Desfilando pelo Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual, a ESV Acadêmicos de Recreio apresentou o enredo que levará para a avenida em 2026.
De autoria de Walter Martins, a agremiação irá defender o enredo “Kianda e Seus Encantos”.
Confira a sinopse oficial do enredo:
Kianda e Seus Encantos
Nas margens do tempo, onde a memória ancestral ecoa em cantos e marés, surge a mística ilha de Luanda, guardiã de segredos e riquezas do antigo Reino do Kongo. Terra sagrada, protegida por mãos reais, onde o mar guarda em seu ventre os preciosos nzimbus conchas que sustentavam a vida, o comércio e o poder de um povo.
Ali, sob o olhar vigilante da coroa, mulheres mergulhavam nas águas profundas em busca dos búzios acinzentados, tesouros raros que faziam da ilha uma verdadeira casa da moeda africana. Era o suor humano em harmonia com a generosidade do oceano. Era a fé que conduzia cada gesto.
E quando o sol beijava o horizonte, pescadores lançavam suas redes confiantes, embalados pela esperança e protegidos pelas divindades do grande Kalunga o infinito mar que liga o mundo dos vivos ao dos ancestrais. E assim, a fartura reinava.
Mas nem todos compartilhavam da mesma sorte…
Um velho pescador, esquecido pela abundância, viu sua esperança se esvair nas ondas do infortúnio. Em desespero, clamou por ajuda. Seu lamento ecoou nas profundezas e tocou o coração de Kianda a soberana das águas, sereia encantada, guardiã dos mistérios e riquezas do mar.
Com compaixão, Kianda presenteou o homem com um tesouro sem igual. Das águas, emergiu a fortuna que mudaria seu destino. E o que antes era escassez, transformou-se em poder.
Mas o brilho da riqueza cegou sua alma.
O homem que antes sofria tornou-se senhor da opulência e também da injustiça. Esqueceu a dor, desprezou os humildes e transformou gratidão em arrogância. O coração endureceu. A alma se perdeu.
E o mar tudo vê.
Entristecida, Kianda decidiu agir. Convocou as forças do oceano. Sob o rugido de Kalunga e a fúria de Matamba, senhora dos ventos e tempestades, os céus se fecharam, e as águas se revoltaram. Ondas gigantes engoliram embarcações, ventos destruíram sonhos e a riqueza começou a ruir.
Ainda assim, a lição não foi aprendida.
Então, em seu último ato, Kianda entoou seu canto encantado. Um chamado doce e irresistível que seduziu os homens do mar. Um a um, os pescadores se lançaram às águas, entregando-se ao infinito azul, abandonando tudo para viver no reino submerso da rainha das águas.
Assim, toda riqueza retornou ao seu verdadeiro lar.
E Kianda decretou: seus tesouros não mais pertenceriam aos homens da terra. Apenas aqueles que aceitassem o chamado do mar poderiam conhecer seus encantos.
Dizem que, até hoje, sob as águas profundas, existem cidades brilhantes, onde vivem os encantados guardiões de segredos, filhos do mistério e da eternidade.
E em novembro, quando os tambores ecoam e o povo celebra, Kianda ressurge em festa, lembrando que o mar dá… mas também cobra.
Hoje, a avenida se transforma em oceano. A escola mergulha nas águas de Kalunga para contar essa história de fé, riqueza, ganância e encantamento.
Pois no balanço das ondas e no canto da sereia, ecoa um ensinamento eterno: quem não respeita o sagrado… naufraga na própria ambição.
FIM









