Campeã do Grupo de Acesso I em 2025, a ES Imperatriz da Zona Norte apresentou o enredo que levará para a sua estreia no Grupo Especial do Carnaval Virtual.
De autoria de Mauricio Lanner, a agremiação irá defender, em 2026, o enredo “Doburu. A dança do vento para a glória do senhor da palha”.
Confira a sinopse do enredo:
Doburu. A dança do vento para a glória do senhor da palha.
Apresentação
No palácio do trovão,
todos foram chamados.
Todos.
Menos aquele que carregava no corpo as marcas da dor.
Obaluaê ficou de fora,
olhando a festa das frestas do barracão.
Aonde o riso ecoava,
ele aprendeu o silêncio.
Ogum lhe deu vestes,
não para esconder quem era,
mas para que pudesse entrar.
Ainda assim, ninguém dançou com ele.
Iansã o viu.
E quem vê com o vento,
não finge que não sabe.
Ela girou, girou no centro do mundo.
O vento levantou a palha,
E aquilo que era ferida,
Virou transformação.
As dores saltaram do corpo,
como pipocas brancas,
cobrindo o palácio,
cobrindo o olhar,
cobrindo o preconceito.
E ali, onde antes viam doença,
surgiu beleza.
Desde então,
Iansã dança entre os mundos.
Senhora dos ventos,
Senhora dos mortos.
Porque quem tem coragem de girar diante da dor do outro,
Aprende a conduzir aquilo que não quer ficar.
Atotô Ajuberô
Eparrey oyá
DOBURU
A dança da vento para a glória do senhor da palha
Justificativa
Neste carnaval, a Imperatriz da Zona Norte faz da avenida um clamor de cura e empatia. Inspirados no itan do Doburu, narramos a jornada de Omulú, o Senhor da Terra. Nascido com feridas e abandonado, ele conheceu o amor ao ser resgatado por Iemanjá, mas ainda enfrentou a exclusão e o preconceito no vaidoso palácio de Xangô.
O milagre da nossa história acontece quando a solidão encontra a verdadeira fraternidade. Protegido pelo manto de palhas forjado por Ogum, Omulú é acolhido por Iansã, que tem a coragem de tirá-lo para dançar. No abraço do seu vento, as chagas do orixá saltam do corpo como uma chuva de pipocas brancas, o sagrado doburu, revelando a sua luz e beleza que o preconceito escondia. Levamos para a passarela esta mensagem eterna: quem tem a coragem de olhar para a dor do outro com amor, aprende a conduzir a verdadeira transformação.
Atotô Ajuberô! “Silêncio, ele está entre nós”
SINOPSE
Setor 1: O Senhor da Terra e o Abraço do Mar Atotô! Silêncio, pois o Senhor da Terra e da Cura está entre nós. Nossa história começa na areia da praia, onde o destino se mostrou severo. Nascido de Nanã e Oxalá, o pequeno menino veio ao mundo coberto de feridas e marcas. Rejeitado por sua aparência, foi abandonado à própria sorte, entregue aos caranguejos que rondavam suas chagas no mangue. Mas a dor encontrou o afago maternal. Das ondas cristalinas, ergueu-se Iemanjá. A Rainha do Mar o resgatou, lavou seu corpo com a água salgada e o criou com amor. Com ela, ele aprendeu o segredo das ervas e o dom de curar. Da dor, forjou-se o Médico entre os Orixás, aquele que traz a enfermidade, mas detém o poder da cura visível e invisível.
Setor 2: O Palácio do Trovão e a Fresta da Exclusão O tempo girou e os tambores rufaram no Reino do Trovão. Xangô preparou um grandioso banquete e todos os orixás foram chamados. Todos, menos aquele que carregava no corpo as marcas do sofrimento. A aparência de Omulú repugnava o anfitrião, e as portas do palácio se fecharam para ele. Do lado de fora, o pobre Obaluaiê assistia à alegria alheia pelas frestas do barracão. Enquanto o riso ecoava no salão iluminado, o Senhor da Terra aprendia a dura lição do silêncio e da solidão.
Setor 3: A Forja da Amizade e o Manto de Palha A injustiça, porém, fere os olhos de quem é nobre. Ogum, o guerreiro dos caminhos, viu o sofrimento do amigo e não aceitou a exclusão. Com suas mãos de ferro e coração leal, providenciou um grande manto de palha da costa, o Azê, cobrindo Obaluaiê da cabeça aos pés. O disfarce ofuscou as marcas das chagas, permitindo que Omulú adentrasse o palácio. Mas as roupas não escondem o preconceito: mesmo lá dentro, a solidão persistia, pois ninguém queria lhe estender a mão para dançar no Xirê.
Setor 4: O Vento que Revela a Flor e o milagre do Doburu Eparrei! O tempo vira quando a Senhora das Tempestades entra na roda. Iansã, que vê com o vento, não finge que não sabe da dor do outro. Compadecida, ela se aproxima de Omulú bem no centro do salão. Ela o tira para dançar. Com seu vestido, ela gira o mundo. O vento sopra forte e levanta a palha que cobria o Senhor da Terra. É o instante do milagre: as feridas saltam do corpo não como dor, mas encantadoramente transformadas em uma chuva de pipocas brancas, o doburu. O palácio de Xangô é coberto pela alvura da paz, revelando por trás da chaga o jovem, belo e radiante Obaluaiê.
Setor 5: O Templo da Transformação e a Lição de Iansã Balé A beleza oculta foi revelada pelo amor. Em gratidão ao gesto mágico, Omulú entrega a Iansã o domínio sobre o seu próprio reino, os mortos. Ela recebe o eruxim e consagra-se Iansã Balé, aquela que afasta os eguns e dança entre os mundos. A Imperatriz da Zona Norte encerra o seu desfile erguendo um templo de empatia. Deixamos na passarela a lição sagrada dos orixás: quem tem a coragem de girar diante da dor do outro, aprende a conduzir a transformação. Que a chuva de doburu cure as dores do nosso tempo, provando que, por trás de toda cicatriz, existe uma imensa luz esperando para brilhar.
Atotô Ajuberô!
Eparrey Oya!









