União de Sepetiba apresenta enredo para o Carnaval Virtual

O GRESV União de Sepetiba apresentou o enredo que levará para a disputa do Grupo de Acesso II na edição 2026 do Carnaval Virtual.

De autoria de João Ribeiro, a agremiação irá defender, em 2025, o enredo “O Canto dos Tamoios e a Dança dos Sapês”.

Confira abaixa sinopse oficial:

O Canto dos Tamoios e a Dança dos Sapês

Queimou o Sapê

Nas terras da Baía de Sepetiba tem capim-sapê sobra. Assim, quando o vento sopra, a folha se dobra e sua dança exorta o fluir de um povo.

O sapê não é alimento, é ideal para o povo indígena que aqui morava construir suas casas e ferramentas. O sapê não é alimento, ele é energia que queima, ele é o fogo do oeste. O sapê é o mistério que o vento dobra fácil e espalha o fulgor de chamas facilmente.

A União de Sepetiba usa a energia da planta que abriga para queimar sua energia na avenida, para esfumaçar a visão de quem quiser fazer mal à aldeia. A União de Sepetiba vai çape-tybar o Carnaval, navegando o mar de alegria da Baía de Sepetiba com uma força ancestral que nasce nas terras dos Tamoios/Tupinambás

Os Tamoios que habitavam nossa terra têm no seu nome a ancestralidade. Tamyía são os avôs, os mais antigos, assim como o sapê, aqueles que habitam nesta terra faz tempo. Quando o sapê da União de Sepetiba começar a queimar, a fumaça do sapezal vai enebriar a avenida. A União çape-tybará com seu barco navegando no tempo até os dias Tupinambás da nossa Baía. Quem nos guiará na linha do tempo imortal são os avôs/tamoios, donos originários da terra.

Logo oficial do enredo

Ruão, 1550. Bonjour, çape-tybei oui Monsier!

A primeira parada do nosso barco-avô é em terras francesas! Catarina de Médici e Henrique II de França çape-tybaram em Ruão.

Em 1550 um dos Tupinambás/Tamoios da lendária viagem era um pequeno çape-tybano. Em meio ao grande parque de Ruão, construído para os olhares reais, ele queimou a gramínea tropical.

Os olhos franceses brilharam, o fogo originário queimou a terra e o capim-sapé! Lacrimejaram os olhos de Tupinambás em meio aos festejos que simulavam as batalhas e a antropofagia.

Volta nas águas ancestrais o nosso barco para a Baía de Çape-tyba.

Çape-Tyba, 1557. Funda-se!

O barco encheu, sobram indígenas, invasão!

Do outro lado das montanhas de Kari-Oká pode-se ouvir o rufar de canhões. A guerra entre os invasores portugueses junto dos adversários Tupis faz com que outros Tamyía procurem refúgio nas terras da nossa Baía.

Funda-se a grande aldeia! A Çape-Tyba é a casa dos refugiados. Nossa casa nasce enorme, nasce para todos, nasce Tamyía, uma jovem-velha, uma criança-ancestral, uma casa de sapé. O nosso fogo acende fácil, nosso barco navega longe. O português não consegue entender.

Nossa bandeira é verde de capim-sapé, é esperança de um povo que faz da raiz da terra a melhor ferramenta. O sapê queima fácil, é energia que se espalha. Portanto, nossa bandeira é também vermelha de sangue Tamoio, Tupinambá. Nossa bandeira é indígena, é ancestral, é avó.

Um futuro ancestral na aldeia Sepetiba

A fumaça desceu para nos deixar voltar do transe.

O barco da Sepetiba atraca no Carnaval, feliz e cheio de energia. O nosso futuro é grandeza ancestral como aqueles que fundaram nosso chão. Quem quiser saber para onde nosso futuro aponta, olha para nosso passado!

A avenida foi çape-tyzada, a energia ancestral transbordou, não há retorno no caminho de nosso barco.

 

APONTAMENTOS DE PESQUISA PARA FUTURAS JUSTIFICATIVAS DE ENREDO

Definição de Sapê

O sapê (Imperata brasiliensis), também conhecido como sapé, capim-sapé e juçapé, é uma gramínea cujos caules são, após secos, utilizados para se construírem telhados de casas rústicas A espécie foi descrita pelo botânico germano-russo Carl Bernhard von Trinius no ano de 1832

A planta coloniza terrenos pobres, esgotados. É mal-aceita pelo gado como alimento

Definição de Tamoio

O etnônimo “tamoio” vem de “ta’mõi”, que, em língua tupi, significa “avós”, indicando que eles eram o grupo tupi que há mais tempo se havia instalado no litoral brasileiro.

Os antropólogos Beatriz Perrone-Moysés e Renato Sztutman sustentam que o termo “tamoio” não fazia referência a um povo indígena homogêneo, mas sim a um “coletivo de líderes” de diferentes tribos que constituíram uma aliança entre si e com os franceses contra os colonizadores portugueses

A história perdida de Sepetiba :: Ecomuseu Sepetiba (webnode.com.br)

Fatos importantes:

–  Antonio Rosa é o “Historiador” oficial da região.

– Sepetiba é o segundo bairro da cidade a ter uma bandeira, sendo o vermelho da luta e o verde dos sapezais suas cores.

– Existe uma forte influência das religiões de matriz africana no bairro (a ver a sinopse antiga com Iemanjá e Oxóssi). Pensar nas possibilidades presentes nas lógicas dos caboclos do candomblé.

– O porto de Sepetiba é o segundo maior da cidade, hoje com problemas graves por conta da relação com o meio ambiente.

– Os tamoios supostamente só fundam o bairro em 1557 após a derrota para os portugueses na batalha do Rio de Janeiro.

– A família real tinha uma forte relação com o bairro (D. João VI?)

– O sapê tem um nome que vem do latim “o que alumia” por que queima fácil.

– Os tamoios em si não existem, eles são um conjunto de nações indígenas que variam dos tupinambás.

– Em São Paulo, ainda antes das invasões francesas no Rio, existe a confederação dos tamoios que é formada por 5 lideranças indígenas de todo o litoral do atual Rio de Janeiro e norte de São Paulo. “IPEROIG E CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, UMA HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA – Câmara Municipal de Ubatuba (camaraubatuba.sp.gov.br)” 1554-67

– A festa de Rouen/Ruão acontece em 1550.

 

BIBLIOGRAFIA

CARDOSO, Vitor José Mendes. As milhas, as distâncias e os lugares de Hans Staden, no Brasil.

DENIS, Jean-Ferdinand. Uma festa brasileira: celebrada em Ruão em 1550.

KRENAK, Ailton. Futuro Ancestral

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo

KRENAK, Ailton. O amanhã não está a venda

ROSA, Alcebiades Francisco. História de Sepetiba

SILVA, Rafael. O Rio antes do Rio.

STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil

Author: Lucas Guerra

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