Império Iguaçuano irá cantar os Ibejís no Carnaval Virtual 2026
Na busca pelo retorno ao Grupo Especial, o GRESV Império Iguaçuano apresentou o enredo que levará para a disputa do Grupo de Acesso I 2026. De autoria de Guilherme Couto, a agremiação irá defender o enredo “ÌBEJÌ: ỌMỌ AYÉ, ỌMỌ Ọ̀RUN”. Confira abaixo a sinopse do enredo: ÌBEJÌ: ỌMỌ AYÉ, ỌMỌ Ọ̀RUN (IBEJÌ: FILHOS DA TERRA, FILHOS DO ORUM) Ibejì, ou Ìgbejì, é a divindade gêmea da vida, guardião dos nascimentos duplos e símbolo sagrado da continuidade na mitologia Yorùbá. Onde dois corações batem juntos, ali habita Ibejì. Cada gêmeo é representado por uma imagem viva da ancestralidade, e sobre essas imagens os Yorùbá depositam alimentos, cantos e oferendas para invocar a benevolência, a alegria e a proteção dos gêmeos divinos. A cada oito dias, o ritual se renova, reafirmando o pacto entre o mundo visível e o invisível. A palavra Ibejì significa “gêmeos” e nasce da união de duas existências distintas que caminham lado a lado, sustentadas pelo princípio primordial da dualidade. Não há um sem o outro. Luz e sombra, riso e lágrima, começo e fim. Na África ancestral, as crianças simbolizam a certeza da eternidade do povo, a garantia de que a vida continua. Em tempos de alta mortalidade infantil, gerar gêmeos era uma dádiva divina, um presente raro concedido pelos deuses. Entre as divindades africanas, Ibejì é o senhor das contradições que se completam. É o orixá que ensina que toda verdade possui dois lados e que a justiça só se realiza quando ambos são ouvidos e pesados com equidade. Onde há conflito, Ibejì aponta o equilíbrio; onde há excesso, ele devolve a medida. Dizem os Itãs, histórias sagradas transmitidas de geração em geração, que os Ibejís foram paridos por Iansã, mas lançados às águas e abandonados ao destino. Foi Oxum, senhora do ouro, da doçura e das águas doces, quem os acolheu em seu colo, criando-os como filhos. Desde então, os Ibejís são saudados nos rituais de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa, recebem também suas oferendas, pois onde Oxum reina, a infância é sagrada. Na África, Ibejì é indispensável em todos os cultos. Recebe o mesmo respeito destinado a qualquer orixá e é cultuado no cotidiano. Não exige luxo nem grandeza: seus pedidos são simples, sua força é imensa. O poder de Ibejì jamais deve ser negligenciado, pois o que um orixá constrói, Ibejì pode desfazer — e o que Ibejì faz, nenhum outro orixá desfaz. Donos da verdade, guardiões do destino, senhores do riso e da travessura sagrada. Os gêmeos são objeto de culto. Não são orixá nem vodu, mas a própria materialização do extraordinário. O nascimento duplo confirma o mistério...
Veados Comunistas apresenta enredo para o Carnaval Virtual 2026.
O MRESV Veados Comunistas apresentou o enredo que levará para avenida no Carnaval Virtual 2026, pelo Grupo de Acesso I. De autoria de Fernando Saol, o movimento irá defender o enredo “SÁVIO DAS RACHADINHAS – O retrocesso é destro e passa mal”. Confira a sinopse oficial do enredo: SÁVIO DAS RACHADINHAS – O retrocesso é destro e passa mal Já dizia a profecia: A besta vai se perpetuar Nas formas horrendas das suas crias O primeiro, destro, fraco Dança escrota, caricato Líder da repartição Onde desvia sem ser discreto Salário, roupa E chinelo No gabinete assombrado De fantasmas abarrotado Casa comprada por mil Vendida por um milhão Tem caroço nesse bombom Amendoeira não é avelã Um conto dinamarquês Pra lavar dindin Enganar freguês Conhecido quadrilheiro Bandido de estimação Queira eu, seja preso Queira nós, pela operação De comandar assassinos Miliciano, ladrão Se recebe um ordenado De quem venceu eleição Como pode ter casa em Orlando Sem trabalhar, sem legislar Só ter a fama de arregão Que passa mal em debate Frouxo quando entra em combate Boca seca, pele branca Podia ter ido de arrasta Ia ser nossa esperança Não íamos desfilar E o ano ia ser perdido Mas não seríamos Veados Se não tomássemos partido A eleição tá aí Democracia é inegociável Nunca que vamos aceitar A Herança maldita do...
