Fazendo a sua estreia no Grupo Especial, o GRESV Encantados da Serra apresentou o enredo que levará para a avenida no Carnaval Virtual 2026;
De autoria de Marcio Venancio, a agremiação irá contar o enredo “SEMIROMBA – AS FACES DE SÃO FRANCISCO”.
Confira a sinopse do enredo:
SEMIROMBA – AS FACES DE SÃO FRANCISCO
Justificativa
A Encantados da Serra, no Carnaval de 2026, guiada pelo seu legado de “Paz e Bem”, celebra com emoção os seus sete anos de história, reverenciando a vida e a missão de um dos maiores símbolos de fé, humildade e amor à criação: São Francisco de Assis.
Seguir seus ensinamentos é mais do que recordar sua trajetória — é viver sua essência.
É ser Semiromba.
É revelar suas múltiplas faces e espalhar ao mundo a alegria, a paz, o amor e a esperança.
Neste desfile, a escola convida o público a mergulhar na jornada desse franciscano iluminado: desde seu nascimento em Assis, sua transformação espiritual, até sua chegada ao Brasil, onde sua história se entrelaça com outras crenças, culturas e manifestações de fé, revelando novas formas de existir e de se manifestar.
São Francisco, o missionário do amor, aquele que deu nome à ordem dos franciscanos, transcende o tempo e o espaço, tornando-se símbolo universal de fraternidade.
A Encantados da Serra também convida a todos a navegar pelas águas do Velho Chico, a sentir seus mistérios, a mergulhar em suas lendas e a reverenciar sua força sagrada — uma das muitas faces desse espírito que se manifesta na natureza, na fé e na ancestralidade.
Amigo da natureza, irmão dos animais, guardião da criação, São Francisco de Assis é, hoje, celebrado em um espetáculo de cores, sons e emoções.
Entre pássaros, flores e seres encantados, sob a bênção da irmã Lua e do irmão Sol, a Encantados da Serra ergue sua homenagem.
Um canto de fé.
Um ato de amor.
Um desfile de devoção.
Sinopse
Sob o céu pintado em cores que dançam entre o Sol e a Lua, nasce uma história de luz, fé e transformação. Entre cantos de pássaros e o sopro da natureza, revelam-se as múltiplas faces de um espírito guiado pelo amor.
Nascido em Assis, na Itália, como Giovanni di Pietro di Bernardone — mais tarde chamado Francisco — viveu a juventude entre festas, batalhas e desafios. Mas foi no encontro com a dor do mundo, ao abraçar um leproso, que sua alma despertou para um novo caminho.
Na simplicidade da capela de São Damião, ouviu o chamado divino:
“Francisco, vá e restaure a minha casa”.
E assim fez.
Renunciou às riquezas, abandonou o luxo e abraçou a humildade. Fundou a Ordem dos Frades Menores, levando ao mundo sua mensagem de fraternidade, caridade e paz. Seu lema ecoava: “Paz e Bem”.
Reconheceu Deus em todas as coisas — no vento, nos animais, nas águas, na terra. Tornou-se o “Pobrezinho de Assis”, padroeiro da natureza e dos animais, símbolo eterno da conexão entre o homem e a criação.
Sua essência atravessou mares e chegou ao Brasil com os frades franciscanos, onde sua história se entrelaçou com novas crenças, culturas e espiritualidades.
Aqui, revelou novas faces.
Na sabedoria ancestral, encontra-se com o Preto Velho Pai Francisco, mensageiro da humildade e da fé. Nos caminhos abertos por Exu, sua energia se expande. No Caboclo de Xangô, manifesta a força da justiça, da natureza e da proteção. Em Iroko, torna-se o próprio tempo, árvore sagrada que cura, renova e sustenta a vida.
E das lágrimas da índia Iati, nasce mais uma de suas formas: o majestoso Rio São Francisco — o Velho Chico.
Descoberto em 1501 e batizado em sua homenagem, o rio carrega mistérios, lendas e encantos. Em suas águas vivem histórias de carrancas, serpentes de fogo, mães d’água e caboclos encantados. Um rio que acalma, mas também impõe respeito. Que alimenta a vida e guarda segredos ancestrais.
Entre calmarias e assombrações, entre o visível e o invisível, o Velho Chico se torna símbolo de força, fé e misticismo.
E assim, suas faces se multiplicam.
Santo, rio, entidade, natureza, energia.
Um só espírito que se revela em muitas formas.
Devotos carregam sua fé em ex-votos, medalhas e no cordão de três nós — símbolos da humildade, do amor à criação e da busca pela paz.
Hoje, sua bênção desce sobre a Encantados da Serra.
Uma escola que, guiada por esses mesmos valores, honra seu passado, vive com verdade o presente e constrói um futuro de glória.
Entre flores, folhas e animais sagrados, celebra-se esta grande homenagem.
Porque suas faces continuam vivas.
Servindo a Deus.
Levando amor.
Espalhando esperança.
Hoje, ele se revela mais uma vez.
É fé.
É natureza.
É mistério.
É vida.
É a força do bem que ecoa em cada coração.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSIS, Francisco de. Escritos de São Francisco. Tradução e organização de várias edições. Petrópolis: Vozes, 2010.
BOAVENTURA, São. Legenda Maior de São Francisco. Petrópolis: Vozes, 2002.
CELANO, Tomás de. Vida de São Francisco de Assis. Petrópolis: Vozes, 2004.
FRANCISCO, Papa. Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. São Paulo: Paulinas, 2015.
LE GOFF, Jacques. São Francisco de Assis. Rio de Janeiro: Record, 2001.
LECLERC, Éloi. O Pobrezinho de Assis. Petrópolis: Vozes, 1999.
VAUCHEZ, André. Francisco de Assis. São Paulo: Loyola, 1995.
Fioretti de São Francisco. Tradução de Durval de Morais. São Paulo: Cultrix, 1983.









