trono e unido à bela Devi. Quando o pequeno Rahula nasceu, Sudodara suspirou aliviado; aquela criança era a âncora final, a dádiva suprema que prenderia Sidarta às amarras do mundo material. Mas o destino é um hóspede que não respeita muralhas. Mesmo confinado no coração do luxo, cercado por banquetes intermináveis e uma prosperidade sufocante, o espírito de Sidarta permanecia inquieto. E foi justamente no auge do prazer que a ilusão sofreu sua primeira rachadura. Durante um festim, entre risos e danças, uma melodia diferente cortou o ar. Não era um hino de...
O Cacho de Água é o enredo de estreia do Império da Cachoeira no Carnaval Virtual
Estreante no Carnaval Virtual, o GRESV Império da Cachoeira apresentou o enredo que levará para a disputa do Grupo de Acesso II na edição 2026 do Carnaval Virtual. De autoria de Gabriel Vieira e Haydne Pantoja, a agremiação irá defender o enredo “O Cacho de Água”. Confira abaixa sinopse oficial: O Cacho de Água JUSTIFICATIVA “O Chacho de Água” nasce de um encontro entre identidade, destino e fé. No primeiro carnaval da Império da Cachoeira, ao mirar o espelho de Oxum, a escola viu refletida não apenas a imagem da divindade das águas doces, da beleza e do encantamento, mas também a sua própria essência – e daqueles que a compõe. Naquele reflexo, a agremiação reconheceu a si mesma. Reconheceu seu nome, sua força simbólica, sua origem e sua vontade: carnavalizar a vida. E foi desse instante quase sagrado que surgiu a necessidade de cantar o seu símbolo primário: a cachoeira. Mais do que um elemento da natureza, a cachoeira é, para este enredo, uma imagem de profundidade de vida, que representa a beleza que nasce entre pedras e reforça o movimento constante da vida, que despenca sem perder delicadeza e memória. Não é apenas um enredo de carnaval, mas sim, um rompante de alegria cujo tom une a morada de Oxum, as lendas indígenas e os contos populares espalhados pelas águas do Brasil. Assim, a Império da Cachoeira afirma que seu pavilhão não carrega apenas um nome: carrega um universo simbólico, cultural e afetivo que merece (e vai) ser contado. INTRODUÇÃO Há águas que apenas correm. E há águas que guardam memória. Há quedas d’água que despencam dos altos da terra como se fossem só obra da natureza. Mas o povo sabe: cachoeira não é apenas pedra, espuma e vertigem. Cachoeira é morada, é encantamento, é reza derramada em véu cristalino. É espelho dos deuses, relicário dos antigos, boca aberta do mistério brasileiro. Desde o primeiro pranto da mais bela até o último arrepio da noite sobre a corredeira, a água canta. E quando canta, desperta lendas, alumia paixões, faz reviver vozes, amores e assombrações. Em cada salto d’água, o Brasil molha a lembrança e banha a imaginação. É nesse curso sagrado que o Império da Cachoeira mergulha. Nosso enredo convida o povo a entrar no frescor do mito, a lavar a alma na correnteza da fé e a ouvir o rumor profundo das águas que contam histórias. A nossa história vai começar… As águas vão rolar. SETOR 1 – MORADA NA CACHOEIRA Antes de ser adornada por flores, ouro e espelhos, a cachoeira foi refúgio. Conta a lenda que Oxum, senhora da doçura, da beleza e do...