Carnaval das águas de Cametá é o enredo da Mocidade Encantada para o Carnaval Virtual 2026
Na busca por uma vaga no Grupo Especial, a SRESV Mocidade Encantada apresentou o enredo que levará para a disputa do Grupo de Acesso I, no Carnaval Virtual 2026. De autoria de Marcos Borges, a agremiação irá defender o enredo “Onde O Rio Deságua Em Festa”. Confira a sinopse oficial do enredo: ONDE O RIO DESÁGUA EM FESTA APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA Das águas do rio Tocantins nasce a narrativa que inspira o enredo apresentado pela SRESV Mocidade Encantada “ONDE O RIO DESÁGUA EM FESTA” sobre o singular cortejo do carnaval das águas. Em Cametá, o rio não é apenas paisagem, mas entidade viva, território sagrado onde o visível e o invisível coexistem. As encantarias, presentes no imaginário e no cotidiano, revelam uma relação ancestral de respeito e devoção. Assim, o enredo propõe um mergulho nesse universo simbólico, afirmando o rio como berço, sustento e identidade de um povo. Às suas margens, constrói-se um modo de vida pautado na herança dos povos originários, na resistência histórica e na profunda comunhão com a natureza. Entre palafitas, redes e canoas, o cotidiano ribeirinho segue o compasso das águas, mas também enfrenta ameaças que colocam em risco sua existência. Ao trazer essa realidade, a escola transforma o desfile em instrumento de reflexão e denúncia, reafirmando a defesa do rio como extensão da própria vida e memória coletiva. É nesse cenário que o Carnaval das Águas se revela como expressão máxima de pertencimento e resistência. O rio se faz avenida, os barcos se tornam palcos e o povo transforma arte em manifestação viva de sua cultura. Entre máscaras, cordões, batuques e encenações, a festa celebra, denuncia e eterniza histórias. Assim, a Mocidade Encantada apresenta um enredo que não apenas encanta, mas reafirma que, quando o rio deságua em festa, ele perpetua a identidade de um povo. UM SAGRADO RIO ENCANTADO No silêncio vivo das margens do rio Tocantins, aqui em Cametá, a vida nasce envolta por um sopro de mistério e reverência. Aqui, o rio não é apenas caminho, mas também é quintal, é berço e é destino. É um mundo em que o visível e o invisível caminham lado a lado, guiados pelas forças encantadas que habitam as águas profundas da Amazônia. Da beira do rio, os olhares inocentes observam e aprendem. Aprendem, desde cedo, a decifrar o que não se explica e a sentir o que não se toca. Porque ali, na dança das correntezas e no sussurro dos igarapés, vivem os encantados, não como lenda distante, mas como presença cotidiana que atravessa o viver ribeirinho. Nas profundezas densas e insondáveis das doces águas amazônicas, onde a luz se desfaz em mistério e...
Riachuelo apresenta Dogon – O povo das estrelas no Carnaval Virtual 2026
Indo para o seu 2º ano no Carnaval Virtual, a ESV Riachuelo apresentou o enredo que levará para a avenida pelo Grupo de Acesso I em 2026. De autoria de Gabriel Oliveira, a agremiação irá defender o enredo “Dogon – Povo das Estrelas”. Confira a sinopse oficial do enredo: Dogon – Povo das Estrelas Olhe para as estrelas. Os seres ancestrais olham para nós lá de cima… Antes da aldeia, havia o nada. No silêncio primordial do universo, Amma concebeu toda a criação dentro de um Ovo Cósmico. Deste princípio nasceriam matéria, tempo e vida. Mas a ruptura provocada por Ogo, o espírito da desordem, fragmentou essa harmonia inicial. Para restaurar o equilíbrio, Amma enviou os Nommo, seres sagrados ligados à água e à palavra, responsáveis por reorganizar o cosmos e devolver ritmo ao universo. É assim que começa a história que o Hogon, líder espiritual do povo Dogon, conta a um jovem iniciado, a história da origem de todas as coisas. Guiados pela observação das estrelas, os Dogon desenvolveram uma profunda compreensão do firmamento. No centro desse conhecimento está Sirius, chamada de Sigi Tolo. Ao seu redor orbitam Po Tolo e Emme Ya Tolo, estrelas que revelam que o universo é feito de dimensões visíveis e invisíveis. Para o povo Dogon, o céu não é apenas contemplação: ele organiza o tempo da terra e anuncia o Sigui, a grande cerimônia que atravessa gerações e renova o conhecimento ancestral. Na aldeia