Indo para o seu 2º ano no Carnaval Virtual, a ESV Riachuelo apresentou o enredo que levará para a avenida pelo Grupo de Acesso I em 2026.
De autoria de Gabriel Oliveira, a agremiação irá defender o enredo “Dogon – Povo das Estrelas”.
Confira a sinopse oficial do enredo:
Dogon – Povo das Estrelas
Olhe para as estrelas.
Os seres ancestrais olham para nós lá de cima…
Antes da aldeia, havia o nada. No silêncio primordial do universo, Amma concebeu toda a criação dentro de um Ovo Cósmico. Deste princípio nasceriam matéria, tempo e vida. Mas a ruptura provocada por Ogo, o espírito da desordem, fragmentou essa harmonia inicial. Para restaurar o equilíbrio, Amma enviou os Nommo, seres sagrados ligados à água e à palavra, responsáveis por reorganizar o cosmos e devolver ritmo ao universo.
É assim que começa a história que o Hogon, líder espiritual do povo Dogon, conta a um jovem iniciado, a história da origem de todas as coisas.
Guiados pela observação das estrelas, os Dogon desenvolveram uma profunda compreensão do firmamento. No centro desse conhecimento está Sirius, chamada de Sigi Tolo. Ao seu redor orbitam Po Tolo e Emme Ya Tolo, estrelas que revelam que o universo é feito de dimensões visíveis e invisíveis.
Para o povo Dogon, o céu não é apenas contemplação: ele organiza o tempo da terra e anuncia o Sigui, a grande cerimônia que atravessa gerações e renova o conhecimento ancestral.
Na aldeia Dogon, cada espaço reflete a ordem do cosmos. No centro está a Toguna, a Casa da Palavra, onde o diálogo guia as decisões da comunidade. O Hogon e os anciãos guardam a memória viva do povo, transmitindo saberes ao jovem iniciado.
É na terra que a vida floresce: o painço garante alimento, o algodão se transforma em tecido e o ferro, moldado pelo fogo, vira ferramenta. Assim, trabalho, natureza e espiritualidade caminham juntos no cotidiano da aldeia.
Quando o sagrado encontra a vida cotidiana, surgem os rituais. As máscaras Dogon representam ancestrais, animais e forças da natureza. Ao vestir uma máscara, o dançarino deixa de ser apenas homem: ele se torna ponte entre o mundo visível e o invisível.
É nesse momento que se manifesta o Nyama, a energia vital presente em todos os seres. Administrar essa força é manter o equilíbrio entre comunidade, natureza e espiritualidade.
Enquanto o céu revela seus mistérios, uma nova geração aprende a escutar a voz dos ancestrais.
O Sigui é a grande cerimônia do povo Dogon. Um ritual que atravessa anos e gerações, reunindo máscaras, histórias e iniciações. Durante esse tempo sagrado, os jovens aprendem os saberes ancestrais e assumem o papel de guardiões da memória. Assim, o ciclo continua.
Do Ovo Cósmico às estrelas.
Das estrelas à aldeia.
Da aldeia aos rituais que renovam a vida.
Porque para o povo Dogon tudo está conectado.
Somos Dogon.
Somos o povo das estrelas.
Gabriel Oliveira









