Buscando um vaga no Grupo Especial, a ESV Xuxu na Serra apresentou o enredo que levará para a avenida no Grupo de Acesso I, do Carnaval Virtual 2026.
De autoria de Fernando Saol, a agremiação irá cantar uma história de amor defendendo o enredo “ABAYHU – um sonho de amor temiminó”.
Confira a sinopse do enredo:
ABAYHU – um sonho de amor temiminó
Muito antes de chegarem pelo mar
O invasor não viu nascer
Um lindo sonho de amor
Antes do Rio ser cidade
Maravilhosa é essa história
Que Tupã abençoou
Os temiminós eram senhores desta terra
E sua aldeia era a atual
Ilha do Governador
Porém, na língua nativa
Paranapuã era o nome dessa ilha
Entre araras, cutias, capivaras
Toda aldeia festeja Guaracy
O sol que a mata iluminava
A mesma mata que brilhava pra Jacy
O grande líder, Moac’ira
Cacique que comanda a tribo
Vê seu poder em perigo
A profecia vai se concretizar
Quando o mais belo índio
Na Ó’ca, pisar
A profecia fala ainda
Em amor entre iguais
Quando esse dia chegar
A grande ilha vai se transformar
O sangue temiminó
Não pode se misturar
Com a nação Maracajá
O pajé teve a limpa visão
Que o mais belo dos índios
Estava na região
A ira do cacique Moac’ira
Leva desgraça para toda ilha
Moac’ira não quer
E não vai querer
Compartilhar o seu poder
Vi’itã é um bravo guerreiro
Responsável pela alimentação
Sempre que sai a caçar
Sua flecha certeira
Chega a qualquer lugar
Frutas, peixes, goiamum
A mira de Vi’itã
É guiada por Tupã
O festival é chegado
Na tentativa de acalmar Babara’ká
O cacique mandou preparar
Caxiri, preparado por Cunhãs
A bebida vai esquentar
A chama de Tatá
Nunca mais vai se apagar
A tentativa é fracassada
Babara’ká, o cacique enganou
Na tribo fez chegar
O mais belo ser que essa terra avistou
Moac’ira aprisiona as cunhãs
Na grande ó’ca
A fim de evitar
O contato com o belo maracajá
Aaporã é um bravo mensageiro
De tribo que não vive em Paranapuã
O velho pajé já sabia
Que a missão do belo homem
Não é para a tribo dividir
Aaporã chega com a boa nova
A tribo Maracajá dará um festejo
Para celebrar a bonança
Da colheita de Kaimpim
Contrariado, Moac’ira permitiu
Vi’itã irá à caça do sagrado Jabuti
Será o presente da aldeia
Para Aaporã ir embora
Antes de chegar a Lua cheia
Os abás adentram a mata
A magia acontece
Longos dias na missão
Sem desistir
De achar o sagrado Jabuti-Ytinga
A profecia confirma
Pelo amor dos abás
As tribos serão unidas
A volta da caçada
A dupla não consegue
A casca que seria ofertada
Moac’ira entende
Ao ver juntos Vi’itã e Aaporã
Que o carinho entre os dois
É diferente
Vi’itã, a flecha certeira
Se apaixonou por Aaporã,
O mais belo dos homens
Moac’ira ordena aos bravos guerreiros
Que acabem com essa sincera união
A caçada acontece
Os guerreiros cercam Paranapuã
O casal injustiçado
Fogem pela ilha
Não enxergam Abaçaí
O filho do cacique
O sonho de amor
Terminava por aqui
Aaporã foi atingido
Pela revoada,
Todos os pássaros foram feridos
Entre penas de arara
Sua alma é repousada
Vi’itã não chora
A força da sua ira
Provoca a Voçoroca
A terra se abre inteira
Abaçaí paralizado
Some pela ribanceira
O grito de Vi’itã
Faz a dor ser imensa
Moac’ira de tok’aia
Lhe atira a flecha
Que mais parece
Mil ferroadas de saúva
Tupã acolhe a alma
Do mais bravo guerreiro
Que passou pela floresta
E desde aquele dia
O casal se reune novamente
No nascer e no fim do dia
Amana é água que cai
Do céu, abençoada
Encontra Ybi’i
A terra onde Kaipin floresce…
Mandioca é celebrada!
Ao cair na terra
A água fecunda
A semente que ali espera
A luz que Tupã nos fornece
Ao tocar a água,
O amor de novo acontece
Guai’mim é seu destino
Espalhar as cores
Por toda imensidão do céu
Dizem que Aaporã
Caminha no arco-íris
De mãos dadas com Vi’itã
E o cacique, quem diria
Foi condenado a não morrer
E não viver
Vaga pelo mundo
E só pode se alimentar
Com a poeira da terra seca
GLOSSÁRIO TEMIMINÓ (Trono tupi-guarani)
Tupã – O grande criador
Paranapuã – Terra redonda
Guaracy – Sol
Jacy – Lua
Moac’ira – Aquele que espalha a dor
Vi’itã – A flecha que cai no lugar exato
Aaporã – O ser mais belo
Abaçaí – Aquele que persegue
Amana – água da chuva
Ybi’i – Terra que se pisa
KaimpiM – Raíz que alimenta
Maracajá – Gato do Mato, termo usado a tribos rivais de fora de Paranapuã
Goiamu – Carangueijo de lamaçal
Babara’ká – Entidade que engana e finge ser
Cunhãs – Índigenas mulheres
Abá – Índigenas homens
Caxiri – bebida fermentada a base de mandioca
Ó’ca – Casa dos indígenas
Jabuti-Ytinga – Espécie nativa de jabuti do Rio de Janeiro
Voçoroca – Terra rasgada por desmoronamento
To’kaia – Emboscada
Tatá – fogo
Fonte: Dicionário Tupi-Guarani