Dogon, cada espaço reflete a ordem do cosmos. No centro está a Toguna, a Casa da Palavra, onde o diálogo guia as decisões da comunidade. O Hogon e os anciãos guardam a memória viva do povo, transmitindo saberes ao jovem iniciado. É na terra que a vida floresce: o painço garante alimento, o algodão se transforma em tecido e o ferro, moldado pelo fogo, vira ferramenta. Assim, trabalho, natureza e espiritualidade caminham juntos no cotidiano da aldeia. Quando o sagrado encontra a vida cotidiana, surgem os rituais. As máscaras Dogon representam ancestrais, animais e forças da natureza. Ao vestir uma máscara, o dançarino deixa de ser apenas homem: ele se torna ponte entre o mundo visível e o invisível. É nesse momento que se manifesta o Nyama, a energia vital presente em todos os seres. Administrar essa força é manter o equilíbrio entre comunidade, natureza e espiritualidade. Enquanto o céu revela seus mistérios, uma nova geração aprende a escutar a voz dos ancestrais. O Sigui é a grande cerimônia do povo Dogon. Um ritual que atravessa anos e gerações, reunindo máscaras, histórias e iniciações. Durante esse tempo sagrado, os jovens aprendem os saberes ancestrais e assumem o papel de...
Hélio Oiticica será enredo da Falange Imperial no Carnaval Virtual 2026
Disputando o Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual, o GRES Falange Imperial irá homenagear Hélio Oiticica na avenida em 2026. De autoria de Marcos Oliveira e Luiz Araújo, a agremiação irá defender o enredo “Parangolé, Hélio: Marginal, Transgressor & Artesão”. Confira a sinopse oficial do enredo: Parangolé, Hélio: Marginal, Transgressor & Artesão Introdução A G.R.E.S. Falange Imperial apresenta à passarela virtual uma proposição estético-política que transcende a biografia linear para investigar o fenômeno da criação na obra de Hélio Oiticica (1937-1980). Em um momento histórico onde a cultura é frequentemente reduzida ao espetáculo de consumo, nosso pavilhão evoca a potência do “estado de invenção”, propondo o carnaval como a materialização definitiva do sonho oiticicano: a fusão irreversível entre a arte e a vida. A narrativa se fundamenta na ruptura radical operada pelo artista na década de 1960, exigindo não mais um espectador passivo, mas um participador ativo. O enredo se estrutura sobre três eixos conceituais, a Marginalidade Ética, a Transgressão Estética e o Artesanato do Comum, para demonstrar como o Parangolé deixa de ser um objeto para se tornar uma “totalidade-obra”, uma experiência vivencial que só se completa no ato dionisíaco da dança e na fricção com a realidade social brasileira. A Marginalidade como Ética e a Recusa do Folclore O primeiro movimento de nossa defesa situa Hélio Oiticica diante do abismo social do Rio de Janeiro. Sua subida ao Morro da Mangueira em 1964 foi uma “necessidade vital de desintelectualização”. Oiticica buscava libertar-se da “excessiva intelectualização” que o asfixiava na arte burguesa. Ao tornar-se passista da Estação Primeira, buscava compreender sua “arquitetura orgânica”, onde o barraco é uma estrutura em constante devir, baseada na improvisação e na sobrevivência. Para a Falange Imperial, Hélio é o Marginal não no sentido criminal, mas como aquele que habita a margem, recusando o centro hegemônico. Sua obra denuncia a “folclorização opressiva” da cultura brasileira, propondo, em contrapartida, a busca pela “raiz-Brasil” subterrânea e convulsiva. A escola de samba é apresentada aqui não como um cartão-postal, mas como um laboratório de estruturas universais de criatividade, onde a precariedade material é transmutada em potência estética através da “estética da ginga”. O Parangolé e a Transgressão Institucional No coração do enredo está o Parangolé. Apropriando-se de uma gíria das ruas que significava “agitação súbita” ou “situação inesperada” , Oiticica criou capas, estandartes e tendas que são, por definição, “antiarte por excelência”. A defesa do enredo postula que o Parangolé opera uma “transmutação expressivo-corporal”: ele exige que o corpo se movimente, que dance, para que a estrutura-cor se revele. A Falange Imperial dramatiza o conflito institucional exemplificado pela expulsão dos passistas da Mangueira do Museu...