Aldeia dos Tambores do Samba irá cantar o legado de Castro Alves em estreia no Carnaval Virtual
Fazendo a sua estreia no Carnaval Virtual, o GRESV Aldeia dos Tambores do Samba apresenta o enredo que levará para a disputa do Grupo de Acesso II, na edição 2026 do Carnaval Virtual. De autoria de Guga Martins, a agremiação irá defender o enredo “Tinta Preta”. Confira abaixa sinopse oficial: Tinta Preta Que o chão da avenida se torne brado Para um poeta em seu tempo, em seu lugar Da opressão que soube transformar… Em versos! Lá na Bahia, menino “Cecéu” Com olhos de ver, testemunhou o que não se deve Foi numa voz de Leopoldina, da ancestralidade Memória jamais apagada, preservada Desenhou as raízes da injustiça Gritos abafados, lamentos que o silêncio não pôde calar E assim, o Condor começou a voar! “Deus, onde estás?”, escute as “Vozes d’África” Na academia, uma liturgia e a juventude por ideais Com livros e ideias, da mente do povo insurgiu A praça tornou-se tribuna, palavra, um instrumento Um voo altaneiro… A liberdade do povo brasileiro! “Espumas Flutuantes”, amores intensos Em meio à ternura, a melancolia Desenganos, uma dor que a alma chora Não há fim para a luta! A juventude herdeira, que não cessa de sonhar São novas cores, matizes, neste hoje país Brasil Conceição Evaristo, Emicida, Djamila Ribeiro Silvio Almeida, Erika Hilton, Itamar Vieira O palanque que se vê, na aurora de uma nação livre Persiste, insiste e ainda vai nascer! De uma tinta preta que a história foi contada Legado de Castro Alves, que pulsa, revigora Eis um samba desse tempo ou de outrora? Por um Brasil mais justo, livre! E que não se apague da memória… Escreva!...
Minerva Virtual apresenta enredo de estreia para o Carnaval Virtual
Estreante no Carnaval Virtual, o GRES Minerva Virtual apresentou o enredo que levará para a disputa do Grupo de Acesso II na edição 2026 do Carnaval Virtual. De autoria de Vitória Prado, a agremiação irá defender o enredo “Ambulans metamorphosis”. Confira abaixa sinopse oficial: Ambulans metamorphosis Justificativa A Minerva Virtual nasce dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um espaço que, por natureza, está em constante movimento. A universidade não é apenas um lugar de formação acadêmica, mas um ambiente onde diferentes áreas do conhecimento se cruzam, onde ideias são colocadas à prova e onde o próprio ato de aprender envolve transformação. Nesse sentido, escolher a metamorfose como enredo para o primeiro desfile da escola não é aleatório, mas profundamente coerente com o que a UFRJ representa. A ideia de transformação atravessa diversos campos que fazem parte da universidade. Está presente nas ciências, que estudam os processos de mudança na natureza; nas ciências humanas, que analisam as transformações sociais, culturais e políticas; e também nas trajetórias individuais de quem passa por esse espaço. Entrar na universidade, muitas vezes, significa rever certezas, entrar em contato com outras realidades e, de alguma forma, sair diferente de como se entrou. A metamorfose, portanto, não aparece aqui apenas como um elemento simbólico, mas como algo concreto, vivido no cotidiano universitário. Ao desenvolver o enredo a partir de um personagem que atravessa um mundo de formas rígidas para um universo de constante transformação, a Minerva Virtual constrói uma narrativa que dialoga diretamente com essa experiência. O mundo das metamorfoses funciona como uma metáfora para esse espaço de descoberta e reinvenção, onde identidades podem ser questionadas e reconstruídas. Ao mesmo tempo, a presença de figuras como o Bicho Papão introduz a dimensão do conflito, lembrando que nem toda mudança acontece de forma simples ou sem resistência. A tensão entre transformação e permanência também faz parte dos processos estudados e vividos dentro da universidade. Além disso, ao tocar, ainda que de forma simbólica, em temas como identidade e construção de si (presentes, por exemplo, em expressões como o universo drag) o enredo se conecta com debates contemporâneos que atravessam tanto a produção acadêmica quanto a vida universitária. A UFRJ, enquanto espaço plural, é também um lugar onde essas discussões ganham forma, seja na pesquisa, na arte ou nas vivências cotidianas de seus estudantes. Dessa forma, a Minerva Virtual apresenta, em seu desfile inaugural, um enredo que não apenas explora a ideia de transformação como conceito amplo, mas que a reconhece como parte essencial do próprio fazer universitário. Falar de metamorfose, aqui, é falar de conhecimento, de experiência e das mudanças que surgem quando diferentes formas...








