Prece ao mar é o enredo da Imperiais de Madureira para o Carnaval Virtual 2026

9ª colocada no Carnaval Virtual 2025, o GRESV Imperiais de Madureira irá cantar uma prece às águas em seu enredo para a disputa do Grupo Especial, no Carnaval Virtual 2026.

De autoria de Marcos Felipe Reis, a agremiação irá defender o enredo “Prece ao mar”.

Confira a sinopse do enredo:

Prece ao mar

Apresentação

A Imperiais de Madureira apresenta um enredo que eleva à condição de protagonista o homem simples que vive do mar, transformando sua fé, sua luta e sua tradição em narrativa grandiosa. Prece ao Mar é a celebração da cultura das águas como patrimônio vivo, expressão de identidade e símbolo de resistência.

Ao exaltar o pescador, a escola reconhece os saberes ancestrais transmitidos entre gerações, a espiritualidade que antecede cada partida e a coragem de enfrentar as marés da vida. Além de evocar os signos que revelam o sincretismo que sustenta a alma brasileira e reafirmam a avenida como espaço de rito e devoção coletiva.

O enredo também assume relevância social ao dar visibilidade às comunidades tradicionais que enfrentam ameaças ambientais e econômicas. A Imperiais transforma a passarela virtual em mar guiando uma grande procissão, onde arte e consciência caminham juntas.

Esse enredo busca unir poesia, espiritualidade e posicionamento. É um enredo que emociona, conscientiza e celebra. Uma oferenda em forma de samba que reafirma que, enquanto houver fé e resistência, sempre haverá caminho para navegar rumo à vitória.

SINOPSE

1º Setor – Graças aos saberes e à fé

Antes que meus pés toquem a areia molhada
e minhas mãos sintam o peso da rede,
Eu agradeço.

Agradeço pelo fôlego que me habita o peito,
pela vida que pulsa em mim
e que me permite enfrentar as águas todos os dias.
Eu, desfrutando de minha juventude
Me encontro admirando seus encantos
Minha escola sempre foi o balanço das ondas,
Naquilo que vai e que vem
Emaranhado pelas ondas do destino que o tempo faz…

Logo oficial do enredo

Ah, o mar!
Esse grande santuário que sempre morou no meu imaginário.
Eu ainda menino, crente nas fantásticas histórias contadas por meu “Vô”.
As tais famosas histórias de sereias, bichos gigantes e piratas.

Todas elas moldaram meu fascínio por esse gigante natural.

Hoje, é do mar que tiro meu sustento,
é dele que vem o peixe de cada dia,
e por isso sigo com respeito,
humildade e devoção.

Sou feito das alegrias e das dores que o mar me ensinou.
Aprendi com o sagrado e com a natureza,
com o silêncio das madrugadas
mas também, com o rugido das tempestades.

 2º Setor – Pela mãe das águas…

Quando ergo meus olhos para o horizonte, sinto teu chamado.
No abraço infindo entre os azuis do céu e do mar
É como se tu me convidasse a mergulhar,
a me saciar em tuas águas salgadas.
Ao aliviar as dores que o dia deixou em meu corpo cansado

Tu me embalas como mãe,
acalentas minhas feridas e provês o que me falta.
Salve a Rainha do Mar.
Odoyá, Yemanjá.
Recebe minha prece, minha mãe,
Senhora das Águas que tudo vê e tudo acolhe.

Peço tua benção, Senhora dos Navegantes.
Sou teu filho, necessitado…
Necessitado de colo, esperança e de coragem para mais uma jornada.
E quando o medo se aproxima,
sei que tua luz não se apaga.

Oh mãe dos Navegantes…
Quando foi preciso, tu acendeu a Candeia
Para todas as vezes que busquei uma Boa Viagem, uma Boa Esperança,
E pude em ti encontrar.
Oh, Nossa Senhora da Esperança.

Antes de partir, entrego meu caminho a você, minha mãe.
É a você que entrego meu destino antes que meu barco beije as águas.

A ti eu rezo antes de lançar minha vida ao mar.

Nunca entro no mar sem chamar por você,
Donas do meu destino,
Sejam antigas como o próprio oceano,

Sejam vestidas na fé que carrego no coração.

É em você que confio,
é por você que sigo,
Guarde meus passos e meu retorno.

Odociaba, Mãe Iemanjá! Salve minha mãe, Senhora dos Navegantes!

3º Setor – Graças aos saberes que me fazem resistir

Minha fé nasceu da convivência diária com esse mar que me cerca,
me testa, me desafia…
mas também me dá o pão e a esperança.

Aprendi a ler as estrelas como quem reza olhando o céu.
Escuto o vento como quem recebe conselho dos mais velhos.
Sinto a maré mudar e entendo que a vida também tem seu tempo certo.
Sei quando lançar a rede e quando recolher a esperança,
porque aprendi a respeitar os ciclos que movem o mundo.

Sou grato pelas minhas raízes.
É delas que vem tudo o que sou e tudo o que me sustenta.
Trago nos gestos o saber antigo,
herdado de meus pais e de meus avós,
conhecimento que não se escreve em papel,
mas se grava na alma.
Sou herdeiro de uma cultura viva,
saber que atravessa gerações,
dos caiçaras aos ribeirinhos,
patrimônio que resiste, pulsa e sobrevive em mim

Quando teço minhas redes, não amarro apenas os fios.
É como um tear antigo, onde cada nó guarda um ensinamento,
um pacto silencioso de existência.
Ali estão as memórias de quem veio antes de mim,
e é por isso que sigo, como guardião de um saber que não se pode perder.

4º Setor – Intercessão pela maré revolta

Hoje carrego o peso e o orgulho de ser provedor do meu lar.
Meu coração se aperta com a responsabilidade de garantir o sustento dos meus.
Luto todos os dias para que eles tenham caminhos mais leves que os meus,
com estudo, dignidade e futuro.

Mas nem sempre o mundo reconhece meu valor.
Sou muitas vezes invisível, jogado às margens,
mesmo sendo parte essencial do alimento que chega à mesa de tantos.

Minha pesca não é só trabalho, é identidade, é legado, um laço comunitário.
Um modo de viver que pulsa em cada amanhecer.

Vejo ameaças cercarem meu território sagrado.
A ganância dos atravessadores diminui o valor do meu esforço.
A pesca predatória avança sem pedir licença.

As águas adoecem com a poluição,
e da minha terra…
Trabalham para me expulsar, 
tentando apagar a história que meus ancestrais escreveram com os pés na areia.

Ainda assim, eu não me deixo afundar.
Sou zelador do mar por natureza,
e é nas próprias águas que encontro força para resistir.
São apenas ondas bravias tentando virar meu barco.

Enquanto houver mar, eu sigo firme,
porque aprendi que quem nasce das águas
aprende a vencer qualquer tempestade.

5º Setor – Festejos para agradecer

E lá vai nossa jangada ao mar
Ornada de flores, compondo os andores da nossa fé
Em agradecimento, ofereço presentes
Arriando nosso estandarte para a brisa marinha abençoar

Sigamos os mares então em prece
Para São Pedro, pai dos pescadores, por alimento
Para Nossa Senhora dos Navegantes, pedindo proteção
Em cortejo para São Sebastião do Marajó
Pelas candeias no 2 de fevereiro

Tocam tambores
Chacoalham-se os guizos
Cantoria ecoando alto no horizonte
Se misturando ao estrondo do mar abraçando rochedo
Que continuemos adentrar avenida virtual à dentro
Como o vai e vem das ondas rumo à mais uma pesca, a mais um carnaval.

FICHA TÉCNICA

CARNAVALESCO: Ewerton Domingos
ENREDISTA: Marcos Felipe Reis
AUTORIA: Marcos Felipe Reis e Ewerton Domingos
TEXTO: Marcos Felipe Reis

Author: Lucas Guerra

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